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Entrevista com o Orson Peter Carrara

 

                   Membro do conselho de redação da Revista Internacional de Espiritismo (RIE), expositor, escritor, dirigente, entusiasmado divulgador da Doutrina Espírita e colaborador de vários sites (inclusive o seu próprio) e jornais espíritas e não espíritas, Orson Peter Carrara é uma usina de energia e criatividade.

                   Dono de um estilo claro e positivo de escrever, seus artigos são marcados pelo otimismo e entusiasmo, sempre procurando levar o leitor a uma postura construtiva em relação a vida.

                   Nesta semana em que celebramos o dia da Imprensa Espírita (26/07), a equipe da Terra Espiritual conversou com Orson sobre sua trajetória, sobre o movimento espírita e sua divulgação e abaixo, reproduzimos a conversa:

 

TE - O fato de ter nascido em berço espírita tornou sua infância diferente?

OPC - O fato de ter nascido de pais espíritas tornou minha infância e juventude sempre envolvida com as atividades espíritas. Presenciando a dedicação  e o trabalho espírita de meus pais, a  influência foi decisiva, reconheço, no entusiasmo que hoje sinto na divulgação do Espiritismo. Posso dizer que o maior presente recebido nesta existência, de meus pais, foi o conhecimento espírita.

TE – Que lembranças dos seus primeiros contatos com o Espiritismo foram mais marcantes?

OPC - O atendimento de pessoas espiritualmente necessitadas, em casa, o envolvimento com os livros (meus pais sempre estudaram bastante a Doutrina Espírita) e as constantes  palestras no Centro Espírita. Devo citar também que as aulas de Espiritismo para as Crianças, ministradas por meu tio Pedro Carrara, foram marcantes para mim. Lembro-me perfeitamente de frases e ensinamentos que ele transmitia de O Livro dos Espíritos.

Algo que marcou muita minha memória infantil foi o fato de sempre ouvir referências a Jesus, a Allan Kardec, e ao O Livro dos Espíritos. Naqueles anos de menino, sempre perguntava-me, interiormente, porque se falava tanto em Kardec. O que vim a entender mais tarde, é óbvio.

TE – Como é o desafio de continuar o trabalho de Cairbar Schutel?

OPC - Sou funcionário da Casa Editora O Clarim e não me considero um continuador, mas apenas um colaborador. Os desafios da Casa são enormes em virtude da expressão do ideal de Cairbar, exemplo de dinamismo e decisão para o movimento espírita.

TE – Que oportunidades e aprendizados o trabalho na Editora O Clarim trouxe para você?

OPC - O aprimoramento na arte de redigir. Aqui aprendi, e continuo aprendendo muito, a sintetizar o pensamento e expressar muito em poucas palavras, adaptando-me à linguagem jornalística. Por outro lado, ampliei o contato com a família espírita.

TE – As suas atividades, tanto na Editora, como na divulgação espírita, naturalmente trazem muita visibilidade para você. Qual a fórmula para não ser afetado pela vaidade?

OPC - A fórmula é pensar que somos transitórios em qualquer tarefa. Vaidade para quê? Que mova-nos o desejo de servir à causa.

TE – Atualmente vemos um grande crescimento do número de romances espíritas e a diminuição de livros doutrinários. Isso não prejudica a propagação do conhecimento espírita?

OPC - O romance tem o grande mérito de conquistar novos espaços. Cabe aos articulistas, palestrantes e dirigentes realçar o conteúdo doutrinário do Espiritismo, valorizando as obras doutrinárias em suas áreas de atuação.

TE – Como surgiu a idéia de criar sua própria homepage?

OPC - A idéia não foi minha. Como também escrevo em jornais não espíritas, introduzindo os conceitos espíritas de forma mais suave, um amigo, que se diz admirador de meus textos, insistiu e acabou criando a home para estoque e veiculação dos artigos pela Internet. Hoje todos os artigos já publicados, ou pelo menos a maioria deles, estão na página, que continua sendo mantida por esse amigo, que por sinal, não é espírita. Atualmente os artigos podem ser acessados em dois endereços: www.orsoncarrara.hpg.ig.com.br e www.orsonpcarrara.rg3.net

TE – Você tem uma grande facilidade para escrever e normalmente nos seus artigos gosta de abordar temas por uma ótica positiva e construtiva. Isto é uma característica da sua personalidade ou é em função de você achar que as pessoas estão muito negativas e destrutivas?

OPC - Esta é uma característica pessoal. Se existe algo que posso dizer está em mim, que já conquistei, este algo é o entusiasmo. E também acho que há muito dinamismo e boa vontade no mundo. É que os desanimados, irritados e negativos aparecem mais.

TE – Os meios de comunicação de massa tem dado destaque à violência e à sensualidade, alegando que é isto que o povo gosta de ler. O povo realmente gosta desses temas ou está sendo levado a isto?

OPC - É que quem conduz os meios de comunicação ainda não descobriu quanta coisa boa há para divulgar e alimenta o povo com conteúdos tão ruins. Não creio que o povo goste desses temas. Penso antes que a informação boa apenas não chegou até ele. Este o trabalho de quem está envolvido com as boas causas humanas: fazer chegar.

TE – Se comparado a outras correntes religiosas o Espiritismo tem um crescimento modesto. Por que?

OPC - Por mera questão de amadurecimento pessoal. Cada um tem seu tempo de despertar. E, por outro lado, as instituições precisam valorizar mais a divulgação espírita para além das paredes espíritas.

A realidade de nosso tempo, entretanto, está mudando as coisas. Veja-se, por exemplo, a repercussão da Bienal do Livro, onde a literatura espírita alcançou enorme destaque e mesmo o lançamento de livro de Divaldo em uma grande livraria, com enorme impacto.

TE – O movimento espírita perdeu força após o desencarne de Chico Xavier?

OPC - Não creio. Ao contrário, o exemplo de Chico evidenciou-se ainda mais.

TE – Como você vê o futuro da Doutrina Espírita?

OPC - Com otimismo e muita alegria. Penso que o amadurecimento do próprio espírita renovará o planeta. O significado do Espiritismo é muito grande e conforme avança o tempo, mas ele se realça.

TE – O que é possível melhorar no esforço de divulgação espírita?

OPC - Conscientizar mais os espíritas de que ser espírita não se resume a sermos meros freqüentadores de uma ou várias Casas Espíritas. Ser espírita significa comprometimento com a causa espírita. Esta tarefa de conscientização do público freqüentador de nossas instituições cabe aos dirigentes.

TE – Quais são os seus projetos atuais?

OPC - A vinda para Matão transformou completamente minha vida e da família. Como estou há pouco tempo aqui, os projetos sofreram também enorme transformação e agora estão em fase de reavaliação. Isto não impede, entretanto, de continuar trabalhando pela causa espírita.

Por outro lado, dedicada amiga do Rio de Janeiro, tem feito excelente trabalho de pesquisa e gravação de meus artigos em CDs, que naturalmente serão transformados em livros no tempo certo.

TE – Pediríamos que você deixasse sua mensagem final.

OPC - Que valorizemos a causa espírita, acima de nossas querelas humanas. O Espiritismo é tesouro de valor intelecto/moral incalculável. Pensemos que o bem que ele nos faz pode fazer a inúmeras pessoas. Trabalhemos, pois, pela expansão da idéia espírita, valorizando iniciativas, pessoas e instituições que se dedicam a esta nobre causa, pois sabemos todos que ela pertence ao Mestre da Humanidade: Jesus de Nazaré.

TE – Obrigado.

 

 

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

  

 

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