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Walter
da Silva Barbosa

“Más
tendências”, segundo a ética do Yoga, são as inclinações que pesam
negativamente em nossa responsabilidade perante a Lei de Equilíbrio Universal
(ou Lei do Karma), quando por pensamento, sentimento, ação ou omissão, violamos
essa Lei.
Conforme
sempre afirmou a Teosofia e já se comprovou pela Física Quântica, vivemos num
mar de energia. Dentro dele o homem tem livre-arbítrio para atuar segundo suas
próprias inclinações. Mas essa liberdade é relativa por nos influenciarmos
mutuamente e também por nos sujeitarmos aos enganos provocados pela dualidade última
chamada “Espírito e Matéria”.
Nessa
condição, nosso poder de agir com liberdade fica restrito ao grau da ilusão
provocada pelo corpo físico (5 sentidos), pelas emoções (paixão, ira) e pela
mente (separatividade, avidez, preconceitos). Ou seja, a liberdade que temos se
dá dentro da limitação imposta por esses fatores. Tal prisão diminui à medida
que o homem evolui, crescendo em consciência. Homens verdadeiramente livres,
portanto, são apenas os “Iluminados”.
Espírito
é a natureza real de tudo, como essência das coisas. Matéria é o véu que
encobre essa realidade - gerando as más tendências - da mesma forma que a água
suja dentro de um vaso de cristal impede que seja vista uma lâmpada elétrica
acesa dentro dele. O que tem de ser feito em tal condição? A água suja precisa
ser trocada por água limpa, o que acontece quando mudamos em nossos corpos as
energias densas por energias mais leves, sutis, de maior vibração.
Para
essa troca, é preciso ir à “raiz do mal”, como diz Taimni, o que é feito com
auxílio de nossa mente através da técnica chamada “ponderação sobre os opostos”.
Esse trabalho mais específico com a mente se dá porque ela é o nível mais alto
de nossa natureza inferior, e também porque, segundo uma lei oculta, o “homem é
(ou se torna) aquilo que ele pensa”.
Abordando
isso, Taimni (A Ciência do Yoga, Editora Teosófica) separa a questão em dois
aspectos importantes, como ajuda ao trabalho da mente. Esses aspectos são: a
responsabilidade pelo que acontece à nossa volta e a causa de nossas reações
ante o que acontece.
Taimni
cita três tipos de situação quanto à responsabilidade: agir, apenas concordar
com a ação de outrem ou então ficar indiferentes. Ante um ato de violência, por
exemplo, o autor tem a responsabilidade maior. Os que concordam ou ficam
indiferentes, contudo, têm responsabilidade também em diferentes graus. Assim,
quando alguém diz “não sou capaz de matar um animal” mas come-lhe a carne, está
aprovando a autoria e assumindo parte dessa agressão ao reino animal.
Nossa
indiferença quanto à miséria humana que nos rodeia também representa, de certa
forma, uma atitude de apoio a essa miséria, o que nos torna co-responsáveis por
ela.
Quanto
à causa das más tendências, Taimni cita três: avidez, ira e ilusão. Avidez é a
condição da mente que provoca desejos de pegar coisas para si mesmo. A ira é
provocada pela agitação da mente que se revolta contra tudo que se opõe à
realização do desejo. E, finalmente, vem a ilusão de separatividade, gerando o apego
que nos escraviza às pessoas e às coisas.
Taimni
diz ainda que as formas mais sutis de uma má tendência não se revelam a nós até
que as mais grosseiras tenham sido eliminadas. Ponderando sobre os opostos, constatamos,
por exemplo, que se pode matar com uma arma ou com palavras. No ato do roubo
(conseqüência da avidez), pode-se ir do roubo de um carro ao roubo das idéias
alheias. Por outro lado, geralmente desculpamos a nós mesmos pelas “pequenas fraquezas”,
que acabam justificando as grandes.
Refletindo sobre as virtudes e os
vícios, enfim, verificamos claramente as variações de “mais ou menos” aí
existentes. Caso nos surpreendamos nessa zona de penumbra, como “mais ou menos
escrupulosos” ou “mais ou menos honestos”, pode ser que a consciência nos dê um
puxão, elevando-nos acima do castelo de mentiras e complacências que criamos
para nós mesmos.

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