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POPULARIZAR UM CONHEÇIMENTO DE TEOSOFIA

Ricardo Lindemann

 

Este título é uma passagem da Carta Única, atribuída ao Maha-Chohan, enviada ao sr. A.P.Sinnett, em 1881, motivo de estudo na XIX Escola de Verão, em Canela, RS, de 22 a 29 de janeiro de 2000, que contou com 114 pessoas inscritas. Outra passagem questiona: "...Vendo que os objetivos principais da S.T. são mal interpretados por aqueles que são mais interessados em nos ajudar pessoalmente, como iremos lidar com o restante da humanidade, em meio à maldição conhecida como luta pela vida, que é a real e mais prolífica causa da maioria das desgraças e tristezas e de todos os crimes?...". As pessoas estão tão envolvidas na luta por dinheiro e posses e, por extensão, na busca de segurança para preservar estas posses e nas estruturas de poder a elas relacionadas, que "avalia-se em um milhão de dólares por minuto o gasto na produção de novas armas neste planeta... enquanto isso, diariamente, morrem quarenta mil crianças de problemas derivados da subnutrição no mundo em desenvolvimento". A carta citada responde a tal desafio enfatizando "um desprezo prático por essa vida terrena": "Ensine-se ao povo a ver que a vida nesta Terra, mesmo a mais feliz, é apenas um fardo e uma ilusão, que apenas o nosso próprio karma, a causa que produz um efeito, é nosso próprio juiz – nosso salvador em vidas futuras – e a grande luta pela vida em breve perderá sua intensidade".

Eis porque "nós temos de popularizar um conhecimento de teosofia. O que constitui o verdadeiro teósofo não é o objetivo individual e determinado de obter para si mesmo o Nirvana (culminação de todo conhecimento e sabedoria absoluta) o que, afinal, é apenas um exaltado e glorioso egoísmo – mas a busca, com auto-sacrifício, dos melhores meios para conduzir o nosso próximo ao reto caminho, levando o maior número possível de nossos semelhantes a beneficiar-se com ele." Tal é, segundo o nosso entendimento, o coração da citada carta, bem como o primeiro e verdadeiro motivo que deveria inspirar os nossos estudos e particularmente todo palestrante que deseje realmente assumir, "... a tarefa quase sagrada de levar as verdades da Filosofia Esotérica a todos aqueles que estão preparados para recebê-la"; usando a expressão do dr. Taimni em Princípios de Trabalho da Sociedade Teosófica. Ele complementa: "... muito mais... poderá ser feito pelos membros individualmente, contanto que eles se empenhem nesta tarefa com um espírito missionário. De fato, a natureza do trabalho que temos de fazer no mundo é tal que ele talvez possa ser feito muito mais eficientemente através de tais esforços individuais. Por meio de palestras e debates públicos podemos despertar o interesse sobre um assunto, mas é na atmosfera sossegada e fraternal da vida do lar que podemos gradualmente mudar os pontos de vista de outras pessoas". Vemos assim que mesmo os nossos estudos deveriam estar imbuídos desse espírito de compartilhar as jóias que descobrimos na Filosofia Oculta com os outros, e nós não deveríamos passar meramente adiante aos palestrantes tal responsabilidade de "popularizar um conhecimento de teosofia", alegando não ter dons de oratória ou estar despreparados para tal tarefa. Como se encontra em Aos Pés do Mestre: "Deus tanto é Sabedoria como Amor, e quanto mais sabedoria tiveres mais Ele poderá se manifestar por teu intermédio. Estuda, então, mas estuda em primeiro lugar aquilo que mais te habilite a auxiliar os outros". Acrescentaríamos, por nossa própria experiência, que se estivermos realmente imbuídos deste espírito de auxílio nunca nos faltará inspiração. Portanto, mesmo que um membro da Sociedade Teosófica não se sinta inclinado a treinar-se para ser um orador, ele pode auxiliá-la levando a mensagem teosófica individualmente. Sugere o dr. Taimni: "

(1) Por meio de conversas calmas acerca dos problemas da vida,

(2) pelo empréstimo de livros,

(3) pela explicação de vários fatos e acontecimentos à luz da Filosofia Esotérica e

(4) pelo exemplo de uma vida nobre, digna e imperturbável

podemos com calma, naturalidade e quase inconscientemente afetar a vida e os pensamentos de outras pessoas à nossa volta e vencer seus preconceitos e tendenciosidades ortodoxas, se elas as tiverem.

Uma vantagem deste trabalho individual é que ele pode ser feito por cada membro, quaisquer que sejam suas capacidades ou circunstâncias ... nenhuma capacidade acima do normal é requerida, somente – a vontade de servir".

A primeira regra geral para a difusão teosófica, segundo o dr. Taimni sugere para os palestrantes, embora nos pareça útil também no caso do trabalho individual, é que: "Se desejamos atrair sua atenção (do homem comum) e mais tarde, se possível, fazer com que aceite as verdades vitais do Ocultismo, devemos apresentar-lhe, no início, aqueles aspectos da Filosofia Esotérica que têm relação direta com os problemas que lhe interessam... deixando em segundo plano os aspectos mais abstrusos, filosóficos ou idealistas.

