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ANJOS DO CÉU E DA TERRA

Paulo Stekel *

 

            Muito já se escreveu sobre os anjos, especialmente nas últimas décadas, por conta de uma vaga de obras pseudomísticas e antes comerciais que esotéricas sobre o assunto, o que, aliás, não ajudou muito a esclarecer o grande público sobre a verdadeira natureza dos tão comentados seres angelicais.

            Na verdade, o público leigo continua tão alheio à realidade essencial do que são os anjos quanto antes da publicação de tais obras, que se limitaram apenas a copiar o que outros escreveram entre a Idade Média e o início do Século XX. (...)

            A propagação da ignorância não pode passar por cultura, mas sim o esclarecimento. O papel pode aceitar tudo. A tela de um computador – reciclando-nos no tempo – também o pode. Mas a Alma só aceita aquilo que adere à sua Essência. Procuramos, considerando isso, captar a essência da doutrina angélica dos antigos, isto é, a sua “alma”, não a superstição medieval revivida pelos modernos comerciantes da pseudo-angelologia sobre os anjos e os demônios. (...)

            Analisamos praticamente tudo o que há de relevante na Bíblia sobre os Anjos. Foram mais de 100 trechos e, como observamos, não há uma unanimidade ou coesão entre eles, e não só entre os trechos do Antigo e do Novo Testamento, que são duas realidades distintas, mas mesmo entre os trechos de um mesmo Testamento, especialmente o Antigo. Isso ocorre porque o Antigo Testamento foi sendo escrito ao longo de um período de tempo muito extenso, de modo que as concepções foram evoluindo sem uniformidade, dependendo de cada autor. Quando os textos foram codificados posteriormente, a confusão apareceu, e então, a teologia esforçou-se para unificar as idéias que eram contraditórias.

            Constatado isso, como definir o que realmente são os Anjos? Como saber qual a realidade de sua existência? Como saber se os trechos que descrevem interferências angélicas são reais ou apenas simbólicos? Se são simbólicos, o que esta simbologia quer realmente descrever?

            O assunto é mais complexo do que parece e não podemos analisá-lo com sucesso sem um rigor cético até, com relação aos relatos dos autores bíblicos, pois não nos é desconhecida a tendência dos antigos de “forjar” interferências “divinas” para corroborar suas próprias opiniões “humanas” (teológicas, religiosas). Não podemos simplesmente transportar as descrições e, aceitando-as de todo, desenvolver argumentos conclusivos sem um maior aprofundamento da questão angélica. Primeiro precisamos separar o jôio do trigo. (...)

            Vamos nos deter em “A Filosofia Oculta”, que [Cornelio] Agrippa escreveu quando tinha apenas 24 anos de idade. Nela temos uma visão bastante completa da opinião que os ocultistas tiveram dos anjos desde a Antigüidade até o final da Idade Média. Em sua obra, Agrippa condensou tudo o que os antigos haviam falado ou escrito sobre o assunto. (...)

 

            Ainda que possamos achar um tanto forçada a divisão que os antigos fizeram dos anjos, em inúmeras hierarquias, se reduzirmos tais divisões a seus princípios básicos, concluiremos que são representações das leis que regem o universo. Tais hierarquias estão divididas em grupos de 4, 7, 12, 36 e 72.

 

            Quatro são as hierarquias regentes dos elementos (Fogo, Terra, Ar e Água).

            Sete são as hierarquias regentes dos planetas (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno). Os antigos consideravam estes os sete planetas cabalísticos, por motivos ocultos, o que não significa que desconsiderassem a possibilidade da existência de outros mundos além destes.

            Doze são as hierarquias regentes dos signos zodiacais (Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes).

 

            Trinta e seis são as hierarquias regentes dos decanatos dos signos zodiacais. Cada signo é dividido em três decanatos.

 

            Setenta e duas são as hierarquias regentes dos quinários, isto é, cada cinco graus de um signo ou a metade de um decanato.

 

            Não deve escapar à percepção dos astrólogos a relação evidente destas hierarquias com a Astrologia. Isso se deve ao fato dos antigos atribuírem aos astros uma influência física, matemática e divina ampla e onipresente. Os anjos, estando acima dos homens no sentido de mais próximos da Divindade, segundo os antigos, influenciam os homens e toda a terra através dos elementos, dos planetas, dos signos e dos seus graus (decanatos e quinários).

