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Arquiteto por
formação, o baiano Kau Mascarenhas resolveu mudar seus caminhos profissionais e
iniciou um trabalho com desenvolvimento humano. Aplicando técnicas de
Programação Neurolinguística (PNL), técnicas de consultoria e conhecimento
espíritas ele vem desenvolvendo pessoas e empresas, tanto profissionalmente,
como dentro do movimento espírita.
Consultor, compositor,
cantor, expositor e em breve escritor espírita, Kau esteve em Fortaleza nos
dias 15 e 16 de janeiro/2005 para ministrar o seminário Administrando Emoções.
A equipe da Terra
Espiritual teve oportunidade de entrevistá-lo e abaixo transcreve o teor da
conversa.
TE - Como o senhor descobriu a Doutrina Espírita?
KM - Eu nasci
numa família que tinha pessoas simpatizantes da Doutrina, mas na verdade a
tradição era católica. Os meus pais começaram a contribuir com a Mansão do
caminho, para um trabalho chamado o Círculo do Livro, eles faziam contribuições
mensais e recebiam livros espíritas em retribuição. Esses livros chegavam lá em
casa e muitas vezes não eram lidos porque os meus pais não se interessavam
muito e eu comecei a me interessar. O 1º livro espírita que eu li foi
"Motoqueiros do Além" do Chico, com parceria em mediunidade com
Eurípedes Formiga, e aquele livro chamou muito a minha atenção. Eram cartas de
jovens recém-desencarnados e que todos tinham morrido em acidentes de moto.
Esses relatos chamaram muito minha atenção. Eu estava com 16 anos. Logo em
seguida eu li o Livro dos Espíritos, depois o "Nosso Lar", que me
pareceu uma espécie de ficção científica bastante interessante e aquilo tudo
começou a me empolgar. Com 17 para 18 anos eu assisti a 1ª palestra espírita
com Adenáuer Novaes e me encantei. Ingressei num curso chamado Curso Básico de
Espiritismo e daí não parei mais. Então a minha estrada espírita começou no
final da adolescência, 17 para 18 anos e foi assim que eu vim parar aqui.
TE - Você tem um histórico de trabalho com jovens. O que te
despertou para este trabalho?
KM - Foi um
trabalho de 11 anos no Instituto Kardecista da Bahia, que fica no centro
histórico de Salvador. Na época em que trabalhamos lá o lugar tinha uma realidade
sócio-cultural muito complicada, difícil, porque eram grandes casarões, antigos,
prédios com um valor histórico bastante grande, mas que eram verdadeiras
favelas e também era uma área de muita prostituição, de muita marginalidade e
as crianças daquela região estavam muito soltas, sem nenhuma preparação espiritual.
No Instituto Kardecista nós tivemos o grupo de evangelização que trabalhava
justamente com essas crianças e adolescentes e esse trabalho nos animou muito.
Eu estive com eles durante 11 anos. Era sempre aos domingos pela manhã e o que
mais me chamava atenção era que dentro deste trabalho nós imaginávamos que íamos
para lá doar alguma coisa, mas o que nós recebíamos era muito maior, muitíssimo
maior. Era uma sensação de abastecimento da alma. Aquelas crianças e
adolescentes nos davam um carinho, um afeto que era algo realmente incalculável,
não dá para descrever o que recebíamos. Éramos todos muito jovens. Éramos
jovens trabalhando com jovens e havia muito ânimo porque nós levávamos, além da
parte doutrinária, temas que eram da necessidade daquelas pessoas por conta do
contexto em que elas viviam. Dávamos aulas sobre métodos anticoncepcionais,
sobre educação sexual, campanhas anti-drogas. Então tínhamos todo um trabalho
voltado para a realidade delas, além dos temas que são costumeiros dentro de um
trabalho de evangelização.
TE - Como é que um arquiteto vai parar na área de
desenvolvimento humano?
