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Professor Titular da cadeira
de Fisiologia da Universidade Santa Cecília, nas faculdades de Fisioterapia,
Farmacologia e Biologia; ex-Professor Adjunto do Departamento
de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Fundação Lusíada, ambas de
Santos; escritor dos livros "Fisiologia Transdimensional" e
"Ser Médico e Ser Humano", expositor espírita, o Dr. Décio Iandoli
Jr, é vice- presidente da Associação Médico-Espírita de Santos.
O
Dr. Décio vai ser um dos expositores do
IV Congresso
Internacional de Terapia de Vida Passada (www.sbtvp.com.br) que
vai se realizar no período de
19 a 21 de Agosto
em Santos - SP. A
equipe da Terra Espiritual teve oportunidade
de entrevistá-lo e abaixo, reproduzimos
a conversa:
TE - Dr. Décio, como o senhor tornou-se espírita?
DI - Após
um contato, feito de maneira inesperada, entre meu avô, desencarnado em 1987, e
eu, por intermédio de uma médium, tive a certeza da existência de espíritos e
da possibilidade de comunicação com eles. Um pouco mais tarde, após o desencarne
da minha avó, procurei uma amiga, espírita, para que me explicasse alguns
fenômenos que eu havia experimentado e ela me deu o "Nosso
Lar" e o "Livro dos Espíritos", desde então descobri que era
espírita.
TE - Como o fato de ser espírita o auxilia no exercício da
medicina?
DI - A
doutrina me trouxe uma consciência maior sobre a importância e os reais
objetivos do meu trabalho. Saímos da Universidade com a ilusão de que
somos capazes de curar e nos esquecemos que nossa tarefa é auxiliar e
instruir. Além disso, a noção do ser humano como um ser integral, levando em
consideração todos os aspectos de sua constituição é algo que leva nossa
competência profissional a um outro patamar.
TE - O senhor tem uma grande preocupação com a humanização da
medicina. Os médicos perderam a dimensão humana dos pacientes? A medicina virou
um negócio?
DI - A
minha preocupação com a humanização da medicina não tem um motivo tão altruísta
quanto possa parecer, já que uma das maiores vítimas da medicina materialista e
mercantilista é o próprio médico. Acredito que o médico, pelo menos a
grande maioria deles, não perdeu a dimensão humana dos seus pacientes, apenas
ele não dá a ela o devido valor. Faz-se necessário e urgente uma mudança no
paradigma médico, abrindo uma nova perspectiva para a medicina e para os que se
servem dela.
TE - Qual deve ser a correta postura do médico?
DI - Acho
que a melhor palavra é "companheiro". Acredito que o médico deve ser
o coordenador de uma equipe composta pelo paciente, sua família e todos os profissionais
que se façam necessários para conquistar o objetivo final que é proporcionar
bem estar físico, psicológico, social e espiritual ao paciente mesmo que a
evolução seja para o desencarne.
TE - Com tantos relatos sobre experiências de quase-morte (EQM),
passes magnéticos e outros fenômenos ligados ao espírito, por que a medicina convencional
ainda não reconhece os postulados espíritas?
DI - Todas
as grandes mudanças são lentas e traumáticas, os postulados espíritas trazem
idéias e conceitos que, apesar de "revolucionários", já são foco
de grande atenção na comunidade acadêmica internacional. Na minha opinião é uma
questão de tempo.
TE - Recentemente surgiu um ramo da medicina chamado de
neuroteologia. A união da medicina com a ciência do espírito é um caminho sem
volta?
DI - Certamente.
Independente da doutrina espírita, esta revolução já se iniciou em todo o mundo
e é irreversível.
TE - Como será a medicina do futuro? Como vai ser a busca da
cura das doenças?
DI - A
medicina do futuro é a medicina do Cristo, ou seja, tratar as patologias da
alma pela reforma íntima; esta excluirá qualquer tipo de doença que conhecemos. É
bom ressaltar que ainda estamos muito distantes desta possibilidade, sendo assim,
ainda necessitados da medicina do corpo físico tal qual a conhecemos e tal qual
se desenvolve pela inclusão tecnológica de hoje. Temos ainda a medicina "vibracional"
(Richard Gerber) onde são levadas em conta as estruturas extra-físicas do homem
e com tratamentos que já estão disponíveis, como por exemplo a acupuntura,
a homeopatia, entre outras. Nesse sentido, podemos dizer que os centros
espíritas são postos de saúde, onde já se pratica a medicina do futuro,
preocupando-se com os conceitos morais e espirituais, promovendo a reforma
íntima e ministrando a fluidoterapia por meio dos passes, da água fluidificada
e da desobssessão para um adequado apoio ao enfermo.
TE - A Experiência de quase-morte é um fenômeno divulgado até
pelo cinema. As EQM são comuns? O que as caracteriza? Que contribuições o seu
estudo traz?
