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O Legado de Helena Blavatsky

O nosso tema é a obra de Helena Petrovna Blavatsky .

É evidente que é um tema extenso, porque a obra de Blavatsky é extensa, e porque as conseqüências da obra de Blavatsky são extensas. Blavatsky entrou como um furacão no cenário do século XIX na Europa e nos Estados Unidos. Esse furacão produziu uma agitação cujas marolas estão batendo na praia até hoje. Então nós vamos ver um pouquinho do perfil de Helena Blavatsky sem entrar em muitos detalhes. Vamos falar um pouquinho sobre algo que hoje é uma palestra introdutória; hoje nós vamos falar algumas generalidades e abrir para uma série de palestras que vão acontecer nos próximos meses, onde se vai detalhar um pouco mais o que foi a importância dessa obra.

O que vamos dizer genericamente é que Helena Blavatsky pode ser amada, odiada; ela pode ser admirada ou execrada. Helena Blavatsky foi uma mulher que nunca se enquadrou nos padrões sociais ou intelectuais de sua época. A obra de Blavatsky, o trabalho que ela fez, aquilo que ela apresentou para o mundo ocidental, foi para todos os efeitos uma grande revolução. Uma revolução que a gente pode considerar que se concentrou naquilo que nós chamaríamos de ocultismo. Ela fez realmente uma revolução no ocultismo; senão, por força de suas próprias idéias, mas por idéias que ela veiculou na sua obra, porque ela atribuiu o conteúdo dos seus livros e de seus ensinamentos não a si própria, ela não considera uma revelação dela para o mundo, mas ela se coloca sempre como uma intermediária, uma pessoa que recebeu uma informação e tentou transmitir da maneira mais clara possível essa informação para o resto do mundo.

As informações que ela trouxe (ou que segundo alguns, inventou) sejam elas verdadeiras ou falsas, não importa em que time a pessoa está avaliando, o fato é que elas mudaram definitivamente o perfil do pensamento ocultista que se formava na século passado, e balançou muito, realmente agitou muito a intelectualidade da Europa e dos Estados Unidos no século passado. Era uma época em que a ciência estava começando a se fortalecer e a religião enfraquecia enquanto força política.

Quando Blavatsky surgiu com suas propostas, o que se conhece hoje como ocultismo era uma série de informações difusas, confusas; informações que não tinham uma nomenclatura própria, onde cada autor escrevia obras que geralmente eram ininteligíveis; obras que tratavam o assunto de forma obscura a ponto de alguns estudantes se desesperarem porque terminavam o livro e não conseguiam entender do que o livro tratava, e todo o mundo dizia que o livro era importante. Como o caso de obras de alquimistas, de alguns tratados de ocultismo francês, das obras de Éliphas Lévi, que são realmente obras muito confusas, não temos como negar, para efeito de um estudo, para efeito de uma introdução a esses temas do ocultismo.

Mas o ocultismo despertava um forte interesse na população do mundo no século XIX. A religião formal, organizada, enfraquecia desde o século XVIII, quando acabou o jesuitismo, quando os jesuítas foram extintos; é claro que reapareceram depois de uma outra forma, mas eles foram extintos na década de 60 do século XVIII. A igreja enfraquecia dia a dia porque antes disso a igreja era a grande comandante da vida intelectual do mundo ocidental. A igreja católica radicalizou tanto que produziu uma reação protestante, houve uma cisão muito forte naquela época da renascença.

Então nós temos um período em que o pensamento dominado, enclausurado nos limites estabelecidos pela igreja, começava a abrir as suas asas e começava a mostrar a suas possibilidades através do cultivo da intelectualidade e da razão. Isso começa efetivamente no século XVII com Descartes, com os pensadores racionalistas que começam a desenvolver os rudimentos do método científico, do pensamento racional. Isso explode com o Iluminismo no século XVIII, com os enciclopedistas que propõem um conhecimento que poderia ser adquirido por qualquer pessoa; qualquer indivíduo que quisesse poderia conhecer a natureza através da razão, através do intelecto. E por fim, no século XIX, a igreja efetivamente enfraquecia a ponto de, pela primeira vez na sua história, se render às evidências da pesquisa científica e começar a arrumar argumentos para justificar os seus ensinamentos diante das descobertas que se avolumavam na pesquisa científica.

A ciência do século XIX não tinha um método ainda claramente definido, era um debate de opiniões mais do que de resultados técnicos e científicos. Mas a medida que a ciência se fortalecia, a religião se enfraquecia, e nós tivemos um hiato, um período em que não havia uma figura dominante na cultura ocidental. Os intelectuais do Ocidente estavam meio perdidos, a igreja não era mais a norma, e a ciência ainda não era a norma. Nesse momento, que foi um momento único na história recente da humanidade, surgiram os fenômenos do mesmerismo e depois do espiritismo. Esses fenômenos aproveitaram a necessidade de respostas que as pessoas tinham, e que a religião não dava mais, e ao mesmo tempo a ciência ainda não era capaz de oferecer.

Então, essa sede de conhecimentos começou a ser respondida por Anton Mesmer, no começo, e depois, por Allan Kardec ao tentar codificar o sistema do espiritismo, ao tentar codificar, explicar os fenômenos espíritas. Uma verdadeira febre de fenômenos tomou conta da Europa e principalmente dos Estados Unidos. Nesse momento em que o espiritismo explodia como fenômeno, mais do que como teoria ou explicação, surge esse personagem extraordinário que foi Helena Blavatsky.

Helena Blavatsky aparece nos Estados Unidos pesquisando alguns casos de mediunidade, de fenômenos, materializações, etc. que a imprensa tinha grande interesse em divulgar. A imprensa, é claro, não dita normas, apenas divulga fatos que o público queira conhecer; e o público queria conhecer o espiritismo, queria conhecer os fenômenos espíritas, queria saber quem era fraudulento e quem não era, e a imprensa acompanhava o trabalho destes pesquisadores que normalmente estavam ligados a algum jornal ou revista, e Blavatsky não fugia a regra.

Numa das primeiras ocasiões, chegando aos Estados Unidos, Blavatsky foi procurar uma médium conhecida que começava a se destacar na época, então, conheceu o coronel Henry Stell Ollcot que estava pesquisando também os fenômenos espíritas - ele tinha grande interesse nisso. Ollcot era maçom e era um oficial aposentado do exército norte americano; foi uma pessoa muito respeitada no governo norte americano. Por ocasião do assassinato do presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, foi constituída uma comissão de três militares para investigar o assassinato e buscar as causas, as explicações, os culpados, etc., e um desses três era o coronel Ollcot. Então ele tem uma presença muito forte na história dos Estados Unidos. Mas naquele momento, cerca de uma década depois, em 1873, quando ele conheceu Helena Blavatsky, Ollcot era um oficial aposentado e tinha forte interesse por fenômenos espíritas, e os dois se encontraram pesquisando a mesma comunidade que se formava numa certa região dos Estados Unidos em torno de uma médium.

