Muito
já se escreveu sobre os anjos, especialmente nas últimas décadas, por conta de
uma vaga de obras pseudomísticas e antes comerciais que esotéricas sobre o
assunto, o que, aliás, não ajudou muito a esclarecer o grande público sobre a
verdadeira natureza dos tão comentados seres angelicais.
Na
verdade, o público leigo continua tão alheio à realidade essencial do que são
os anjos quanto antes da publicação de tais obras, que se limitaram apenas a
copiar o que outros escreveram entre a Idade Média e o início do Século XX.
(...)
A
propagação da ignorância não pode passar por cultura, mas sim o esclarecimento.
O papel pode aceitar tudo. A tela de um computador – reciclando-nos no tempo –
também o pode. Mas a Alma só aceita aquilo que adere à sua Essência.
Procuramos, considerando isso, captar a essência da doutrina angélica dos
antigos, isto é, a sua “alma”, não a superstição medieval revivida pelos
modernos comerciantes da pseudo-angelologia sobre os anjos e os demônios. (...)
Analisamos
praticamente tudo o que há de relevante na Bíblia sobre os Anjos. Foram mais de
100 trechos e, como observamos, não há uma unanimidade ou coesão entre eles, e
não só entre os trechos do Antigo e do Novo Testamento, que são duas realidades
distintas, mas mesmo entre os trechos de um mesmo Testamento, especialmente o
Antigo. Isso ocorre porque o Antigo Testamento foi sendo escrito ao longo de um
período de tempo muito extenso, de modo que as concepções foram evoluindo sem
uniformidade, dependendo de cada autor. Quando os textos foram codificados
posteriormente, a confusão apareceu, e então, a teologia esforçou-se para
unificar as idéias que eram contraditórias.
Constatado
isso, como definir o que realmente são os Anjos? Como saber qual a realidade de
sua existência? Como saber se os trechos que descrevem interferências angélicas
são reais ou apenas simbólicos? Se são simbólicos, o que esta simbologia quer
realmente descrever?
O
assunto é mais complexo do que parece e não podemos analisá-lo com sucesso sem
um rigor cético até, com relação aos relatos dos autores bíblicos, pois não nos
é desconhecida a tendência dos antigos de “forjar” interferências “divinas”
para corroborar suas próprias opiniões “humanas” (teológicas, religiosas). Não
podemos simplesmente transportar as descrições e, aceitando-as de todo,
desenvolver argumentos conclusivos sem um maior aprofundamento da questão
angélica. Primeiro precisamos separar o jôio do trigo. (...)
Vamos
nos deter em “A Filosofia Oculta”, que [Cornelio] Agrippa escreveu quando
tinha apenas 24 anos de idade. Nela temos uma visão bastante completa da
opinião que os ocultistas tiveram dos anjos desde a Antigüidade até o final da
Idade Média. Em sua obra, Agrippa condensou tudo o que os antigos haviam falado
ou escrito sobre o assunto. (...)
Ainda
que possamos achar um tanto forçada a divisão que os antigos fizeram dos anjos,
em inúmeras hierarquias, se reduzirmos tais divisões a seus princípios básicos,
concluiremos que são representações das leis que regem o universo. Tais
hierarquias estão divididas em grupos de 4, 7, 12, 36 e 72.
Quatro
são as hierarquias regentes dos elementos (Fogo, Terra, Ar e Água).
Sete
são as hierarquias regentes dos planetas (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte,
Júpiter e Saturno). Os antigos consideravam estes os sete planetas
cabalísticos, por motivos ocultos, o que não significa que desconsiderassem a
possibilidade da existência de outros mundos além destes.
Doze
são as hierarquias regentes dos signos zodiacais (Áries, Touro, Gêmeos, Câncer,
Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes).
Trinta
e seis são as hierarquias regentes dos decanatos dos signos zodiacais. Cada
signo é dividido em três decanatos.
Setenta
e duas são as hierarquias regentes dos quinários, isto é, cada cinco graus de
um signo ou a metade de um decanato.
Não
deve escapar à percepção dos astrólogos a relação evidente destas hierarquias
com a Astrologia. Isso se deve ao fato dos antigos atribuírem aos astros uma
influência física, matemática e divina ampla e onipresente. Os anjos, estando
acima dos homens no sentido de mais próximos da Divindade, segundo os antigos,
influenciam os homens e toda a terra através dos elementos, dos planetas, dos
signos e dos seus graus (decanatos e quinários).
