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Walter Barbosa

Arbítrio significa “resolução que depende só da vontade” (Dicionário Aurélio). Assim, “livre-arbítrio” é o poder de alguém executar uma ação de acordo com sua própria vontade, sem interferência de outra pessoa.
E o que é a Vontade? Segundo o Ocultismo, é um poder interno do homem, algo que vem de sua consciência superior (o Espírito). Por estarmos o tempo todo ligados mais à “consciência inferior”, geralmente não agimos segundo os desígnios da Vontade, mas sim de acordo com os impulsos derivados dos instintos, dos desejos e da mente inferior. Por isso, na maioria somos fracos, com baixo poder realizador, apesar de trazermos o coração e a mente cheios de desejos.
Desejo, nas palavras de Ernest Wood, “é a vontade destronada”.
Diz Wood ainda: “Característica da vontade é chegar ao fim por todos os meios possíveis, isto é, manter de contínuo a mente em ação até que cedo ou tarde encontre seguramente o caminho de sua meta. Este sentimento de sua própria divindade move às vezes o homem a dizer ‘Quero’, ainda que não saiba como poderá realizar a sua vontade, porque tem a infalível intuição de que seu Eu interno é o final e absoluto arbítrio de seu destino e o fundamento de sua fortaleza”.
Poderíamos deduzir, assim, que o homem só tem real “livre-arbítrio” - ou livre-vontade - quando age segundo os ditames de seu Eu superior.
Outro grande pensador, J. Krishnamurti, reproduzindo palavras de seu Mestre quando ainda um menino, diz: “Não confundas teus corpos contigo mesmo - nem o corpo físico, nem o astral, nem o mental. Cada um deles pretende ser o Ego, para obter o que deseja. Precisas, porém conhecê-los todos, e conhecer-te a ti mesmo como senhor deles”.
Repetimos: “Não confundas teus corpos contigo mesmo”. Tal confusão é a matriz de um dos grandes males do mundo: a falta de autodomínio. Por trás disso se escondem comportamentos que às vezes detestamos em nós, sem muita chance de mudança. Essa possibilidade estaria na reflexão que o homem deveria fazer, a todo instante, sobre a dualidade de sua natureza. Deve saber que é um ser superior que usa determinados corpos para se expressar no mundo.
Sobre isso, diz mais Krishnamurti: “O corpo astral tem seus desejos - e os tem às dúzias; ele quer que fiques irado, que digas palavras ásperas, que sintas ciúmes, que sejas ávido por dinheiro, que invejes as posses de outras pessoas, que te entregues à depressão. Ele quer todas estas coisas, e muitas mais, não porque deseja prejudicar-te, mas porque gosta de vibrações violentas, e gosta de mudá-las constantemente. Mas tu não queres nenhuma destas coisas, e portanto deves discernir entre os teus desejos e os de teu corpo astral” (“Aos pés do Mestre”, Editora Teosófica).
Quanto ao corpo mental, “deseja pensar em si mesmo orgulhosamente separado, pensar muito em si mesmo e pouco nos outros”. Nesse ponto, interrogamos: como discernir o que é fruto de nossos corpos inferiores ou de nossa natureza espiritual, se é com o próprio corpo mental que tomamos a maior parte de nossas decisões? Não é através dele que aplicamos o “livre-arbítrio”, sendo também a base do Karma que nos torna responsáveis por nossos próprios atos?
Eis a raiz dos nossos problemas, algo que só se resolve na senda do autoconhecimento. Nela desenvolvemos o discernimento - seja pela meditação ou pela auto-observação – assim aprendendo como separar o real do irreal, a natureza egoísta da natureza altruísta. O discernimento que tem suas raízes na flor de lótus do coração, esse que intui, que vai além dos estreitos limites de mente inferior, projetando-nos na eternidade do Espírito.
Assim, é também na senda do autoconhecimento que desenvolvemos ao máximo o poder da vontade, passando a realizar na Terra o poder de Deus em nós mesmos.

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