Estes podem ser mais importantes, mas a hora de apresentá-los é quando uma pessoa já aceitou o ponto de vista da Filosofia Oculta sobre a vida e já se tornou um estudante habitual desta Filosofia". Tal é o caso particularmente dos membros da Sociedade Teosófica, que entendemos merecer reuniões exclusivas para aprofundamento deste conhecimento, visando o eventual surgimento de novos oradores; conforme já consideramos em nosso editorial anterior.

É importante aprender a gerar e nutrir as perguntas, ponderar e meditar, mais do que oferecer respostas prontas sem que sua importância ou utilidade para a vida diária tenha sido percebida pelo público. Só então as pessoas comuns percebem "... a urgente necessidade de adquirir este conhecimento ao qual, entre outras, dá-se a denominação de Filosofia Esotérica, e de usá-lo para solução dos problemas que enfrentam, em toda parte, em sua vida pública e privada... É somente quando penetramos nas causas do caos e sofrimento que existe no mundo e realmente desejamos mudar estas condições, então, somente, compreendemos o valor da Filosofia Esotérica, e a necessidade de aplicar as suas verdades à solução de nossos problemas sociais e econômicos." "O segundo princípio do qual devemos lembrar-nos na difusão da Filosofia Esotérica é aquele de conduzir a mente da audiência do conhecido para o desconhecido... É tomar alguma idéia que lhe seja familiar e fazer desta um ponto de partida de apelo à sua mente." Tal sempre foi a sábia prática dos diversos Mestres e Instrutores Religiosos que usaram parábolas, exemplos, analogias, etc. "É realmente admirável quão facilmente as pessoas aceitam uma idéia que não traga rótulo de qualquer denominação especial... numa terminologia não ‘teosófica’, sem aquele cunho particular de caráter ‘teosófico’ que cria prevenção e repele muita gente.... Pode chocar algumas pessoas o fato de que, ao adotar este método de aproximação, estejamos realmente tentando penetrar nas mentes e nos corações das pessoas ‘pela porta dos fundos’; talvez estejamos.

Mas não vejo qualquer razão por que não deveríamos fazê-lo, quando encontramos a porta da frente trancada e guardada por dois sentinelas muitos fortes e irracionais – o orgulho e o preconceito – e quando não há outra maneira de libertar a Vida Divina que aí está aprisionada". "O súbito impacto de um grupo de idéias novas confunde o homem médio, e ele se sente repelido por estas idéias, por mais verdadeiras, razoáveis e benéficas que elas possam ser." Ou como considerava o Mestre K.H.: "Não podemos consentir em inundar o mundo, em risco de afogar os homens, com uma doutrina que só deve ser cautelosamente exposta, pouco a pouco, como tônico demasiado poderoso que tanto pode matar como curar".

Essa idéia de exposição gradual também aparece na citada carta única quanto à popularização de um conhecimento de teosofia: "Contudo, é absolutamente necessário inculcá-la gradualmente, reforçando suas teorias, fatos inquestionáveis para aqueles que sabem, com inferências diretamente deduzidas de – e corroboradas por – evidências fornecidas pela ciência exata moderna."

Dr. Taimni considera: "Palestrantes comuns, que simplesmente saem e discursam sobre Filosofia Oculta de uma maneira mecânica, e sentem-se altamente satisfeitos consigo mesmos por terem cumprido seu dever, algumas vezes fazem mais mal do que bem, porque criam em algumas pessoas um sentido de antagonismo e tornam a recepção futura dessas idéias ainda mais difícil. É, portanto, recomendável que somente aqueles que têm uma certa aptidão para este tipo de trabalho e que para ele estão treinados, encarreguem-se de fazer palestras públicas". "O terceiro princípio geral que deveríamos tentar lembrar ao fazer a difusão da Filosofia Esotérica é aquele de tornar nossa apresentação o mais interessante possível...

(1) Um amplo uso de diagramas e ilustrações,

(2) uma clara apresentação das idéias,

(3) um interesse aguçado no assunto tratado,

(4) um apelo às emoções quando isto for cabível,

(5) uma atitude séria e digna e

(6) uma compreensão compassiva da natureza humana e de seus problemas – estas são algumas das coisas que prendem a atenção de uma audiência e produzem uma impressão profunda nas mentes das pessoas presentes." Também encontramos em Aos Pés do Mestre: "Se tu sabes, é teu dever auxiliar outros a saber."

E dr. Taimni complementa: "O conhecimento necessário nos foi dado, e mais nos será dado de acordo com nossas necessidades no futuro. Apliquemos este conhecimento com o melhor das nossas habilidades na regeneração espiritual do mundo.

 

Pensamentos

 

 Vivemos agora no meio de um povo em conflito, povo obstinado e ignorante, que procura conhecer a verdade, mas é incapaz de encontrá-la, pois cada qual a busca somente para proveito e satisfação pessoais, sem um pensamento para outrem.

Mestre Morya

 

 

 

 

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