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Walter Barbosa

Quem já construiu ou reformou casas sabe que é hábito dos profissionais da área começar a lavar e recolher seus instrumentos de trabalho às 4 e meia da tarde, encerrando atividades às 5.
Conheci, entretanto, um cidadão que, depois de trabalhar honestamente durante todo o dia, muitas vezes às 5 horas começava a preparar a nova parede que ia revestir, colocando lá a primeira peça de azulejo. Quando lhe perguntei por que não deixava o início para o dia seguinte, respondeu: “É porque se eu começar hoje amanhã estará mais fácil”. Em sua simplicidade, aquele profissional aplicava uma lei básica relacionada à formação dos hábitos: a criação de tendências.
Para I.K.Taimni (“Autocultura à Luz do Ocultismo”, Editora Teosófica), é fundamental que entendamos como os hábitos se formam, considerando que - se temos interesse em ser homens e mulheres melhores, alinhados com um destino social e planetário mais elevado - teremos forçosamente que alterar comportamentos “automatizados” pela prática de centenas de anos, o que torna essa mudança lenta e difícil.
Na perspectiva do Ocultismo, o aperfeiçoamento gradativo do ser humano é uma lei inexorável. “A alma do homem é imortal, e seu futuro é o futuro de algo cujo crescimento e esplendor não têm limite”, diz Mabel Collins (“Luz no Caminho”, Editora Pensamento).
Essa “fatalidade” do crescimento da consciência se dá pelo simples fato de que todos nós somos - antes de tudo - “Espíritos”, seres espirituais que vestem roupagens materiais. E pouco importa o grau de impureza dessas vestes, pois toda impureza é sempre relativa e temporária, enquanto o Espírito (Deus em nós mesmos) é eterno e também puro em si mesmo, conhecendo e governando o plano da Sua própria evolução.
Apesar de ser inevitável, a evolução é um processo muito lento em quase 90% da evolução humana, quando o crescimento consciencial se dá principalmente pela dor. Depois, pela força do conhecimento e do amor, a evolução se acelera a uma velocidade extraordinária - como se, deixando a carroça, embarcássemos num foguete - porque então já nos deixamos governar pelas forças do Espírito e “elas estão mais além dos poderes desta terra e das leis do Universo”, como explica Mabel Collins.
Esse “estar mais além” corresponde ao Poder da Vontade do Logos (o Deus deste Universo) vibrando em nós e quebrando a barreira dos hábitos criados - esses caminhos que as leis da eletricidade cósmica criaram em nossos corpos, agindo por atração e repulsão.
Os hábitos vinculam-se a tendências trazidas de vidas passadas, em virtude do que “nossos corpos físico, astral (ou emocional) e mental adquiriram uma individualidade própria e oferecem resistência a qualquer direção vinda do interior, que contrarie seu modo de agir normal”. Isso vale, por exemplo, para dietas, vícios ou hábitos de pensamento nocivos que queremos mudar.
Em razão das tendências, costumamos reagir instantaneamente a estímulos recebidos do exterior, conforme correspondam a hábitos de consumir, pensar ou sentir já arraigados em nós. Logo, isso precisa ser combatido em primeiro lugar, para o que Taimni recomenda “desenvolver a postura de não-reatividade”, o que nos exige grande esforço de auto-observação e vigilância, como bases de toda mudança real na vida. Não à-toa, disse o Cristo: “Vigiai e orai”.
Com isso, nossa natureza espiritual irá adquirindo domínio sobre os corpos, aprendendo a controlá-los e a fazer com que “cada veículo atue somente em resposta aos estímulos vindos do interior”, pondo fim à usual passividade (ou reatividade) aos estímulos externos.
Da tendência para as trevas e o caos há de sobressair-se, então, a tendência para o equilíbrio e para a Luz. E se começarmos hoje, “amanhã será mais fácil”.

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