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Walter da Silva Barbosa

A dúvida se apresenta como um grande empecilho para a execução de mudanças em nossas vidas. Partindo do intelecto e ajudada pelo comodismo (o poder material da inércia) e pelo anseio de “segurança”, ela nos leva a adiar o esforço ante a dificuldade de alterar um hábito, um caminho já traçado em nossos neurônios e na estrutura energética
de nossos corpos.
Por outro lado, a certeza meramente intelectual é também um obstáculo. Em “A Voz do Silêncio” se diz: “Mesmo a ignorância é preferível à erudição da Cabeça sem a Sabedoria da Alma para iluminar e guiar”. A Sabedoria da Alma - raiz do Amor - tem a natureza do Eterno em nós.
O poder de inércia age especialmente no corpo físico, afetando sua capacidade de reação aos estímulos que vêm do emocional e do mental, levando ao entorpecimento deles também.
A capacidade de reação é gerada pelo poder da Vontade, de natureza espiritual. Esta se desenvolve à proporção que o homem domina o poder da inércia no físico (atendendo suas próprias necessidades), aprimorando-se depois com o controle do desejo no emocional e da natureza dispersiva da mente pela concentração. Nesse processo vão se criando
diversos níveis de “Vontade”, dotando o homem de um poder cada vez maior de realização em todas as áreas.
Em razão disso, pode-se dizer que há uma “Vontade Material” e uma “Vontade Espiritual”. A primeira - por estar afetada pelo aspecto egoísta da matéria - é capaz de realizar grandes obras, normalmente marcadas, contudo, pelo objetivo de ganho material (fama, poder, sexo, dinheiro).
Quando se trata de alcançar algum bem no nível físico, o próprio desejo (que vem do emocional) pode fornecer grande parte do impulso necessário para o sucesso, fazendo inclusive com que a mente (em seu aspecto inferior) colabore, centrando todo o esforço e toda crença na realização da meta. Corpo, emoção e mente trabalham juntos então,
como se fossem um bloco único de energia e força. A vontade material nesse ponto é de grande valia, mantendo a mente fixa positivamente na direção do esforço, na crença do sucesso (o filme “O Segredo” mostra isso).
Já objetivos espirituais (como a superação do orgulho e a prática do amor desinteressado) sofrem dois tipos de dificuldade para serem alcançados. Primeiro, carecem da comprovação objetiva de seus benefícios - enquanto não vivenciados - por se situarem num nível sutil, longe dos 5 sentidos. Depois, dependem da existência de um mínimo de
“vontade espiritual”, aquela capaz de agir positivamente quando a impermanência dos ganhos materiais começa a “incomodar”.
Nesse estágio - ao lado de uma inteligência já mais desenvolvida - o homem inicia o questionamento de suas certezas, superstições e crenças (incluindo a fé cega). Pode passar aí para a negação de tudo ou à simples indiferença. É provável que grande parte das pessoas se situe entre os “indiferentes”, ainda que se diga deste
ou daquele credo por comodismo ou tradição familiar.
O que pode tirar as pessoas desse marasmo existencial “do tanto faz”? As crises (saúde, velhice, perdas afetivas), o desenvolvimento da compaixão e o avanço do conhecimento, quando a urgência de respostas faz a pessoa penetrar aos poucos no nível espiritual de sua natureza, naquilo que é permanente. Principalmente para o intelectual, tornam-se prementes então as dúvidas.
Entre a certeza equivocada, a inércia do comodismo mental e a dúvida, optamos pela última. Ela, entretanto, pode se arrastar por muitas vidas, pois a matéria nos prende com suas armadilhas. Está sempre “dando com uma mão e tirando com a outra” em função da “Lei da Periodicidade”. Mas - fascinados pelo seu jogo - literalmente demoramos milênios para perceber
isso.
Segundo C.W.Leadbeater, as dúvidas podem acompanhar o homem até a “2ª iniciação” (no Caminho do Discipulado). Elas decerto vão mudando, se tornando cada vez mais sutis. Devagar também vão sendo respondidas pela via do “conhecimento direto” (a consciência intuitiva), na medida em que o homem vai desdobrando sua “jornada para dentro”, em direção
ao Eterno.

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