 

            Agrippa atribui o Fogo como sendo regido pelos Serafins, virtudes e Potências; a Terra como sendo regida pelos Querubins; a Água pelos Tronos e Arcanjos; o Ar pelas Dominações e Principados.

 

            Entre outras denominações, Agrippa diz que os antigos chamavam os anjos por diversos nomes: “deuses”, “atratores divinos”, “atrativos simbólicos”, “vidas” e “almas”.

 

            Diz ainda que os anjos se comunicam com os homens através do quinto elemento – o Éter -, ao qual dá o nome de Anima Mundi (a alma do mundo). Para ele, segundo suas fontes, a “luz”, nos anjos, existe em “forma expandida”. (...)

 

            No livro III de sua “A Filosofia Oculta”, que trata de Magia Cerimonial, Agrippa dá inúmeras informações sobre os anjos. O capítulo XI inicia com uma descrição dos diversos métodos e operações que os cabalistas utilizam para extrair os Nomes Divinos dos textos bíblicos e, destes, os nomes dos anjos:

 

            “Ainda que Deus seja uníssimo, todavia, leva muitos nomes, que não representam muitas essências diferentes ou divindades, mas que por seus nomes sagrados, como através de canais, faz correr sobre nós uma quantidade de bens, dons e graças. (...) Os mecubais ou doutores hebreus [do hebraico mequbal, “cabalista”], extraem de certo texto do Êxodo [Ex. 14.19-21] setenta e dois nomes, tanto de Deus como dos anjos, que chamam Nome de setenta e duas letras e Shemamphorash. Isto é, 'exposição'. Outros, que vão mais longe, relacionam com cada passagem das Escrituras tantos nomes divinos que ignoramos inteiramente o número e significado.

 

            (...) Se obtêm muitos nomes de Deus e dos anjos nas Sagradas Escrituras pelas espécies de arte cabalística, calculatória, notaríaca e gemátrica: quando se forma um nome ou muitas dicções retirando algumas de suas letras ou quando um nome separado em cada uma de suas letras significa ou forma muitos. Se obtêm às vezes do começo de expressões, por exemplo, este nome AGLA, deste versículo da Sagrada Escritura, 'Athah Gibor Leolam Adonay' que quer dizer, 'Tu és o Deus forte da eternidade' [lit. “Tu és forte para sempre, Meu Senhor”]. De modo parecido, o nome IAIA, obtido deste versículo 'Yahweh Eloenu Yahweh Ehad', que quer dizer 'Deus nosso Deus um Deus' [lit. “Yahveh é nosso Deus, Yahvéh é Um”]. De maneira similar, o nome IAVA, obtido deste versículo 'Ihehi Or Vaihehi Or', que quer dizer 'que se faça a luz e a luz se fez' [lit. “haja luz e houve luz”]. (...) Na confecção de todos estes nomes a letra se põe sobre a expressão, e a letra se extrai da expressão, ou do começo, ou do fim, ou do sítio que se queira; e às vezes estes nomes se obtêm de todas as letras em particular, como se obtém estes setenta e dois nomes de Deus (...); e assim, às vezes uma expressão se obtém de outra expressão, ou um nome de outro nome, pela transposição das letras, como MASHIAH de ISHMA [? - equívoco de Agrippa neste caso, já que a letra hebraica Heth é diferente de Hê?] e MIKHAEL de MALAKHI . (...) Às vezes também se mudam os nomes por meio da igualdade numérica, como METATRON [vale 314, pelo sistema pré-exílico, mas 964 pelo pós-exílico] e SHADAY [vale 314]: pois um e outro somam trezentos e quatorze; (...).

 

            Estes segredos estão muito ocultos, são muito difíceis de interpretar cientificamente e não é possível entendê-los nem ensiná-los em idioma algum, salvo em hebraico. (...).”

 

            Os céus recebem pois dos anjos seus influxos e os anjos recebem do grande nome de Deus [Yahveh] e de IESV [Jesus], cuja virtude é primeira em Deus, logo expandida nos dezenove anjos por cujo ministério se derrama sobre os doze signos e sete planetas, e dalí sobre todos os demais ministros e instrumentos de Deus, penetrando até o ínfimo.”

