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Sérgio Carvalho de Moraes

PROCESSOS MENTAIS E EMOCIONAIS QUE OBSTRUEM A
EXPRESSÃO DO VERDADEIRO EU ESPIRITUAL
Para
dar o início à nossa pesquisa de hoje - com base no pensamento de Jiddu
Krishnamurti, e temos ainda algumas contribuições como Blavatsky e o budismo -
nós vamos investigar um pouco os processos mentais que trazem à nossa vida
determinadas correntes, determinados empecilhos para que nós possamos viver a
vida com mais plenitude. Encarar a realidade com olhos neutros, sábios, prontos
para executar a ação mais adequada para o momento.
Nós
vemos na mente humana e vemos na estrutura da nossa maneira de agir, um padrão
que parece já preestabelecido. Parece que nós somos condicionados como um
programa de computador em que eu devo ser e me comportar como um brasileiro,
carioca, um homem, um profissional de determinada área, e nisso tudo há uma
certa expectativa de que eu me comporte padronizadamente. E essa é uma maneira
muita mecânica, muito repetitiva de se comportar e muito pouco criativa, e nós
estaríamos aqui para desenvolver todo o nosso potencial ante a vida e aprender
com a vida, e poderíamos trazer o que há de mais belo e criativo dentro de nós
e muitas vezes não o fazemos.
Na
nossa maneira de pensar e na nossa maneira de agir, nós percebemos que sempre
que nós temos uma determinada experiência, temos um determinado contato com uma
determinada realidade. Eu vou colocar aqui apenas (coloca um diagrama no
quadro-negro) experiência, nós passamos a ter um determinado tipo de reação
ante a vida. E essa experiência pode ser dolorosa, pode ser prazerosa. Nós
temos uma determinada reação da vida e uma determinada reação da nossa própria
natureza ante qualquer experiência que nós temos, qualquer tipo de experiência.
Só que essa experiência vai nos dar uma determinada lição, vai nos dar um
determinado ensinamento em relação à vida. E essa experiência então vai passar
para a nossa natureza de ação e para o nosso cérebro que vai acumular
observações, na forma de memória. Vamos colocar aqui (no quadro) a ação, a
experiência, aliás, ela vai alimentar na nossa natureza cerebral, aquela parte
que é a básica da memória que, com base nessa memória, nós vamos passar a
construir o pensar: a dar a base para que dali para frente nós possamos avaliar
qualquer realidade.
Então
eu tenho uma experiência, por exemplo uma das primeiras, o colo materno, o seio
materno e aí eu sinto aquele conforto, aquele calor, aquele aconchego. Então eu
gravo na memória “isso é bom”, quero mais, quando faltar eu vou abrir o berreiro
aqui e vou pedir mais colo, mais amamentação, mais conforto e assim vamos. Isso
é só o exemplo de um bebê, mas isso serve para os homens de cinqüenta,
sessenta, oitenta anos, quaisquer seres humanos. Coloca um sistema padrão de
comportamento. Essa memória básica dando base a todo processo de pensamento,
vai conduzir, vai formar o nosso pensamento, e com base nesse pensamento que
temos como estrutura de nossas memórias, nós começamos a iniciar a próxima
ação. Os pensamentos são a estrutura formal que, de qualquer experiência
armazenada na memória, e a memória como base para o pensar vai propiciar então
um certo planejamento, uma certa expectativa ou uma certa reação. O pensamento
vai construir então a realidade da minha vida e esse pensamento vai conduzir a
ação dali para frente. E essa ação baseada nesse pensamento, ela naturalmente
tem como base uma experiência anterior. E esse ciclo de experiência abastece a
memória, de acordo com a experiência, e a memória vai ser a base de nosso
pensar, de nosso planejar, de nossa estrutura mental, e esses pensamentos vão
conduzir a um determinado tipo de ação. Essa ação naturalmente vai coincidir ou
vai trazer, vai induzir uma experiência subseqüente e que tem muita coisa a
ver, uma ligada na outra. E esse processo se auto-alimenta. Ele é um processo
retroalimentativo. A nossa ação é sempre condicionada pelo nosso pensamento,
pela maneira de a gente ver a vida, de encararmos as realidades. Nossos
pensamentos são embasados na memória.
Eu não
penso, não raciocino, vamos dizer assim, como um oriental. Sou educado aqui
nessa região do planeta em que os valores são bem diferentes de lá. Eu
raciocino em termos de padrões ocidentais. E com esse tipo de memória tendo
sido alimentada apenas pela experiência particular que eu tive, nota-se que o
ciclo se fecha e a ação que é só com base nisso, vai refletir, induzir uma
experiência do mesmo modelo. Eu gostaria de salientar que esse processo mental,
esse processo de raciocínio, de comportamento nosso humano, é muito natural, de
certa maneira saudável, quando ele é colocado dentro de seu contexto
específico. E eu queria dizer que contexto específico nesse padrão de ação é o
contexto da memória, vamos chamar de técnica, de objetiva. O que é uma memória
técnica? Como eu chego na minha casa? Qual é o meu endereço, como é o meu nome,
qual é o número do meu telefone? Então eu tive uma experiência, liguei o
telefone, guardei o número na memória, então, a próxima vez eu tenho que pensar
“como é mesmo o número que eu tinha?” Aí eu vou agir, na hora de ligar eu vou
fechar o círculo, “estou ligando para minha casa”. Isso é básico e ninguém
desconfia desse tipo de padrão para esse campo específico e aí que é o grande
drama e o grande problema da humanidade.
Enquanto a nossa memória, os nossos pensamentos, estiverem sendo conduzidos,
levados para o aspecto objetivo, prático das coisas, para o aspecto técnico das
coisas - como é que eu filmo, uso uma câmara de filmar, como é que eu dirijo um
carro - tudo isso é um aprendizado que está na memória, nós vamos utilizar o
nosso mecanismo mental no seu campo específico de ação e ele é muito útil ali.
O
problema é que nós, seres humanos, transportamos esse mecanismo todo de
pensamento para o reino psicológico, para o reino das relações humanas. Então
veja bem o que pode vir a acontecer. Eu tenho uma experiência: chegando em casa
o meu vizinho está com o carro estacionado na minha porta. É uma memória: eu
tenho que falar com o vizinho que ele não me considera, não me respeita, (nem
sabe se foi o vizinho que estacionou, mas ele deduziu) A minha experiência é
“não gostei que estacionasse na porta da minha casa”. Um exemplo tolo, mas que
serve para a gente ver como que a gente usa a nossa natureza mental de uma
forma distorcida. Então eu guardei na memória, “primeira vez que ele faz isso,
já não gostei, então na próxima vez vou colocar uma plaquinha: Não estacione na
porta da minha casa, ou então vou ligar e avisar: “olhe, por favor, não
estacione na porta”, o que for. Os pensamentos vão girar e contar essa
experiência. Daí a próxima ação, ligo e digo “gostaria que o senhor não fizesse
isso, está atrapalhando a minha vida particular, é o meu direito, a minha
calçada, o que quiserem de raciocínio. E a ação vai levar a uma nova experiência.
