|
Carioca,
físico, professor universitário, médium,
diretor da Sociedade Espírita Fraternidade,
escritor e conferencista espírita, José
Raul Teixeira é um dos mais atuantes e dinâmicos
trabalhadores da seara espírita.
Possuidor
de um sólido conhecimento doutrinário e
de um grande carisma, Raul Teixeira percorre
todo o Brasil e vários outros países levando
a mensagem consoladora e esclarecedora da
Doutrina Espírita.
Raul
Teixeira esteve em Fortaleza para participar
do IX Congresso Espírita do estado do Ceará
e a
equipe da Terra Espiritual
conseguiu entrevistá-lo e abaixo, reproduzimos
a conversa:
TE – O que significa para o movimento espírita este
bicentenário de Kardec?
RT – Para nós, este
bicentenário é um marco anunciando que este nome de tanta grandeza e de tanto
valor para o nosso movimento espírita, chega a esta data, a estes dois séculos,
sob a respeitabilidade do mundo inteiro, daqueles que já aprenderam a
reconhecer na codificação do Espiritismo esta genialidade daquele que a
organizou. Então, cabe-nos em face desta esta data feliz, nessa efeméride que
evoca o bicentenário do seu nascimento, lembrarmo-nos de que foi ele o grande
mensageiro de Cristo junto as nossas necessidades humanas. E a Allan Kardec,
todo nosso encômio, toda nossa gratidão, na certeza de que ele, nesta data,
estará recebendo de Jesus Cristo, sempre maior condição de desenvolver o seu
trabalho no solo da humanidade para que todos sejamos felizes, não somente
hoje, mas de hoje para todo o sempre.
TE - A Doutrina Espírita ainda é atual?
RT -
Indubitavelmente, nós encontramos no pensamento da Doutrina Espírita, codificada
por Allan kardec, materiais de grandíssima atualidade, até porque a proposta do
Espírito de Verdade era ficar com a humanidade durante todo escoar dos tempos.
Quando se pensa nisto não se pode imaginar que uma mensagem que haja vindo para
acompanhar o homem, a criatura humana, em todos os movimentos para o progresso
tenha se esgotado em tão pouco tempo, num período de 147 anos, que é o tempo da
codificação do Livro dos Espíritos. Essa é uma mensagem que tende a acompanhar
a criatura humana em todos os seus progressos e com isto, o caráter de
atualidade da proposta espírita, do trabalho de Allan Kardec, é de suma
importância de indiscutível realidade.
Com isto, todas as informações que a Doutrina Espírita nos têm passado ao longo
deste tempo todo, têm sido confirmadas por todos os progressos que temos
alcançado em nível social, em nível religioso, em nível político, mostrando-nos
que esta mensagem vem dos Espíritos Superiores que conhecem a destinação da
Terra, que tinham condição de avaliar o futuro da humanidade e com isto dar-lhe
este caráter de tanta atualidade.
TE – E o que esperar para os próximos 200 anos?
RT – Esperamos
que nós espíritas, tenhamos mais fôlego, mais disposição e coragem de
mergulhar, sempre, cada vez mais profundamente, nestes ensinamentos tão
notáveis da codificação espírita, valorizando o esforço hercúleo de Allan
Kardec, essa presença de Cristo na Terra através dos espíritos de escol que
falam em seu nome. Daí, para nos todos, é motivo de grande gáudio, de grande
felicidade, esse bicentenário, essa data importante que nós estamos evocando e
essa esperança de que nos próximos 200 anos, nós todos, continuemos unidos no
corpo físico ou fora dele, em torno
dessa mensagem tão luminosa quanto é a Doutrina dos Espírtos.
TE - Como o senhor avalia a questão da grande desistência
verificada nas turmas de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE)? Onde
está a falha?