Helena Blavatsky se tornou conhecida em pouco tempo por uma razão muito simples: ela tinha um método curioso de defraudar os falsos médiuns - ela produzia fenômenos autênticos, e isso desesperava o médium fraudulento. Como havia muito interesse os médiuns passaram a cobrar. As sessões espíritas eram espetáculos, tinha salinhas de fenômenos praticamente em cada esquina e as pessoas cobravam ingresso, o público entrava e assistia a esqueletos voadores, estrelas voando, materializações de flores, etc. Grande parte desses fenômenos comerciais eram verdadeiras montagens de circo, mas quando havia suspeitas de que fossem sérios, lá ia a "miudinha russa", a baixinha Helena Blavatsky assistir. Se ela percebesse a fraude, ela produzia eventualmente alguma materialização autêntica (ou uma fraude melhor com dizem os adversários) e imediatamente punha em pânico o médium que estava produzindo a fraude. Não foi uma nem duas, mas várias vezes que ela fez os fraudadores correrem, abandonarem tudo, pularem janelas porque se defrontaram com fenômenos que eles próprios não controlavam.

Mas, afora esse lado folclórico da história, o fato é que Helena Blavatsky, conhecendo Ollcot e conhecendo mais algumas pessoas da intelectualidade americana que estavam profundamente interessadas na história do Egito, nos rituais iniciáticos antigos, na magia, e como essas informações eram muito confusas, Helena Blavatsky, mais especificamente o coronel Ollcot, propôs em 1875, numa reunião no apartamento de Blavatsky - que era uma bagunça - , que se formasse uma sociedade para estudar esse assunto, e a sociedade foi formada no final de 1875 em meio a uma grande confusão.

A Sociedade Teosófica, apesar de ser uma instituição bastante séria, sempre esteve envolvida em muita confusão e com pessoas complicadas - como acontece com tudo que envolve pensamentos alternativos, pensamentos discrepantes do status quo. Em meio a uma série de acontecimentos extraordinários e outros tumultuosos, a Sociedade Teosófica começou a funcionar, e do nome da Sociedade Teosófica se batizou um tipo de estudo que seria o próprio estudo do ocultismo tal como se praticava antigamente, mas agora com uma cara nova, porque Helena Blavatsky com o seu trabalho estabeleceu uma nomenclatura, deu nome aos bois; estabeleceu uma nomenclatura que poderia ser usada por qualquer indivíduo que estudasse aqueles assuntos.

Existia um livro sobre a Atlântida de um cidadão chamado [?????], que foi muito famoso e muito lido na época, mas ele fazia uma grande confusão de termos. Houve muita gente falando sobre reeencarnação, sobre vidas passadas, sobre morte, sobre corpo sutil, mas havia muita confusão de termos, de terminologia; o que um chamava de perispírito, o outro chamava de espírito, o outro chamava de alma, o outro de corpo sutil, outro de corpo do éter, cada um chamava de um nome. A proposta de Helena Blavatsky foi essencialmente estabelecer uma nomenclatura que pudesse dar um esclarecimento, dar uma forma para tudo aquilo, e que todos pudessem falar da mesma maneira.

Por trás desse objetivo estava um objetivo maior, que era o de revelar nas entrelinhas das diversas formas de pensamento - mitológico, religioso, filosófico, científico - a existência de um substrato comum a todos eles que daria a forma e a sustentação a todas as formas do pensamento humano; uma espécie de doutrina universal, por assim dizer, a doutrina do saber humano, que ela batizou de doutrina secreta.

A doutrina secreta, num certo sentido, deveria ser a base, que a gente não percebe, mas que dá sustentação para todas as antigas religiões, mitos etc., e que de acordo com o que aparece na obra de Blavatsky estaria diretamente ligada às antigas escolas ou centros iniciáticos que praticavam os mistérios na antigüidade e que traziam esses conhecimentos, essas informações, os mitos a eles relacionados e que teriam dado origem às diversas correntes do pensamento humano.

Esse é um trabalho bastante intenso, e é um objetivo, uma meta a que muita gente se propunha a revelar no século XIX. Ela não estava sozinha, Helena Blavatsky não era a única pessoa que se propunha um trabalho como esse - o de descobrir por trás da diversidade intelectual e cultural da humanidade uma raiz comum, e tentar descobrir as fonte da sabedoria e do conhecimento humano na antigüidade. Alguns críticos consideram que isso era um sonho impossível. Não existe essa fonte - essa era a afirmação dos críticos na época e até hoje existem céticos, pessoas que desacreditam disso.

Mas, por outro lado, muitas pessoas inteligentes, muitas pessoas sensíveis, muitas pessoas respeitáveis, acreditavam nessa possibilidade e trabalharam em torno dessa possibilidade. Esse esforço que era essencialmente de espiritualistas e de ocultistas, foi copiado por uma série de cientistas ligados à áreas mais humanas do pensamento científico. Por exemplo, os estudiosos das línguas, da história das línguas, começaram um trabalho chamado gramática comparada. Esse trabalho tinha como objetivo tentar descobrir a origem comum de todas as línguas, uma espécie de língua mãe, original, como se cada uma das línguas fosse uma pequena ramificação de galhos que remeteriam a um tronco original que seria a língua original da humanidade. Esse esforço foi copiado pelos cientistas das buscas que os ocultistas faziam não apenas da linguagem, mas de toda a cultura humana.

De todas as tentativas que foram feitas na época, a de Helena Blavatsky produziu um impacto muito forte, muito intenso, e também suscitou as reações mais fortes. Isso significa que ela tinha tocado em um ponto sensível da humanidade. Para suscitar tanta reação ela tinha tocado efetivamente num ponto sensível. Que ponto era esse talvez nem ela mesma soubesse, mas o vigor da sua obra produz efeito até hoje. Nós estamos falando de uma obra que começou a ser publicada em 1877, dois anos depois da fundação da Sociedade Teosófica quando surgiu Ísis sem Véu, uma obra dedicada essencialmente à ciência e religião, onde ela fazia inúmeras críticas tanto à religião que já estava enfraquecendo, quanto à ciência que estava começando. Ela traçava realmente críticas severas a essas duas formas de pensamento acreditando que uma era a contrapartida da outra. Ou seja, tanto o fanatismo religioso quanto o fanatismo científico são prejudiciais para o equilíbrio do ser humano. O ser humano não deve estar nem muito ao céu nem muito à terra; ele deve alcançar um ponto que lhe permita observar a natureza de uma forma não passional, de uma forma não comprometida com uma visão parcial da natureza.

A ciência não aceitava nada do mundo invisível, do mundo espiritual; a religião não admitia as realidades do mundo material. O que ela propunha era um ponto de equilíbrio onde se pudesse aceitar a existência dos dois universos, e mais do que isso, admitir a unidade desses dois universos, do universo espiritual e do universo material, e não pressupor que um independa do outro, e que um seja fantasia e o outro realidade. Essa proposta aparece pela primeira vez em Ísis sem Véu, e vai ser posteriormente melhor elaborada, mais aprofundada na publicação chamada Doutrina Secreta, que foi publicada onze anos depois em 1888, três anos antes da morte de Helena Blavatsky.