Você sabe se foi ele que colocou lá? Você sabe senão foi o amigo que quis tirar
o carro da vaga e colocou para o lado e aí entrou um pouco para dentro da sua
área? Você tem certeza que a ação foi essa mesma, que foi intencional? Que não
estava com uma pressa danada para acudir alguém e não deu tempo de estacionar?
Nós não sabemos como foi a experiência. A experiência foi um pouco distorcida,
trouxe uma memória inadequada, realizou pensamentos não precisos em termos de
ação e que a ação foi desproporcional a necessidade do momento. E nós fizemos
uma inimizade e daqui a pouco o vizinho: “você também não coloque aqui na
frente da minha vaga porque eu também não gosto...” e começa uma animosidade
retroalimentativa também de relações interpessoais que têm como base processos
mentais que não deveriam ter esse tipo de reação desproporcional ou uma reação
não adequada face à realidade como ela se coloca.
Então
nós criamos uma realidade artificial com base em experiências não completas, em
memórias que dizem, “este é o meu lugar, esta é a minha área, eu quero exigir
um direito meu, chegar e estacionar lá. Então todo o raciocínio foi para o lado
psicológico, a minha vaga, o meu direito, o meu espaço como ente de respeito
que deve ser respeitado e um monte de coisas que nos são adicionadas. Como deve
ser sempre respeitado você tem que ter a sua colocação no mundo admirada, um
monte de coisas que nos colocam como imposições para que você, com seu bom
nome, seja reconhecido pela sociedade. Um monte de coisas que nos são
empurradas desde a infância. Então vejam que esse ciclo de pensamento, esse
ciclo do mecanismo mental foi inadequado para o aspecto psicológico. E ele é
extremamente inadequado, isso desde o momento que alguém pisa na minha porta.
Desde o momento em que uma nação toma uma atitude e isso nós temos diariamente,
diuturnamente, até nas notícias nós podemos ver que o mundo está em iminência
de guerra ante a determinados ciclos e padrões que coadunam com esse tipo de
raciocínio.
Então,
a mente analítica tem um determinado lugar e ela é adequada para o seu campo, o
campo técnico, o campo objetivo. O grande problema é trazermos tudo isso para o
quesito psicológico, para o aproach, o enfoque psicológico das coisas. Eu tenho
um nome, logo o meu nome, vamos dizer, eu tenho uma família que é de médicos e
a minha família me induz à profissão de médico. Então, a memória da família é
moldada em torno daquele nome de médico. Então meus pensamentos vão ser sempre
focados naquele tipo. Eu nem raciocinei se seria o ideal para mim como pessoa,
mas o meio já me induziu. E aí eu vou fazer uma faculdade que toda a família
está dizendo para fazer e a experiência vai ser como médico, mas às vezes,
frustrante, porque o indivíduo não soube cortar o aspecto psicológico desse
padrão de raciocínio e condicionamento cultural ao qual somos submetidos.
Então
desde crianças somos ensinados a nos comportar de determinada maneira, a nossa
cultura preza determinados comportamentos, devemos nos comportar assim e
assado. Essa é uma rede de padronagem ou de programação mental a qual todos nós
somos submetidos em nossa educação. E esse processo que faz uma superestrutura
do pensar, uma superestrutura do nosso mecanismo de ação, do nosso mecanismo de
cognição e de avaliação da vida como um todo, esse processo pode ser todo o
conteúdo, vamos dizer assim, da nossa consciência. O Sr. Jiddu Krishnamurti
costuma dizer que não existe diferença entre a consciência e o conteúdo da
consciência. Logo, se você vê assim, você é assim, sua consciência já é isso.
Então quando eu sou violento numa determinada circunstância, não é que eu
separadamente estou em relação com a violência. Na verdade você é a violência
quando você atua de forma violenta.
Então
esses padrões, a gente pode denominar, dentro desse contexto todo aqui de
comportamento, um nome só para esse tipo de comportamento e de reação e de
visão. A gente pode denominar isso com uma palavra que é famosa, (referindo-se
ao diagrama no quadro) colocando: memória gerando pensamento, gerando ação, que
gera experiência que gera a memória. Isso tudo pode-se chamar o EU. Nós estamos
condicionados, somos programados a reagir, a agir na vida de determinadas
maneiras, de determinados modos e atitudes em que constitui uma identidade. E
nós nos identificamos com essa identidade. E aí vem mais um reforço dessa
memória, dita psicológica, que é uma espécie de um câncer nas nossas relações.
É o reforço constante ao processo de identificação com uma auto-imagem, uma
imagem de si mesmo que daí, a partir dela, nós iremos nos relacionar com os
outros. Então esse centro de relações, esse centro analítico é que iria passar
a reagir e a relacionar com o mundo, mas de uma forma a separar-se do mundo que
ele relaciona.
Então esse
centro egóico, esse centro do eu, é quem vai colocar a barreira. Ele é uma
superestrutura. A base da superestrutura é o pensar, é o alimentar o aspecto
analítico psicologicamente falando. E a estrutura é um obstáculo, é uma
separação à interação completa do ser, qualquer que ele seja, com o meio em que
ele vive. Pois ele agora é um centro psicológico reforçado pelas nossas
próprias alimentações de experiências, de memórias, o passado de pensamentos
repetitivos e padronizados, de ações condicionadas pelos pensamentos. E as
ações condicionadas só levam a experiências condicionadas. Ele não é livre.
Esse processo é retroalimentador e não é natural, fresco. Ele não é adequado a
reagir de uma forma harmônica às solicitações que a natureza requisitar. E isso
se pode identificar em qualquer nível de relação da vida, seja uma empresa,
tudo que existe numa determinada corporificação, seja eu como indivíduo, seja a
minha família, seja o meu bairro, a minha sociedade, eu com o meu time de
futebol, eu com a minha agremiação, eu com meus pares de semelhante pensamento.
A
própria natureza de agrupar-se do ser humano, ele naturalmente quer se agrupar
com aqueles que pensam igual, que têm umas experiências básicas, que pode se
identificar com aquela coletividade. E aí ele tem o eu maior. E esse processo
de identificação vai se expandindo, não só o indivíduo, como a sua rua, o seu
bairro, o seu clube, o seu status, o seu país, o seu hemisfério, o seu planeta,
e assim vai. Nós não somos cidadãos do planeta. Nós somos cidadãos ocidentais,
sul-americanos, brasileiros, de Brasília nesse momento, da família, do bairro,
e assim, vários estágios de identificação que nos qualificam como um ente
dentro da sociedade. “Ah, então já que eu estou identificado com alguma coisa
maior, com algo, então aí eu posso me relacionar.” Esse é o nosso drama. Esse é
o drama de toda a humanidade. Ela está imersa nesse padrão de comportamento e
ela não tem uma ação criativa, ela não tem uma ação fresca, nova, para encarar
a vida como a vida se posiciona.
Então,
um pensador já dizia do fato de muita experiência não ser necessariamente uma
coisa boa, de alguém muito experiente ser sábio, pois ele é como um carro
andando de noite, mas com seus faróis voltados para trás. O carro precisa olhar
o caminho que ele está andando no momento. Mas aquele que é embasado só no seu
condicionamento, na sua maneira de olhar, está sempre olhando para trás. Mas o
carro precisa andar para frente e a vida vem nova, e ele reage condicionado.