Agrippa
atribui o Fogo como sendo regido pelos Serafins, virtudes e Potências; a Terra
como sendo regida pelos Querubins; a Água pelos Tronos e Arcanjos; o Ar pelas
Dominações e Principados.
Entre
outras denominações, Agrippa diz que os antigos chamavam os anjos por diversos
nomes: “deuses”, “atratores divinos”, “atrativos simbólicos”, “vidas” e
“almas”.
Diz
ainda que os anjos se comunicam com os homens através do quinto elemento – o
Éter -, ao qual dá o nome de Anima Mundi (a alma do mundo). Para ele, segundo
suas fontes, a “luz”, nos anjos, existe em “forma expandida”. (...)
No
livro III de sua “A Filosofia Oculta”, que trata de Magia Cerimonial,
Agrippa dá inúmeras informações sobre os anjos. O capítulo XI inicia com uma
descrição dos diversos métodos e operações que os cabalistas utilizam para
extrair os Nomes Divinos dos textos bíblicos e, destes, os nomes dos anjos:
“Ainda que Deus seja uníssimo,
todavia, leva muitos nomes, que não representam muitas essências diferentes ou
divindades, mas que por seus nomes sagrados, como através de canais, faz correr
sobre nós uma quantidade de bens, dons e graças. (...) Os mecubais ou doutores
hebreus [do hebraico mequbal, “cabalista”], extraem de certo
texto do Êxodo [Ex. 14.19-21] setenta e dois nomes, tanto de Deus como
dos anjos, que chamam Nome de setenta e duas letras e Shemamphorash.
Isto é, 'exposição'. Outros, que vão mais longe, relacionam com cada passagem
das Escrituras tantos nomes divinos que ignoramos inteiramente o número e
significado.
(...) Se obtêm muitos nomes de
Deus e dos anjos nas Sagradas Escrituras pelas espécies de arte cabalística,
calculatória, notaríaca e gemátrica: quando se forma um nome ou muitas dicções
retirando algumas de suas letras ou quando um nome separado em cada uma de suas
letras significa ou forma muitos. Se obtêm às vezes do começo de expressões,
por exemplo, este nome AGLA, deste versículo da Sagrada Escritura, 'Athah
Gibor Leolam Adonay' que quer dizer, 'Tu és o Deus
forte da eternidade' [lit. “Tu és forte para sempre, Meu Senhor”]. De
modo parecido, o nome IAIA, obtido deste versículo 'Yahweh Eloenu
Yahweh Ehad', que quer dizer 'Deus nosso Deus um Deus' [lit. “Yahveh
é nosso Deus, Yahvéh é Um”]. De maneira similar, o nome IAVA, obtido
deste versículo 'Ihehi Or Vaihehi Or', que quer dizer 'que se
faça a luz e a luz se fez' [lit. “haja luz e houve luz”]. (...) Na confecção de
todos estes nomes a letra se põe sobre a expressão, e a letra se extrai da
expressão, ou do começo, ou do fim, ou do sítio que se queira; e às vezes estes
nomes se obtêm de todas as letras em particular, como se obtém estes setenta e
dois nomes de Deus (...); e assim, às vezes uma expressão se obtém de outra
expressão, ou um nome de outro nome, pela transposição das letras, como MASHIAH
de ISHMA [? - equívoco de Agrippa neste caso, já que a letra
hebraica Heth é diferente de Hê?] e MIKHAEL de MALAKHI
. (...) Às vezes também se mudam os nomes por meio da igualdade numérica,
como METATRON [vale 314, pelo sistema pré-exílico, mas 964 pelo
pós-exílico] e SHADAY [vale 314]: pois um e outro somam
trezentos e quatorze; (...).
Estes segredos estão muito
ocultos, são muito difíceis de interpretar cientificamente e não é possível
entendê-los nem ensiná-los em idioma algum, salvo em hebraico. (...).”
Os céus recebem pois dos anjos seus
influxos e os anjos recebem do grande nome de Deus [Yahveh] e
de IESV [Jesus], cuja virtude é primeira em Deus, logo
expandida nos dezenove anjos por cujo ministério se derrama sobre os doze
signos e sete planetas, e dalí sobre todos os demais ministros e instrumentos
de Deus, penetrando até o ínfimo.”