KM -
Provavelmente a Doutrina Espírita me incentivou a fazer esta mudança na minha
carreira. Eu sou formado em arquitetura e ao mesmo tempo em que estava ainda na
faculdade eu já estava investigando outras áreas, sobretudo a parte de
desenvolvimento humano. Fiz um teste para um trabalho de consultoria em RH e
passei. Ao mesmo tempo eu já vinha lidando com palestras espíritas e trabalho
com jovens. A minha felicidade por trabalhar com gente era maior do que ficar
numa prancheta fazendo projetos de arquitetura. Então a transição aconteceu de
uma forma muito fácil. Eu comecei a fazer cursos fora da área de arquitetura,
um curso de pós-graduação chamado consultoria organizacional que nos habilita a
trabalhar com consultoria em empresas, trabalhando com muita gente. O curso
tinha um foco no trabalho com pessoas. Depois eu fui fazer a formação completa
em programação neurolingüística em São Paulo
e aí não tinha mais outro caminho, tinha que abraçar a missão. Na
verdade, às vezes, a gente não escolhe a missão de vida, a missão de vida é que
escolhe a gente. (risos) Por conta disso meu trabalho foi desviado para lidar
com gente. Hoje eu me sinto uma espécie de parteiro porque eu ajudo empresas e
pessoas a parirem soluções para as suas vidas, sob o ponto de vista do
crescimento pessoal, inteligência emocional e comunicação. Realizo cursos na
área de falar em público, na área de vendas, na área de atendimento a clientes
e também ministro a formação completa, em Salvador, em programação
Neurolingüística. Tudo muito focado em arquitetar vidas humanas.
TE - O que é exatamente a Programação Neurolingüística (PNL)
e como ela pode contribuir para o desenvolvimento do ser humano?
KM - A
Programação Neurolingüística é uma disciplina que nasceu nos anos 70 nos
Estados Unidos, mais precisamente na Califórnia. Ela foi criada por 2 pesquisadores
chamados Richard Bendler e John Grinder. Eles queriam descobrir o que fazia com
que algumas pessoas fossem tão bem sucedidas em suas diversas áreas e outras
tivessem tanta dificuldade em sair da mediocridade. Por que algumas pessoas têm
tanto sucesso e outras não? Essa pergunta levou esses pesquisadores a estudarem
a excelência humana. Eles elegeram algumas pessoas que eram consideradas
excelentes em suas áreas e fizeram uma espécie de investigação profunda em tudo
aquilo que elas faziam, em como elas se comunicavam e em elas pensavam e que
dava excelentes resultados no seu trabalho, na suas atividades. Por conta disso
eles começaram a sistematizar o sucesso. Essa não é uma idéias propriamente da
PNL, no início do século XX nós temos Napoleon Hill que é autor do livro
"A Lei do Triunfo" em que ele já estudava pessoas de muito sucesso e
verificava, durante o tempo que ele dedicou a este estudo, como elas tinham
padrões de comportamento e de ação que davam resultado positivo. Pois bem, a
PNL busca voltar a este tipo de comportamento. Estudar o sucesso das pessoas
para tornar este sucesso algo que pode ser ensinado para outras pessoas. De uma
forma muito simples podemos dizer que a PNL é a arte e técnica de estudar,
compreender e ensinar a excelência Humana.
TE - Como a PNL pode ser útil?
KM - A PNL pode
ajudar as pessoas a mudar a sua forma de ação em busca dos seus objetivos de
vida. A PNL pode ser muito útil para as pessoas dentro da área profissional e
também pode ser excelente para o trabalhador espírita e é por isso que eu vivo
fazendo pontes entre PNL e Espiritismo. Para aquele que está querendo conhecer
um pouco mais de si mesmo, a PNL leva as pessoas também a fazer um
aprofundamento, uma busca de autoconhecimento, uma busca de compreender melhor
suas emoções e colocá-las a serviço da excelência e do sucesso.
TE - Você desenvolve um trabalho pioneiro e muito
interessante unindo a PNL e a doutrinação. Como surgiu essa idéia e quais os
resultados apresentados?
KM - Eu percebi,
freqüentando algumas reuniões mediúnicas, que a forma de se comunicar com os
espíritos, sobretudo com aqueles que nós chamamos de obsessores era uma forma,
às vezes, até desrespeitosa. O doutrinador se aproximava e nem bem acolhia a
dor daquele ser que estava ali, por mais que ele fosse vingativo, por mais que
ele tivesse ódio dentro de si, ele é um ser que merece um acolhimento. Então eu
ouvia coisas do tipo; "você tem que perdoar, perdoe, confie em
Jesus." Essas são palavras, são frases valiosas, que tem sentido, mas que
eram difíceis de serem assimiladas por alguém que está carregado, abastecido
por um ódio insano. Era importante que existisse primeiro uma espécie de ponte
com este ser que sofre, para que a partir desta ponte começasse a se perceber
uma capacidade maior de influenciá-lo. Não dá para você chegar para um outro
ser, seja ele encarnado ou desencarnado, querendo num estalar de dedos, num
piscar de olhos, mudar o seu estado emocional. Nós devemos ir chegando gradativamente,
com calma, criando pontes de contato lingüisticamente para que daqui a
instantes as modificações possam acontecer. Essas pontes são mais facilmente
criadas quando você conhece alguns pressuposto da PNL e algumas técnicas que
podem fazer com que isto aconteça. Uma delas é chamada de Rapport, um apalavra francesa que designa aproximação, semelhança,
sintonia. E Rapport é exatamente a
ponte que você faz com o outro. Você pode conseguir pontes, por exemplo, quando
alguém te conta algo que te assusta, algo com que você não concorda, ao invés
de dizer: "Não concordo com isso" ou "Você está errado",
você pode dizer simplesmente: "Eu compreendo você", "Eu entendo
o que você sente e gostaria também de lhe dizer...", e aí você vai trazer
uma outra coisa para pessoa. mas no momento em que você diz: "Eu
compreendo você", neste momento, esta pequena frase significa: eu estou do
seu lado, eu não estou contra, eu estou junto. Isto é apenas um pedacinho de
uma gama imensa de padrões de comunicação que podem surtir efeito na hora de
você entrar em sintonia com um outro ser, seja ele encarnado ou desencarnado, e
a PNL sistematizou este estudo de comunicação que ajuda pessoas a criarem rapport, a criar pontes com um outro ser
humano e a partir desta ponte se tornarem mais eficientes em termos de
influência.
