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O baiano José Medrado é um
dos mais conhecidos e carismáticos expositores espíritas da atualidade. Médium,
escritor, apresentador de programas de TV, Medrado possui uma maneira
contagiante de transmitir a mensagem espírita, sempre com muita alegria e
entusiasmo.
Nos dias 07 e 08 de maio de
2005, Medrado esteve em Fortaleza para ministrar o seminário A Arte de Ser
Feliz, nesta ocasião a equipe da Terra Espiritual teve oportunidade de
entrevistá-lo e abaixo reproduzimos o teor da conversa.
TE – Como o senhor
descobriu a Doutrina Espírita?
JM – Eu descobri a Doutrina Espírita aos 15 anos. Na
época eu era aluno do colégio da Polícia Militar lá em Salvador e já sentia,
digamos assim, a ação da mediunidade e não entendia. Um professor meu de
português, certa vez falava com um outro colega meu sobre sintomas da
mediunidade e aí eu fui vendo que tudo o que ele dizia era o que eu tinha,
então, ali mesmo, ele disse que iria me levar a um centro e eu fui, e já
comecei a trabalhar mediunicamente aos 15 anos
e com 17 anos eu, esse professor e um grupo de amigos fundamos o centro
que eu estou dirigindo até hoje.
TE – Quais os desafios e oportunidades que a mediunidade
trouxe par ao senhor?
JM – Eu vejo a mediunidade com bastante naturalidade.
Não acho que o médium seja melhor do que ninguém ou que tenha uma missão por
desenvolver. Eu acho que é uma tarefa que pode se diferenciar das demais, mesmo
com aquela concepção kardequiana de que todos somos médiuns, mas há aqueles que
se diferenciam pela peculiaridade da tarefa que tem a desenvolver e,
naturalmente, tem me dado muitas alegrias o trato com a mediunidade e a
convivência com os espíritos, inclusive aqueles menos esclarecidos, porque nós
temos a oportunidade de fazer florescer a esperança naqueles corações que ainda
não conseguiram vislumbrar a luz.
TE – Qual a reação de sua
família quando o senhor abraçou o Espiritismo?
JM - Minha família é muito católica. Meu pai era
carregador de andor, era da irmandade da Conceição da Praia que é a irmandade
católica mais antiga do Brasil, então eu sofri um revés muito grande no
primeiro momento. Já minha mãe não, minha mãe sempre me apoiou. Mas com o
passar do tempo meu nome foi se tornando conhecido e hoje meu pai, meus irmão
vão ao centro. Hoje falam de mim com muito orgulho. Meu pai me criou muitas
dificuldades, mas hoje quando alguém pergunta ele diz: “não, eu sempre apoiei,
sempre apoiei porque sabia que este era o caminho dele.” (risos).
TE – O senhor tem uma agenda muito cheia. Como o senhor
lida com a grande disponibilidade de tempo que tem que dedicar aos outros? Isto
não pesa, não causa transtornos?
JM – Olha, é verdade, causa. Eu não gosto daquelas
opiniões santificadoras, superiores. Eu sou um espírito muito comum. Eu tenho
as mesmas qualidades e defeitos que 99% da população do mundo possui. Por
exemplo, eu não gosto de viajar. Gosto de estar nos lugares, mas o trajeto em
si me cansa.
Eu moro numa casa, eu gosto
de cuidar do meu jardim. Eu tenho 4 cachorros, então para mim, ficar afastado
deste meu ambiente domestico é um pouco custoso sim, mas eu gosto. Gosto de
estar entre amigos, gosto de fazer novos amigos, então eu você se acostuma com
o processo e você sente que tem alguma coisa para oferecer. Eu,
particularmente, que tenho este trabalho diferenciado dentro do movimento
porque trabalho muito a alegria, trabalho muito estar de bem, naquele sentido
das pessoas se soltarem. Uso muito a música, então eu termino me integrando aquilo que eu peço que as pessoas façam eu
faço também, então me dá um bem-estar muito grande e isto termina compensando
este aparente transtorno das viagens.