Então a gente vê aquela velha história: meu filho de 15 anos, questionando a
vida, novo, e a vida nova, e ele com uma mente fresca dizendo: “eu vou fazer
isso!” Aí vem aquele vovô, aquela pessoa já mais idosa e diz: “não, meu filho,
isso não dá certo, eu já tentei, você vai se dar mal, não faça.” E a gente
bloqueia a experiência de alguém que está novo na vida, querendo entrar na vida
como é, de uma maneira fresca, e a gente tenta matar a espontaneidade, matar o
frescor de ver a vida como ela é, de agir em função das necessidades que a vida
coloca. Então esse raciocínio, essa maneira viciada, condicionada de ver a vida
nos impede de ver a vida como ela é, nos impede de nos relacionar com os
semelhantes como eles são - pois eles são mutantes, eles são vivos e se transformam
com a vida. E nós vemos às vezes o nosso cônjuge ou a nossa mãe ou o nosso pai
como a gente via há cinco, dez anos atrás, e a pessoa já mudou e a vida já
mudou, as circunstâncias já mudaram, mas a maneira de eu enxergá-los continua a
mesma e nós continuamos no mesmo padrão de relação. E não é fresco, é
conturbado, é condicionado, logo, é inadequado, logo, só traz sofrimento, só
traz dor.
Dentro
desse padrão existe uma associação que esse pensador, Sr. Jiddu Krishnamurti,
colocava na relação com a vida. Isso tudo aqui > experiência > memória
>pensamento >ação, se dentro desse padrão, elas são tempo por excelência,
mas o que quer dizer isso? A memória é tempo, é bagagem temporal, é bagagem de
experiência do passado. A memória que gera pensamento com base nela só é também
do passado, pois o pensamento não é novo, não é fresco. Esse pensamento vai
estar condicionado à memória do passado. Então é aquele que age sempre da mesma
maneira e não consegue se adaptar ao frescor da vida, à vida como ela é. Então
a ação dele nunca é nova, nunca é verdadeira, nunca é inteira, completa, e isso
causa uma experiência não completa, não preenchedora, sem significado e ela vai
viciar de novo, a experiência vai trazer uma memória de novo maculada com esse
tipo, e o ciclo vai se repetir constantemente.
O que
é isso? O que isso tem a ver? É a estrutura do tempo usando - o tempo seria um
movimento, aliás, a memória seria o movimento do próprio tempo - (volta ao
quadro desenhado). Quando é que eu ajo egoisticamente? A gente pode ter uma
imagem aqui. (quadro-negro) Essa aqui pode ser a linha do tempo. O passado, o
futuro. E quando é que eu ajo egoisticamente? Não é quando eu tenho um
interesse de ganho no futuro? Então a minha estrutura vai agir sempre no tempo
com a intenção de algum benefício no futuro para esse núcleo. (mostra o núcleo
do eu no quadro). Ele quer ter prazer, ele quer ser feliz, ele quer ser bem
sucedido, ele vai lutar contra o novo, mas ele só age em função de um resultado
no futuro, logo ele está se inserindo no tempo. Uma pessoa que age por
agradecimento ou por determinadas condições no passado. “Eu vou fazer essa
coisa boa para meu amigo porque ele me fez algo no passado.” Então eu vou
justificar as minhas ações por coisas que aconteceram no passado. “Meu amigo me
ajudou aqui, ah, então ele é meu amigo, logo, eu vou ajudá-lo aqui, agora.”
Então, com justificativa no passado, eu ajo. E com justificativa no futuro, de
expectativa de ganho no futuro, eu ajo. Isso é ação egoísta. Isso é a ação desse
mecanismo de percepção centrada no tempo. Então eu só ajo com justificativa no
passado e só ajo com expectativa de ganho no futuro. Isso é a própria inserção
de toda a minha atividade dentro da linha do tempo, dentro do padrão temporal
de comportamento. E isso é novamente, retroalimentador. Quem fez bem para mim
no passado, aí eu atuo, se alguém não me fez bem ou não me beneficiou em nada,
então ele não é meu amigo, então não preciso fazer nada por ele. Se esse aqui
está numa situação de poder, ah, vou fazer alguma coisa por ele porque depois
eu posso ser recompensado. Então eu só estou agindo com o centro no eu. Só
estou agindo dentro das estruturas temporais de pensamento, de memória, tudo
condicionado pela estrutura do pensamento que é tempo por excelência. Ele é
karma, ele é bagagem, ele é memória. Ele só atua em função da bagagem que ele
tem. E a vida que é nova, requer uma ação nova, ela é maculada. O reforço desse
centro (desenho no quadro) é alimentado sempre pela perspectiva temporal, de
ganho no futuro ou de uma justificativa por estar agindo assim, no passado. E
aí a ação no momento presente não se faz. Nós não conseguimos agir no momento
presente, e aí entra essa concepção muito interessante do budismo que a
natureza é, e o futuro é algo que ainda não chegou, é uma concepção da mente
humana. E o passado é apenas o registro de memórias de experiências passadas,
logo ele não tem uma realidade per si, hoje, aqui, presente. É passado, passou.
A
senhora Blavatsky, em A Doutrina Secreta, diz que o tempo seria os estados
sucessivos de consciência. Se não fosse uma consciência em relação a algo, não
existiria o tempo. Ela diz lá na primeira Estância, que o tempo não existia
antes de se formar o universo porque não havia Ah-hi para contê-lo. Ah-hi, no
caso, seriam os grandes chamados no Oriente de Dhyans Chohans, são as primeiras
inteligências espirituais que auxiliaram na formação do universo. Então, senão
existe alguma consciência para conter uma determinada relação de inserção na
realidade, não existe uma noção de que eu tive uma experiência aqui e que logo
depois eu tive uma experiência seguinte. Então o tempo não acumula, não pode
ser concebido. No absoluto não existe tempo. Agora, quando existe um núcleo,
uma administração psicológica, de qualquer estágio, e nesse caso aqui
(mostrando no quadro) é o nosso estágio, o estágio humano de um egocentrismo,
ou de uma relação de identificação com determinados conjuntos de atributos
acumulados no tempo, aí nós vamos relacionar, então essa experiência aqui vai
estar sempre dizendo: pra lá no tempo ou pra cá no tempo, ela nunca é nova. A
nossa consciência está então fadada ao tempo e as situações em que eu possa me
beneficiar, ou uma justificativa para eu estar fazendo aquilo no passado é que
explica porque eu estou agindo assim. E a nossa natureza básica diz que você
deve usar assim para a sua própria sobrevivência. Para esse núcleo se manter.
Nós estávamos vendo em uma aula de introdução ao pensamento teosófico que todas
as estruturas físicas, emocionais e mentais se alimentam dessa - (mostra no
quadro) e tentando ser esse centro e tentando realimentar esse centro para que
você defenda esse centro, você mantenha a sensação de se sentir vivo e com ele
atue em relação à vida. E todos esses mecanismos querem que ele seja a própria
estrutura. A personalidade nossa, nosso eu. Nós fazemos do mundo um palco onde
nós estaríamos atuando de maneira a impor o nosso nome, a deixar a nossa marca,
a manter a nossa respeitabilidade, a sermos reconhecidos como alguma coisa.