Helena Blavatsky teria nascido em 1831 e faleceu em 1891, com praticamente sessenta anos e uma vida de botar inveja a qualquer saltimbanco. Ela gostava de fantasiar um pouquinho, de exagerar nas cores e no tempero quando falava sobre a própria vida; mas a vida dela foi tumultuada desde o nascimento até o dia da morte. Seus parentes contavam que no dia do batismo dela alguém tinha esbarrado num castiçal que caiu e botou fogo na batina do padre - era um bispo ortodoxo que estava fazendo o batismo -, foi um corre-corre danado, um tal de jogar água ... Então, ela teve um início de vida já tumultuado, como um presságio dos fenômenos que aconteceriam mais tarde. A irmã dela, chamada Vera, escreveu em algumas cartas que ela remetia para amigos a impressão muito forte que Helena produzia nos parentes desde pequena. Ela gostava de se fingir de coisas extraordinárias, de dar susto nos outros, de pregar peças, se fingir de morta ... Mas, afora isso, se dizia que ela produzia fenômenos, que adivinhava coisas.

Então, Helena Petrovna , que nessa época ainda não tinha se casado e adotado o nome de Blavatsky, a pequena Helena Von Hann, essa menina, foi um problema para a família; era rebelde, tinha muitas idéias próprias, não aceitava ordem de ninguém, era mandona ... era realmente um terror para a família. Aos vinte anos ela teria se casado com um militar, um oficial da nobreza russa, que tinha o sobrenome Blavatsky. Esse militar era um tanto mais velho do que ela, deveria ter em torno de quarenta anos, e ela estava com vinte, ele era um homem vinte anos mais velho do que ela. Isso era muito comum na época, esse tipo de casamento não era fora do usual. Ao longo de sua vida ela se referiu várias vezes a esse casamento, só que cada vez que ela contava a história ela era mais nova e ele mais velho. Ela exagerava um pouco na conta porque gostava de divertir as pessoas. Muitas vezes as brincadeiras dela foram mau interpretadas. No final da vida ela relembrava o casamento com se ela tivesse treze ou quatorze anos e o homem mais de sessenta - a diferença cresceu ao longo do tempo.

Helena Blavatsky era um pessoa que brincava e pregava peças nos outros desde criança; ela continuou assim até o fim da vida, sempre foi bem humorada. Ao mesmo tempo, ela tinha um temperamento cuja a expressão mais técnica seria um "temperamento do cão". Ela era irritada, tinha um pavio muito curto, brigava com todo o mundo; mas dali a pouco já esquecia a briga e estava em paz com todo mundo. Ela tinha acessos de fúria que ninguém entendia de onde saia. Na verdade, a sensibilidade dela a deixava com uma personalidade muito instável, e isso, claro, foi ampliado, revisado, pelos críticos de Helena Blavatsky como se fosse uma prova da loucura, da insanidade dela. Mas, seguindo pela mesma prova, Pablo Picasso não passaria no teste e seria internado num manicômio, e nós teríamos perdido um grande mestre das artes; e tantos outros intelectuais e artistas tinham esse mesmo perfil de Helena Blavatsky, pessoas irascíveis, pessoas que de repente eram tomadas de fúria e tomavam atitudes consideradas insanas por muita gente.

A primeira atitude dela insana, segundo a família, foi quando ela largou esse casamento estável com um homem da nobreza russa. Ela própria vinha de uma família que, segundo se levantou, teria se originado nos primórdios do povo russo, no século IX, do grande rei Rurik que deu origem aos russos. O casamento e sua família prometiam para ela uma vida de fartura, de bem-estar e de tranqüilidade até a morte. Ela morreu antes da revolução comunista, então, na Rússia czarista, a vida dela estaria tranqüila e assegurada ad eternum. Mas ela largou tudo isso, chegou a um entendimento com seu marido, deixou a casa e partiu para o mundo numa grande aventura; uma aventura para a qual nós somos gratos. Nós que estudamos teosofia, que lemos a obra dela, que nos impressionamos com a profundidade do trabalho, damos graças a Deus que ela teve esse acesso de loucura e abandonou o aconchego do lar e abandonou o sr. Blavatsky.

Na verdade ela nunca se separou formalmente dele, mas passou a viver como se nunca tivesse casado na vida. Viajou pelo mundo; se contam um monte de histórias e muitas delas a gente não tem como saber se eram verdadeiras ou não. Mas ela teria ido para a Índia, para o Egito, para o Tibet, onde teria passado sete anos. São histórias difíceis de se comprovar porque ela fazia isso sozinha, ela não estava acompanhada por ninguém; algumas das viagens ela fez clandestinamente. Então, parece um pouco conversa de pescador, eu digo que fiz uma viagem para impressionar... Mas ela não tinha motivo para impressionar ninguém, porque essas histórias não valorizavam uma mulher no século XIX. A mulher valorizada era a mulher que se vestia bem - ela se vestia mal -, e que tinha hábitos recatados, e quem via Helena Blavatsky fumando um charutão numa época em que nem se cogitava a possibilidade da mulher fumar, realmente não ficaria bem impressionado com ela. Helena Blavatsky era uma mulher diferente, ela fugia completamente ao padrão.

Quando ela "despencou" nos Estados Unidos, deixou o marido, isso em 1851, quer dizer, ela teria deixado o marido poucas semanas depois do casamento, alguns dizem que alguns meses depois. Mas, de 51 a 73, quando aparece nos Estados Unidos, ela teve uma trajetória em que viajou para vários lugares do mundo, estudando, conhecendo gente, conhecendo bruxos, magos; conhecendo filósofos, tribos de nômades; teria conhecido os magos drusos, os magos persas, os magos egípcios; teria conhecido os magos indianos, os iniciados da Índia; teria viajado pelo Tibet; teria entrado na China segundo alguns; teria passeado pela Arábia, pela Palestina; teria ido à Grécia, teria sido a única sobrevivente numa explosão de um navio que teria afundado no Mediterrâneo.

Então, algumas histórias lembram um pouquinho o barão Munchhausen aquele famoso mentiroso que contava as histórias mais fantásticas. Mas tudo aquilo que foge ao padrão é tomado por muita gente como mentira; e hoje, é difícil comprovar ou negar qualquer uma das histórias que se conte a respeito dela. O fato é que ela nunca contava a sua história da mesma maneira duas vezes, o que deixava todo o mundo em desespero, sobretudo aqueles que se propunham a fazer a biografia dela. Se em três dias seguidos ela contasse um mesmo trecho da história dela, em cada dia era uma história diferente; e aí, os primeiros teosofistas que a acompanhavam e que estavam interessados em registrar aquela vida extraordinária acabaram desistindo de fazer um relato baseado no testemunho dela. Ela realmente não estava interessada em registrar a sua própria história. Ela se interessava, isso sim, por divertir os outros...

Quando ela conheceu o Ollcot, em 1873, em Nova York nos EUA, ela era uma russa que falava bem o francês, todo mundo na época que era elegante falava bem o francês, mas que chegou num país bárbaro, onde a língua oficial era o inglês, e ela teve de aprender o inglês. O inglês dela era uma porcaria na avaliação dela própria, ela falava um inglês muito ruim, era o inglês de uma russa habituada ao francês. Então ela conheceu o Ollcot e algumas pessoas interessadas em espiritualidade. Esse grupo se intitulava de "espíritas insatisfeitos", era assim que eles se definiam. Por quê? Porque eles gostavam dos fenômenos espíritas, se interessavam, mas não conseguiam se satisfazer com as explicações que viam.