TE - A maior parte das casa espíritas trabalha com extrema
dificuldade e possuem nos seus quadros de trabalhadores pessoas com poucos
recursos financeiros, que não têm acesso a técnicas para melhorar o próprio
trabalho. O quê poderia ser feito para desenvolver esses trabalhadores e
consequentemente o trabalho realizado?
KM - Eu tenho
sugerido as pessoas que criem grupos de estudo a partir da leitura em conjunto,
de discussões e debates a respeito de livros de PNL. Lá na nossa cidade nós
temos oportunidade de incentivar pessoas nos centros espíritas a fazerem grupos
de estudo de PNL, então estes grupos estudam alguns livros de PNL que são muito
úteis. Eu sugiro a visita a um site, que é o site com maior número de
informações preciosas sobre PNL que é www.golfinho.com.br
Além de dar sugestões bibliográficas, este site também disponibiliza vários
textos de PNL na educação, PNL na comunicação, PNL nas relações interpessoais,
etc. E esses textos podem ser impressos e estudados pelos grupos. Essa seria
uma forma praticamente gratuita das pessoas estarem se informando mais e também
exercitando umas com as outras, discutindo e tendo mais condições de absorver
esta ferramenta. Quem tem condição de investir procure um curso, sobretudo um
curso de formação em PNL chamado practioner
e você vai perceber o quanto a PNL pode contribuir não só para o seu trabalho
profissional, como para uma melhoria da sua pessoa e também para aquele que é
um trabalhador da casa espírita.
TE - Você está ministrando um seminário sobre administração
das emoções. Quais são as emoções que você percebe que as pessoas têm mais
dificuldade em trabalhar?
KM - Eu percebo
que a raiva é uma emoção muito difícil de trabalhar. Nós, dentro deste
seminário, colocamos a raiva como uma das 5 emoções básicas do ser humano. A
raiva é legitimamente humana, ela não é boa nem ruim, bom ou ruim pode ser o
que você faz com a sua raiva. Eu acho que ela é uma das emoções mais difíceis
de se lidar. Primeiro porque ela já foi estigmatizada como sendo uma emoção
ruim e aí quando as pessoas sentem raiva elas mascaram essa raiva. Elas não
aceitam sentir raiva, elas negam a sua raiva e por conta de negar elas acabam
não trabalhando esta raiva e ela fica escondida e se distorce. Neste processo
de negação a raiva vai, vamos imaginar, para a sombra da nossa psique e quando
aparece ela aparece de forma muito abrupta, muito intempestiva e aí sim, ela
vai fazer alguma coisa ruim. Portanto, eu gostaria de uma forma bem sintética,
sugerir as pessoas que estejam cada vez com capacidade de entrar em contato com
todas as emoções que têm. entrar em contato não significa extravasá-las, mas saber
que elas existem, reconhecer que você é um ser humano e por ser humano tem o
direito de viver sua humanidade. Não existe uma fórmula mágica para se
transformar em santo de um momento para o outro. Então, reconheça quando você
está com raiva, reconheça quando você está triste, reconheça quando você sente
medo e a cada momento em que você reconhecer isto, você vai estar travando um
contato maior com a emoção e podendo trabalhar esta emoção, podendo
transformá-la. Enquanto nós não percebermos que temos algo dentro de nós, fica difícil
transformar este algo e aí é que as coisas começam a se complicar.
TE - Observamos que muitas das problemáticas da atualidade,
como drogas e depressão têm uma raiz na baixa a auto-estima. Como o indivíduo
pode trabalhar para melhorar o seu amor próprio e ser feliz da forma que é?