TE – O senhor veio a Fortaleza para ministrar um seminário
sobre felicidade. Por que as pessoas têm tanta dificuldade para sentir
felicidade?
JM – É como eu tenho dito aqui: “ É porque as pessoas
têm conceitos equivocados, ou melhor, elas não dão atenção ao seus próprios
conceitos de felicidade e elegem modelos
e referências que, muitas vezes, são referências falsas de felicidade.” As
pessoas elegem alguém e esse alguém pode passar marca de felicidade mas, ali
por dentro, pode estar uma alma em conflito, uma alma em desespero. Então, as
pessoas precisam entender que a felicidade está circunstanciada às suas
necessidades. Toda vez que nós satisfazemos uma necessidade nesta luta humana
por se buscar felicidade, estamos criando oportunidade de alegria, oportunidade
de bem-estar. A felicidade vai ser sempre isto: momentos. E nós sabemos, pela
Doutrina Espírita, que não existe a felicidade plena, mas nos podemos usufruir
e aproveitar bastante desta felicidade relativa que nos encanta. Eu falei há
pouco de estar em casa, cuidando de plantas. Eu adoro mexer em jardins. Eu adoro
ficar rolando na grama de minha casa com meus cachorros, eu tenho 4 cachorros.
Quer dizer, são momentos de felicidade. Quando estou com meu público também,
quando estou fazendo o meu público sorrir, cantar, são momentos de felicidade.
Mas eu sei que ao lado disso vou ter que enfrentar resistências de militantes
mais ortodoxos, conservadores, que não compreendem esta minha forma de pregação
e é isso que eu procuro anular, neutralizar dentro de mim, porque senão me
deixaria infeliz. A felicidade é em síntese: saber o que você está
necessitando. Ir em busca desta satisfação Lícita (ênfase) e, ao mesmo tempo,
neutralizar aquilo que por ventura possa trazer no seu bojo alguma forma de infelicidade ao seu
coração.
TE – Como é que este sentimento de felicidade contribui
com a saúde e com a transformação do homem para melhor?
JM – Ah, Mas muito! Você sabe, foi realizada uma
pesquisa em Nova Iorque, pelo Dr. John Thompsom, onde se comprovou que 10
minutos de sorriso diários levam as pessoas a ter um sistema imunológico mais
forte. Foi feita também uma pesquisa na universidade da Virginia, com o sistema
límbico profundo, onde se colocaram 10 mulheres para mentalizarem uma coisa
alegre, uma passagem alegre de suas vidas, uma triste e uma neutra e se
verificou que o sistema límbico profundo esfriava quando da passagem alegre
gerando mais endorfina no cérebro que é o hormônio do prazer, como a dopamina
também e a serotonina. Quando elas vibravam com a coisa triste, aqueciam esse
sistema límbico, que é uma espécie de noz que temos no centro do cérebro, e queimava o que tinha ali armazenado de
endorfina, dopamina e serotonina. E quando
o pensamento era neutro não mexia nada, quer dizer; comprovou-se
efetivamente que a movimentação da alegria pelo corpo gera um bem-estar e uma
saúde mais apurada, sem sombra de dúvidas.
TE – Como deve ser a relação entre a razão e a
emoção?
JM – Deve
ser uma relação de equilíbrio. Normalmente as pessoas infelizes, elas se
incomodam com a felicidade das outras. Normalmente as pessoas tristes, elas se
sentem agredidas com a alegria das outras. Isso é um fato, você vai ver isso no
dia-a-dia da sua casa.então nós precisamos é exatamente aprender a pautar as
nossas emoções com razão e a nossa razão com doses de emoção, porque só assim
nós conseguiremos realmente viver uma vida, aproveitando os seus momentos de
satisfação, de prazer, tirando lições daqueles momentos de dor e aflição e
seguindo intimoratamente na direção das nossas propostas evoutivas. Eu acho que
é o equilíbrio o grande desafio, que é muito complicado, mas nada que não seja
perfeitamente plausível.