O que podemos deduzir deste último
parágrafo é que os antigos acreditavam que, se os astros influenciam a terra é
exatamente por efeito da ação dos anjos, que colocam seus influxos nos astros e
estes, por sua vez, os retransmitem ao nosso mundo. Assim, os anjos são a parte
oculta da Astrologia, a Causa da influência dos astros. Se dá a esse estudo o
nome de Astrosofia. (...)
Agrippa: “Em terceiro lugar,
incluindo aos Demônios que são como ministros abaixo dos outros, para
governar o mundo inferior [a Terra], que Orígenes denomina certas virtudes que
dispõem as coisas sobre a terra; pois, com efeito, amiúde nos conduzem sem que
se os veja em nossas viagens e assuntos; também com freqüência se acham nos
combates, e fazem triunfar a seus amigos com o auxílio que prestam sem
sentí-lo; pois se diz que podem, a vontade, fazer-nos prosperar ou lançar-nos à
adversidade. Os distribuem, de modo parecido, em muitas ordens e os há para o fogo,
o ar, a água e a terra, segundo a quantidade das quatro forças das almas
celestes, o pensamento, a razão, a imaginação e a natureza vivífica e motora.
Por isso, os demônios do fogo seguem o pensamento das almas celestes e
contribuem para a contemplação das matérias sublimes; os demônios do ar seguem
a razão e favorecem o poder racional, o separam de alguma maneira do sensual e
vital, servindo assim principalmente para a vida ativa, como os do fogo o fazem
para a vida contemplativa; os demônios da água seguem a imaginação e o juízo e
são para a vida voluptuosa; os demônios da terra seguem a natureza e são para a
faculdade vegetativa.
(...) Enfim, não há parte do
mundo que não tenha seus demônios assistentes e presentes, não como simples
assistentes, mas principalmente como seus governantes em ação, (...). Uns os
chamam diurnos, outros meridianos e outros noturnos; do mesmo modo, uns se
chamam silvestres, outros montanheses, outros campestres, outros domésticos;
daí derivam: Silfos, Faunos, Sátiros, Pãs, Ninfas, Náiades, Nereidas, Dríadas,
Piéridas, Hamadríadas, Potâmidas, Hínidas, Agaptes, Palas, Parêadas, Dodonas,
Feniles, Lavernas, Parcas, Musas, Aônidas, Castálidas, Helicônidas, Gênios,
Meônidas, Fevíadas, Camenas, Carites, Lêmures e demônios semelhantes aos que
chamam povo dos deuses e outros, semideuses e semideusas. Alguns destes deuses
são tão humanos e familiares que estão sujeitos às paixões dos homens; (...).”
Esta terceira ordem equivale aos
espíritos elementais de Paracelso, sem sombra de dúvida. As salamandras
são os demônios do fogo, os gnomos os da terra, as ondinas os da
água e os silfos os do ar.
No Capítulo XVII de seu livro – “Os
anjos segundo as opiniões dos teólogos” – Agrippa apresenta as divisões
teológicas das nove hierarquias de uma outra maneira:
1 – Os Serafins, Querubins e Tronos
como representantes dos espíritos Supercelestes;
2 – As Dominações, Virtudes e
Potências como representantes dos Demônios Mundanos;
3 – Os Principados, Arcanjos e Anjos
como representantes dos Demônios ministros.
Apresenta ainda a divisão de Athanasius
Kircher em: Serafins, Querubins, Tronos, Doutrinários, Tutelares,
Procuradores, Ministros, Auxiliares, Receptores das Almas e Assistentes. (...)
Agrippa: “A primeira classe
destes espíritos malignos são os pseudodeuses, os falsos deuses, assim
chamados porque usurpam o nome de Deus e pretendem fazer-se adorar como deuses;
(...) [Seu chefe] se chama Belzebu, isto é, 'velho deus'. Depois destes
estão os espíritos mentirosos, (...) esta classe de demônios se mescla
com os oráculos e ilude aos homens com adivinhações (...). A terceira classe
destes espíritos são os vasos de iniquidade, também chamados vasos de
ira; (...) seu chefe se chama Belial, que significa desobediente,
prevaricador e apóstata, (...). Em quarto lugar estão os vingadores de
crimes, que têm por chefe Asmodeu, isto é, executor do juízo. Depois
deles seguem em quinto lugar os prestidigitadores que falsificam
milagres (...); seu príncipe é Satan, (...). Em sexto lugar se
apresentam os poderes do ar; estes espíritos malignos se mesclam com
trovões, raios e centelhas, corrompem o ar e produzem pestes e outros males;
(...); seu chefe se chama Meririm, isto é, demônio do meio-dia, espírito
de calor e tempestade, (...). O sétimo lugar é ocupado pelas Fúrias, e
estes são espíritos que derramam males sobre a terra, discórdias, guerras,
desolações e pilhagens; seu príncipe se chama Abaddon, isto é,
exterminador, devastador. Em oitavo lugar estão os incriminadores ou exploradores,
que têm por príncipe Astaroth, isto é, explorador e espião, chamado Diabolos
em grego, isto é, incriminador ou caluniador, (...). Por fim, em último lugar
estão os tentadores ou insidiosos, que seguem individualmente a
seu homem e são aqueles aos que, por essa causa, chamamos gênios
malignos, e seu chefe é Mammon, que se interpreta como cobiça.
