Terra Espiritual
 

'Discutindo a espiritualidade!'

Home

Espiritismo

Religiões

Sociedades Secretas

Links

Webmasters

 

www.terraespiritual.org

 

Menu

Aconteceu

Arte Espírita

Artigos

Biografias

Centro Espírita em Destaque

Centros Espíritas do Ceará

Chat Espírita

Doutrina

Enquete do mês

Entrevista do mês

Espiritismo e ciência

Espiritismo e filosofia

Espiritismo e religião

Eventos

Filmes espiritualistas

Liga dos Historiadores e Pesquisadores Espíritas (LIHPE)

Livro do mês

Mensagens

Obras básicas - Download

O Evangelho no Lar

Parapsicologia e espiritismo

Perguntas e Respostas

Sala Filosofia Espírita

Sobre a Divulgação Espírita

Transcomunicação

Vocabulário Espírita

 

Em Direção ao Eterno

                      Ricardo Lindemann

                       

A vida humana é como o ciclo das estações. A infância e a juventude  são comparáveis à primavera,  estação dos ventos e dos perfumes. Os jovens querem estar em toda parte, fazer tudo e ser livres como o vento. Os sofrimentos deste período surgem da incapacidade para saber o quê realmente se deseja. No verão da vida, os perfumes dos ideais da juventude perdem sua pureza porque sabemos o quê desejamos, e os desejos são tão poderosos quanto o fogo. Quando os desejos não se realizam, sentimo-nos frustrados e deprimidos. O fogo dos desejos produz o sofrimento próprio desta idade. Após o calor do verão vem a secura do outono - a velhice. As folhas caem, o corpo se deteriora, o cabelo rareia, os dentes caem, os sentidos enfraquecem e a vitalidade diminui. O outono é época de recordação e reflexão: "Porque tu és pó, e ao pó deves retornar", diz a Bíblia Sagrada (Gênese 3:19). No inverno a árvore não está morta, apenas adormecida, "digerindo" os nutrientes absorvidos ao longo do ano. Ela está preparando a seiva para alimentar as folhas que brotarão na primavera. Da mesma forma, quando dormimos, sonhamos "digerindo" as experiências do dia, cuja essência passa toda vez à consciência como um mínimo de sabedoria. Os antigos gregos consideravam os deuses do sono e da morte, Hypnos e Thanatos, como irmãos, pois o sono compartilha a qualidade da morte.

Após o por do sol, ele deve surgir novamente para um novo dia, porque a periodicidade é a lei. Como diz o Gita:

" Não deves te afligir com o inevitável porque a morte é certa para os que nascem, e certo é o nascimento para os mortos"(II.27)

"Os prazeres que surgem do contato, na realidade são matrizes de dor, porque eles tem começo e fim, Ó Kaunteya; com eles não se alegra o sábio."(V.22)

Talvez a transitoriedade seja melhor compreendida pelo morto, especialmente se a velhice não extinguiu seus desejos terrenos e existe sofrimento quando os desejos corporais continuam após a morte.

Contudo, devemos despertar e tornar-nos cônscios da transitoriedade de todas as coisas terrenas. Um sábio indiano certa vez disse que o maior milagre do mundo é que as pessoas vêem os outros morrerem sempre em toda parte sem cogitar que a morte também possa atingi-los. (I.K.Taimni, Auto Cultura, pp.198-9). Estamos realmente despertos? Quais seriam nossas respostas a nossas perguntas daqui a cem anos? Todos temos respostas em nossos corações. Quem não sabe que quando estamos numa fila, o tempo parece não  passar? Gostaríamos de ver a fila mover-se rapidamente, há impaciência, raiva ou frustração e o tempo psicológico não está mais relacionado com o tempo real; em contrapartida, quando estamos com alguém que amamos, o tempo parece voar.
Quando estamos verdadeiramente felizes, não esperamos um resultado ou uma recompensa no futuro. Somos felizes quando a ação é realizada por si mesma, no presente, sem qualquer motivo posterior. Não há tempo psicológico em nishkama karma. Este é o segredo da ação sem tempo - a ausência de desejo pessoal. Mas, se surgir o desejo de repetir a ação, o tempo psicológico se estabelece. A roda do samsara, de nascimento e morte, reinicia.

