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Etimologicamente, Parapsicologia
significa “ao lado da Psicologia”. Este termo foi proposto por Max Dessoir,
psicólogo alemão, em 1889. Veio a substituir o termo “metapsíquica”, cunhado
por Charles Richet, que significa: “além da psique”. Este termo evoca a
existência de um “mais além” espiritual, haja vista a ligação que Richet tinha
com o espiritismo, sendo por isso condenado nos meios científicos. O termo Parapsicologia
ficou mais em uso após a publicação dos trabalhos do Dr. Rhine, que preferia o
seu uso.
Em 1930, o psicólogo
americano J. B. Rhine, da Universidade de Duke, iniciou uma nova modalidade de
pesquisa psíquica, principalmente a telepatia (comunicação mental), a
clarividência (visão à distância) e a precognição (captação paranormal de um
evento futuro). Usando o método quantitativo e o cálculo estatístico das
probabilidades, ele levou à demonstração científica da PES (percepção
extra-sensorial).
A história do paranormal pode
ser dividida em várias fases:
a) A proto-história, que vai do passado até
Mesmer – relatos históricos, observações empíricas e explicações de caráter
mágico ou mitológico;
b) A pré-história, que vai de Mesmer a
Kardec – interesse sobre as teorias sobre o magnetismo animal enunciado por
Mesmer e desenvolvimento do movimento espírita;
c) A história moderna, que vai de Gassner
até Goltz – estudos sobre as funções corticais superiores, os reflexos
condicionados e suas implicações na hipnose, no comportamento e nas funções
paranormais.
d) A história contemporânea, que vai de
Crooks até Rhine – o desenvolvimento da parapsicologia como ciência
experimental e estatística.
A Parapsicologia está
classificada em quatro categorias:
a) Fenômenos parapsíquicos ou psi-gama:
relacionados à PES, ou seja ligados à cognição, p.ex.: telepatia, clarividência,
precognição etc.;
b) Fenômenos parafísicos ou psi-kapa:
relacionados à influência paranormal sobre a matéria, p. ex.: levitação,
psicocinesia (influência da mente sobre a matéria), aporte (penetração de um
objeto num lugar fechado), “poltergeist” etc.;
c) Fenômenos parabiológicos: manifestações
mistas psi-gama e psi-kapa, p. ex.: biopausia (domínio das funções orgânicas),
transfiguração (modificação espontânea dos traços faciais ou das dimensões
corporais), paraterapias (curas psíquicas ou mediúnicas variadas) etc. ;
d) Fenômenos paratanáticos ou psi-teta:
relacionados à pretensa influência de seres desencarnados sobre a matéria (teta
psi-kapa) ou fenômenos subjetivos (teta psi-gama), p. ex.: mediunidade.
A Parapsicologia é uma nova
tentativa científica para compreender certas manifestações insólitas do
psiquismo humano, dando continuidade a pesquisas feitas pela já referida
Metapsíquica francesa, e pela Society for Psychical Research inglesa. Como
qualquer ciência, ela é neutra e não tem por objetivo dar subsídios para apoiar
qualquer religião ou filosofia, mas sim, procurar reunir informações que levem
à comprovação dos fenômenos paranormais.
Ela não pode, no momento,
comprovar ou contradizer os postulados básicos da doutrina espírita, no
entanto, os estudos iniciados por Kardec fazem parte da pré-história da Parapsicologia.
No “Livro dos Médiuns” não só
estão descritos os fenômenos mediúnicos, bem como muitos dos fenômenos
atualmente estudados pela Parapsicologia.
No Brasil, muitos espíritas
são parapsicólogos, mostrando desta forma que o espiritismo tem uma certa
proximidade com a Parapsicologia e, quem sabe, não é esta proximidade que dará
um novo impulso para a confirmação de determinados fenômenos psíquicos? Mas
ainda há muitos grupos de parapsicólogos antiespiríticos e materialistas, para
os quais o espiritismo não é nada mais que interpretações apressadas de
fenômenos desconhecidos, donde se conclui que na Parapsicologia hoje há dois
grupos distintos: o dos materialistas e o dos espiritualistas.
O espiritismo quando olha
para a Parapsicologia, não é de uma posição subalterna, pois tendo ao seu lado
uma forte razão e uma filosofia ética e moral evoluídas, pode encarar sem medo
as pretensões materialistas deste saber, com confiança de que faz parte do
futuro da humanidade. E lembrando as sábias palavras de Herculano Pires: “Não
importa que a Parapsicologia rejeite o espiritismo e até mesmo o despreze, o
que importa é que ela prossiga nas suas investigações, pois estas a levarão
fatalmente ao reconhecimento da realidade espiritual”.
Jorge
Cordeiro
Bibliografia:
Aizpúrua, Jon (2000). Os Fundamentos do Espiritismo. São
Paulo: CEJB.
Andrade, Hernani Guimarães (1999). Parapsicologia experimental. São Paulo:
Pensamento.
Faria, Osmard Andrade (1993). Curso de Parapsicologia (as funções psi). São Paulo: Atheneu.
Valente, Nelson (1997). História da Parapsicologia e seus métodos. São Paulo: Panorama.
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