|
Matemático por formação,
Alkindar de Oliveira é consultor de empresas, expositor, professor de
comunicação verbal, autor de vários livros. Criador dos métodos Auto-Estima em
Alta e Resultado 100%. Fundador e professor da Escola de Líderes, da Escola de
Oratória e da Escola de Vendas.
Especialista em treinamentos e consultorias empresariais nas áreas: da comunicação,
do comportamento, da motivação, da criatividade e da liderança. Concluiu
estudos curriculares - no nível de graduação - na área de didática do ensino e
psicologia da aprendizagem.
Alkíndar
é um entusiasta da divulgação espírita.
Através dos seminários dos quais participa,
dos artigos que escreve para vários veículos
de comunicação espírita está sempre procurando
mostrar a necessidade de aprimorar e modernizar
o trabalho espírita. A
A
equipe da Terra Espiritual
entrevistou Alkíndar e colheu um pouco de
sua experiência e visão. Abaixo, reproduzimos
a conversa:
TE - Como foi que o senhor resolveu entrar na Doutrina Espírita?
AO - Quando
tinha 15 anos de idade meus pais, então católicos, passaram a ser espíritas. De
repente muitos livros espíritas começaram a chegar em minha casa e eu, que
sempre gostei de ler, atirei-me à leitura. Tornei-me espírita ainda bem jovem.
Passei a ser espírita depois de ler O Livro
dos Espíritos, o melhor compêndio "dos porquês" do viver
e do morrer.
TE - Como o senhor avalia a divulgação do movimento espírita?
AO - Até
há pouco tempo era claro que estávamos divulgando a Doutrina Espírita para nós
mesmos. Não havíamos refletido que o Espiritismo veio para o mundo. Ficávamos
fechados em nossas quatro paredes. Percebo que de forma impressionante as
coisas estão mudando para melhor. Hoje existem Livrarias Espíritas dentro de Shopping Centers, Feiras de Livros
Espíritas são montadas em praças públicas e começamos de forma firme a aparecer
em alguns programas de rádio e TV, principalmente TV a cabo e parabólicas. Em
jornais regionais já não é incomum encontrar colunas espíritas. Percebe-se que
o processo de melhor divulgação da Doutrina, começou.
TE - Quais as medidas necessárias para tornar esta divulgação
mais eficiente?
AO - Já
existem os meios e as ferramentas apropriadas para tornar a divulgação mais
eficiente. A questão é que somente agora iniciamos a sua utilização. Que bom.
Começamos. A medida principal para melhorar a divulgação é de conscientização.
O que, felizmente, já está ocorrendo. Quanto mais nos conscientizarmos das palavras
ditas por Bezerra de Menezes "Centro
Espírita (...) pólo irradiador de benesses a outras co-irmãs e,
igualmente, para o agrupamento social, no qual encontra-se inserida",
mais procuraremos utilizar os meios apropriados para levar o Espiritismo também
para fora dos nossos muros.
TE - Como é que cada espírita pode colaborar neste esforço de
divulgação?
AO - Cabe
a nós parar de reclamarmos dos outros espíritas, parar de reclamarmos do proceder
de alguns líderes e instituições espíritas, e fazermos nossa parte. Este é o
momento de termos atitudes. Não ver o que o outro está deixando de fazer, mas,
sim perguntarmos "o que eu posso fazer". E se dúvida há sobre a importância
da divulgação extra muros, lembremo-nos das palavras do espírito Marcelo
Ribeiro, no livro Terapêutica de Emergência, psicografia de Divaldo Pereira Franco:
"Espiritismo (...) não é lícito impô-lo,
nem justo deixar de apresentá-lo. (...) E porque este é o momento da renovação
espiritual da Humanidade, que se encontra exaurida por dores superlativas,
também é a hora da divulgação, consciente e nobre, da Doutrina que 'mata a
morte' e alonga a vida, elucidando os enigmas complexos da existência
carnal com acenos seguros de felicidade à vista."
TE - O senhor tem desenvolvido um trabalho para utilizar no meio
espírita técnicas empresariais. Quais os benefícios dessa associação?