Ollcot tinha um hábito que ele trazia desde a época de militar, que era o de anotar em diário as coisas que aconteciam. Então, As "Páginas de um Velho Diário", que são a publicação do diário de Henry Steel Ollcot, é uma fonte de informação mais confiável sobre a vida de Blavatsky e as coisas extraordinárias que ela fazia.

Ele cita casos engraçados. Por exemplo: Eles moravam em apartamentos contíguos em Nova York, e ela freqüentemente invadia o apartamento dele sem dar satisfação nenhuma, ela era enxerida mesmo. Então ele estava às vezes lendo, sossegado, e ela entrava no apartamento (ela tinha cabelos ruivos, normalmente curtos) com seu cabelo solto, ele dizia que parecia uma juba, e entrava numa sala; quando ela saia, tinha o cabelo até a cintura; entrava em outro lugar, quando voltava o cabelo estava preto. Ele ficava se contendo, não queria dar a mão à palmatória, mas ele menciona que era impossível não se divertir com Helena Blavatsky. Ela convertia em graça, em piada tudo o que acontecia, tudo o que se discutia.

Então, falando de magia, ela tinha supostamente na sua passagem pela região do Oriente Médio aprendido com alguns drusos a dominar espíritos da natureza, aquilo que a gente chama de gnomos, duendes, fadinhas, etc., e ela tinha alguns desses espíritos a seu serviço. Se era ou não era, não importa, mas ela contava essa história para todo o mundo. Freqüentemente se via ela brigando em altos brados com esses gnomos, com esses duendes que estavam querendo servi-la e acabavam atrapalhando. Mas só ela via, os outros às vezes ouviam os ruídos ou viam os resultados dos fenômenos.

Um dia ela estava costurando, e chutava o tal do gnomo embaixo da máquina de costura; aí ela teria pego um saco, colocado um retalho de pano, uma linha, e falou: Então você vá fazer a sua costura aí. E dali a pouco ouviam-se ruídos dentro do saquinho de pano e ela dizia: É, ele está trabalhando, está se esforçando, está tentando me ajudar. Depois de um tempo, ela tirou de dentro do saco um retalho de tecido mal costurado, parecia que uma criança de cinco ou seis anos tinha feito uma costura improvisada e ela dizia: Ele está todo orgulhoso dessa porcaria que fez. Então, ela fazia essas graças todas e o pessoal ficava sem saber se aquilo era brincadeira ou se era verdade, se era um gnomo que estava costurando aquilo ou se ela tinha ou se ela tinha aprontado aquilo para divertir eles. Ela foi assim até o fim da vida - um grande enigma.

Afora isso, Helena Blavatsky alega que sonhava desde a sua infância com a figura de um Mestre, uma figura meio indefinida que ela não sabia descrever, mas que um dia ela teria visto numa exposição em Londres, numa comitiva indiana, à cavalo, com toda a pompa do vestuário típico dos indianos, dos [????] que são os príncipes do norte da Índia. Um daqueles indivíduos era, segundo ela, exatamente o indivíduo dos sonhos dela, o Mestre dos seus sonhos. Alguns até maldosamente acharam que ele seria o príncipe encantado, com quem ela gostaria de casar - "o mestre dos meus sonhos". Na verdade era o Mestre com o qual ela sonhava desde a adolescência.

Ela teria tentado se aproximar dele, há toda uma cena que ela descreve, mas ela romanceava tudo, então é difícil saber como teria sido esse primeiro encontro. Mas supostamente se encontraram pessoalmente, eles conversaram um pouco, e ela teve uma clara noção de que a sua vida seria uma vida complicada, porque ela teria uma missão a cumprir para essa Fraternidade de Mestres, de indivíduos especiais, iluminados que ela vislumbrava através desse personagem.

Esse Mestre teria sido conhecido como Mestre Morya, e esse indivíduo teria iniciado uma instrução para ela, teria sugerido procurar o coronel Ollcot. Então, ela teria sido orientada por esse Mestre a quem ela devotava um carinho todo especial. Esse Mestre passou a fazer parte de um verdadeiro panteão de indivíduos iluminados que ela apresentava ora com o nome de adeptos, ora com o nome de mestres, ora com o título de irmãos. Esses iluminados seriam indivíduos que fariam parte de uma suposta fraternidade - vamos colocar suposta porque sua existência é apoiada efetivamente em testemunho de pessoas - que estaria por trás dos grandes acontecimentos da história humana. Isso combinava muito bem com a idéia de buscar uma fonte comum a todas as formas do pensamento humano porque essa fraternidade poderia ser a detentora dessa fonte de conhecimento, aquela que guarda, que abriga esse saber, esse conhecimento que a humanidade teria usado ao longo das eras para desenvolver a suas filosofias, seus pensamentos religiosos, suas práticas iniciáticas e tudo o mais.

A partir de então, Helena Blavatsky se fixa na orientação desses Mestres, ela cria uma verdadeira fixação mesmo na existência desses Mestres e nas comunicações que ela estaria mantendo com eles. Sendo que essas comunicações são de caráter extremamente polêmico, em alguns casos são cartas que se materializavam diante das pessoas, caiam do teto. Esses fenômenos de materialização posteriormente foram criticados e considerados por muitos como fraudes. Um bom prestidigitador, um Houdini era capaz de produzir fenômenos similares, ele dizia: Se eu posso fazer, ela pode fazer também, então é fraude. Eu quero ver um fenômeno que eu não possa reproduzir. Houdini foi um grande pesquisador de fenômenos, e ele queria encontrar fenômenos autênticos, mas a vida inteira ele pesquisou, estudou, e nunca encontrou.

Helena Blavatsky teve uma fase em que ela produzia, ou perto dela se materializavam cartas. Eram sempre cartas ou do Mestre Morya ou de um outro Mestre que aparece posteriormente e que assina um nome também indiano, o nome de Kut Humi. Esses dois Mestres são, por assim, dizer os guias, os orientadores de Helena Blavatsky e posteriormente de Henry Stell Ollcot, desde 1873 até 1875, quando a fundação da Sociedade Teosófica teria sido inspirada, orientada por eles.

Os anais, os registros históricos da fundação da Sociedade Teosófica contam uma história um pouco mais confusa e mais humana sobre a origem da instituição que teria se originado no apartamento de Helena Blavatsky, uma apartamento muito bagunçado, com animais empalhados, estatuetas de deuses indianos, de Buda, e tudo o mais. Era um apartamento que hoje faria muito sucesso com essa mania que a gente tem de misturar modismos diferentes, mas na época era considerado um caos. Era a época vitoriana, das coisas arrumadinhas, das senhoras empoladas em grandes vestidos, onde a briga das feministas era para ter o direito de se vestir de forma diferente, ou seja, de tirar as sete ou oito saias que usavam por baixo do vestido, tirar as grandes anáguas de tiras de madeira e poder se vestir mais informalmente - era uma briga inglória.

Então, nessas disputas de vestuário, Helena Blavatsky aparecia vestida de uma forma que segundo alguns parecia uma mendiga, com trajes, farrapos, coberta às vezes com mantos; quando ela começou a engordar um pouco, ela se vestia com batas enormes e se parecia com uma tenda de circo segundo alguns críticos. Essa forma de se apresentar dela combinava bem com seu apartamento.