Então
vejam, esse mecanismo temporal que é o pensamento, condiciona a nossa vida. E
nós poderíamos ser frescos se, em qualquer medida, nós colocássemos a
não-temporalidade na nossa ação e isso modificaria por completo a atuação desse
centro (já desenhado no quadro) em relação à vida. Como é que a gente pode ver
isso? Nós parecemos que estamos num beco sem saída. Nós estamos sempre, então,
condicionados? Nós não temos meios de sair desse mecanismo? Aí a gente volta a
atenção para as antigas tradições da humanidade e em todas elas nós vemos a
ode, a exortação à bondade, ao amor, à compaixão, à tolerância, à paciência.
Ora, é muita coincidência, todas elas falam a mesma coisa. O que é a bondade?
Será que eu sendo bom eu só vou fazer alguma coisa para alguém se ele já me fez
algo de bom no passado? Não há uma justificativa para fazer o bem. Se eu sou
bom, não tem um por quê, senão eu estaria apenas fazendo negócio: ele me fez um
bem, eu faço um bem de volta, está pago, acabou, morreu. Isso é um negócio,
isso é ação interesseira. Mas se eu for bom eu faço o bem porque o bem foi
necessário naquele momento. A quem você fez? Não sei, eu não conheço, eu
simplesmente agi porque a vida assim me pediu. Ele simplesmente agiu porque
assim a vida pediu para fazer e não tem uma expectativa de ganho lá na frente.
Ele eximiu-se da qualidade temporal. Então ele tocou uma outra dimensão, ele
tocou a faixa da eternidade.
Se eu
sou compassivo, eu só vou ser compassivo com quem é compassivo comigo? Eu só
vou ser compassivo se eu ganhar alguma coisa depois? Se eu vou amar, se eu amo
a minha esposa, os meus filhos, eu só vou amar se eles forem obedientes? Ou se
a minha esposa for assim e assado como eu espero que ela seja? Então todas
essas qualidades que nos são exortadas e que são características de uma vida
espiritual, elas têm uma qualidade única e comum a todas elas que é a
atemporalidade. É a não vinculação de um motivo no passado para ser feita e uma
expectativa de ganho no futuro para poder ser realizada. Podem pensar em
qualquer qualidade dita espiritual. A qualidade da tolerância “olha, vou ser
tolerante por uma semana”, acabou uma semana não sou mais tolerante. É
incompatível. Quem é tolerante, é tolerante, quem não é, não é, se acabou em
uma semana, deixou de ser tolerante. Então, tolerância, compaixão, amor,
bondade, e podem enumerar todas essas qualidades que boas, vamos dizer, boas,
ou que estimuladas pelos grandes instrutores espirituais, elas têm essa
qualidade em comum, logo nós podemos perceber que o aspecto temporal da maneira
apenas mental de se relacionar é limitante em relação à vida. E o toque da
eternidade existe quando nós podemos agir sem a expectativa de ganho e sem uma
justificativa no passado. Há uma palavra em sânscrito interessante, que é
nishkama-karma. Karma é ação, kama seria a sensação, o gozo de, o benefício, o
usufruto de, e nish seria negativo.
Então
há uma ação que é feita pela necessidade da ação em si e não com vistas ao
usufruto ou ao gozo de seus benefícios. Essa ação caracterizaria o sábio no
Oriente. Pois é aquele que se a vida pediu para se fazer alguma coisa, ele faz
e não pergunta por quê, e não tem motivo para trás e não tem objetivo pra
frente, simplesmente agiu. Se a vida nos pede para agir de uma determinada
maneira, que estejamos inteiros sem nenhuma concepção egoísta no momento para
identificar o que foi solicitado como ação. E aí o sábio pode agir de qualquer
maneira fora da atitude auto-interessada. Nós temos ações únicas qualificadas
como atemporais. São religiosas no verdadeiro sentido e ligam o homem à sua
divindade interna e ele passa a ter contato com essa divindade no momento em
que ele atinge a atemporalidade da ação. E essa atemporalidade é divina. A
eternidade não está longe, nem no futuro nem no passado, ela só pode estar aqui
e agora. A consciência não tem um momento em que ela diz “agora estou no
passado” não, você está na memória, é outra coisa. Você não opera no passado.
Você não opera no futuro porque o futuro ainda não chegou. Então o momento
presente, o eterno momento presente que foi mencionado anteriormente, é a
capacidade de ver o que a vida pede para ser realizado, estar limpo de visão
para que não se condicione a nossa ação e que a nossa ação seja inteira,
íntegra e totalmente adequada para o momento que é aqui. Logo, agiu de uma
maneira não contaminada, então agiu de uma maneira altruísta, não egoísta.
E aqui
vêm algumas reflexões, pois nós temos umas qualidades de determinadas ações que
são diferentes dependendo do ponto de vista dela. A ação seja ela qual for, e a
palavra karma quer dizer ação, a ação pode ser externamente idêntica entre duas
pessoas diferentes, mas para o bem espiritual, elas podem ser completamente
diferentes mesmo sendo idênticas no aspecto externo. Vou dar um exemplo para
simplificar: o ato de eu dar uma esmola para um necessitado pode ser um ato e
pode ser um grande ato. Se alguém dá algo a um mendigo porque ele está sujo,
cheirando mal e ele é um incômodo a minha higiene própria e eu digo, toma e sai
daqui, toma aí, como quem diz, vai, já tem o que você quis e sai de perto de
mim, você fez uma ação física. Você deu a moeda para o necessitado. A mesma
ação que essa pessoa que vai dar já leva para o nível emocional, é uma ação de
uma abrangência diferente, e diz, toma meu irmão, via aplacar sua fome porque a
sua fome é a fome do mundo e a minha, e lhe dá. É uma ação completamente
diferente. Daí para frente você pode até pegar esse dinheiro e dizer, colocar
além, num nível ideal, você pega o dinheiro e na hora de dar você diz: toma meu
irmão, o ser divino que está em você é o mesmo que vive em mim. Eu dando isso a
você eu estou dando para o ser que há em nós e nessa nossa comunhão que isso
seja um símbolo da nossa fraternidade. Eu dei. Externamente é a mesma coisa. No
reino espiritual são ações completamente diferentes. Pois nós agimos em campos
diferentes. Logo, a motivação por trás de qualquer ação qualifica a ação
executada. A qualidade da ação não está na ação per si, ela está na motivação
por trás. E mais uma vez, qual será a qualidade de uma ação? Quando eu estou
agindo de maneira egoísta, eu estou vinculando a uma qualidade temporal. Eu
estou criando karma. O que é o karma? Não é você gerar uma causa aqui e lá mais
adiante na linha do tempo, no futuro, você gerar um efeito, gerar uma
conseqüência? Isso é karma. Logo, a ação egocentrada é uma ação que cria karma,
que cria a necessidade de um retorno dessa experiência. E ela vai naturalmente
vincular a minha natureza ao tempo porque o efeito vai vir no futuro. E aquele
que atua com base em nishkama-karma, ou seja, com base na ação pura sem buscar
seu benefício? Ele age na ação fora do tempo, logo, ele não está vinculando
mais experiência para o futuro. Então ele está aprendendo a agir de maneira a
não gerar efeitos para o futuro e vai agir sem retornar aquela ação para ele
novamente. Ele não está mais vinculado à natureza temporal, logo, o pensamento,
nós podemos colocar, se eu atuo nesse padrão de pensamento, eu atuo no campo do
tempo. Se eu atuo no campo do tempo eu tenho karma para solucionar ou para
reencontrar mais adiante na linha do tempo. Então eu estou me vinculando à rede
de nascimentos para que a minha ação egocentrada seja equalizada no futuro.
