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A Ameaça do Conheçimento

Rhada Burnier

                     Os tempos mostram com mais clareza e com maior urgência que possuir conhecimento não é uma bênção inquestionável. Conhecimento é poder e o poder corrompe a mente. O ataque terrível recente contra os Estados Unidos é a prova mais cabal de que o conhecimento – técnico, científico ou outro – colocado em mãos maldosas ou inadequadas pode ser uma ameaça para o mundo inteiro. Algumas centelhas ou um a pequena chama varridas pelo vento podem causar grande devastação; da mesma maneira, algumas pessoas tolas ou cheias de ódio, armadas com habilidades e conhecimento modernos, tem o poder de causar danos inimagináveis à Terra e ao progresso da humanidade.

Contudo, permanece o fato de que a expansão do conhecimento e sua transferência para um número enorme de pessoas não pode ser detida. Como mais pessoas recebem educação, o que não era o caso antigamente, mas que é a realidade atual, um número crescente – incluindo os jovens imaturos, os de tendência criminosa, e os mentalmente perturbados – tem livre acesso ao conhecimento. Hoje o conhecimento não está disponível a poucos, em pequenos estágios e através de lento processo de comunicação; ele é transmitido a milhares de pessoas em quantidades inassimiláveis, de maneira desconexa e até deformada.

Annie Besant pergunta em seu muito esclarecedor artigo sobre "Ocultismo", publicado neste número do The Theosophist (outubro de 2001): “É ou não desejável a expansão do conhecimento?” Sua resposta é: "Se o conhecimento destinar-se a servir à humanidade, sim; se servir para aumentar a infelicidade humana, não." Mas como nem o aumento de conhecimento nem a expansão da informação podem ser revertidos, como poderá o mundo sentir-se seguro?

O perigo virá não somente dos terroristas e de seus atos maléficos. Piores ameaças são mantidas sobre nós pelos todo-poderosos acadêmicos e cientistas desejosos de fazer ou desfazer a Natureza com suas próprias e estranhas criações. De um excesso de conhecimento na humanidade podem surgir Frankensteins de muitas formas e matizes: novos tipos de germes resistentes, novas moléstias, cérebros genética ou cirurgicamente modificados, etc. O que podemos fazer?

Os resultados do estudo e da pesquisa no campo do que se conhece por ciência, apresenta perigos suficientes para fazer a humanidade erguer-se e avaliar se ela realmente deseja pensar e não apenas sucumbir a suas próprias maquinações. Há indicações de nações que investigam as "ciências ocultas" como a telepatia e o controle da mente para subjugar com sucesso seus inimigos. É imponderável a ameaça que este conhecimento apresenta, se obtiverem apenas algum sucesso nesta direção. A mitologia oferece indicações destas situações. O grande oponente da encarnação divina, no épico Ramayana, Rama armou-se com poderes mágicos por meio de severas práticas a que se submeteu e a intervenção divina tornou-se necessária para destruir seu poder. Todos os que adquirem poder através do conhecimento devem se disciplinar de uma ou de outra forma para progredirem em seus próprios campos. E aqueles que tem poderes superfísicos devem, como diz a Dra. Besant "vestir a armadura da pureza e o elmo do altruísmo". Seus motivos devem ser inquestionavelmente altruístas ou se tornarão parte das hostes de Satanás.

Sob este ponto de vista a sociedade humana fracassou, alegrando-se com o progresso ilusório feito no último século e identificando o progresso com o aumento do conhecimento e sua divulgação para as massas. Não se pensou na qualidade da mente que iria, cada vez mais,  usar como ferramenta o potente conhecimento. Paradoxalmente a sociedade adotou o lema da ciência e se orgulha de estar "livre de valores".  Sem pensar em certo ou errado, produtos químicos mortais foram fabricados, os meios ambientes naturais profanados, animais explorados e pessoas desamparadas oprimidas. Numa sociedade livre de valores tudo é permitido.

Mas o que devemos fazer quando vemos a ameaça diante de nós, quando terroristas e outros com habilidades técnicas mas totalmente irresponsáveis tomam a lei em suas mãos? Será possível fazer a conscientização moral acompanhar o conhecimento avançado? Esta é uma questão crucial dos tempos modernos, que não devemos negligenciar.

 

Pensamentos

 

 ...É mais meritório cumprir o nosso dever sem nenhum pensamento prévio de recompensa do que ficar barganhando reconhecimento por nossos atos.

Mestre Morya

 

 

 

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