O filósofo grego Parmênides acreditava que o mundo que conhecemos
não é o verdadeiro mundo. A realidade não está no que podemos sentir, ver,
tocar, cheirar. Mas a verdade existe, ela é o que não muda, o que é fixo e
eterno.
Mas como encontrar essa verdade?
Quem busca a verdade,
ele diz, tem que escolher entre dois caminhos:
Se seguimos o caminho dos
sentidos, somos levados à aparência e à ilusão. A única forma de atingir a
verdade é examinando todas as coisas com a força do pensamento. Somente o
pensamento pode atingir o que é eterno.
Platão, partindo dos dois
caminhos apresentados por Parmênides, vai afirmar que existem dois mundos: um é
o mundo que conhecemos através dos sentidos, onde vivem os corpos que nascem e
morrem.
Outro é o mundo que somente pode ser conhecido seguindo a via do
pensamento, da alma, o mundo das idéias, onde o que existe são modelos da
verdade.
Todas as coisas que percebemos no mundo em que vivemos, nada
mais são do que cópias mal feitas das idéias, que são perfeitas e eternas.
O homem por ser feito de corpo e alma participa destes dois mundos. Mas
o corpo, ele pensa, é um grande obstáculo para a alma. A alma somente atinge a
verdade se consegue submeter o corpo, dominá-lo.
Os gregos, antes de
Platão, acreditavam que a alma precisava do corpo tanto quanto o corpo precisava
da alma. Um não viveria sem o outro. Com Sócrates e Platão, no entanto, o corpo
torna-se um túmulo que aprisiona a alma e a impede de pensar e atingir a
verdade.
Mesmo ainda hoje em nossa vida cotidiana, é comum a gente
acreditar que as sensações são traiçoeiras e que só devemos confiar na razão.
Um exemplo para isso é dado por Platão em sua alegoria da caverna. Ele
imagina uma caverna onde alguns homens estão acorrentados desde a infância.
Estão olhando para a parede de fundo, de costas para a entrada onde tem uma
fogueira. Neste fundo são projetadas sombras de coisas e pessoas que estão do
lado de fora. Se um destes homens conseguir se soltar, no início seus olhos
estranharão a luz, mas depois de um tempo perceberá que o que via na caverna
eram apenas sombras.
As sombras são todas as coisas que conhecemos
através do nosso corpo. E as verdades que aparecem quando o homem sai da caverna
são as verdades que podem ser atingidas pelo pensamento, pela razão. O que esta
alegoria ainda hoje pode nos mostrar é que o que acreditamos como real pode ser
uma ilusão, e deve ser posto em dúvida.
A filosofia, que nasce
oficialmente no final do século V. AC pelas mãos de Sócrates e Platão, se
constituirá em torno desta idéia: não a opinião nem as sensações devem ser
seguidas, mas o pensamento e a razão, porque somente eles podem nos conduzir ao
bem e à verdade. O que nasce junto com a filosofia, e que passará por algumas
transformações durante os próximos séculos, é um método de pensamento que se
chama razão, um método onde as paixões, as sensações, o corpo devem ser
submetidos ao domínio do pensamento.
Indicações de leitura
Para
iniciantes:
Convite à filosofia. Marilena Chauí. (sobre Platão,
especialmente os capítulos sobre filosofia, metafísica, lógica)
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