AO - Nós
espíritas temos um ótimo hábito. O hábito da leitura. Mas muitos de nós nos
comprazemos apenas com a literatura espírita. E até há razão de ser. Acredito
que não há conteúdo mais rico do que o da literatura espírita. No entanto,
existem importantes livros complementares. Importantes livros que acabam
ficando de lado. Se perguntarmos a muitos líderes espíritas que livros sobre
liderança leram, iremos nos surpreender. Muitos não leram um livro sequer. Daí
serem benéficos, aos espíritas, os cursos que aproveitam do que há melhor na
liderança empresarial para ser utilizada, com o conhecimento de espíritas,
junto à nossa liderança. Aproveito para indicar um excelente livro de
Liderança, um dos melhores que já li: O Desafio da Liderança, de Kouzes e
Posner, Editora Campus. Muito nos enriqueceremos se lermos também livros de
temas diversos de Rubem Alves, Leonardo Boff, Dalai Lama, Augusto Cury e tantos
outros.
TE - E como levar a espiritualidade para a nossa vida
profissional?
AO - Felizmente
já está bem difundido que espiritualidade na empresa não é religião na empresa.
Para levarmos espiritualidade na empresa basta praticarmos em nosso meio
profissional o que nossa religião nos ensinou, qualquer que seja ela.
Espiritualidade na empresa é respeito e valorização do próximo, é sermos exemplo
de conduta reta e digna, á sermos profissionais de ilibada moral, é incluirmos
o próximo em nossa vida. Certamente tudo isto é um bom desafio. Mas este é o caminho.
TE - Quais as principais sugestões que o senhor daria para
melhorar gestão das casas espíritas?
AO - Prefiro
dar uma principal sugestão aproveitando os ensinamentos dos amigos
espirituais (não me lembro em que livro da Editora Inede li sobre tal assunto):
Passemos da nossa linguagem de comunicação de "conversão e
submissão" para a linguagem de comunicação de "conscientização e
promoção". O primeiro tipo de linguagem de comunicação cria chefes e
subalternos; o segundo tipo de linguagem cria líderes e colaboradores. O
primeiro tipo de linguagem faz com que o chefe lute para que seus subalternos
pensem, ajam e sintam como ele pensa, age e sente; o segundo tipo de linguagem
faz com o líder respeite e valorize a diversidade de opiniões, criando um grupo
de mentalidade aberta e inovadora.
TE - O problema de recursos financeiros no meio espírita tem
solução? Que caminhos o senhor indicaria?
AO - Que
bom se nós espíritas lêssemos o livro O Dinheiro, psicografia de Chico Xavier
e, se não me engano, autoria de Emmanuel. Se lêssemos esse livro perderíamos o
preconceito que temos. Descobriríamos que dinheiro é criação divina. E, então,
não iríamos discutir por abrir cantina num Centro Espírita, por utilizarmos recursos
outros que aparentemente deveriam ser proibidos no meio espírita. O caminho que
sugiro: libertemo-nos de preconceitos em relação ao dinheiro e façamos reuniões
nos Centros Espíritas jogando uma pergunta no ar "como arrecadarmos
dinheiro?". Deixe os participantes darem as sugestões mais absurdas
possíveis. Não censure para não prejudicar o aflorar da criatividade. Depois de
reunir todas as sugestões, elimine o que for realmente absurdo. Esse tipo de reunião
tem o nome de brainstorming e
proporciona excelentes resultados. Conheço um Centro Espírita que adotou este
tipo de reunião e hoje não tem problema de dinheiro e é modelo para muitos
Centros Espíritas.
TE - Quais os principais obstáculos a modernização do movimento
espírita?
AO - O
principal obstáculo para ocorrer a modernização do movimento espírita está na
ausência dos líderes em cursos de liderança e de comunicação; está no
personalismo; na não compreensão do que é ser espírita; no igrejismo ainda existente
em vários Centros Espíritas.
TE - Num dos seus livros o senhor diz que viver é simples. Quais
os caminhos para uma vida feliz?