Seja nessa vida ou numa próxima, para as pessoas que consideram a reencarnação
como algo factível.
Logo,
se eu parar de agir com essa base pensante, se largar o interesse de benefício
no futuro, eu vou agir com a característica do eterno, logo, eu não vou estar
vinculando a minha ação na linha temporal, na dimensão do tempo, e aí eu estou
me libertando das ações e das redes de nascimentos e mortes porque eu não tenho
algo mais a aprender, naquele aspecto, porque eu agi de maneira completa. Eu
agi de maneira inteira, harmônica, integrada e total em relação àquela
solicitação que a vida fez. E aí eu solucionei e não tem mais o que continuar
dali para frente. Se a ação foi integral, acabou ali. Não pergunte para o sábio
depois que fez uma ação dessa o que ele espera agora. Nada. Ele fez, agiu,
acabou. E ali a situação acabou. Não mais há uma busca de benefícios no futuro.
Então, como a gente pode entender isso? Nós notamos que a lei de causa e efeito
pode ser lenta ou rápida de acordo com o tipo de nossas ações. E aí nós tivemos
um seminário, isso foi em 89 senão me engano, em que nós estávamos lidando com
as questões do espaço e do tempo. E todos, lá daquele evento, chegamos a uma
conclusão à luz disso também que foi colocado aqui, que a natureza do tempo é
muito ligado ao karma. Logo o karma tem a ver com o tempo porque se eu gero uma
causa aqui, normalmente, inevitavelmente, na linha temporal eu gero um efeito.
Então quando eu atuo de uma maneira a andar com mais rapidez em termos
espirituais e de me desvincular às redes de causa e efeito, eu estou
acelerando, eu estou buscando o espiritual porque eu estou acelerando o
processo de experiências que vão me solucionar quanto a esse problema aqui do
meu núcleo egóico, (mostra no quadro) do meu núcleo de personalidade.
E por
isso é dito, numa das Cartas dos Mahatmas, que as pessoas que não vêem, não
observam, não vêem a vida como é, lento é o seu karma. Então há uma qualidade
no karma de ser lento ou rápido. Se eu decido conduzir o destino da minha
própria vida com minhas próprias mãos, e tomo as rédeas do meu destino e quero
entrar pelo caminho espiritual e fazer a vida valer a pena e ter significado, a
natureza reage e ela acelera as experiências que eu teria que passar. Eu
comecei a andar em linha reta com direção determinada e não a andar vagueando
pelos becos e pelas saídas da vida que elas colocam. Deixamos de andar a esmo
pela vida, e esses têm um karma lento. E aquele que resolve colocar a vida em
suas próprias mãos e agir definidamente com o sentido espiritual de solucionar
os problemas, encarar a vida, colocar toda a sua energia na solução das coisas
e ser um foco de luz para a vida e ser um foco de harmonia e contribuir com
essa grande harmonia da vida, ele está andando em linha reta para o seu
brilhante e glorioso destino. E vai estar não mais perdido pelas ruelas da
vida, pelas divergências da vida, e vai estar acelerando, vamos dizer assim, o
seu karma. Ele vai estar tendo mais experiências em termos mais rápidos. Logo,
nós podemos antecipar e, em vez de andar em curvas, andar em linha reta. E
tomar logo as experiências que a vida tem que nos dar para equalizarmos as
causas e seus efeitos e estarmos mais livres, leves, lúcidos, aptos a olhar a
vida como ela é. Estar onde se está, agir como a vida pede e podermos ser, não
apenas eficazes nas nossas ações, mas trazer o aroma, o sabor, o significado de
uma vida em que não mais é autocentrada. Ela não mais é baseada nesse contexto
autoalimentativo de uma centralização da vida.
A vida
não é centrada. Nós podemos decidir fazer de nossa natureza um foco de conflito
dentro do palco da vida, e é isso que as pessoas agindo egocentradamente fazem.
Elas criam naturalmente oposição. Criam naturalmente conflito onde elas estão,
pois tudo vai girar em função dela. Tudo vai ser em relação ou em função dela e
aí a gente vê aquelas pessoas que querem ser sempre o centro do mundo e que
tudo fazem contra ela ou a favor dela, e elas são o centro do mundo. Isso é a
visão egocentrada. É uma visão calcada na linha temporal, calcada no tempo, se
é calcada no tempo, ela, ação, é uma maneira de se viver que cria karma. Logo,
se karma é tempo, o pensamento é tempo porque ele sempre atua nessa linha
temporal, nós podemos ver que o eu, essa estrutura analítica, tem a
característica do tempo dela. E, logo, o eu é karma. (fazendo a demonstração do
esquema no quadro-negro) Se o eu é estruturado no tempo, é estruturado na
memória, na bagagem, ele finca a sua consciência na linha temporal, ele é igual
ao tempo. Vamos colocar aqui do lado: eu é tempo. Se o tempo tem a
característica de uma ação no tempo que no momento está causando, e no seguinte
ele vai obter um efeito da sua ação, o tempo vai ser igual a karma. Ou o karma
vai ser igual ao tempo. Uns têm um karma lento, como aqueles que andam pelas
ruelas da vida. Outros aceleram seu próprio karma para tomar as rédeas em suas
próprias mãos e cumprir o seu próprio dharma, trazer a sua contribuição à vida.
Resolver a sua própria vida e ajudar a resolver, a construir a vida que a
divindade está construindo e ser mais um criador dessa vida. Então o karma vai
ser igual ao tempo. E se o karma é igual ao tempo, o tempo é igual ao eu, logo
o eu é igual ao karma. É a própria qualidade temporal em ação. É a própria
manifestação de interesses pessoais, justificativas de ação no passado,
expectativas de ganho no futuro, trazendo o seu próprio destino. Trazendo a sua
própria problemática, problemas de resultado no futuro que são viciados,
condicionados com a própria estrutura que fez a determinada ação.
É isso
que eu queria trazer de antemão para mostrar. Em primeiro lugar, resumindo: Se
continuarmos agindo com o foco centrado numa estrutura que é viciada pelo
tempo, que é condicionada pelo tempo, estaremos apenas indicando a qualidade da
nossa ação. Como foi falado, a ação é uma se se tem uma intenção por trás. Ela
é completamente diferente se nós mudamos a intenção. Como é o caso de um
ajudante de um cientista. Ele tem que limpar uma máquina e aciona a alavanca da
máquina, vamos dizer assim, para limpar a máquina. Ele aciona a alavanca. No
campo físico ele fez a mesma coisa que o cientista faz. Só que a ação do
empregado que vai limpar é uma. A ação do cientista que ao acionar está fazendo
experimentos querendo descobrir a verdade, contribuir com a sua participação
nas descobertas científicas de trazer a beleza da vida e tudo, é uma ação
completamente diferente. Logo, dependendo da motivação por trás da ação, nós
qualificamos a própria ação. E a qualidade dela vai ter a tônica do tempo, a
tônica do karma, a qualidade da reação que a vida dá, porque se nós agimos a
partir de um núcleo, nós interferimos na harmonia da natureza. A natureza vai
voltar ao seu equilíbrio. Isso é a lei do karma. Logo, a estrutura psicológica
utilizada erroneamente pela humanidade, impacta toda a sua ação com a
característica temporal. E ela é limitada, condicionada. Então a experiência
nunca vai ser fresca, pois ela é condicionada com a memória do seu passado, dos
seus pensamentos condicionados por ele, as ações não vão ser frescas porque
estão baseadas naquele pensar, e a experiência também é viciada.