Nesse apartamento se reuniam alguns intelectuais interessados pelo espiritismo, interessados pelas pesquisas, e num dia em que um deles discursava sobre a magia egípcia e a história do antigo Egito, o coronel Ollcot entusiasmado com a discussão que houve sobre magia negra no Egito, magia branca, se era ou se não era, se levantou e fez um discurso de improviso propondo a formação de uma sociedade para estudar aqueles fenômenos.

Foi uma decisão unanime, todos concordaram. Só não sabiam que nome dar para a instituição, um sugeriu Sociedade Rosa-Cruz, outro, Sociedade Maçônica, Sociedade Ocultista ... eles não sabiam que nome dar. Passaram alguns dias procurando até que alguém, no dicionário, descobriu a palavra teosófica e virou Sociedade Teosófica.

Então, o começo foi um pouco menos místico do que se pensa. Mas, curiosamente, foi atribulado. Esse famoso palestrista que estava falando quando Ollcot propôs a formação da Sociedade Teosófica, se dispôs a usar os fundos que imediatamente eles reuniram - cada um deu uma contribuição - para o registro da instituição; tomou cem dólares do caixa da Sociedade Teosófica e fugiu com o dinheiro, foi para Londres. Então nós tivemos um começo um pouco atribulado, mas isso foi muito comum, houve vários casos desse tipo, várias pessoas complicadas que tumultuaram esse início.

Isso tudo vem sendo usado sempre contra Helena Blavatsky. Por quê? Por causa do efeito extraordinário que a obra dela teve nos pensadores que se sucederam; nos vários pensadores, intelectuais, escritores. Escritores como Bernard Shaw por exemplo, que era um grande admirador de Blavatsky; escritores polêmicos como Oscar Wilde, com a sua visão diferente de sexualidade e de sensibilidade; escritores irlandeses, que até levaram os teosofistas a serem acusados de apoiar o exército de libertação da Irlanda.

Essa polêmica toda ganhou forma recentemente num livro que foi publicado aqui no Brasil e que está sendo o terror de alguns teosofistas que se chama O Babuíno de Madame Blavatsky. O babuíno de madame Blavatsky era na verdade um babuíno empalhado que ela tinha em casa. Ela fazia muita graça porque tem uma imagem do Charles Darwin com corpo de macaco. Quando Charles Darwin publicou a origem da espécies Helena Blavatsky se pôs contra, ela dizia: Ele pode preferir descender dos macacos, mas nos pretendemos que descendemos de espíritos mais elevados, que o macaco eventualmente foi uma descendência nossa.

Ela tinha essa figura do babuíno que estava vestido de fraque e cartola, de óculos, e com o discurso das origens das espécies debaixo do braço. Então, esse babuíno que batizou o livro é usado como um dos argumentos do autor, um cético britânico, Peter Washington, que escreveu muito claramente. Ele trouxe todas as notícias da época, mas ele faz uma apresentação dos fatos que é contrária. Ele é descrente, é totalmente incrédulo de todas essas ligações com sociedades esotéricas, místicas e grandes mestres.

Mas ele considera que Helena Blavatsky, apesar de descordar de tudo o que ela pensa, foi fundamental na formação do pensamento mágico e na formação do místico, do guru moderno ocidental, e que ela realmente fez a cabeça de muitos cientistas, de muitos escritores etc. e que foi revolucionária do seu tempo. Só que o conceito de revolução é um conceito que ele questiona, porque ele detesta tudo, inclusive a psiquiatria, a psicanálise; para ele poderia jogar tudo no lixo.

E ele confessa, cento e dez anos após a morte de Helena Blavatsky, que ela é muito importante para ser esquecida. Ela é fundamental. O trabalho dela até hoje repercute a ponto do livro dele ser publicado pela Editora Record que nunca publica senão best sellers . Se uma figura, depois de cento e dez anos de falecida, ainda suscita tanta polêmica, significa que a obra dela foi revolucionária.

Mas qual foi a revolução que ela fez?

Nós mencionamos que o ocultismo ganhou uma nomenclatura, ganhou designações novas. A partir de Helena Blavatsky, e não antes, com todas as questões que se possa levantar contra ela, os ocultistas do mudo inteiro puderam conversar entre si, trocar idéias. E aí, surgiram todos aqueles ocultistas que começaram a fundar seus próprios movimentos, suas próprias visões de mundo. Rudolf Steiner, que foi um dos teosofistas mais destacados da Alemanha, se torna um dissidente e envereda por um caminho mais cristão e mais humanitário que ele chama de Antroposofia. Existem outros diversos movimentos que vão surgindo, de ressurgimento da gnose, de reformulação da Maçonaria, de reinterpretação do Cristianismo, e todos eles seguindo a nomenclatura de Blavatsky. Os espíritas adotaram todos os designativos de Helena Blavatsky, preservando o original deles de perispírito, mas usando toda a nomenclatura de planos, de mundos, etc.; assim como a maior parte dos modernos místicos e ocultistas também seguem a mesma nomenclatura que ela batizou no século passado, onde ela adota termos indianos.

A base cultural dela são as religiões e filosofias da Índia; ela explica os fenômenos por conceitos tipicamente indianos. Então, conceitos como o de carma por exemplo, como o akasha, aquela substância que está na base do Universo, são usados até hoje. As pessoas falam do registro akashico, foi ela quem trouxe essa terminologia. Conceitos de morte e reencarnação, conceitos de civilizações ou raças passadas - ela usa esse termo e depois se arrepende -, a raça lemuriana, a raça atlante, a raça ariana, esses termos são usados ainda hoje e não existiam organizados antes dela organizá-los adequadamente na sua obra.

Então, o que nós temos é o seguinte: Antes de Blavatsky o que era o ocultismo na Europa? O ocultismo na Europa era uma série de estudos feitos na França, principalmente, onde se destacava inclusive o Éliphas Lévi, que tratava essencialmente da cabala, da astrologia e da alquimia, sempre de uma forma que ninguém conseguia entender bem, porque o oculista achava que tinha que ocultar o conhecimento, não revelar, não apresenta-lo para o mundo. Helena Blavatsky põem tudo numa linguagem que todo o mundo pode entender, as pessoas conseguem entender o conceito de ocultismo a parir da obra de Blavatsky, essa foi a grande revolução que ela produziu.

Ela estava pouco ligando para o que pensavam dela, estava pouco ligando para o que achavam da vida dela, do que ela fez ou deixou de fazer. Ela dizia: Falem mal de mim, mas conheçam a doutrina, conheçam essa fonte onde eu fui beber. Então, Helena Blavatsky trouxe efetivamente para o mudo um padrão de entendimento, de comunicação entre os estudantes, entre os pesquisadores daquilo que nós chamamos de ocultismo, ou espiritualismo, ou misticismo, ou mitologia - ela era considerada uma grande mitóloga.

Quem não gostava dela como mitóloga era o mais famoso mitólogo do século XIX, Max Muller, um alemão que considerava que os mitos eram um defeito da linguagem humana, uma falha do pensamento humano. Blavatsky colocava os mitos num status cultural muito superior a isso; ela considerava que os mitos eram a verdadeira linguagem do espírito humano.