 

            O que podemos deduzir deste último parágrafo é que os antigos acreditavam que, se os astros influenciam a terra é exatamente por efeito da ação dos anjos, que colocam seus influxos nos astros e estes, por sua vez, os retransmitem ao nosso mundo. Assim, os anjos são a parte oculta da Astrologia, a Causa da influência dos astros. Se dá a esse estudo o nome de Astrosofia. (...)

 

            Agrippa: “Em terceiro lugar, incluindo aos Demônios que são como ministros abaixo dos outros, para governar o mundo inferior [a Terra], que Orígenes denomina certas virtudes que dispõem as coisas sobre a terra; pois, com efeito, amiúde nos conduzem sem que se os veja em nossas viagens e assuntos; também com freqüência se acham nos combates, e fazem triunfar a seus amigos com o auxílio que prestam sem sentí-lo; pois se diz que podem, a vontade, fazer-nos prosperar ou lançar-nos à adversidade. Os distribuem, de modo parecido, em muitas ordens e os há para o fogo, o ar, a água e a terra, segundo a quantidade das quatro forças das almas celestes, o pensamento, a razão, a imaginação e a natureza vivífica e motora. Por isso, os demônios do fogo seguem o pensamento das almas celestes e contribuem para a contemplação das matérias sublimes; os demônios do ar seguem a razão e favorecem o poder racional, o separam de alguma maneira do sensual e vital, servindo assim principalmente para a vida ativa, como os do fogo o fazem para a vida contemplativa; os demônios da água seguem a imaginação e o juízo e são para a vida voluptuosa; os demônios da terra seguem a natureza e são para a faculdade vegetativa.

            (...) Enfim, não há parte do mundo que não tenha seus demônios assistentes e presentes, não como simples assistentes, mas principalmente como seus governantes em ação, (...). Uns os chamam diurnos, outros meridianos e outros noturnos; do mesmo modo, uns se chamam silvestres, outros montanheses, outros campestres, outros domésticos; daí derivam: Silfos, Faunos, Sátiros, Pãs, Ninfas, Náiades, Nereidas, Dríadas, Piéridas, Hamadríadas, Potâmidas, Hínidas, Agaptes, Palas, Parêadas, Dodonas, Feniles, Lavernas, Parcas, Musas, Aônidas, Castálidas, Helicônidas, Gênios, Meônidas, Fevíadas, Camenas, Carites, Lêmures e demônios semelhantes aos que chamam povo dos deuses e outros, semideuses e semideusas. Alguns destes deuses são tão humanos e familiares que estão sujeitos às paixões dos homens; (...).”

            Esta terceira ordem equivale aos espíritos elementais de Paracelso, sem sombra de dúvida. As salamandras são os demônios do fogo, os gnomos os da terra, as ondinas os da água e os silfos os do ar.

            No Capítulo XVII de seu livro – “Os anjos segundo as opiniões dos teólogos” – Agrippa apresenta as divisões teológicas das nove hierarquias de uma outra maneira:

            1 – Os Serafins, Querubins e Tronos como representantes dos espíritos Supercelestes;

            2 – As Dominações, Virtudes e Potências como representantes dos Demônios Mundanos;

            3 – Os Principados, Arcanjos e Anjos como representantes dos Demônios ministros.

            Apresenta ainda a divisão de Athanasius Kircher em: Serafins, Querubins, Tronos, Doutrinários, Tutelares, Procuradores, Ministros, Auxiliares, Receptores das Almas e Assistentes. (...)

            Agrippa: “A primeira classe destes espíritos malignos são os pseudodeuses, os falsos deuses, assim chamados porque usurpam o nome de Deus e pretendem fazer-se adorar como deuses; (...) [Seu chefe] se chama Belzebu, isto é, 'velho deus'. Depois destes estão os espíritos mentirosos, (...) esta classe de demônios se mescla com os oráculos e ilude aos homens com adivinhações (...). A terceira classe destes espíritos são os vasos de iniquidade, também chamados vasos de ira; (...) seu chefe se chama Belial, que significa desobediente, prevaricador e apóstata, (...). Em quarto lugar estão os vingadores de crimes, que têm por chefe Asmodeu, isto é, executor do juízo. Depois deles seguem em quinto lugar os prestidigitadores que falsificam milagres (...); seu príncipe é Satan, (...). Em sexto lugar se apresentam os poderes do ar; estes espíritos malignos se mesclam com trovões, raios e centelhas, corrompem o ar e produzem pestes e outros males; (...); seu chefe se chama Meririm, isto é, demônio do meio-dia, espírito de calor e tempestade, (...). O sétimo lugar é ocupado pelas Fúrias, e estes são espíritos que derramam males sobre a terra, discórdias, guerras, desolações e pilhagens; seu príncipe se chama Abaddon, isto é, exterminador, devastador. Em oitavo lugar estão os incriminadores ou exploradores, que têm por príncipe Astaroth, isto é, explorador e espião, chamado Diabolos em grego, isto é, incriminador ou caluniador, (...). Por fim, em último lugar estão os tentadores ou insidiosos, que seguem individualmente a seu homem e são aqueles aos que, por essa causa, chamamos gênios malignos, e seu chefe é Mammon, que se interpreta como cobiça.

