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Perfil Nascida em
Jundiaí/SP, no ano de 1965, Rita Foelker é escritora e ilustradora de livros.
Médium muito ativa, possui também várias obras psicografadas. Atua também como
palestrante e facilitadora de cursos e seminários. Tem concentrado seu trabalho
em obras de cunho educacional e dirigidas ao público infantil.
Muito versátil,
Rita é também professora de origami, e coordena cursos e oficinas para crianças
e adultos. É diretora de Edições Gil.
A equipe da Terra
Espiritual entrevistou Rita
sobre seu trabalho e sobre suas impressões
sobre educação e abaixo transcrevemos a
conversa
TE - Como conheceu a Doutrina Espírita e porque resolveu ser
espírita?
RF -
Conheci o Espiritismo entre os 12/13 anos, através das Obras Básicas e alguns
livros de Emmanuel que tinha em casa. Meu irmão os havia dado de presente aos
meus pais, que não eram espíritas. Eu acabei lendo e e achando muito interessante.
TE - Qual a reação de
sua família quando a senhora resolver abraçar o Espiritismo?
RF -
Minha mãe já estava doente há anos, não sei até que ponto ela percebeu, pelo
menos, na matéria, já que espiritualmente ela devia saber. Meu pai também passou
a freqüentar palestras e estudos de Espiritismo, mais ou menos na mesma época,
então acho que minha escolha foi aceita com tranqüilidade.
TE - Seu trabalho é muito voltado para as crianças. Por que
esta opção pela infância?
RF -
Sinto que minha opção é pela criança que nunca deixei de ser. E pela espontaneidade,
naturalidade, simplicidade, energia das crianças, que me contagia. Sempre
gostei das histórias infantis e acho que meu caminho natural foi passar a escrevê-las,
se bem que tenha muitos escritos destinados ao público adulto.
TE - Como você avalia o atual modelo educacional vigente nas
escolas?
RF -
Observo que a escola já vislumbra formas mais eficientes e livres de trabalhar
seus conteúdos, já procura caminhos para uma formação humana, além da intelectual
que sempre buscou realizar. Mas a "indústria dos vestibulares" ainda
é muito forte e representa números: números da aprovação, lucros para os donos
de escolas. Não é fácil lutar contra estes números. A questão crucial aqui, a
meu ver, é que instrução intelectual não é sinônimo de educação e que
o ser humano precisa conviver num ambiente impregnado de valores éticos e
estéticos, para se desenvolver integralmente. Só assim a vida se torna digna de
ser vivida.
TE -
E dentro das casas espíritas, como a senhora vê o trabalho de evangelização infantil?
RF -
Algumas casas espíritas levam a sério o trabalho com a infância e juventude,
promovendo cursos e encontros, adquirindo obras para sua biblioteca, e possibilitam
aos educadores a preparação indispensável. Mas em muitas casas, a importância
da educação espírita infanto-juvenil ainda não é bem compreendida, infelizmente.
E não me refiro às que não possuem a atividade por falta de condições materiais
ou de pessoal, mas às que, possuindo um departamento ou grupo próprio, não lhes
oferecem boas condições de trabalho e de aperfeiçoamento e não se preocupam
em melhorar a qualidade do serviço prestado.
TE - Qual a diferença
entre evangelização e Educação Espírita Infanto-Juvenil?
RF -
Evangelização é uma tarefa de cunho religioso, que significa literalmente ensinar
o Evangelho. Educar é uma ação muito mais ampla que visa o desenvolvimento da
criatura em todos os seus potenciais e, não apenas, orientar para uma religião.
TE - Como deve ser desenvolvido o trabalho do educador
espírita?
RF -
Primeiro, é preciso preparação. Educar não é algo que se faça de improviso ou
aplicando algumas fórmulas prontas.
Depois, é preciso um bom
conhecimento dos princípios básicos que formam a estrutura da Doutrina
Espírita. Então um educador espírita é necessariamente um estudioso do
Espiritismo.
Bem... Sua pergunta é
bastante ampla, então vou resumir dizendo que ele precisa ter muita vontade,
muito amor, nenhuma preguiça, estudar a obra dos grandes educadores do
passado e do presente e tentar sempre ser um exemplo das qualidades que
deseja ver desabrochar em seus alunos.
TE - A maioria dos trabalhadores que atuam na área da
infância e da adolescência não possuem formação pedagógica. Isto não compromete
o trabalho?
