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“Podes
criar no dia de hoje as tuas chances para o dia de amanhã. Na Grande Viagem, as
causas semeadas a cada hora produzem a colheita dos seus efeitos, porque uma
justiça inflexível governa o mundo. Com a força poderosa da sua ação impecável,
ela traz para os mortais vidas de felicidade ou sofrimento, resultado cármico de
todos os nossos pensamentos e ações anteriores.”[1]
Bem-aventurança infinita e harmonia total: essa é a substância essencial
da vida. A lei eterna do equilíbrio e da verdade nos rodeia por todos lados.
Caminhamos sobre ela. Ela é a meta dos nossos esforços. Ela também habita nosso
coração e o ar que respiramos.
Mas somos
como peixes que navegam nas águas de um oceano infinito e não têm consciência
disso. Estamos rodeados de infinitas possibilidades em todos os aspectos, porém,
temos a impressão de que é difícil localizá-las e aproveitá-las para manter um
pleno contato com a nossa natureza original.
Em
conseqüência, a tarefa de identificar as possibilidades e as sementes do bem e
de fazê-las germinar é um dos grandes testes e mistérios colocados diante do ser
humano. Os Sete Sábios da antiga Grécia sabiam disso. Eles ensinavam através de
aforismos, e entre aqueles pensamentos inspiradores encontramos os seguintes,
colocados no templo de Delfos:
* “Nada em
excesso”;
*
“Conhece-te a ti mesmo”; e
* “Percebe
tua oportunidade”.
Na
realidade, há uma estreita relação entre esses três conselhos. É preciso, em
primeiro lugar, viver com uma calma moderação interior para, em segundo lugar,
conhecer a si mesmo. Essas duas condições permitem ao aprendiz identificar as
oportunidades no caminho da sabedoria.[2]
O ser
humano é contraditório. Ele é território de uma constante luta entre acertos e
erros. Desperdiçamos grande parte do nosso potencial de felicidade, criamos
problemas para nós mesmos e para os outros, e temos de fazer um esforço para
aceitar a verdade quando ela contraria nossas opiniões ou ameaça nossa
comodidade. Mas também damos passos positivos, temos gestos nobres e elevados,
construímos situações saudáveis e aprendemos a amar e colaborar com altruísmo e
bom senso. À medida que o tempo passa, aprendemos a aprender. E isso é o mais
importante.
Sobre a
arte de aproveitar oportunidades, um raja-iogue dos Himalaias escreveu o
seguinte no século 19 à sua discípula Laura Holloway:
“Trate,
filha, de aprender uma lição através de quem quer que seja que ela possa
estar sendo dada. ‘Até mesmo as pedras podem dar sermões.’ Não seja
demasiado ansiosa por ‘instruções’. Você sempre obterá o que necessita se o
merecer, mas não mais do que merecer ou estiver apta a assimilar...”[3]
Porém, para
aproveitar as possibilidades que a vida coloca diante de nós, é necessário: a)
saber o que queremos; b) ter olhos para ver as lições ocultas sob as aparências
externas; c) possuir uma serena autoconfiança. Émile Coué, que formulou o método
da auto-sugestão consciente, escreveu, na primeira parte do século
20:
“Aquele que
parte na vida com a firme intenção de alcançar um objetivo fatalmente o
conseguirá, porque tudo fará para alcançá-lo. Se uma só oportunidade se lhe
apresenta, por duvidosa que seja, mesmo assim não a deixa passar. Ademais,
inconscientemente ou não, dá lugar a que sucedam acontecimentos que lhe são
propícios. Aquele que, ao contrário, duvida de si mesmo, jamais alcançará coisa
alguma. Pode ter carradas de oportunidades bem favoráveis, mas não as enxergará,
não poderá segurar uma só, por mais simples que seja o esforço para
alcançá-la.”[4]
E o
pensador Robert Crosbie escreveu:
“Bem,
digamos que nada é bom e nada é mau, mas tudo é oportunidade – a melhor
oportunidade possível, porque a alma sabe o que ela necessita para aumentar seus
poderes e manter sua energia. Nós às vezes não reconhecemos nossas
oportunidades, porque elas surgem a cada momento do tempo. Cada acontecimento é
uma oportunidade – até mesmo a passagem das pessoas na rua e os pensamentos e
sentimentos que eles despertam em nós; seja o que for que nós sentirmos em
relação aos outros, sejam quais forem nossas relações com eles, nosso contato
com eles, nossas relações familiares, nossas relações sociais, profissionais, e
nacionais – todas essas são oportunidades que podem ser aproveitadas de várias
maneiras; cada uma delas constitui Carma. Nosso contato com a Sabedoria Divina
(Teosofia) constitui uma oportunidade cármica.” [5]
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.[1] The Voice of the Silence, translated and annotated by Helena P. Blavatsky, Theosophical Publishing House, Wheaton, Ill., USA, 1992, 122 pp., ver p. 34. “A Voz do Silêncio”, Ed. Pensamento, SP.
[2] Veja o item Sete Sábios, em Dicionário Oxford de Literatura Clássica Grega e Latina, Paul Harvey, Jorge Zahar Editor, RJ.
[3] Cartas dos Mestres de Sabedoria, compiladas por C. Jinarajadasa, Ed. Teosófica, Brasília, Seção de Cartas Para e Sobre Laura Holloway, ver Carta II, p. 147. Neste trecho, o mestre chama atenção para o fato de que a relação entre instrutor e discípulo ocorre sempre fundamental-mente além do verbal e do visual. O discípulo deve ter os olhos bem abertos para distinguir o ensinamento e a inspiração em qualquer aspecto da vida.
[4] O Domínio de Si Mesmo Pela Auto-Sugestão Consciente, Émile Coué, Ed. Martin Claret, SP, 2002, ver p. 83.
[5] Citado na revista “The Theosophical Movement”, Theosophy Company, Mumbai, Índia, Fevereiro 2005, p. 144.

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