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Paralelamente ao crescimento do cristianismo nos primeiros
séculos de nossa era, havia diversos movimentos poderosos cujas visões de Deus,
da humanidade e do universo eram bem diferentes das da corrente principal da fé
cristã. Um desses grupos era o dos gnósticos, que derivaram o nome de gnosis, palavra
grega para "conhecimento". Em geral, o pensamento gnóstico misturava
o cristianismo às idéias de Platão e de outros filósofos helênicos que viam o
universo em termos de estados reais e ideais do ser. O mundo "real",
corrupto e imperfeito, da terra e da carne, só podia ser conhecido pelos
sentidos; ao contrário, o reino "ideal", perfeito, de Deus, só podia
ser abordado através do conhecimento do coração. Os gnósticos acreditavam ser entes
espirituais forçados a habitar em um corpo e a viver em um mundo de pecados.
Uma vez, porém, recebida a gnose, conhecimento revelado unicamente a eles por
Cristo, a redenção completa seria alcançada. Segundo os escritos de um grupo de
gnósticos, esse conhecimento especial revela "quem éramos, e em que nos
transformamos; onde estávamos, e onde fizeram que caíssemos; para onde nos
apressamos, e de que nos estamos redimindo; o que é o nascer, e o que é o
renascer". Para os gnósticos, há dois tipos de pessoas - os que estão
presos à terra e à carne, e os que podem ser iluminados. Os iniciandos eram
escolhidos dentre este último grupo, para buscar a libertação em relação ao
corpo e a toda a matéria física, por vários caminhos. Alguns mestres achavam
que o êxtase proporcionava a iluminação divina, enquanto outros defendiam o
jejum e a meditação. Os gnósticos eram uma sociedade fechada; dizia-se que
portavam pedras inscritas com serpentes e outros símbolos, como talismãs e como
prova de iniciação, e que empregavam senhas e apertos de mão secretos como
meios de identificar-se para outros membros da seita.
Fontes:
Seitas
Secretas – Coleção Mistérios do Desconhecido.
Rio de Janeiro: Abril Livros, 1992.
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