Kerschensteiner nos diz que
"um professor de Pedagogia pode estar distante de ser um professor
pedagógico". Não considero indispensável uma formação técnica ou acadêmica
para se fazer um bom trabalho educacional, mas sim dedicação, amor, vontade
constante de melhorar. É preciso fazer-se sensível às necessidades do aluno,
encontrar o caminho para a sua mente e o seu coração, e isto não se aprende na
escola.
TE - Muitos pais, por
vários motivos, acabam deixando a educação dos filhos a cargo de terceiros ou
da televisão. Que resultados isto pode trazer e qual deve ser a participação
dos pais na educação dos filhos?
RF -
A educação é uma tarefa intransferível dos pais. Iluminados pela compreensão
espírita dos fatos, sabemos que as famílias não se reúnem por acaso. Contamos,
sim, com a ajuda da babá, da professora particular, da escola, da casa
espírita, de amigos ou vizinhos, mas perante nós mesmos e perante Deus, nós
pais é que responderemos pelo que fizermos e pelo que deixarmos de fazer.
TE - O que é o projeto “Filosofia Espírita para Crianças” e
quais seus objetivos?
RF -
"Filosofia Espírita para Crianças" é uma proposta de ensino
filosófico do Espiritismo dentro de um método dialógico e altamente
participativo. Sua proposta é a autotransformação interior através do
auto-conhecimento e da reflexão, incentivando o estudo e o aprofundamento dos
conceitos para que eles realmente façam parte da vida do educando. Todos os
fundamentos, definições básicas e procedimentos se encontram na homepage do
Projeto: www.edicoesgil.com.br/educador/filosofia/filosofia_principal.html.
Temos também um grupo de discussão na internet, com cerca de 130 educadores que
vêm estudando e aplicando esta proposta.
TE - Quais os
resultados que o projeto vem obtendo?
RF -
Maior motivação para educadores e educandos, atividades mais interessantes que
levam realmente a entender o significado e alcance dos conceitos espíritas,
desenvolvimento da capacidade de pensar logicamente e de argumentar, respeito
às diferentes opiniões, percepção das conseqüências dos conceitos espíritas na
própria vida, análise das próprias atitudes no intuito de desenvolver atitudes
melhores.
Os educadores de nosso
grupo vêm realizando ótimas experiências. Mas, como tudo o que se refere à
educação, é preciso estudar e compreender bem a natureza da proposta para poder
aplicá-la.
TE - Como começou seu
trabalho na literatura?
RF -
Sempre escrevi "por escrever", mas meu primeiro livro infantil surgiu
a partir do nascimento do meu primeiro filho. Sempre li muito, o que também
ajudou. Gosto de escrever e não consigo imaginar minha vida sem a literatura.
TE - Em que a Doutrina
Espírita mudou sua vida?
RF -
A Doutrina Espírita veio mostrar o sentido da vida e das coisas, de uma forma
que a minha razão podia aceitar, porque sempre fui muito crítica em relação a
crenças sem base e idéias sem justificativa racional. No fundo, sempre habitou
em mim uma personalidade questionadora - que não significa ser hostil ou destrutiva,
mas buscar entender bem as coisas.
TE - Quais seus
projetos atuais?
RF - Um projeto atual muito
querido do meu coração, relacionado à Doutrina, é de um site sobre
Educação Espírita em inglês, o SEEDS (www.seedshome.com). Junara Araújo e Lúcia
Fontes, duas educadoras espíritas, e eu, entramos de cabeça neste projeto em
2005, que traz versões em inglês de nosso site em Português (www.edicoesgil.com.br/educador/boasvindas.html)
e também algum material inédito. É destinado aos países de língua inglesa como
EUA, Inglaterra, Austrália, onde já existem muitas células espíritas mas pouco
material no próprio idioma.
Meu outro projeto, pessoal,
para este ano é voltar para a faculdade, um sonho antigo. Vou prestar
vestibular para Filosofia e espero conseguir entrar.
TE - Pediríamos que deixasse uma mensagem para os nossos
leitores.
RF -
Gostaria de passar a palavra para o Calunga, nosso amigo espiritual. Diz ele,
no livro "Vamos Ficar Bem": "Os Espíritos Superiores agradecem
muito a todas as pessoas, na Terra, que trabalham de algum jeito para o aumento
da consciência espiritual.
O
seu papel é muito importante. (...) Qualquer um que pelas suas palavras, pelos
seus pensamentos ou gestos mais simples, puder levar aos mais diferentes lugares
a fé no bem, a certeza da continuidade infinita da vida, aumentando o amor e
quebrando os velhos padrões de egoísmo e orgulho, qualquer um pode ser um
trabalhador com quem nós contamos, para a espiritualização do planeta." TE – Obrigado.
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