            Todos os doutores admitem de comum acordo os espíritos malignos, errantes neste mundo inferior, inimigos de todo o mundo, que por isso se chamam diabos. (...) Entretanto, a Grécia não crê que todos estes espíritos estejam condenados nem que sejam maus com o propósito deliberado, mas que, desde a criação do mundo, a disposição das coisas esteve ordenada.”

            Esta classificação parece muito forçada e artificial. Mas tais classes malignas espelham a doutrina antiga da polaridade maniqueísta, isto é, de que tudo tem o seu outro lado. Se existem demônios bons, existem os maus. Neste caso, os gregos tinham razão, e não podemos pensar numa condenação enterna dos anjos maus pelo fato de que sua existência segue uma lei cósmica, divina. (...)

            De tudo o que estudamos sobre a visão dos antigos a respeito dos seres angélicos, deduzimos que eles acreditavam na existência de quatro planos ou mundos que influenciam o homem de alguma forma:

 

            1º – O Mundo Elemental, habitado pelos anjos inferiores ou espíritos da natureza, os Elementais. Eles presidem a manifestação dos quatro elementos no mundo e no homem, segundo uma certa harmonia na proporção de fogo, terra, ar e água. Paracelso ainda concebia, como os hindus, um quinto elemento, também com seus elementais. Era chamado de “quintessência” por uns, ou “a quinta essência”, a permear os demais elementos.

 

            2º – O Mundo Celeste, habitado pelos anjos celestes ou astrológicos, assim chamados por serem os responsáveis pela influência dos astros. Presidem a formação do corpo humano e das disposições da personalidade.

 

            3º – O Mundo Angélico, habitado pelos anjos supercelestes, também chamados modernamente de “Logos” (segundo Helena Blavatsky), regentes da mais alta envergadura, influenciando nosso espírito acima da esfera astrológica.

 

            4º – O Mundo Divino, constituído pelo aspecto impessoal e imanifestado da Divindade Oculta, o que, em outras palavras, quer dizer o Eu Superior em contato com sua fonte universal. O Eu Superior seria a união do aspecto mais elevado da mente, a intuição e o espírito. (...)

 

            Apesar de se usar os termos “Deuses”, “Anjos”, “Devas” e “Sefiras” como sinônimos, os três principais estágios do desenvolvimento destes seres têm suas próprias diferenciações:

            1º Estágio: É o dos Elementais ou Espíritos da Natureza que, como os animais em geral, são impulsionados por uma alma grupal compartilhada com outros do mesmo gênero. São os “Anjos inferiores” dos cabalistas cristãos.

            2º Estágio: Chamados “deuses”, “sefiras”, “devas” ou “anjos”, estes seres evoluíram da alma-grupo elemental do 1º estágio para almas separadas, para Individualidades, como o homem. São, portanto, os anjos mais próximos do ser humano e correspondem aos “Anjos Celestes” dos cabalistas cristãos.

            3º Estágio: São os Arcanjos ou Príncipes, que transcenderam as limitações da Individualidade e penetraram na Consciência Cósmica ou Universal, assim como o Mestre ou Adepto (no que se refere ao processo evolutivo do homem). Correspondem aos “Anjos Supercelestes” dos cabalistas cristãos.

            Os “anjos” do 1º estágio se manifestam através dos elementos, sem serem os elementos – são a energia diretora dos elementos, das partículas subatômicas, dos átomos e das moléculas, por assim dizer; os “anjos” do 2º estágio se manifestam através da força dos corpos celestes, sem serem tais corpos – são a energia que os movimenta, incluindo-se aí a força gravitacional; os “anjos” do 3º estágio se manifestam através da Mente Cósmica ou Consciência Cósmica, estado do qual podemos compartilhar momentaneamente quando estamos devidamente preparados e receptivos. (...)