Todos os doutores admitem de
comum acordo os espíritos malignos, errantes neste mundo inferior, inimigos de
todo o mundo, que por isso se chamam diabos. (...) Entretanto, a Grécia não crê
que todos estes espíritos estejam condenados nem que sejam maus com o propósito
deliberado, mas que, desde a criação do mundo, a disposição das coisas esteve
ordenada.”
Esta classificação parece muito
forçada e artificial. Mas tais classes malignas espelham a doutrina antiga da
polaridade maniqueísta, isto é, de que tudo tem o seu outro lado. Se existem
demônios bons, existem os maus. Neste caso, os gregos tinham razão, e não
podemos pensar numa condenação enterna dos anjos maus pelo fato de que sua
existência segue uma lei cósmica, divina. (...)
De tudo o que estudamos sobre a
visão dos antigos a respeito dos seres angélicos, deduzimos que eles
acreditavam na existência de quatro planos ou mundos que influenciam o homem de
alguma forma:
1º – O Mundo Elemental,
habitado pelos anjos inferiores ou espíritos da natureza, os Elementais. Eles
presidem a manifestação dos quatro elementos no mundo e no homem, segundo uma
certa harmonia na proporção de fogo, terra, ar e água. Paracelso ainda
concebia, como os hindus, um quinto elemento, também com seus elementais. Era
chamado de “quintessência” por uns, ou “a quinta essência”, a permear os demais
elementos.
2º – O Mundo Celeste,
habitado pelos anjos celestes ou astrológicos, assim chamados por serem os
responsáveis pela influência dos astros. Presidem a formação do corpo humano e
das disposições da personalidade.
3º – O Mundo Angélico,
habitado pelos anjos supercelestes, também chamados modernamente de “Logos”
(segundo Helena Blavatsky), regentes da mais alta envergadura,
influenciando nosso espírito acima da esfera astrológica.
4º – O Mundo Divino,
constituído pelo aspecto impessoal e imanifestado da Divindade Oculta, o que,
em outras palavras, quer dizer o Eu Superior em contato com sua fonte universal.
O Eu Superior seria a união do aspecto mais elevado da mente, a intuição e o
espírito. (...)
Apesar de se usar os termos
“Deuses”, “Anjos”, “Devas” e “Sefiras” como sinônimos, os três principais
estágios do desenvolvimento destes seres têm suas próprias diferenciações:
1º Estágio: É o dos
Elementais ou Espíritos da Natureza que, como os animais em geral, são
impulsionados por uma alma grupal compartilhada com outros do mesmo gênero. São
os “Anjos inferiores” dos cabalistas cristãos.
2º Estágio: Chamados
“deuses”, “sefiras”, “devas” ou “anjos”, estes seres evoluíram da alma-grupo
elemental do 1º estágio para almas separadas, para Individualidades, como o
homem. São, portanto, os anjos mais próximos do ser humano e correspondem aos
“Anjos Celestes” dos cabalistas cristãos.
3º Estágio: São os Arcanjos
ou Príncipes, que transcenderam as limitações da Individualidade e penetraram
na Consciência Cósmica ou Universal, assim como o Mestre ou Adepto (no que se
refere ao processo evolutivo do homem). Correspondem aos “Anjos Supercelestes”
dos cabalistas cristãos.
