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OS FILHOS DE NOSSA MENTE

Walter da Silva Barbosa

            Em artigo intitulado “Pensamentos são Coisas”, Radha Burnier, Presidenta Internacional da Sociedade Teosófica, diz: “O pensamento é uma força que dá forma a si mesma para se tornar uma entidade ativa e objetiva, que sobrevive por um período menor ou maior conforme a intensidade do sentimento e da paixão que a anima”.

            Essa criação a que se refere Radha, denomina-se “forma-pensamento” nos manuais de ocultismo. O poder criador do pensamento, casado à força da emoção, gera formas instantaneamente sobre a invisível matéria emocional-mental que nos rodeia, dando corpo às imagens criadas pela emissão mental.

            Perceptíveis pelos clarividentes, essas formas são, portanto, nossos filhos (ou filhas) e estamos o tempo todo mergulhados nelas, gerando uma série de conseqüências cujo controle está fora de nosso alcance. E se os pensamentos são repetidos, “nova energia é acrescentada à forma que foi criada”, tornando-a mais forte e mais influente sobre o pensador e sobre aqueles que o cercam.

            Para onde quer que se dirija o pensador, segue arrastando tais criações atrás de si. Vão “penduradas” na matéria mental circundante e prontas para descarregar sua energia sobre ele (fazendo-o pensar de novo no assunto) ou sobre alguém que lhe esteja próximo, com sua mente ociosa. Se seu pensamento for de natureza harmoniosa, irá influenciar outras pessoas positivamente, tornando a presença do autor uma bênção para os outros. Logicamente, também o contrário acontecerá, em relação a um pensamento negativo.

            No caso de o pensador, por exemplo, estar arquitetando um crime, a forma-pensamento respectiva poderá ser captada por alguém que esteja vibrando na mesma tônica, levando-o a realizar aquilo que o outro arquitetou.

Em tal poder inerente ao pensamento-emoção humano baseia-se o princípio da “magia”, amiúde por nós praticada inconscientemente, em razão de ignorarmos a existência do mundo invisível. Essa ignorância, contudo, não nos livra do ônus pelos efeitos gerados.

Assim, diz Radha: “criamos um Karma comum e atraímos para nós a responsabilidade sobre algo mais do que nossas vidas pessoais”. E, citando Mabel Collins: “Lembre-se de que o pecado e a vergonha do mundo são o seu pecado e a sua vergonha, porque você é parte dele, e seu Karma está inexoravelmente entrelaçado com  o grande Karma”.

            Na obra “Aos Pés do Mestre” (Editora Teosófica), Krishnamurti declara: “Em todo o mundo há somente dois tipos de pessoas - as que sabem e as que não sabem”. O preço por não saber é o sofrimento. Como o sofrimento é a tônica de nossa existência, deduzimos que praticamente nada sabemos sobre os mistérios da vida, apesar da grande diversidade de religiões e do avanço da Ciência.

            No sentido de nos precaver contra as criações indesejáveis - nossas ou alheias - Radha lembra a passagem bíblica: “Tome sobre você a proteção de Deus, e você poderá resistir nos dias de perigo” (Ef. 6.13).

Além do mais, “aquele que está protegido pela virtude e pureza não está apenas protegido contra as influências maléficas, mas está também equipado para dissipá-las, porque a proteção de Deus é a proteção da luz, e a luz dissipa a escuridão com sua simples presença”, completa Radha.

 

Pensamentos

 

 

Convence-te, amigo, de que as afeições sociais têm pouco ou nenhum domínio sobre qualquer verdadeiro Adepto no que respeita ao cumprimento do dever. À proporção que ele se vai elevando ao perfeito Adeptado, as fantasias e antipatias de seu eu anterior enfraquecem-se (...), ele toma toda a humanidade em seu coração e a contempla em massa.

Mestre Morya


 

 

 

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