Os psicanalistas do século XX falam que os mitos são a expressão do inconsciente humano, mas o inconsciente do psicanalista e o espírito de Helena Blavatsky são muito próximos, muito semelhantes. Ela trás o conceito de espírito dos mistérios iniciáticos que estão ligados àquelas trevas do inconsciente, a todos aqueles conceitos que os psicanalistas associaram ao que eles chamam de inconsciente.

Helena Blavatsky deu também bases para a formação do pensamento filosófico e do pensamento científico. Vários grandes cientistas da época se empolgaram muito com o trabalho dela, se tornaram amigos pessoais dela, e desenvolveram pesquisas a partir da obra de Blavatsky. Geralmente é lembrado o nome do professor Wallace, um grande astrônomo do século passado, que definiu uma teoria solar revolucionária que agitou os meios científicos da época. É também lembrado William Crookes, o chefe da seção química da academia real de ciências de Londres que fez pesquisas sobre materializações espíritas afirmando que ele considerava viável que a matéria tivesse algum tipo de inteligência - ele foi expulso da real academia de ciências de Londres, mas, de qualquer jeito, persistiu na pesquisa e manteve a sua posição até o fim da vida. Outros pesquisadores, outros cientistas, até insuspeitos, como Albert Einstein, que era um leitor de Helena Blavatsky, usaram alguns conceitos que ela apresenta na Doutrina Secreta, não como fonte de conhecimento, mas como fonte de inspiração para o trabalho científico que desenvolviam.

Na mesma época a igreja tentava interferir na ciência a sua própria maneira. O Vaticano já tinha um departamento de ciência muito ativo que produziu inclusive grandes teorias da ciência moderna, como é o caso do big-bang. A teoria do big-bang na origem do Universo é uma teoria católica produzida por um bispo do Vaticano chamado padre LeMaître, um padre cientista, contra a qual Albert Einstein se bateu durante vinte anos por ser uma teoria religiosa. - afinal, ele era judeu, não era católico.

Mas o fato é que Helena Blavatsky interferiu no pensamento de muita gente, no pensamento de muitos grandes intelectuais do século XIX e do século XX. Segundo informações passadas por terceiros, por pessoas ligadas ao Mahatma Gandhi, ele tinha livros de Blavatsky; tinha pelo menos uma obra de Blavatsky como leitura de cabeceira.

Outras figuras notáveis sofreram essa influência. Por que esses indivíduos, reputados como sérios, inteligentes, capazes, sensíveis, deram importância à obra de Blavatsky? Se os críticos de Blavatsky consideram-na uma alucinada, mentirosa, farsante, uma imitação bruxa; se ela era tão duramente combatida por seus detratores, quase todos religiosos de seitas ou denominações cristãs, não só católicas, mas protestantes inclusive; se ela era tão perseguida por esses indivíduos por que tanta gente continua lendo até hoje a obra dela? Por que até hoje se considera necessário bater em Blavatsky? Ainda que a obra O Babuíno de Madame Blavatsky não seja propriamente ofensiva, mas é cética; é bater no sentido de não acreditar naquilo que ela propunha como explicação, mas respeitando a importância histórica dela.

É porque com seu jeito informal, até meio desencontrado, meio confuso de se apresentar, Blavatsky atingiu em cheio o inconsciente da humanidade, atingiu em cheio a sensibilidade da humanidade que passava por um momento de forte transição. Ela estabeleceu as raízes de movimentos, de forma de pensamento, que hoje nós chamamos de alternativos ou de contracultura na década de 60. Movimentos que foram eclodir cem anos depois da obra dela ter sido iniciada. As décadas de 60 e 70 são o momento em que o pensamento que ela inaugurou, a maneira que ela inaugurou de descrever o Universo, a nomenclatura que ela usou, passou a ser domínio público, e então as pessoas nem mais reconhecem a fonte, nem mais percebem que tiraram aquilo da obra de Blavatsky.

Então, ela realmente produziu uma revolução não apenas dentro do âmbito do ocultismo, mas ela produziu uma marola que vem afetando todas as áreas do pensamento humano direta ou indiretamente. A obra dela vai produzindo efeitos em várias áreas do pensamento, em várias ciências, em várias artes. Hoje não é mais necessário dizer que foi utilizado Blavatsky como fonte, as pessoas já tomam a obra dela como bem comum da humanidade. E a contracultura, os movimentos espiritualistas modernos, os mais absurdos, alguns completamente furados, outros sérios, tentando fazer sua pesquisa, eles indiscriminadamente utilizam não apenas a nomenclatura definida por Blavatsky para explicar o ocultismo, mas utilizam inclusive os personagens que ela evoca na Doutrina Secreta, como personagens que foram iniciados nos mistérios e que passaram a compor o panteão de Mestres de vários movimentos espiritualistas modernos.

Então hoje, Morya e Kut Humi, que teriam sido os Mestres mais ligados a ela, fazem parte de todos os movimentos esoteristas do mundo, desde os rosa-cruzes, os maçons, até o outro lado do espectro, com os médiuns modernos dos Estados Unidos, que são chamados de canalizadores e estão toda hora mandando mensagens, verbalmente ou por escrito, de Morya, de Kut Humi e de outros tantos Mestres que são hoje chamados ascencionados - se diz que eles podem ter perdido o corpo físico mas subiram para uma esfera mais alta.

Todo esse lendário, ou essa mitologia, esse reconhecimento da existência desses Mestres advém da obra de Blavatsky. Antes dela não existia esse conceito de Mestre, não existia isso no Ocidente, não se tratava desta maneira. O ocultismo era visto como uma prática quase idêntica à das bruxas, das feiticeiras, que chegaram a ser queimadas nos Estados Unidos, eles tinham medo disso porque era tudo muito confuso, muito impreciso. Helena Blavatsky deu ordem e deu forma àquilo que antes era um caos.

Então, na nossa palestra de hoje o interessante é apenas identificar que nessa época que Blavatsky surgiu, o modo de ser dela era totalmente inviável, era totalmente inimaginável. Uma mulher normal, de posse do seu bom juízo, jamais teria o comportamento, vestuário, o modo de falar, de pensar, de falar, de agir como o de Helena Blavatsky - Blavatsky era doida. Eu gosto de Blavatsky, mas eu sou o primeiro a dizer que ela era doida. Ela devia ter realmente um parafuso a menos na sua cabeça, porque o que ela fez era uma loucura completa. Ela enfrentou uma adversidade muito grande em conseqüência disso; ela teve muita coragem de ser diferente, ela encontrou uma resistência, uma reação tão forte que muita gente poderosa, muita gente segura de si não agüentaria.

Naquela época as coisas eram muito difíceis para as mulheres, as mulheres não valiam nada - com todo o respeito às mulheres. Hoje, graças a Deus as coisas são diferentes, mas as mulheres não valiam nada, não tinham direito a voto, não tinham direito a opinião, não tinham direito a coisa nenhuma. A mulher não existia na sociedade exceto para servir o homem, para divertir o homem e para concordar com o homem em tudo aquilo que ele dissesse. Então hoje, nós os homens estamos mais prejudicados, mas as mulheres estão mais satisfeitas porque as coisas se equilibraram; podemos dizer que houve quase uma inversão de papéis. Cada vez mais nós temos a liderança da mulher, cada vez mais surgem líderes políticas mulheres. Até em lugares tão insuspeitáveis como o Paquistão por exemplo aparece uma Benazir Bhutto, uma mulher extraordinária que se torna presidente de um país muçulmano - um país mais machista do que esse só outro igual. Então, mulheres extraordinárias assumem posições cada vez mais fortes na sociedade, e assumem posições dominantes.