Os “anjos” do 1º estágio se
manifestam através dos elementos, sem serem os elementos – são a energia
diretora dos elementos, das partículas subatômicas, dos átomos e das moléculas,
por assim dizer; os “anjos” do 2º estágio se manifestam através da força dos
corpos celestes, sem serem tais corpos – são a energia que os movimenta,
incluindo-se aí a força gravitacional; os “anjos” do 3º estágio se manifestam
através da Mente Cósmica ou Consciência Cósmica, estado do qual
podemos compartilhar momentaneamente quando estamos devidamente preparados e
receptivos. (...)
Os Anjos mais elevados são os
Arcanjos Solares, os Sete Poderosos Espíritos ante o Trono. Colaborando com
eles, escalonados numa vasta hierarquia de Seres, estão as hostes de Arcanjos e
Anjos do 2º estágio.
Os Deuses ou Anjos diferem do homem
no fato de que no Ciclo Cósmico atual de Existência suas vontades não se
tornaram muito diferentes ou mesmo diferenciadas da Vontade Una. Neles inexiste
quase completamente o senso humano de personalidade separada – o fenômeno
ilusório da separatividade, conforme ensina o Budismo. Seu caminho de evolução
conduz da cooperação instintiva com a Vontade Una para a cooperação
autoconsciente. Se em
Ciclos Cósmicos anteriores ao atual esses Anjos não foram
homens como nós, o serão em
algum Ciclo futuro. Neste sentido, não são diferentes de nós,
nem foram criados “à parte” do homem, como querem alguns teólogos. Podemos
dizer que os Anjos não são seres diferentes do homem e que evoluem
paralelamente a ele, mas que são homens (passados ou futuros) evoluindo, seja
como elementais – ainda inferiores ao homem comum – ou então como seres muito
superiores ao homem físico da Terra. Entretanto,como vivem em outros planos de
existência, são invisíveis, a não ser para os clarividentes. (...)
[Os Deuses menores ou elementais]
São exatamente aqueles que ainda não foram humanos, mas o serão no futuro. Em
certas condições, (...), podem se revestir de um veículo etérico temporariamente
materializado, quando, então, são vistos por certas pessoas. Além deste veículo
etérico temporário, possuem ainda um veículo astral permamente, visto pelos
clarividentes.
Entre os elementais, encontramos –
utilizando a nomenclatura de Paracelso – os Gnomos (elementais da Terra), as
Ondinas (elementais da Água), os Silfos (elementais do Ar), as Salamandras
(elementais do Fogo), os duendes, os elfos, as fadas, as dríades (fadas das
árvores) e inúmeras outras denominações que, a mais das vezes, são sinônimos
umas das outras.
Procedamos, então, a uma análise
final, buscando definir o que são os anjos em termos bem claros (...).
Os elementais e os Construtores
(Elohim para os cabalistas) são uma classe de “forças conscientes” que quase
não podemos definir como “Seres” ou “Entidades”, no sentido já explicado, pois
tais “forças” têm consciência apenas num nível grupal, como as células do nosso
corpo, que obedecem ao nosso cérebro de uma forma mais ou menos automática e
coordenada. Apesar de que estes elementais possam, às vezes, se materializar
como anões, gnomos, ondinas e outros tipos, isso é mais produto da mente humana
trabalhando inconscientemente tais “forças” do que a forma que estes realmente
possuam. Neste caso, os chamados espíritos elementais são nada mais que
“forças” quase cegas, comandadas pelos Anjos Superiores, dos quais falaremos.
Os chamados anjos astrológicos ou
celestes (Agrippa) também são forças que, de certa forma, são mais conscientes
e individualizadas que os elementais, embora não devamos ainda considerá-los
como os Anjos in se ou por excelência. São, no que tange à harmonia
universal, “forças” tão automáticas quanto os elementais, igualmente
manifestados e comandados pelos Anjos Superiores.
O Destino, que também foi considerado
um “anjo” pelos antigos, nada mais é do que a ação das leis cármicas sobre todo
o universo, e não o castigo de algum ser divino ou coisa que o valha. É – como
os elementais e os anjos astrológicos ou cabalísticos – uma “força” tão
automática quanto a gravidade.
Os Iniciados – homens como nós, mas
mais avançados espiritualmente – foram também considerados anjos, e aqui
podemos incluir os extraterrestres que, sendo representantes de civilizações
avançadas, eram tomados por grandes sábios e iniciados.
Quanto aos anjos confundidos com as
almas dos mortos, com as pestes e doenças, essa associação veio a existir por
causa dos efeitos fenomênicos observados, por seu poder destrutivo e pelo
espanto que causavam tais fenômenos.