Então
hoje a gente vê em qualquer empresa as pessoas dizerem “não, nós já tentamos
isso no passado e não deu certo”, mas o novo que está entrando e a vida que
está mudando diz, “por que não, fazer agora?”. Agora é a circunstância ideal
para se fazer tal coisa. No passado não deu, mas agora é a hora.”Isso nós vemos
nas relações interfamiliares, nas relações de trabalho, nas relações entre
sociedades, entre grupos, aonde quer que nós estejamos identificados com alguma
coisa maior que nós mesmos”.
Nós
somos tão pobres dentro desse contexto aqui, psicologicamente falando!
(refere-se ao desenho feito no quadro-negro) A memória, o pensamento, têm o seu
lugar. Eu preciso chegar em casa, eu preciso trabalhar, a memória tem o seu
lugar. O pensamento tem o seu lugar. Mas existe uma vida que é transcendente a
esse aspecto e o lado psicológico pode ser liberado. Nós não precisamos acoplar
a memória ao seu aspecto psicológico. Deixe-a no campo dela que é o campo
técnico, objetivo, das coisas práticas. Para a minha vida, em termos de
relação, por que eu tenho que me identificar com as coisas? Com o meu nome, com
a minha cidade, com o meu país. Se eu fosse um ser humano sem a expectativa de
ganho, eu não levaria em consideração aspectos comerciais do futuro e agiria
mesmo aparentemente contra um país que é economicamente muito mais forte do que
eu. Estou preso aos meus interesses comerciais do futuro, então, eu como país,
não posso evitar uma guerra porque estou impedido por interesses comerciais. E
no passado eu me vinculei a determinadas atitudes. Hoje países estão, pelo
passado e pela sua memória e pelas experiências coletivas, vinculados a outros
países e às vezes não podem dizer não a uma guerra porque o outro país é meu
parceiro comercial, meu parceiro estratégico.
Nós
temos isso aqui (referindo-se ao esquema no quadro) em todos os níveis de
relação: entre países, entre culturas, entre tudo. E no momento que pudermos liberar,
não mais contaminar a nossa ação com esse interesse no futuro, agirmos com
aquela qualidade, com aquela característica de nishkama-karma, agir sem o
interesse do fruto da ação, nós poderemos estar livres então da nossa
escravidão, da nossa qualidade temporal de viver, estaremos novos para encarar
a vida como ela se faz. Frescos para agir em conformidade como ela pede. E a
partir dessa nova ação que não deixa mais rastros, ela é uma ação íntegra, é
uma ação inteira no seu aspecto espiritual, no seu aspecto da eternidade.
Então
há uma relação assim: o que é eternidade, o tempo? Uma coisa um pouco mais
complexa. Um pequeno exemplo dado pelo Sr. Ravi Ravindra, ele compara: o
aspecto temporal nós podemos identificar como um quadrado. (desenhando no
quadro diz: vamos imaginar com muita paciência e tolerância que isso aqui é um
cubo) Então o tempo é uma face, é um quadrado. A eternidade seria o cubo. A
eternidade contém o tempo. Então nós podemos agir no aspecto temporal: meu vôo
sai a determinada hora. Nós temos o componente tempo no aspecto objetivo das
coisas. Mas eu não preciso ter o tempo no aspecto psicológico. Eu sei que sou
violento, mas eu vou meditar 15 minutos todo dia, depois de dois anos eu vou
deixar de ser violento. Não se preocupem, mas até lá vocês vão ter que me
agüentar. E tome violência. Então é o contra-senso de achar que isso ainda
também se transporta para o aspecto psicológico. Esse é que é o problema: o
tempo psicológico é uma verdadeira ilusão. Não há um caminho que se vá seguir.
O tempo psicológico é a mesma coisa que você condicionar o bom a um quadrado, a
uma face e dizer: com o tempo eu vou deixar de ser violento. Com o tempo eu vou
deixar de ser ganancioso, eu vou fazer um curso assim, assado, e meu aspecto
psicológico vai melhorar. Doce ilusão, ledo engano que nós mesmos nos
colocamos. O momento de agir é agora. Se lá no futuro a coisa vai acontecer, o
futuro ainda não chegou. Se eu tenho que ter alguma justificativa de passado,
eu estou agindo com algum interesse. Eu só tenho o momento presente para agir.
A consciência não vai estar agindo em qualquer outro lugar. O tempo era uma
ilusão formada pelos nossos sucessivos estados de consciência, como dizia
Blavatsky em A Doutrina Secreta. E nesse aspecto nós estamos ainda escravizados
se estivermos pensando em termos de tempo. Eu só posso agir hoje, agora. Se eu
quero fazer a fraternidade universal, se eu quero vivê-la, eu tenho que fazer
aqui e agora. E não ficar julgando se no passado fulano fez coisa errada ou ver
se eu devo fazer ou não, o que vou ganhar com isso. Eu tenho que fazer, sem
expectativa de futuro. Sem construções mentais que justifiquem o momento
presente. A fraternidade só pode ser agora. A ação é no momento presente.
Qualquer coisa fora disso vai ser expectativa mental, vai ser justificativa
mental em termos de futuro e de passado. A consciência só opera no presente, no
aqui e no agora. A única realidade que existe é o aqui e o agora. E a única
ação possível é a ação não mais embasada no tempo, não mais embasada no
egoísmo, mas naquele que se percebe, que percebe a vida de uma maneira fresca,
atemporal, íntegra, total. E que pode agir em conformidade com o que a vida
pede.
Então
eu gostaria de tentar concluir, para posteriormente se houver algumas
perguntas, que há uma ação que pode libertar do sofrimento. Existe esse tipo de
ação. Mesmo que a palavra karma queira dizer ação, nós temos a possibilidade de
agir, a ação ser íntegra, total, e ela não gerar resíduos porque ela não foi
centrada no núcleo de interesse próprio. Há uma ação que é capaz de solucionar
a coisa de uma vez por todas. E há a possibilidade de, na vida, termos uma
coisa chamada bem-aventurança, termos uma coisa chamada felicidade, termos uma
coisa chamada ananda, em sânscrito, que é o prazer de fazer aquilo que deve ser
feito, no momento que deve ser feito. De ter a inteireza espiritual de agir
conforme a vida pede para que nós ajamos. E essa ação não deixa rastro, não
deixa resíduo, e nós podemos ser totais ante a vida e a vida vai mudar
totalmente a sua qualidade.
