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Entrevista com o médium Florêncio Reverendo Anton Neto

 

                   O bahiano Florêncio Reverendo Anton Neto, Pedagogo, Terapeuta em Regressão a Vidas Passadas, e atualmente acadêmico em Psicologia é um entusiasmado divulgador da Doutrina Espírita. Médium de psicopictografia (pintura mediúnica), Florêncio tem levado, através das pinturas e das palestras, o Espiritismo para todo o Brasil e para vários países do mundo.

Com mais de 16.500 telas pintadas, através de suas mãos, mestres como Rembrandt, Monet,  Van Gogh e Matisse voltam a criar belas telas, também através deste trabalho são conseguidos recursos para a manutenção do trabalho de
assistência social do Grupo Espírita Scheilla por ele fundado em 1999.

                   A equipe da Terra Espiritual entrevistou Florêncio, que vai estar no Ceará de 10 a 17/07/2004 para uma série de palestras e demonstrações de pintura mediúnica e abaixo, reproduzimos a conversa:

 

TE - Florêncio, você tomou contato com o Espiritismo muito novo, como foi esta descoberta?

FN - Desde aproximadamente oito anos de idade comecei a sentir a aproximação dos Espíritos. À noite estando já à cama dormindo, acordava de inopino sem contudo conseguir mover o corpo físico, embora a lucidez,e, nestes momentos, sentia pessoas se aproximarem algumas vezes lamentando fatos de suas existências, de outras amedrontando-me. Sem obter as respostas dos meus pais, para a sintomatologia que apresentava, um dia, já aos doze anos,encontrei “ao acaso” o Evangelho Segundo o Espiritismo no guarda-roupas de minha mãe e naquele momento um novo horizonte se delineou ante meus olhos.

TE -  Qual foi a reação da sua família diante da sua mediunidade e da sua decisão de se tornar espírita?

FN - Meus pais não aceitaram a possibilidade de contato, de minha parte, com Espíritos. Afirmavam que eu era uma criança medrosa e meu pai, a partir de uma ótica conservadora, inflexível obrigava-me a dormir sozinho, no escuro, resvalando aos velhos jargões que imperam em nosso organismo social em que um deles afirma: “homem não tem medo.”Estudava em um Colégio religioso e evidentemente fui buscar algumas respostas encontrando apenas o argumento de que “aquilo” me sucedia pelo fato de que eu não era batizado.
Diante ,portanto, de tanta incongruência e já familiarizado com o fenômeno, busquei, secretamente, um Centro Espírita na cidade de Tobias Barreto, Sergipe, começando a construir entendimento sobre o fenômeno de que era portador.

TE - Após o início das atividades de psicopictografia (pintura mediúnica) você procurou estudar ou fazer algum curso de artes para facilitar a atuação dos espíritos?

FN - O surgimento da psicopictografia deu-se no dia 21 de dezembro de 1990, contava com 17 anos de idade. O Engº  Manoel Messias Canuto Oliveira acompanhou o desenrolar desta mediunidade e ofereceu-me, como pesquisador, a prudência e o bom senso necessários para o exercício de tarefa muito delicada.Os Pintores sempre nos pediram o afastamento dos cursos de pintura e desenho não sendo para mim difícil, já que nunca desenvolvi o gosto pelas artes plásticas. Deixo claro que os médiuns somos individualidades e o fato mediúnico não se produz pelas mesmas vias em diferentes médiuns exatamente por conta de termos histórias diferentes, compromissos diferentes, estruturas cognitivas e afetivas também diferentes. Dessa forma podemos encontrar médiuns pintores que sabem desenhar e pintar, o que não invalida o fenômeno.

TE - Você tem viajado por vários países levando este trabalho, como tem sido a aceitação das pessoas ao seu trabalho e ao Espiritismo?

FN - Os brasileiros são um povo privilegiado na sua estrutura sócio-cultural pela crença fácil na existência dos Espíritos o que não acontece com o povo europeu, com algumas exceções , é claro.  Estivemos já este ano, na Suíça, Itália , Espanha e Alemanha estando por cumprir uma programação em Portugal e Estados Unidos da América e a pintura dos Espíritos tem servido como elemento de comprovação da comunicabilidade e sobrevivência da Alma, desarrumando o sistema de crenças dessas pessoas e abrindo espaço para a construção de uma consciência voltada para a Espiritualidade. Fizemos encontros com pesquisadores não-espíritas em Figueira da Foz, Portugal, resultando em um documento onde eles afirmam que “está humanamente impossível desenvolver de olhos abertos o que o Sr. Florêncio desenvolveu de olhos fechados”. A aceitação, portanto tem superado nossas expectativas.