 

            Os Anjos mais elevados são os Arcanjos Solares, os Sete Poderosos Espíritos ante o Trono. Colaborando com eles, escalonados numa vasta hierarquia de Seres, estão as hostes de Arcanjos e Anjos do 2º estágio.

 

            Os Deuses ou Anjos diferem do homem no fato de que no Ciclo Cósmico atual de Existência suas vontades não se tornaram muito diferentes ou mesmo diferenciadas da Vontade Una. Neles inexiste quase completamente o senso humano de personalidade separada – o fenômeno ilusório da separatividade, conforme ensina o Budismo. Seu caminho de evolução conduz da cooperação instintiva com a Vontade Una para a cooperação autoconsciente. Se em Ciclos Cósmicos anteriores ao atual esses Anjos não foram homens como nós, o serão em algum Ciclo futuro. Neste sentido, não são diferentes de nós, nem foram criados “à parte” do homem, como querem alguns teólogos. Podemos dizer que os Anjos não são seres diferentes do homem e que evoluem paralelamente a ele, mas que são homens (passados ou futuros) evoluindo, seja como elementais – ainda inferiores ao homem comum – ou então como seres muito superiores ao homem físico da Terra. Entretanto,como vivem em outros planos de existência, são invisíveis, a não ser para os clarividentes. (...)

 

            [Os Deuses menores ou elementais] São exatamente aqueles que ainda não foram humanos, mas o serão no futuro. Em certas condições, (...), podem se revestir de um veículo etérico temporariamente materializado, quando, então, são vistos por certas pessoas. Além deste veículo etérico temporário, possuem ainda um veículo astral permamente, visto pelos clarividentes.

 

            Entre os elementais, encontramos – utilizando a nomenclatura de Paracelso – os Gnomos (elementais da Terra), as Ondinas (elementais da Água), os Silfos (elementais do Ar), as Salamandras (elementais do Fogo), os duendes, os elfos, as fadas, as dríades (fadas das árvores) e inúmeras outras denominações que, a mais das vezes, são sinônimos umas das outras.

 

            Procedamos, então, a uma análise final, buscando definir o que são os anjos em termos bem claros (...).

 

            Os elementais e os Construtores (Elohim para os cabalistas) são uma classe de “forças conscientes” que quase não podemos definir como “Seres” ou “Entidades”, no sentido já explicado, pois tais “forças” têm consciência apenas num nível grupal, como as células do nosso corpo, que obedecem ao nosso cérebro de uma forma mais ou menos automática e coordenada. Apesar de que estes elementais possam, às vezes, se materializar como anões, gnomos, ondinas e outros tipos, isso é mais produto da mente humana trabalhando inconscientemente tais “forças” do que a forma que estes realmente possuam. Neste caso, os chamados espíritos elementais são nada mais que “forças” quase cegas, comandadas pelos Anjos Superiores, dos quais falaremos.

 

            Os chamados anjos astrológicos ou celestes (Agrippa) também são forças que, de certa forma, são mais conscientes e individualizadas que os elementais, embora não devamos ainda considerá-los como os Anjos in se ou por excelência. São, no que tange à harmonia universal, “forças” tão automáticas quanto os elementais, igualmente manifestados e comandados pelos Anjos Superiores.

 

            O Destino, que também foi considerado um “anjo” pelos antigos, nada mais é do que a ação das leis cármicas sobre todo o universo, e não o castigo de algum ser divino ou coisa que o valha. É – como os elementais e os anjos astrológicos ou cabalísticos – uma “força” tão automática quanto a gravidade.

 

            Os Iniciados – homens como nós, mas mais avançados espiritualmente – foram também considerados anjos, e aqui podemos incluir os extraterrestres que, sendo representantes de civilizações avançadas, eram tomados por grandes sábios e iniciados.

 

            Quanto aos anjos confundidos com as almas dos mortos, com as pestes e doenças, essa associação veio a existir por causa dos efeitos fenomênicos observados, por seu poder destrutivo e pelo espanto que causavam tais fenômenos.

 

            Por fim, o que nos resta? Restam os elementais como forças inconscientes, os Elohim emanadores como forças semiconscientes, os anjos cabalísticos como símbolos e os Logos e Anjos Superiores (Arcanjos) como os diretores destas forças. Os verdadeiros anjos, portanto, como seres/entidades e não “forças”, são os Arcanjos e o Logos. Tudo o mais são apenas a manifestação de suas emanações energéticas, que quase criam vida por força de egrégora, e são, por vezes, imaginadas como Entidades separadas.