AO - Washington
Oliveto disse certa vez que "difícil é
fazer o simples." Como é simples valorizar o encontro familiar
na sala de nossa casa. Valorizamos? Como é simples olhar para a lua, para o por
do sol, e agradecer a Deus pela beleza do universo. Agradecemos? Como é simples
valorizar o cafezinho que tomamos pela manhã. Valorizamos? Como é simples
agradecer a Deus todos os dias pela nossa visão, pela nossa saúde, pelo nosso
trabalho. Agradecemos?
O caminho para uma vida feliz
é enxergar as pequenas e boas coisas que nos acontecem no
dia-a-dia de todos os nossos dias.
É preciso vivenciar o
que o Budismo chama de "atenção plena", isto
é, na hora de beber água, beba água, e esqueça do
resto; na hora de ler, leia, e esqueça do resto, na hora de orar,
ore, e esqueça do resto. Este é o caminho para usufruirmos da felicidade
relativa que nosso planeta pode nos proporcionar.
TE - Muitas pessoas deixam de realizar seus sonhos por
acreditarem que eles são difíceis ou até impossíveis. Como superar essas
inseguranças e realizar o impossível?
AO - Primeiramente
aceitemo-nos como somos. Se temos algumas deficiências, se somos inseguros,
aceitemos nossa insegurança e deficiência. Atenção, não digo
para aceitarmos com a resignação passiva, tipo: "nasci para
sofrer"; mas, sim, utilizemos da resignação ativa: "o que posso
aprender com isto".
A psicologia explica que só
resolvemos uma questão se a aceitamos. Este é o importante e primeiro passo. A
partir deste passo a vida fica menos difícil, pois, tudo o mais que aparecer de
desafio, iremos encará-lo de frente e faremos sempre a melhor escolha, pois,
vivenciar a resignação ativa (eternos aprendizes) nos fará ser portadores da
personalidade construtora, que é o alicerce do prédio das possibilidades.
TE - Num mundo onde ainda há tantas guerras e tanta violência,
por que o senhor diz que o amor está no ar? (seminário realizado por Alkíndar no
dia 19/06)
AO - Joanna
de Ângelis diz que "há em todo o
Universo, uma harmonia que transcende o entendimento humano."
Quando compreendermos que o amor de Deus está na paz e também na guerra, na
harmonia e também na violência, iremos descobrir a amplitude de sua justiça
e bondade. Quando aprendermos a olhar a coisas sob o ponto espiritual, teremos
a certeza de que "o amor está no ar", isto é, o amor de Deus está a
todo momento do nosso lado.
TE - Qual deve ser a postura do espírita do século XXI?
AO - Nossa
postura precisa ser a postura do exemplo; a postura das boas atitudes; a
postura de deixar de sermos especialistas em enxergar os erros dos outros,
tipo, "você viu o marido da Maria, que malandro!"; a postura de
deixarmos de sermos especialistas em resolver os problemas dos outros, tipo,
"se eu fosse a Maria, divorciava"; a postura de enxergarmos os nossos
problemas e procurar resolvê-los; a postura de educador; a postura de irmão; a
postura de pessoa afetuosa.
TE - O que a Doutrina Espírita trouxe para sua vida?
AO - O
significado do que é viver.
TE - Quais seus planos atuais?
AO - Bezerra
de Menezes disse que neste início de Milênio estamos começando o período
da maioridade do espiritismo. E procurar trilhar o caminho dessa maioridade,
é o que tenho como meta. Obviamente no estágio evolutivo em que ainda estou,
trilhar o caminho não significa atingir de maneira plena o propósito maior.
Mas, pelo menos, tenho a certeza de que escolhi o caminho certo. Vai demorar
séculos para chegar ao objetivo, mas bem disse Clarice Lispector que "mais importante do que a velocidade da mudança, é
estarmos na direção certa". E quem escolher vivenciar essa
especial fase do Espiritismo, estará na direção certa.
TE - Pediríamos para o senhor deixar sua mensagem final.
AO - Agradecendo pela oportunidade, meu abraço carinhoso a todos os
leitores e que sejamos mais afetuosos com nossos companheiros dentro da Casa
Espírita; humanizemos nosso Centro Espírita; sejamos fraternos e, não nos
esqueçamos, levemos o Espiritismo também para fora da Casa Espírita. TE – Obrigado.
|