E com
essas palavras eu gostaria de agradecer a paciência e a tolerância quanto ao
desenho horroroso que eu acabei de fazer aqui no quadro, e mais uma vez dizer
que é sempre um prazer compartilhar a pesquisa e que a gente não considera que
é a verdade. É apenas produto da pesquisa própria que nós vamos sempre estar
prontos a compartilhar com cada um de vocês para a gente continuar a investigar
mais ... Muito obrigado.
Pergunta
- (síntese) A questão das lembranças, como lidar com elas?
Sérgio-
Uma boa lembrança a sua. A nossa capacidade de observar a vida tem a influência
de um intelecto sadio ou de um intelecto deturpado. Incluindo o aspecto técnico
do nosso intelecto que é o lugar dele, existe a possibilidade de ver, até em termos
psicológicos, se uma ação foi correta ou não. Então você pode estar usando
tecnicamente o seu intelecto, a sua memória, a sua capacitação cognitiva e
analítica para identificar, em seus comportamentos psicológicos, as ações que
geraram harmonia e as ações que geraram desarmonia. As ações que geraram
conflito e as que não. Logo, você tem ainda esse atributo (mostrando no
quadro), mas dentro do seu respectivo campo. Isso aqui não tem nada errado no
aspecto objetivo, não é verdade? A gente comentou isso. Então se você usar essa
objetividade para analisar as suas experiências pessoais, as suas experiências
psicológicas, você vai estar fazendo o melhor uso possível do seu intelecto.
Mas, veja bem, se você olha para trás e vê que você fez alguma coisa errada e
você começar a se mergulhar na culpa, a se mergulhar na depressão porque você
errou, que “oh, coitada de você”, você começa de novo a se contaminar com toda
a estrutura psicológica daquele seu instrumento e a dizer: “Eu não devia ter
feito isso”. Mas por que não? “Porque eu sou muito inteligente, não posso
errar”. Então você está indo contra, de novo está maculando a sua vida com a
estrutura psicológica. Agora, se você usar a sua estrutura mental, no aspecto
da função objetiva e técnica que ela tem, e dizer quando for colocar a sua
cabeça no travesseiro ao final do dia: “Aonde eu acertei, aonde eu errei, aonde
eu posso melhorar, o que posso lapidar, o que aconteceu comigo hoje? Por que?
Eu vou contribuir continuando a agir assim? Eu vou melhorar, eu vou atrapalhar?”
Então você está usando o seu intelecto que é saudável, no campo que ele é
saudável, para trabalhar o lado psicológico também. Então essa é a posição
intelectual de alguém que trata o intelecto na sua real qualidade, no seu campo
de trabalho específico e tirando o melhor proveito dele. Nunca trazendo culpa,
remorso e tal porque isso não vai levar a nada. Aí você está contaminando de
novo com o lado psicológico, “eu não devia”. Então, se você não julgar, se você
observar, se você analisar com o seu intelecto, usá-lo nesse campo, e a partir
do dia seguinte, com aprendizagens feitas se determinar a compreender seus
processos mentais e a entender a motivação que o leva a agir, você vai
contaminar a sua vida dali para frente com o aspecto ético, com o aspecto da
harmonia total, do interesse espiritual de uma vida de significado e de
realização espiritual. Então você vai poder não mais agir psicologicamente e só
usar o lado intelectual para o aspecto da lapidação dentro do tempo e dentro do
seu lugar. E daí acabou. Você já está aprendendo que “se eu agir assim eu estou
causando conflito” (mostra no quadro) Agora, pega toda a sua bagagem, age
inteiro, esquece as questões psicológicas e volta de novo, com toda a energia
que você tiver para a vida que você quer fazer, para aquilo que você vê como
significativo na vida. Desabrochar, crescer na relação com a vida, com os
semelhantes. O que eu aprendi hoje? Eu aprendo coisas. Eu atuo de acordo com o
que eu aprendo, mas nem sempre o que eu aprendo vai me ser útil para o dia
seguinte, pois o dia seguinte é sempre outro. Então eu deixo lá onde ele deve
estar. Eu tenho um centro de referência, mas eu não atuo com base nele
(quadro). Aí está a total diferença das coisas. Eu uso a minha bagagem para
tomar um avião, para dirigir um carro, para chegar em casa de volta. Eu tenho
que lembrar qual o meu endereço, esse é o lugar do intelecto. Então cada
experiência é enriquecedora, mas em termos psicológicos você só precisa estar
total, íntegro, aqui e agora. É você deixar que as coisas técnicas tenham o seu
lugar e ter o discernimento de colocar cada coisa em seu lugar. A vida vai
parar de ter peso, você vai parar de causar dor, as coisas vão fluir com mais
naturalidade e nós não vamos estar pesados e carregados para a vida. O nosso
carro vai ser um carro com o farol voltado para frente e não voltado para trás
para as experiências, para as bagagens, para os preconceitos e aquelas coisas
todas.
Pergunta
- (síntese) Você fala como se a pessoa pudesse tirar esses condicionamentos e
pudessem ser tirados à vontade. Como uma roupa. Mas às vezes a roupa colo no
corpo e não sai mais. Levando em consideração que as pessoas são muito
diferentes, algumas nascem boas e algumas outras são mais egoístas e apesar de
se explicar isso intelectualmente mesmo que elas entendam, não vão conseguir
vivenciar isso e melhorar. As compulsões humanas, como se poderia resolver
isso, na sua ótica?
Sérgio-
Qual seria o campo de trabalho que cada indivíduo, que cada ser humano, como um
núcleo de agregados, como um centro de atuação, qual seria o campo de prova que
ele teria para fazer a sua vida, a sua transformação, fazer o seu próprio
mundo? Ele só tem um campo de prova, é a sua própria natureza. Eu não posso nem
dizer que o fulano está errando muito porque na situação específica dele eu não
sei qual era a experiência que era necessária ele passar. Logo eu não sei se
ele está dentro daquela realidade dele dando um passo mais largo e melhor do
que ele pessoalmente poderia dar. Isso eu não tenho como avaliar. Então daí
para frente eu tendo a não querer julgar o que é a realidade de um que ele não
pode superar, pois só ele sabe o tamanho do sapato, da pedra que está
machucando na caminhada dele. E que muitas vezes um pequeno passo aparente para
uma pessoa, que para você é super óbvio, para ela, foi um passo gigantesco e
ela deu um tremendo avanço na sua vida, a experiência dela foi rica. E para
você uma coisa que foi assombrosa, para outra pessoa não é. Então dentro dessa
perspectiva, o campo de testes e de prova seria a sua própria consciência, pois
por ela você toca a consciência da humanidade. A unidade da vida, se a gente
meditar nela, a gente vai ver que a cada momento que a gente toca na nossa
própria consciência e a gente se insere um determinado tipo de trabalho,
observa com equanimidade, atua com a leveza necessária e a eficácia e a vontade
suficiente, nós vamos estar trabalhando na própria consciência da humanidade
como um todo. Pois ao meu redor, naquilo que me cabe, no campo que eu consigo
acessar, que é o campo da minha própria natureza, eu vou estar contaminando,
contagiando toda a consciência da humanidade se eu puder fazer qualquer passo
no sentido positivo. Então se as pessoas têm dificuldade, eu imagino - se você
me vir na cozinha, você vai ver que ignorante, analfabeto e idiota eu sou
dentro de uma cozinha para fazer uma refeição. Se colocar uma outra pessoa você
vai ver como ela se resolve ali dentro e faz uma refeição maravilhosa. Eu vou
comer a refeição dela com um prazer que você nem imagina, mas eu seria um
idiota lá, tentando fazer. Eu não fui treinado, não tive oportunidade então, se
quiserem um palhaço é só me botar numa cozinha, você vai ver que não sabe nada.