Diz Patanjali em seu Yoga Sutras (II.33): "Quando a mente está perturbada por pensamentos impuros, [o remédio] é considerar os opostos". Portanto ao entrarmos numa fila, acalmemos nossa impaciência ao nos perguntarmos: O que importará isto daqui a cem anos? Isto é semelhante à evocação da morte como antídoto para o intenso desejo pela vida. As chuvas de inverno são o antídoto natural para o intenso calor do verão. Poderemos utilizar os opostos desta maneira?  Naturalmente podemos, porque todos estes são apenas estados mentais semelhantes a sonhos. Devemos vê-los como são, e retirar nossa identificação com eles. Assim eles perdem sua realidade aparente, como ao despertamos de um sonho.

Poderemos ver com clareza quão fútil é a perpétua busca por resultados e compreender que todas as coisas no mundo temporal nos envolvem, fazendo-nos depender do tempo e morrer no tempo? Esquecemos disto tão facilmente porque é difícil estar despertos, vigiando com toda nossa atenção. Ë mais fácil dormir e sonhar, embalados por tendências de nosso passado.

Na infância desejamos ser adultos, na maturidade desejamos nos aposentar; na velhice ou desejamos morrer porque estamos cansados ou desejamos renascer e ter novamente a experiência da vida. Nunca vivemos no presente, mas sempre ansiamos pelo futuro, para repetir nossos prazeres passados ou para fugir da repetição das tristezas passadas. Poderemos ver que na roda dos nascimentos e morte, tudo é ansiedade, quer por atração ou por repulsão, quer por desejo ou por medo? Ver isto com clareza é viveka ou discernimento espiritual. Então haverá a possibilidade de achar o eixo da roda dos nascimentos e morte que é firme, fixo, e sobre o qual a roda se movimenta. Este eixo é sem tempo, eterno, imutável. É como o "olho do furacão". No centro da tempestade a mente do sábio é estável. Não é afetada pela fúria do furacão, e o eixo não se envolve no movimento da periferia.

As únicas coisas que sobrevivem à morte originam-se deste centro eterno que deve também ser eterno - isto é, sabedoria espiritual que surge do autoconhecimento, amor espiritual que é abnegação, e vontade espiritual que é auto controle. Nenhum momento é inoportuno para desenvolvê-los, nenhuma situação é inadequada para estimular seu crescimento porque eles são eternos.
 
Compreensivelmente J.Krishnamurti não considerava a reencarnação, embora  nunca a tenha negado. A visão de Krishnamurti é sempre de que a eterna profundeza da consciência se expressa na eternidade da verdadeira sabedoria, do amor e da vontade. Certamente a reencarnação é um fato no mundo temporal, e portanto é um fenômeno periférico, uma ilusão ou sonho transitório sob a perspectiva da eternidade, que é a única realidade.

Somente ações sem expectativa de resultados pessoais podem realmente ser morais, verdadeiramente religiosas. Quando as religiões organizadas pregam um tipo de moralidade que conduz à salvação pessoal, elas estão apenas seduzindo as pessoas com uma segurança psicológica e não com a verdade. Esta moralidade pode ser um tipo de hipocrisia que substitui um diferente tipo de prazer, um anseio egoísta de felicidade.

A única fundação segura da  moralidade é a fraternidade universal, que é a cessação do egoísmo. O eu é o movimento do desejo por recompensas futuras, um sinônimo de ansiedade e tempo psicológico. Na religião verdadeira não há lugar para a intolerância, para guerras santas, por matar em nome de Deus. Ë a reunião com o espírito de todas as coisas, a reconciliação com o Todo, que é bondade; é o amor apenas pelo amor. Como foi descrito no Gita por Sri Krishna:

"Quem Me vê em toda parte, e tudo em Mim, dele nunca me afastarei, nem ele nunca se afastará de Mim." (VI.30)

 

Pensamentos

 

 Necessitamos do homem interno e sempre o receberemos quando quer que esse se ofereça para executar tarefas.

Mestre Morya

 

 

 

   Nedstat Basic - Free web site statistics 

 Home   l   Espiritismo   l   Religiões   l   Sociedades Secretas   l   Links   l   Webmasters

Copyright 2003 Terra Espiritual. All Rights Reserved.