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Os
Assassinos – cujo nome alguns afirmam derivar da palavra árabe hashishin, que
significa “usuários de haxixe”, mas que talvez denominasse os seguidores de
Hasan – apareceram pela primeira vez no século XI como uma ordem religiosa
secreta. Seita derivada da religião ismaelita, os Assassinos acreditavam que a
cadeia da criação tinha sete elos e que a sabedoria divina seria revelada ao
homem em cada junção, à medida que ele caminhasse em direção à Deus. Os que
buscavam a iluminação passavam por uma iniciação especial antes de ascender a
cada novo estágio de conhecimento. Segundo alguns relatos do século XIX, as
revelações em cada novo nível negavam tudo que fora ensinado anteriormente. No
mais alto estágio, o segredo supremo dos Assassinos era revelado: céu e inferno
eram uma única e mesma coisa, todas as ações eram sem sentido e não havia bem
ou mal, exceto a obediência ao rei-sacerdote.
O
fundador e grão-mestre dos assassinos, Hasan-i Sabbah, intitulado o "Velho da Montanha", foi ficando cada vez mais poderoso no mundo
árabe e estabeleceu-se como um príncipe independente. Somente ele mudava os
papéis dos iniciandos ismaelitas para o de Assassinos, guerreiros cuja arma
favorita era a adaga e para os quais encontrar a morte durante a realização de
um assassinato era uma honra. Em geral, os Assassinos atacavam líderes
políticos e eram objeto de admiração e medo. Segundo Marco Pólo, “ninguém que o
Velho (Hasan) tenha decidido matar pôde escapar, e dizem que mais de um rei
paga-lhe tributo por temer por sua vida”.
A
seita era rigidamente estruturada em graus de iniciação crescente. Sua sede era
uma fortaleza legendária em uma montanha a sudoeste do Cáspio chamada Alamut, o
Ninho do Gavião. Privilegiada por sua geografia, impõe-se na paisagem como uma
aparição monumental, aterradora e só tinha como acesso uma trilha sinuosa, que
podia ser defendida por um único arqueiro. Abaixo do Velho da Montanha estavam
os grandes priores (governadores provinciais), os priores (missionários), os
iniciados e os noviços. Chamavam a si mesmos de "fedains" e sua causa
de "jihad hafi", a "guerra santa secreta".
O
recrutamento era simples: seus agentes observavam atentamente os jovens mais
aptos, mais inteligentes e inconformados com uma situação social que não lhes
dava chance. Camponeses, pastores, artesãos, qualquer um podia de repente, por
meio de um pouco de ópio, adormecer e acordar em uma caverna maravilhosa,
cercado de luxo, comida, bebida e lindas mulheres que o tratavam como a um
príncipe. Dentre os muitos prazeres que eram oferecidos ao novo agente o haxixe
figurava com destaque, em constante abundância.
Ao
cabo de uma semana durante a qual já não podia mais diferenciar o sonho da
realidade aparecia-lhe um dos iniciados que lhe dizia que aquele era o Paraíso
dos seguidores fiéis do Velho da Montanha, verdadeiro cumpridor das palavras do
Profeta. Suas instruções eram, na verdade, muito simples: devia apenas ficar de
prontidão, podendo ser chamado a qualquer hora. Sua missão era igualmente
simples: obedecer.
Qualquer
ordem podia ser esperada e deveria ser cumprida a risco da própria vida. Se
morresse na tentativa (geralmente um assassinato) voltaria imediatamente para o
Paraíso e lá desfrutaria eternamente dos prazeres dos quais tivera apenas uma
pálida idéia. Se falhasse nunca mais o veria e se revelasse o segredo pagaria
com a vida. Um método simples e muito eficiente. Em pouco tempo os Assassinos
se revelaram a maior potência política do Oriente Médio e mesmo os Templários e
os Cruzados tiveram que negociar com eles. Ninguém podia ocultar-se à sua
vingança. Nizamu'l-Mulk, primeiro-ministro do sultão à época da conquista de
Jerusalém, foi apunhalado em sua liteira por um deles, que se aproximou
disfarçado de dervixe. O atabeque de Hims, mesmo cercado de guardas é morto por
agentes suicidas. O marquês Conrado de Montefeltro foi atacado em um banquete
por dois Assassinos disfarçados de monges cristãos, dos quais haviam treinado
perfeitamente o idioma e os costumes. Naturalmente, foram mortos na hora, como
era esperado. Além disso, as artes da sedução e do envenenamento também não
lhes eram estranhas. Hasan-i Sabbad morreu em 1124 e com a morte dele o poder
dos assassinos começou a diminuir. A seita cindiu-se e, por volta de 1166, os
assassinos persas voltaram a uma fé mais ortodoxa. É fácil, portanto, perceber
porque semearam o terror na Síria e na Pérsia até que o último dos Velhos da
Montanha foi derrotado pelos mongóis em 1256. Mesmo assim, a seita subsistiu na
Síria até ser finalmente dispersada pelo sultão mameluco do Egito e, ainda
hoje, há indícios de que exista nesses dois países e também na Índia.
Fontes:
Seitas
Secretas – Coleção Mistérios do Desconhecido.
Rio de Janeiro: Abril Livros, 1992.
http://www.ordemnatural.com.br/ilhadomisterio/asdrogaseamagia.htm
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