Então para mim, ela fazer um jantar é uma coisa maravilhosa, para ela é coisa
do dia-a-dia. Mas eu vôo em aviões Boeing. Para mim é coisa que me dá prazer.
Gosto, entendo, dou aula, sou instrutor disso, e para os outros: “mas é uma
coisa maravilhosa”, não, é a minha natureza. Cada um tem a sua natureza para
fazer a vida, cada um tem uma contribuição a dar para essa riqueza dessa vida.
A vida é U N A. A vida é uma grande totalidade, mas ela mostra o tamanho da
riqueza dela por cada peculiaridade que nós temos e que podemos contribuir. Ela
é infinita nas suas particularidades. E você tem uma para trazer para o mundo,
e cumprindo isso, você cumpre o seu karma, vamos dizer assim. Há uma citação
que “se você cumpre o seu dharma, você resolve o seu karma”.
Então
se você for aquilo que você tem como qualidade para contribuir para a vida,
você não vai estar causando desarmonia. Eu não vou atrapalhar na cozinha, isso
eu tenho certeza, eu vou levar você com segurança daqui até lá no avião, isso
eu sei fazer bem. Então eu posso contribuir para você ir para ali. Mas então,
tentando resumir, não vou me focar muito no que os outros devem, no que os
outros deviam, ou em como podem eles. Como posso eu? Eu, como referência só,
não eu, egoisticamente. Eu, agindo em mim, vou entender a humanidade como um
todo. A dor da humanidade é única. Não tem uma dor que é minha ou a do outro. A
dor do Sergio é a dor do outro. A dor é da humanidade, não existe uma separação
em si. Então, se pudermos enfocar a realidade no campo que nos cabe, fazer o
melhor aonde nós podemos, cumprimos o nosso dharma, vamos resolver nosso karma.
Estamos deixando de causar confusão na vida. Estamos ajudando a evolução de
todos que nos cercam. E estamos tocando a consciência da humanidade de uma
maneira leve, rica, mas contribuindo de uma maneira mais efetiva com a sua
própria cor no uso do seu próprio dharma.
Pergunta
- (síntese) Você falou sobre karma acelerado. O espírito pode escolher as
experiências que vai passar para que tenha um karma acelerado? Isso é possível?
O espírito pode escolher?
Sérgio-
Há uma técnica na literatura teosófica que explica alguma coisa disso. Ainda é
um campo que pode ser mais explorado. Mas dizem que na infância ou adolescência
daquele espírito, do caminho evolutivo dele, ele ainda não tem uma
interferência nos processos de escolha de quais serão as próximas experiências
que ele vai passar. Então isso, como ele causa muita dor, ele está muito
envolvido, o karma dele ainda é muito pesado, ele está atado, vamos dizer
assim, a vários tipos de experiências já condicionadas e que não tem ainda como
espírito a contribuição a escolher. Há um livro chamado Fundamentos da
Teosofia, de Jinarajadasa, que diz que existem Adeptos e Senhores do Karma e o
Ego, dependendo de sua maturidade, que entram na escolha de uma família, de um
ambiente específico, etc. Um determinado aprendizado que ele deve passar
naquela vida para resolver determinada coisa. Muitas vezes um grande sábio está
amarrado no corpo de uma prostituta, por exemplo. E essa é uma determinada
lição que ele tem para passar, para aprender, e poder finalmente liberar-se ou
resolver de uma vez por todas tudo aquilo que no passado ele gerou. Então há
muitas facetas. Como eu ainda não estou consciente no campo espiritual,
consciente no campo entre vida e morte, e ainda isso é considerado uma
hipótese, tudo aquilo que a gente buscar por aqui, tem que ver se faz um nexo
com a nossa própria percepção, se faz sentido. Você coloca isso como uma
hipótese de trabalho e toma o que você puder dessa sua vida aqui, desse momento
aqui nas suas mãos e faz o melhor que você puder. Coloque toda a sua força em
tudo o que você fizer. Tenta resolver aqui. Não existe outro momento. Eu não
sei se eu escolhi bem, se escolhi mal, não sei nem se eu escolhi. A realidade é
o que está aqui agora. Então se a gente tirar um pouco a questão “será que eu
posso, poderia, pode, não pode, vou poder, não vou”, a gente estaria de novo
saindo do momento presente. A importância na vida espiritual como um todo é:
esteja onde você está. Resolva o que a vida pede para você resolver. Você vai
estar trazendo todas as suas qualidades e resolvendo aquilo que te impede de,
de novo, desabrochar toda a divindade que existe aí latente esperando para
desabrochar. Não fuja dos seus problemas. Não vamos fugir de nossos problemas.
Vamos encará-los, vamos resolver a vida com toda a energia que pudermos. É o
único caminho. E senão resolvermos, a vida vai de novo bater naquele mesmo
calcanhar de Aquiles. Eu tenho um amigo que casou a segunda vez, a terceira
vez, a quarta vez, quando ele estava na sexta mulher, ele dizia que as mulheres
são problemas. Eu disse, o problema é você, não são as mulheres. A vida está
martelando ali e ele ainda não resolveu. Pára para olhar. O que ele tem que não
consegue manter um casamento?
Pergunta-
Tu tens muita paciência para esperar pela sexta vez para dizer isso para o seu
amigo.
(risos)
Sérgio
- Ele paga quatro pensões, está todo enrolado e as mulheres são um problema.
Pergunta-
Eu queria dar parabéns pela sua exposição e talvez acrescentar que um grande
clarividente como o senhor Leadbeater tinha melhores condições de responder a
pergunta que tu fizeste. Ele dizia que só 10% do que nos acontece é karma
proveniente de vidas anteriores. E os outros 90% nós estamos criando nesta
vida. Então isso quer dizer que, em geral, aquele diagrama se aplica à pelo
menos 90% dos nossos problemas porque nós temos uma capacidade de
reconstruí-los. O Eilon colocou muito bem, tem pessoas que roubam, mas acham
que devem continuar roubando, outros fumam, mas acham que devem continuar
fumando... Parece que ainda não sofreram a cota suficiente para despertarem. Aí
eles vão incidir várias vezes no mesmo erro. Esta palestra é para quem quer
resolver o problema, não para quem quer reincidir.
Alguém-
Eu gostaria apenas de acrescentar, em relação à escolha, uma historinha que eu
li há alguns anos e que eu acho bastante interessante e serve de ilustração ao
que você acabou de falar: O espírito antes de encarnar reúne-se com os Senhores
do Karma e pede para encarnar pobre. No entanto, a missão dele era ser rico e
as duas coisas aconteceram. Ele nasce pobre porque ele pediu para nascer pobre.
Só que durante a vida ele enriquece. Então ele tem a missão e a oportunidade de
experiência em cessar o aprendizado dele.
Agradeço a paciência e a oportunidade. Muito obrigado. Até a próxima.

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