DI - As
EQMs são muito mais comuns do que se imagina, acho que a porcentagem mais
fidedigna que temos com relação à sua ocorrência é aquela encontrada pelo
trabalho do Dr. Van Lommel e que gira em torno de 12% dos que tiveram morte
clínica. A característica principal é que os paciente se lembram com nitidez de
vários eventos ocorridos durante o período em que seus cérebros estavam inertes
e, principalmente, que esta experiência lhes é muito real e lhes transforma
a maneira de ver a vida, tornando-as pessoas mais tranqüilas e
equilibradas. A contribuição deste estudo é, inegavelmente, a conclusão de que
a mente é independente do cérebro, a chamada dualidade cérebro-mente, conceito
muito combatido pelos materialistas e que nos conduz inevitavelmente ao conceito
da reencarnação.
TE - Muitos grupos espíritas costuma visitar hospitais e
utilizado a fluidoterapia nos pacientes que se mostram receptivos. Qual sua
opinião sobre a utilização da fluidoterapia como tratamento complementar?
DI - É
fundamental. A fluidoterapia traz resultados significantes e os
pacientes que a aceitam não podem ser privados disso, acho que além de
desejável, é quase que uma obrigação dos espíritas disponibilizar este tipo de
tratamento aos doentes.
TE - Como o senhor vê o atual estágio da Terapia de Vida Passada
(TVP)?
DI - É
outra terapêutica importantíssima, mas só deve ser realizada por um profissional
devidamente treinado e com uma indicação terapêutica precisa. Vejo com muita
apreensão o uso deste tipo de procedimento como uma experiência para
satisfazer a curiosidade. A TVP é outra evidência científica da
reencarnação, principalmente após o trabalho do Dr. Julio Perez com o SPECT
(técnica de diagnóstico de neuroimagem funcional), mostrando que as
experiências são realmente lembranças e não alucinações.
TE - A reencarnação é um conceito bem aceito, inclusive entre os
seguidores de correntes religiosas não reencarnacionistas. A que o senhor
atribui este fato?
DI - A
reencarnação, assim como a noção da existência de Deus são conceitos
intrínsecos do ser humano, ou seja, temos esta consciência inata que muitas vezes
é suprimida pela cultura vigente em nosso meio social.
TE - O que a Doutrina Espírita trouxe para sua vida?
DI - Uma
revolução. Sinto-me muito feliz e realizado em todos os setores da minha vida,
além de poder estar discutindo estes assuntos no meio acadêmico, mas acima
de tudo, poder estar trabalhando para vencer as minhas inúmeras limitações com
mais serenidade, pois sei que posso contar com a espiritualidade, desde que eu
esteja receptivo a ela.
TE - Quais os projetos que o senhor está desenvolvendo
atualmente?
DI - Tenho
um terceiro livro já pronto, em processo de finalização na editora, ele trata
justamente de temas como os discutidos nesta entrevista, além disso estamos
desenvolvendo duas linhas de pesquisa na UNISANTA, dentro do curso de extensão
universitária que a AME-Santos desenvolve lá. A primeira é sobre as alterações
fisiológicas da mediunidade e a segunda é sobre fluidoterapia em plantas e
pequenos animais.
TE – Em que estágio se encontram estas pesquisas?
DI - Ainda
estamos em uma fase inicial em ambas as linhas de pesquisa: Sobre a
fluidoterapia, estamos terminando um experimento que mediu a germinação de sementes
de dois grupos, um regado com água normal e outro com água fluidificada no
centro espírita, os resultados estão sendo analisados estatisticamente. Este
mesmo modelo com sementes deve ser feito para passes e oração. Uma de nossas
alunas do curso de extensão da UNISANTA, é bióloga e esta preparando um experimento
com peixes ornamentais sob ação do passe, medindo alterações de comportamento
de procriação.
Com relação à fisiologia da mediunidade estamos traçando um perfil de sintomas
percebidos por médiuns antes, durante e após o transe mediúnico, para em um
segundo tempo, medir as alterações fisiológicas.
Infelizmente não tenho resultados para lhe adiantar, mas estamos trabalhando
para isso
TE - Pediríamos que o senhor deixasse sua mensagem final.
DI - Acho
que devemos buscar, cada vez mais, pela ciência, a explicação daquilo que ainda
chamam de "misticismo", devemos usar a ciência como arma poderosa
para transformar a sociedade tornando-a mais tolerante e mais solidária, mas
não podemos nos esquecer que a fé é elemento fundamental, e esta vem do
coração, não do cérebro, por isso a doutrina espírita é maravilhosa, pois
permite juntarmos em um só pensamento a ciência, a filosofia e a religião.
Vamos abrir nossas mentes e nossos corações para acompanhar esta grande
mudança que se opera em nosso planeta.
TE – Obrigado.
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