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A Companhia Espírita
de Artes Cênicas da Bahia está, desde outubro
de 2003, encenando a peça "Rivail,
Um Homem à Frente do seu Tempo"
em comemoração ao bicentenário de Allan
Kardec.
A
CEAC foi fundada em 2001 e faz parte da
Comunidade Arte e Paz e tem levado, através
de vários espetáculos teatrais, a Doutrina
Espírita por todo o país.
A
companhia estará apresentando a peça nos
próximos dias 01 e 02 de outubro/2004 em
Fortaleza e a equipe da Terra
Espiritual conseguiu entrevistar o ator, autor e diretor da peça Edmundo Cezar
B. Santos, que descobriu o Espiritismo em
1986 e iniciou este belo trabalho.
Abaixo, compartilhamos o teor da conversa
com vocês:
TE -Edmundo, como surgiu a Cia de
Artes Cênicas da Bahia?
EC - A Companhia Espírita de Artes Cênicas surgiu
em 1998, como projeto da Federação Espírita do Estado da Bahia. Quatro alunos
da Escola de Teatro da UFBa (Ney Wendell, Geraldo Francisco, Vera Santos e
Edmundo Cezar) e atores profissionais, construímos um curso de interpretação de
duração de 10 meses. Ao término do curso, 15 participantes foram selecionados
para a primeira montagem da Cia, uma peça infantil (Tintino, o espetáculo
continua) que levamos para os teatros da cidade e algumas cidades do interior
do estado.
Surgiu como um desejo desse grupo de propor ao movimento
espírita a utilização da arte na evangelização d espírito. Em 2001, o grupo
oriundo da Cia desligou-se da FEEB e fundou a COMUNIDADE ARTE E PAZ, uma
instituição espírita, voltada para o estudo e prática do Espiritismo através da
arte.
A Comunidade Arte e Paz, tem hoje atividade de estudo em
grupo, reunião pública, reuniões mediúnicas, atividades de ação social e
atividades artísticas, onde a Cia se inclui.
TE - Quais os principais
obstáculos para se manter uma companhia de teatro espírita?
EC - Nós somos
uma instituição espírita e as dificuldades de se manter uma instituição passam
pelo reduzido número de trabalhadores e escassos recursos financeiros.
Acreditamos que temos obtido sucesso nas metas de se manter atividades de
estudo e divulgação doutrinária, onde as peças da Cia se encaixam.
Todos os
participantes (elenco e equipe técnica), apesar de profissionais da área, são
voluntários, onde a arrecadação financeira das apresentações é direcionada para
a manutenção e ampliação das atividades da casa. Esse detalhe tem sido
importante na sobrevivência da instituição.
TE - Como tem sido a resposta do
público ao trabalho de vocês?
EC
- Uma resposta positiva de compreensão de nossos objetivos e estímulo ao prosseguimento
da idéia. Por parte da espiritualidade não nos tem faltado apoio nas soluções
dos problemas e estímulo à nossa criatividade.
O
público espírita tem desejo de participar das atividades artísticas com esse caráter
e temos buscado ocupar esse espaço. Penso que o público sempre reage bem ao que
é construído com seriedade e buscando a qualidade e compromisso com o
Espiritismo.
TE - Qual sua avaliação sobre a
participação das artes dentro do movimento espírita?
EC - A idéia de
se aliar arte e Espiritismo não é uma novidade. Desde a codificação na França
que ações de movimento artístico espírita estão sendo realizadas. Penso que
nosso caminho de fazedores desse movimento espírita de artes é o da persistência,
seriedade e compromisso. Portas fechadas se encontram pr aí, mas também outras
tantas escancaradas para a arte.
A
arte pode contribuir na formação de um renovado ambiente cultural no movimento
espírita. É uma aço lenta e gradual que já vem dando resultados.
TE - Estamos comemorando em 2004 o
bicentenário de nascimento de Allan Kardec e vocês estão com uma peça falando
sobre a vida dele. Fale um pouco sobre a peça?
EC - Construímos
essa peça após alguns meses de estudo sobre o tema, no primeiro semestre de
2003, justamente para que pudéssemos oferecer ao movimento, durante o ano de
2004. Acreditamos que conseguimos construir uma encenação que gostaríamos de
assistir. Apesar do tema sugerir muita seriedade e pompa, usamos nossas
modestas experiências com o teatro popular e com o humor, para delinearmos uma
encenação leve, agradável e bem humorada.