Por fim, o que nos resta? Restam os
elementais como forças inconscientes, os Elohim emanadores como forças
semiconscientes, os anjos cabalísticos como símbolos e os Logos e Anjos
Superiores (Arcanjos) como os diretores destas forças. Os verdadeiros anjos,
portanto, como seres/entidades e não “forças”, são os Arcanjos e o Logos. Tudo
o mais são apenas a manifestação de suas emanações energéticas, que quase criam
vida por força de egrégora, e são, por vezes, imaginadas como Entidades
separadas.
Mas, o que é uma “força”? Esquecendo
um pouco a Física moderna, que ainda hoje não nos dá uma resposta muito
esclarecedora a esta dúvida, respondemos, baseando-nos na Ciência dos antigos:
uma “força” é, antes de tudo, a manifestação em movimento de uma energia
emanada a partir de uma Consciência ou Existência em um plano inferior a esta
Consciência, gerando e dirigindo um fenômeno qualquer.
E o que é uma “energia”? É uma vibração,
som, como diziam os antigos, uma sucessão harmônica, em escala
setenária, de um Pensamento, produto da Consciência, a única coisa que pode ser
considerada real em nosso universo material manifestado. E, como esta
vibração se movimenta no seio da “ilusão” universal, isto é o que chamamos de
“força”. Energia em movimento gera um “campo”, isto é, uma área de influência
onde a força atua, tal qual os campos eletromagnéticos da Física. Esses campos
são “inteligentes” (obedecem a ordens preestabelecidas) mas não são
“conscientes” (não dão ordens). Esses “campos”, podemos deduzir facilmente, são
o que os antigos viam como “anjos”, mas não precisamos imaginar que por trás de
cada “campo” ou “força” haja um anjo manipulando os fenômenos, como se manipula
marionetes. Os “campos” e as “forças” são automáticos, e agem tanto no
microcosmo (os elementais e os elohim) como no macrocosmo (os anjos
cabalísticos). Seus dirigentes, os agentes, agem a partir do que poderíamos
chamar de Supracosmo, composto apenas de “Consciência” e não de “forças”, que
só existem como tais na matéria. É bom esclarecer que compreendemos como
matéria todo o quaternário inferior, isto é, o físico, o prânico, o etérico e o
astral. O mental, estando ligado à consciência e ao espírito, não faz parte da
matéria, embora seja uma manifestação da Consciência, e não ela mesma. É um
veículo, mas não é matéria, pelo fato de que sobre a Mente não agem forças, mas
apenas o Espírito e os Anjos Superiores, diretamente. Os elementais, por
exemplo, não têm ação alguma sobre a Mente, mas podem, ao contrário, ser
comandados por ela. O mesmo se pode dizer dos anjos planetários ou cabalísticos
– são forças comandáveis por qualquer um que tenha atingido as Iniciações
superiores. Só assim é possível comandar os elementais – as forças da Natureza
– e os anjos cabalísticos, as forças do destino traçado antes do nascimento.
Não é possível, entretanto, comandar os Anjos Superiores, pelo simples fato de
que não são forças e, sim, seres mais evoluídos que o homem atual.
Os anjos, em sua denominação
genérica, fazem parte do que chamamos a “física dos antigos” ou “Física
Oculta”, que via nos fenômenos bem mais que as forças dos físicos modernos. Eis
o motivo de não se adorar os anjos: não podemos adorar “forças”, que não são
nem sequer Seres individualizados como nós. Devemos, sim, trabalhar em conjunto
com estas forças, em prol da harmonia universal.
Quanto aos Anjos Superiores, também
não devemos adorá-los, pois mesmo sendo considerados como “deuses”, são homens,
ainda que mais evoluídos. Porém, não atingiram nenhum estágio que não possamos
atingir no futuro, quando igualmente comandaremos mundos e sóis, e não apenas
nossas medíocres vidas. Não estamos ainda nada próximos do anjo superior que
fez da sua vida a vida de todos os homens, e de muito bom grado.
* (trechos do livro recentemente
publicado “Deuses & Demônios – Verdades inauditas e mentiras anunciadas
sobre os anjos”, de Paulo Stekel – escritor, jornalista, prof. de línguas
sagradas e editor da Revista Horizonte – Leitura Holística) . Para adquirira obra “Deuses & Demônios – Verdades inauditas e mentiras anunciadas sobre
os anjos”, de Paulo Stekel, contate: pstekel@gmail.com]