No século XIX não se podia imaginar uma mulher dar emprego a um homem, isso era inconcebível. Hoje não, hoje grandes empresárias, grandes executivas estão realmente comandando vários segmentos de mercado. Essa revolução, alguns estudiosos do comportamento atribuem em grande parte ao comportamento excêntrico de Helena Blavatsky; uma mulher que foi acusada de tudo, de todas as perversidades, de todas as maluquices, mas que não é culpada de quase nada. Ela era sim uma mulher excêntrica, diferente. Mas uma mulher diferente que tinha uma mensagem, que tinha alguma coisa para dizer e disse com clareza. Muita gente leu, muita gente ouviu, muita gente pensou no que ela disse e o mundo ficou diferente.

Apesar de a Sociedade Teosófica não ser uma sociedade personalista, uma sociedade que fica cultuando personalidades, a Sociedade Teosófica preza muito o trabalho, a obra de Helena Blavatsky, não só por ser a sua fundadora, mas por ser uma pessoa que mudou o rumo do pensamento humano, o rumo da história humana a partir do final do século XIX.

Então, o quadro que nós tínhamos para apresentar era basicamente esse, eu vou deixar vocês tirarem as dúvidas, fazerem as perguntas necessárias.

Pergunta: Ela era uma jornalista ?

Helena Blavatsky não era propriamente uma jornalista, ela atuou como jornalista. Como ela era russa, ela fornecia matérias para alguns periódicos russos sobre as viagens completamente doidas que ela fazia. Por exemplo, quando ela foi para a Índia ela relatava o roteiro da viagem dela e mandava para esse periódico russo que publicava. Ela ficou muito famosa por isso porque escrevia muito bem, era uma grande contadora de histórias. Houve um outro grande contador de histórias na Sociedade Teosófica que foi o Leadbeater, todo mundo gostava de ouvir as histórias dele; ele também foi uma figura bastante polêmica. Mas ninguém era tão bom para contar histórias como Helena Blavatsky. Ela acabou se notabilizando como novelista, ela escreveu alguns contos, alguns romances, são poucos, mas se tornaram verdadeiros marcos no romance ocultista no século passado. O trabalho como jornalista era subordinado na verdade ao interesse dela em desenvolver o ocultismo ocidental.

Pergunta: É uma observação. Dizem que o resultado de toda a obra dela, se fosse para uma pessoa normal fazer, que não fosse dotada de uma fonte outra, seria necessário entre pesquisa e conhecimento mais de duzentos anos.

Olha, os fãs de Blavatsky exageram um pouco nas cifras. Ela faz realmente muitas citações na obra dela que se consideram extraordinárias. Foram obras escritas em prazos muito curtos. Tanto Ísis sem Véu, quanto a Doutrina Secreta ela escreveu freneticamente. Era essa a descrição que se fazia dela trabalhando. Ela não apenas escrevia freneticamente, ela escrevia quinze, vinte vezes o mesmo capítulo para desespero dos auxiliares que estavam tentando editar a obra. Ninguém mais sabia qual era a versão válida, qual era a inválida. Ela escrevia, aí achava que estava errado, punha de lado, depois punha um outro em cima, e mais outro... numa pilha de um metro e meio de papel ninguém sabia a ordem daquilo.

Quando foi publicada pela primeira vez a Doutrina Secreta, em 1888, se demorou mais tempo para organizar a papelada do que para ser escrito, porque ela realmente escrevia como uma alucinada. Só que a quantidade de citações existentes na obra, que foram posteriormente conferidas e corrigidas - às vezes os números apareciam invertidos - é extraordinária. O autor de O Babuíno de Madame Blavatsky, que é muito crítico, diz que muitas dessas obras estavam na estante dela. Mas das aproximadamente 1.200 obras citadas na Doutrina Secreta, ela tinha cerca de setenta, e o resto? Algumas dessas obras só se descobria por exemplo em alas reservadas do Museu Britânico ou do Vaticano, eram obras muito raras. Ela não saiu consultando essas obras por aí, segundo aqueles que estavam próximos dela ela escrevia olhando para o vazio. Ela dizia que estava assistindo tudo na tela astral, se estava ou não era só para os olhos dela. Então, o "vazio" foi muito rico bibliograficamente falando. Ela realmente escreveu uma obra extraordinária num prazo muito curto.

Eu não acredito que levasse duzentos anos para escrever aquilo, mas bem uns vinte anos de pesquisa seriam necessários.

Pergunta: Uma vez perguntaram para ela porque ela fumava, e ela respondeu: "Eu faço isso para não ascender aos céus."

Ela fazia muita piada. Ela fumou a vida inteira. Inclusive numa das fotos de Blavatsky, o original tem um charutão enorme, por uma questão até de fazer uma representação politicamente correta, a Sociedade Teosófica apagou o charuto da foto. Ela fumava pelo temperamento dela, bebia de vez em quando uma coisinha ou outra. Ela era rebelde. Os próprios Mestres com quem ela trabalhava chamavam-na de "uma aluna rebelde". Ela sabia que as pessoas queriam explicações complexas, filosóficas, então uma vez ela deu de fato essa resposta: "Se eu parar de fumar eu saio voando." Só que levaram a sério.

Pergunta: [ ?]

Tem uma biblioteca no Centro Raja onde boa parte dessas obras originais estão disponíveis. Não estão disponíveis para empréstimo, mas estão disponíveis para consulta, para leitura no local. Não tem absolutamente tudo, mas tem quase tudo lá. É uma biblioteca simples, mas é bastante especializada e bem completa. Inclusive as memórias do Ollcot, o diário do Ollcot tem lá. Um dos livros de conto, O Povo das Montanhas Azuis, publicado pela editora "Kier" da Argentina, é colocado como ficção, mas posteriormente ela diz que é praticamente um fato real. Em O Povo das Montanhas Azuis o que ela faz é a apresentação dos povos das montanhas azuis que ficam no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia. Foi um dos primeiros lugares que ela visitou com Ollcot assim que chegou na Índia. Nas montanhas azuis haveria um povo remanescente de outras eras, de outras épocas, que são os Todds. Ela conta sobre a vida desse povo nessa narrativa. Boa parte da narrativa é sobre a história de como os britânicos descobriram esse povo, e de como eles ficaram intrigados com as histórias que corriam naquelas montanhas sobre magia negra de um lado, e a bondade natural dos Todds, salvando as pessoas dos magos negros. Então, é um livro curioso. Teve quem considerasse ficção, mas ela apresentou como verdade.

Pergunta: Ela fala que a Sociedade Teosófica seria uma sucessora da escola neoplatônica.