KM - Uma das
coisas importantíssimas que eu vejo é a auto-aceitação. Mas na verdade temos 4
pilares de reforço da auto-estima, um deles é a auto-aceitação ou, como alguns
chamam, auto-afirmação, que é a capacidade de você reconhecer suas próprias
qualidades, é você olhar para si e perceber tudo aquilo que você já tem de
positivo. Auto-afirmar-se não é diminuir o outro, auto-afirmar-se é ser
capaz de reconhecer tudo de bom que você
já tem. Há pessoas neste mundo que acreditam que elas só vão crescer se ficarem
olhando tudo que elas tem de ruim e que confundem isso com humildade, acham que
ser humilde é ficar o tempo todo expondo suas mazelas, só olhando as coisas que
tem de ruim. Elas são capazes de olhara tudo de bom que existe nos outros, mas
são incapazes de olhar tudo de bom que existe dentro de si. Então um ponto
importante: comece a perceber tudo que há de bom em você, não tenha medo se
tornar orgulhoso ou vaidoso, isso às vezes é um medo muito grande que nós
temos, que já vem talvez até de outras religiões porque nós consideramos que se
nos envaidecermos nós perdemos nossa estrada evolutiva e na verdade, um pouco
de vaidade, um pouco de orgulho, na medida certa, é bom também. É importante
você se orgulhar um pouco de um trabalho bem feito, de uma qualidade que você
tenha porque isto faz com que você se sinta mais verdadeiro consigo mesmo. Um
outro ponto importante é que você tenha propósito na vida, que você saiba
sonhar, que você queira alguma coisa mais da vida. Quem não quer nada para si
mesmo, quem não sonha, quem não deseja, quem não tem objetivos nem propósitos é
alguém que não está se achando merecedor dessas coisas, dessas realidades e por
conta disso mina a sua auto-estima. É possível também desenvolver a auto-estima
quando nós estamos mais capazes de nos conhecer, olhar para quem somos. Este é
outro pilar chamado autoconhecimento. Saber de fato fazer o mergulho no seu
interior. E mais um pilar que nós chamamos de proatividade, que é a capacidade
que você tem de estar tomando iniciativa diante da sua vida, assumindo riscos,
escolhendo, sendo uma pessoas que age e não apenas uma pessoa que reage. A
pessoas que não tem iniciativa está apenas reagindo as coisas que chegam, isso
é uma falta de proatividade. Proatividade é portanto, a capacidade de assumir
iniciativa e a capacidade de assumir a responsabilidade (com ênfase) pelas
coisas que faz e que diz. Portanto, comece a si aceitar, comece a si gostar e
aí eu acredito que a sua auto-estima já vai começando a mudar. Olhe para você
como filho de Deus, único, uma individualidade que merece o que há de melhor
nesta vida.
TE - O que mudou m você, após abraçar a Doutrina Espírita?
KM - Foi um
divisor de águas. Eu era muito jovem quando conheci o Espiritismo, mas eu posso
dizer que é como se eu colocasse nos olhos óculos novos e a partir desses
óculos eu enxergasse mais a vida, na medida que o Espiritismo me mostrou o que
o que é a vida em sua inteireza. Antes eu era muito míope, eu olhava a vida de
uma forma muito pequena, e hoje eu tenho condições de olhar a vida na sua
dimensão mais real que é a dimensão da espiritualidade.
TE - Quais seus projetos atuais?
KM - Conclusão
de três livros que eu já comecei a escrever e o lançamento de mais um CD. Eu já
tenho um CD lançado que é o CD Vida Nova, com 12 canções de minha autoria, cada
uma delas trazendo uma mensagem de crescimento e quero lançar este novo CD até
o final deste ano, no máximo até o ano que vem e também lançar pelo menos 1 ou
2 livros sobre PNL ou Espiritismo ou as 2 coisas juntas, um ajudando o outro.
TE – Pediríamos que você deixasse uma mensagem final aos
nossos leitores
KM – Há uma
frase que eu gosto muito que dia assim: “A velhice não chega quando a idade
aparece, a velhice chega quando os nossos sonhos vão embora”. portanto,
continue sonhando, continue acreditando, investindo, que você vai se tornar
cada vez mais jovem. Você pode ter 90 anos de idade ou 18, não importa, se você
continua desejando, querendo, buscando o que há de bom, criando novos propósitos
para você mesmo, alimentando seus sonhos, você continua sendo absolutamente
jovem. Então, vamos fazer desta vida uma existência boa. A vida não é para
trazer sofrimento, a vida existe para nos trazer felicidade.
TE – Obrigado.
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