TE – O que a Doutrina Espírita trouxe para sua vida?
JM – A
Doutrina Espírita trouxe entendimento, trouxe alegria, trouxe felicidade. Tudo
dentro do processo relativo. Nem sempre estar no movimento espírita é prazeroso,
nem sempre estar no movimento espírita implica em felicidade em razão
exatamente das almas em conflito que a gente tem que encontrar ao longo da
nossa caminhada. Mas eu acho que tudo isso faz parte desse processo desafiador
de nós sempre sermos mais e mais felizes, porque sabemos que o movimento é
feito pelos homens e a Doutrina não, ela está ali, perfeita, pura. Então quando
eu uso o sorriso, quando eu uso a música, eu não vejo em nenhuma das obras de
Allan Kardec nenhuma citação negativa a esses princípios, então a gente consegue
compreender que as pessoas que não entendem ou buscam outros caminhos estão
vivendo também os seus processos de entendimento pessoal. A Doutrina trouxe
isso. Trouxe-me como boa nova, trouxe-me em especial a esperança de estar
sempre, a cada dia, melhor.
TE – Quais são seus projetos para o futuro?
JM – Eu
sou de uma índole muito irrequieta, eu sempre estou querendo inovar, eu sempre
estou querendo empreender. A Cidade da Luz,a instituição que engloba alguns
departamentos, nós temos 4 prédios na Cidade da Luz mais um prédio fora e nós
sempre estamos criando. Eu estou pensando agora em ver um centro de cultura,
colocar um centro de cultura que resgate a tradição do nosso povo, do povo lá
da Bahia. Então sempre estou vislumbrando
o movimentar, o gerar realmente dinamismo para que as pessoas se sintam
motivadas. Eu acho que nós estamos necessitando permanentemente de motivação,
porque o marasmo termina criando poeira, dá bolor, ma mofo. Eu acho que a gente
tem que estar sempre se movimentando para continuar vivendo bem.
TE – O que foi que transformou uma idéia, um sonho,
nesta realidade concreta que é a Cidade da Luz?Foi o otimismo?
JM - Muito
pelo contrário, interessante esta pergunta, muito pelo contrário. Foi a miséria
que eu passei na minha infância. Eu tive uma infância onde passei fome, tive
muitas dificuldades. Minha mãe era pernambucana, órfã. Casou em Belo Horizonte
e foi para a Bahia. Meu pai se afastou um pouco da família, constituiu outra
família fora. Passamos muitas dificuldades sem médico, os médicos que tínhamos
era do antigo INPS que hoje é o SUS, então eu sofri muito por conta disso, minha
mãe também. Morávamos numa região de prostituição lá na Ladeira da Preguiça em
Salvador, perto da Conceição da Praia. Isso tudo foi gerando em mim uma vontade
de ajudar mais as pessoas para que elas não passassem pelo que passei, crianças
não sentissem a fome que senti. Isso que foi, em verdade, o meu mote para
ajudar a construção da Cidade da Luz e no ano de 2004 a Cidade da Luz realizou
mais de 150.000 atendimentos sociais. Isto para mim foi uma conquista muito
grande e com muita alegria.
TE – Pediríamos que o senhor deixasse sua mensagem
final aos nossos leitores.
JM –
Eu penso o seguinte: Eu acho que está na hora, ou talvez já tenha passado da
hora de nós nos concentrarmos nos nossos objetivos de felicidade nesta vida.
Sei que a vida é difícil, a vida é dolorosa, há momentos em que choramos, mas
precisamos nos concentrar nos momento em que sorrimos, nos momentos de alegria
para fazermos com que o fardo se torne um pouco mais leve. Além do mais,
confiar que “Se o Senhor é meu pastor nada me faltará”, nunca (ênfase). É essa
confiança que anima a alma a ter mais força para vencer os desafios. TE – Obrigado.
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