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Walter da Silva Barbosa
Em um mundo assoberbado pela violência, vemos todos os dias
notícias de morticínios nos meios de comunicação.
Para nós, espectadores, chega a passar quase despercebido o
fato de que uma bomba - humana ou não - possa ter explodido algumas dezenas de
pessoas num país distante. Aliás, tais fatos têm virado rotina, amortecendo a
nossa sensibilidade e fazendo com que outros estados de miséria possam parecer “um
mal menor”, o que é uma conseqüência fatal dos conflitos crescentes, dos “sapos
sociais” engolidos sem solução.
Em alguns casos, contudo, o insólito não está exatamente nas
mortes, mas na forma como elas acontecem, pelo tamanho do “mal” que se encontra
em jogo. Nessas situações, podemos em nossa insensibilidade olhar também para
esse fato como uma notícia a mais, digerida no rolo compressor de nossa sede de
violência e de emoções. Ou então, vê-lo como a inquietante “ponta do iceberg”,
indicando algo bem mais estarrecedor - e digno de atenção - oculto sob as
águas.
Quanto a essa sede de emoções, é notório o tamanho das
platéias nos filmes que vendem violência, compondo talvez 90% das programações
televisivas nos horários nobres. Entre “Mr. Bean tira férias” e “300”, qual a
sua escolha? Entre o humor sadio e a dor, por que escolher a dor?
Para o pensador e cientista social J.Krishnamurti, toda
violência que acontece no mundo é apenas uma extensão do conflito que cada um
de carrega internamente. Sendo tal conflito fruto maior de nossa vivência com a
natureza separatista da matéria (dominando o físico, a emoção e a mente), é
natural que sejamos nada menos que seis bilhões de mundos em guerra neste
planeta.
Agora, assistimos perplexos a mais um acontecimento de dor nas
terras da vizinha nação americana. A propósito, pergunta-se: que lição a vida
pode tirar da morte?
As cartas, vídeos e fotos deixados pelo autor do “massacre”
mostram uma pessoa transtornada, em quem a semente da destruição - já latente
em seus complexos - havia sido cuidadosamente regada com humilhação, zombaria e
desprezo por colegas de estudos, conforme atestado, inclusive, por testemunhas.
E muita risada se deu por conta disso.
Alguns setores da sociedade americana lamentaram a
divulgação do material enviado pelo homicida. Razão alegada: era um material
“perturbador”. Por seu conteúdo de violência? Possivelmente não, pois os filmes
que por lá (e por aqui) são vistos todos os dias nada deixam a desejar quanto a
requintes de violência. O que deve ter perturbado - e muito - é o conteúdo de
realidade. Estava “perto demais”.
Por ignorarmos a extensão do mundo invisível - onde a causa
das causas se encontra - temos a tendência de considerar como inofensivas, ou
“assépticas”, as manifestações materiais. Estas, como no caso do “iceberg”, são
apenas conseqüência das criações mentais e emocionais que dominam um plano
muito maior que o físico, por serem feitas de matéria “mais fina”, de maior
penetração. O que está no invisível é sempre mais aterrador do que aquilo que
se vê e arrebenta no ponto mais fraco da corrente, agindo como o executor
daquilo que muitos pensaram.
Será que um filme de violência, ou um joguinho de vídeo-game
que espirra “sangue” para todos os lados, deixa conseqüências apenas em nossa
imaginação? Ensina o ocultismo que esses estímulos penetram fundo em nossa
vida, alterando a energia e, portanto, o caráter e a vibração de nossos corpos
inferiores - para pior. São como “comida” venenosa e, assim, podem matar.
A violência, com seu extremo na agressão física, não se
limita aí, abrangendo todas as formas de expressão de nossas relações,
escurecendo a consciência, diminuindo a tolerância e embrutecendo o prazer. Pode-se,
nesse ponto, distinguir o falso do verdadeiro, o sadio do impuro? Não estaremos
todos fabricando, inconscientemente, os agressores que ateiam fogo no mundo?

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