Seguimos a
cronologia dos fatos da vida de Rivail, buscando destacar os princípios éticos
que nortearam a sua encarnação, aonde pessoas e datas vão se apresentando
inseridos nesse contexto.
Estamos
completando, com essa primeira visita a Fortaleza, 35 apresentações com um
público de 4.800 espectadores e acreditamos, pelas avaliações e debates
realizados, que conseguimos alcançar a meta de oferecer ao público um panorama
da vida e dos pensamentos de Kardec.
TE - O que representa o
bicentenário de Allan Kardec para o movimento espírita?
EC - Penso que
deva representar momento de festividade pelas conquistas alcançadas e de
reflexão sobre as possibilidades futuras. Kardec nos deixou na prática,
exemplos de conduta e caminhos de ação que devem ser mais conhecidos e praticados
pelos dirigentes espíritas que somos.
TE - O que o público pode esperar
da peça “Rivail, Um homem à Frente do seu Tempo”?
EC - Para a
Companhia Espírita de Artes Cênicas, a possibilidade de estar fechando, em
Fortaleza, o ciclo de apresentações da peça, iniciado em 3 de outubro de 2003,
está sendo recebido com responsabilidade, prazer e imensa alegria. O Ceará tem
sido pólo de irradiação das possibilidades das artes cênicas de caráter espírita,
para todo o norte-nordeste do país. Podem esperar que esse prazer e alegria
estarão enriquecendo nossa interpretação em terras cearenses.
Quem
se dispuser a sair de sua casa para ir assistir Rivail, sairá do teatro com a
certeza que valeu a pena.
TE - A peça é destinada apenas ao
público espírita?
EC - A
construímos oferecendo ao público indistintamente. Evidentemente que os espíritas
já conhecem bastante do personagem o que o amplia de possibilidades como
espectador. Mas aqueles que desconhecem completamente o Espiritismo, têm tido
na peça oportunidade única de obter em 55 minutos todo o histórico de surgimento
da Doutrina.
TE - Qual a sensação de encenar
uma peça sobre a vida de um homem que contribuiu tanto para a humanidade?
EC - Durante a
construção do texto chamava-me a atenção para a responsabilidade do que
estávamos colocando no palco, cuidando para não deixar margens para interpretações
equivocadas por parte da platéia. A construção da encenação foi oportunidade
única de, através dos sentimentos, irradiar o aprendizado adquirido com o
estudo da biografia de Allan Kardec.
TE - O que você mais destacaria
na personalidade de Kardec?
EC - Do que pude perceber, estudando sobre ele, destacaria o
bom humor e a humildade. Estando na posição que estava, de codificador de novas
idéias, nunca buscou chamar atenção para si, pelo contrário, direcionava o
valor para a obra. Vale muito essa reflexão para seguir o exemplo. A construção
das atividades, de simples apresentação na reunião doutrinária do centro a macro
eventos de divulgação espírita, o foco deve estar na obra e não na super
valorização de indivíduos, falíveis que somos todos.
TE - Qual a mensagem que vocês
procuram transmitir para o público com a peça?
EC - Que a
construção dos livros básicos da Doutrina Espírita, foi um meticuloso trabalho
realizado por um homem sério, que buscou em todos os instantes a responsabilidade
e o melhor para todos. Um homem comum e por isso mesmo especial. Um indivíduo
que foi preparado desde a infância e que não regateou no momento em que foi
chamado a servir.
TE - Quais são os próximos
projetos da companhia?
EC - A Companhia
Espírita de Artes Cênicas está em processo de ensaio da nova peça chamada “A
Boa Nova”, baseada no livro A Boa Nova de Humberto de Campos/Chico Xavier e
Primícias do Reino de Amélia Rodrigues/Divaldo Franco. Mantendo o caminho de
uma teatralidade popular e musical a Boa Nova traz para o regionalismo
nordestino os fatos e, principalmente, o
conteúdo moral de Jesus. A estréia será em 13 de novembro, em Salvador e em
2005 estaremos apresentando pelo interior do estado da Bahia e capitais do
nordeste.
TE -
Gostaríamos que você deixasse uma mensagem final para os nossos leitores
EC - Quem puder
assista as últimas apresentações de Rivail em Fortaleza. Quem estiver fora da
cidade, que possa ter a oportunidade de descobrir mais sobre a vida singular de
Allan Kardec. Obrigado pelo espaço.
TE – Obrigado.
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