RT - Como Allan
kardec estabelece na codificação, na introdução do Livro dos Espíritos, o
conhecimento da Doutrina não pode ser feito de uma única sentada. Há que ser
alguma coisa detida, cuidadosa e por isso mesmo não pode ser rapidíssima. Nós
admitimos que existam diversas razões para que os indivíduos abandonem os
estudos: seus trabalhos, suas complicações pessoais, compromissos diversos com
a família, o desestímulo e até mesmo problemas de coordenação. Há muitos grupos
de estudo cujos responsáveis não possuem habilidade para trabalhar os
conteúdos, para desenvolver os conteúdos e envolver as pessoas que estão neste
processo de aprendizagem nestes ESDEs. Dessa forma, não se pode dizer que há
uma única causa que leve os alunos a desistência. Diversas são as causas,
diversos são os fatores. E a questão da desistência é encontrada não apenas na
casa espírita, não somente nos grupos de ESDE, mas na própria escola como um
todo nós temos as chamadas evasões, em que uma turma começa com tantos alunos e
daqui a pouco estão com estes tantos menos N. isso na escola fundamental, na
escola média, na universidade, de maneira que é uma característica do ser
humano a não perseverança. De modo que se tivermos, ao invés, dos 40 que
começaram, 15, 20 ou 10, já estaremos vitoriosos, porque vamos semeando estas
verdades da Doutrina nas almas pouco a pouco, até que alcancemos a todas elas.
TE - O que o senhor diria, aqueles que desejam conhecer a
Doutrina Espírita?
RT – Basta
cercar-se das obras de Allan Kardec. Quem deseje conhecer as obras de Allan
Kardec, naturalmente estará querendo conhecer a Doutrina Espírita. Sem nenhum
compromisso de ter que se tornar espírita, mas para diminuir a ignorância
relativa as questões da Doutrina dos Espíritos. Não é justo que alguém queira conhecer
a Doutrina Espírita perguntando a pastores, perguntando a sacerdotes, poi por
mais respeitáveis que sejam, por mais estudiosos que sejam, eles não têm a
vivência, eles não têm a experiência do movimento espírita, da Doutrina
Espírita. E muitos vezes eles são opositores da Doutrina Espírita, logo não
terão a isenção de falar dela com a mesma tranqüilidade com que nos podemos
ler, estudar nas obras básicas da codificação de Allan Kardec, desde O Livro
dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Céu e
o Inferno, até A Gênese. Aí nós encontramos, além de todas as obras
subsidiárias, um vasto material para conhecermos as bases, os fundamentos da
Doutrina Espírita.
TE – O que a Doutrina Espírita trouxe para sua vida?
RT – Trouxe a
possibilidade do meu autoconhecimento, de descobrir as portas que me levariam a
felicidade, esse auto-encontro, encontro comigo mesmo, identificando as minhas
mazelas, minhas falhas, e também as virtudes que já conquistei a fim de
ampliá-las, permitiu-me viver melhor com as pessoas, aprender a lidar com todo
e qualquer tipo de dificuldade, sofrendo, mas sem reclamar jamais, na certeza
de que tudo que nos ocorre está na pauta de nossas necessidades, sem que
cruzemos os braços, no nosso dinamismo diário, mas aprendendo a nos conhecer
melhor, evitando os caminhos nefastos, os erros, os abrolhos, a viciação e
busquemos, dentro de nós próprios, este encontro com Jesus Cristo que ainda
dormita dentro de nós.
TE – Pediríamos que o senhor deixasse sua mensagem final
RT – Meus caros
leitores, aos nossos companheiros deste Ceará tão feliz, tão amado, tão
querido. Nós vivemos dias de grande oportunidade de servi à Deus com todos os
nossos recursos, de nos amarmos com todas as nossas forças para que aprendendo
a nos amarmos, nos tenhamos condições de amar ao nosso semelhante. Servir,
estudar, aprender para nos libertarmos, uma vez que Jesus Cristo anunciou que o
conhecimento da verdade é que nos libertará. Então, a todos aqueles que nos
lêem, que nos dão essa honra, nós sugerimos esse auto-amor, esse auto perdão,
essa busca de si mesmo nesses dias de tantas agonias, de tantas angústias, de
tantas infelicidades. Que nos aprendamos a trabalhar a própria felicidade a
partir das lições generosas, fecundas e boas da nossa veneranda Doutrina
Espírita.
A todos muita paz!
Nosso muito obrigado, e até uma próxima vez, se Deus quiser.
TE – Obrigado.
|