 

            Mas, o que é uma “força”? Esquecendo um pouco a Física moderna, que ainda hoje não nos dá uma resposta muito esclarecedora a esta dúvida, respondemos, baseando-nos na Ciência dos antigos: uma “força” é, antes de tudo, a manifestação em movimento de uma energia emanada a partir de uma Consciência ou Existência em um plano inferior a esta Consciência, gerando e dirigindo um fenômeno qualquer.

 

101

 
            E o que é uma “energia”? É uma vibração, som, como diziam os antigos, uma sucessão harmônica, em escala setenária, de um Pensamento, produto da Consciência, a única coisa que pode ser considerada real em nosso universo material manifestado. E, como esta vibração se movimenta no seio da “ilusão” universal, isto é o que chamamos de “força”. Energia em movimento gera um “campo”, isto é, uma área de influência onde a força atua, tal qual os campos eletromagnéticos da Física. Esses campos são “inteligentes” (obedecem a ordens preestabelecidas) mas não são “conscientes” (não dão ordens). Esses “campos”, podemos deduzir facilmente, são o que os antigos viam como “anjos”, mas não precisamos imaginar que por trás de cada “campo” ou “força” haja um anjo manipulando os fenômenos, como se manipula marionetes. Os “campos” e as “forças” são automáticos, e agem tanto no microcosmo (os elementais e os elohim) como no macrocosmo (os anjos cabalísticos). Seus dirigentes, os agentes, agem a partir do que poderíamos chamar de Supracosmo, composto apenas de “Consciência” e não de “forças”, que só existem como tais na matéria. É bom esclarecer que compreendemos como matéria todo o quaternário inferior, isto é, o físico, o prânico, o etérico e o astral. O mental, estando ligado à consciência e ao espírito, não faz parte da matéria, embora seja uma manifestação da Consciência, e não ela mesma. É um veículo, mas não é matéria, pelo fato de que sobre a Mente não agem forças, mas apenas o Espírito e os Anjos Superiores, diretamente. Os elementais, por exemplo, não têm ação alguma sobre a Mente, mas podem, ao contrário, ser comandados por ela. O mesmo se pode dizer dos anjos planetários ou cabalísticos – são forças comandáveis por qualquer um que tenha atingido as Iniciações superiores. Só assim é possível comandar os elementais – as forças da Natureza – e os anjos cabalísticos, as forças do destino traçado antes do nascimento. Não é possível, entretanto, comandar os Anjos Superiores, pelo simples fato de que não são forças e, sim, seres mais evoluídos que o homem atual.

            Os anjos, em sua denominação genérica, fazem parte do que chamamos a “física dos antigos” ou “Física Oculta”, que via nos fenômenos bem mais que as forças dos físicos modernos. Eis o motivo de não se adorar os anjos: não podemos adorar “forças”, que não são nem sequer Seres individualizados como nós. Devemos, sim, trabalhar em conjunto com estas forças, em prol da harmonia universal.

 

            Quanto aos Anjos Superiores, também não devemos adorá-los, pois mesmo sendo considerados como “deuses”, são homens, ainda que mais evoluídos. Porém, não atingiram nenhum estágio que não possamos atingir no futuro, quando igualmente comandaremos mundos e sóis, e não apenas nossas medíocres vidas. Não estamos ainda nada próximos do anjo superior que fez da sua vida a vida de todos os homens, e de muito bom grado.

 

* (trechos do livro recentemente publicado “Deuses & Demônios – Verdades inauditas e mentiras anunciadas sobre os anjos”, de Paulo Stekel – escritor, jornalista, prof. de línguas sagradas e editor da Revista Horizonte – Leitura Holística) . Para adquirira obra “Deuses & Demônios – Verdades inauditas e mentiras anunciadas sobre os anjos”, de Paulo Stekel, contate: pstekel@gmail.com]

 

 

Pensamentos

 

 Chegou o tempo em que deveis lançar os alicerces dessa estrita conduta - tanto no indivíduo como no corpo coletivo - a qual, sempre vigilante, preserva contra a decepção quer consciente quer inconsciente.

 

           Mestre Koot Humi

 

 

 

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