TE - Você acredita que o Espiritismo vai criar estruturas sólidas nestes países?

FN - Já criou. O processo de iluminação de consciências é muito lento mas isto não significa entrega á inoperância. Temos encontrado Movimentos Espíritas sólidos a exemplo de Portugal, dirigido pela Federação Espírita Portuguesa na pessoa do amigo e irmão Arnaldo Costeira onde tivemos oportunidade de apresentar a pintura para um público de mais de 600 pessoas além da Alemanha, Espanha e Suíça e , em fase de estruturação a Itália.

TE -  Em função do maravilhoso trabalho que os espíritos realizam através de você é natural que exista um assédio. Como você faz para manter o equilíbrio?

FN - Sinceramente, ainda não percebi este assédio, mas digo que orar e vigiar serão sempre ações de grande prudência.

TE - Este trabalho ajuda na manutenção do Grupo Espírita Scheilla. Como nasceu a idéia de criar este grupo e quais as atividades desenvolvidas nele?

FN - Todos os recursos hauridos com a venda dos quadros são destinados na integralidade às obras sociais. Quando somos convidados por outros núcleos Espíritas compartilhamos os recursos obtidos de tal maneira que é a pintura mediúnica que sustenta e impulsiona nossas obras. O “Scheilla” surgiu do  desejo de construir um grupo onde as pessoas não se desvinculassem do sentimento de família e sobretudo da idéia de que devemos promover o homem na sua multideterminação. Por isso, além das atividades rotineiras de uma Instituição Espírita com reuniões mediúnicas e de educação da mediunidade, palestras públicas, passes, mocidade, evangelização infantil, grupos de estudo oferecemos acompanhamento pedagógico a crianças com dificuldades na escola, apoio alimentício a famílias abaixo da “ linha de pobreza” e , quando os outros blocos estiverem construídos, teremos instalados serviços de atendimento psicológico, medico-odontológico, jurídico e pedagógico gratuitos, cursos profissionalizantes, gráfica e editora além do Lar Vera Lucia afim de poder atender em regime de semi-internato a 40 crianças e 12 idosos, inicialmente.

TE -  Apesar de por todo o Brasil as casas espíritas realizarem trabalhos assistências e de renovação moral maravilhosos o movimento espírita cresce de modo tímido. Na sua visão, qual a razão disso?

FN - Peço permissão para discordar. Somos a maior nação Espírita do mundo.Talvez necessitemos desenvolver a atitude de respeito às diferenças numa busca constante do cumprimento das máximas Cristãs. Dessa forma, evitaríamos as famosas rusgas que tanto contribuem para o desgaste do Movimento mas nunca da Doutrina.

TE - Como você vê o futuro do Espiritismo?

FN - Da mesma forma que Kardec: “O Espiritismo será o que dele fizerem os homens”.

TE -  O que mudou na sua vida após a Doutrina Espírita?

FN -  Posso dizer que a minha vida está dedicada ao Espiritismo de maneira que tudo que eu sou hoje, os amigos que conquistei, encarnados e desencarnados, as cidades que visitei, as conquistas intelectuais se devem ao encontro com a Doutrina.

TE - Qual a sua expectativa em relação a esta jornada de atividades no Ceará?

FN - As melhores possíveis. Percebi, através do amigo Alessandro do Grupo Os Mensageiros, de Aracati, uma demonstração de confiança em nosso trabalho embora a distância física, o que penso ser partilhada por todo o Ceará Espírita.

TE - Quais são seus projetos atuais?

FN - A construção do segundo bloco da Comunidade Maria de Nazaré da qual o Grupo Espírita Scheilla é o órgão gerenciador.

TE - Pediríamos que você deixasse sua mensagem final.

FN - Não é minha a mensagem. Estando muito preocupado, certa feita, lembrei-me da oração. No momento da prece Scheilla aparece-me infundindo-me palavras como paciência, coragem, fé. Na minha inferioridade moral, disse-lhe que  somente dizia aquilo por se tratar de um Espírito Superior e perguntei: Acaso a Sra. Pensa que a vida é um mar de rosas? Ela me respondeu: “Meu filho, a vida é sim um mar de rosas, resta-nos apenas o cuidado de transformar os espinhos em seguros degraus que nos conduzirão a Deus”. Emudeci.

TE – Obrigado.

 

 

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

  

 

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