Essa idéia da Sociedade Teosófica como sucessora dos neoplatônicos do século II, III da era cristão surgiu depois. No começo eles não sabiam nem que nome dar, nem que cara teria a sociedade. Era apenas um grupo de espíritas insatisfeitos tentando se organizar para estudar aqueles fenômenos e aquela sabedoria antiga de uma forma organizada. O conceito de teosofia veio depois da idéia de formar a sociedade; e a ligação do conceito de teosofia com os antigos usos da palavra teosofia veio depois que Blavatsky brilhantemente percebeu as implicações daquele nome. Então, ela reconheceu que o trabalho que eles se propunham a fazer era idêntico ao que os neoplatônicos tinham se proposto a fazer naquele período remoto na biblioteca de Alexandria. Essa conclusão foi posterior à fundação da Sociedade Teosófica.

Pergunta: [?]

Isso foi uma evolução do processo todo. A Chave da Teosofia foi redigida para explicar os primeiros conceitos teosóficos que foram publicados, especialmente no livro do Alfred P. Sinnet, O Mundo Oculto e em Ísis sem Véu. Então ela publicou essa obra para explicar um pouco melhor, mas a Doutrina Secreta foi muito melhor do que a Chave da Teosofia. A obra dela teve uma evolução, um progresso extraordinário ao longo dos doze ou treze anos em que ela ativamente produziu material.

Pergunta: [?]

Eu te diria o seguinte: A melhor forma de conhecer a obra dela é pegar o primeiro volume da Doutrina Secreta, e ler a parte introdutória onde você tem uma sinopse da vida de Helena Blavatsky, uma introdução e um proêmio onde ela dá todo o perfil da obra. É a melhor maneira de introduzir. Depois de ler essa parte introdutória, ler A Chave da Teosofia, um livrinho que ela elaborou na forma de perguntas e respostas, onde ela responde a várias dúvidas que já começam a partir dessa primeira leitura. Depois de ler A Chave da Teosofia, aí você vai descobrir aonde o teu interesse vai te levar. Um dos caminhos é pegar Ísis sem Véu e ler de ponta a ponta, outro caminho é continuar a leitura da Doutrina Secreta.

Afora isso, para pontuar essa leitura, essas obras romanceadas, esses contos de Blavatsky são muito bons. Sendo que existe uma obra dela que é extraordinária, a publicação em português ainda não foi feita, se chama Pelas Selvas e Grutas do Industão, que relata exatamente o momento em que ela está indo para a Índia, onde ela relata fatos extraordinários que explicam muitas coisas que a gente vê na literatura teosófica. Essa obra tem uma tradução para o castelhano feita pelo espanhol Mário Rosso del Luna que era um grande admirador de Blavatsky. Nessa obra, além dele traduzir os capítulos, ele fez comentários, notas que são muito boas, muito esclarecedoras. É uma obra gostosa de se ler, mas para quem entende o castelhano, porque o castelhano de Mário Rosso é o castelhano da Espanha, e é o castelhano erudito, então tem uns termos complicados. Essa é uma leitura muito importante para quem está começando.

Pergunta: [?]

Essas obras que vieram depois, foram desenvolvidas a partir desses temas iniciais, mas elas diferem, inclusive, da forma colocada por Blavatsky. Quem está estudando a obra de Blavatsky é melhor ficar nela e ler as outras depois como um complemento. Mas elas são diferentes, algumas são interpretações de clarividentes e Helena Blavatsky não fez uma obra de clarividência, ela fez uma obra de repasse de informação. Inclusive ela cita um livro que só ela menciona, o Livro de Dzyan, e nesse sentido a obra é uma revelação, porque esse livro ninguém sabe se existe ou não, a gente se apoia na palavra dela. Todo o resto que tem nesses textos de Blavatsky são referências a fatos, livros e personagens reais do passado. Enquanto que a obra clarividente não está apoiada pela história necessariamente. Por isso que hoje inclusive tem uma divisão de preferências na Sociedade Teosófica, há o pessoal que prefere os clarividentes e o pessoal que prefere Helena Blavatsky, mas aí é opção de cada um.

Pergunta: Rasputin era contemporâneo dela ?

Rasputim foi contemporâneo do fim do czarismo na Rússia. Ele teve seu auge pouco depois da morte dela. Ele é um produto do misticismo próprio dos russos que eram muito místicos. O comunismo foi uma reação a esse misticismo até exagerado da elite russa. Então, o comunismo popular acabava negando tudo isso, que negava a autoridade da igreja, dos patriarcas ortodoxos e tudo o mais que eram muito influentes no período do czarismo. Só que eles exageraram na dose, o comunismo pegou pesado.

Pergunta: [?]

É como aconteceu com muitas revoluções populares, acabaram servindo a outra elite. A revolução francesa criou uma nova elite e uma nova monarquia. A revolução russa criou uma elite de camaradas, onde muito poucos podiam muito e a grande maioria se sacrificava em favor da comunidade. Tudo isso ruiu, claro, não tinha sustentação. O ser humano não tem vocação para esse tipo de sacrifício, o sacrifício sem sentido. A nossa vocação para o sacrifício é outra, é o sacrifício do herói, é o sacrifício mitológico, não o sacrifício materialista.

No século passado existiu um pensador que Helena Blavatsky menciona em Ísis sem Véu, que nós conhecemos bem porque a nossa bandeira nacional tem uma frase dele - Ordem e Progresso - que é Augusto Comte. O Comte foi um filósofo francês que propunha uma melhoria genética dos seres humanos através de reprodução seletiva. Ele quis construir um religião baseada na seleção científica dos seres humanos. Ele queria construir uma raça de super-homens.

Esse tipo de fantasia sempre existiu, o comunismo foi uma fantasia desse tipo, onde a crença era que o cidadão comum seria capaz de se sacrificar em benefício da coletividade. Isso só acontece quando existe um embasamento religioso. Todas as oportunidade que a população comunista teve de tirar proveito da situação, tirou, não tinha sacrifício coisa nenhuma. É claro, com uma metralhadora apontada para a minha cabeça eu faço qualquer sacrifício "em nome do povo"; agora, se não estiver sob ameaça...

Eu vou tirar dois minutinhos e contar uma historinha muito interessante do comunismo na China:

Na época do Mao Tsé-tung houve uma infestação de ratos na China. O serviço de saúde pública estava desesperado porque não tinha agentes suficientes para combater a praga. E depois de muita discussão se chegou a conclusão que era necessário convocar a sociedade civil, convocar o povo para caçar os ratos. Mas o povo não vai sair caçando ratos à toa, então eles pensaram, pensaram e fizeram o seguinte: a cada quinze rabinhos de ratos que eles traziam, ganhavam uma moedinha; estabeleceram um estímulo para o povo ajudar nessa caça aos ratos. Eles fizeram uma projeção de que em quatro meses haveria uma curva ascendente do número de ratos caçados, depois haveria um declínio, e em seis meses a praga estaria vencida. Então, no primeiro mês foi tudo conforme o previsto, no segundo, terceiro e quarto também; no quinto mês, em vez de cair, a curva subiu, no sexto mês subiu mais um pouquinho. Aí eles mandaram um grupo de pesquisadores para saber o que estava acontecendo... o povo estava criando ratos! Acharam uma fonte de renda.

O problema do sacrifício é esse, a gente tem que dar uma motivação humana para o sacrifício, não uma motivação social, fria.

*Palestra proferida por Carlos Eduardo G. Barbosa
Em 15 de dezembro de 2000

 

Pensamentos

 

 Grande homem é aquele que é forte na prática da paciência

Mestre Morya

 

 

 

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