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Advogado,
médium,
expositor, articulista de vários veículos
de divulgação espírita, colaborador do Centro
Espírita Leon Denis, idealizador e coordenador
da Sala Filosofia Espírita no Paltalk, Raimundo
de Moura Rêgo Filho é um incansável trabalhador
da Seara Espírita. Com uma capacidade de
comunicação fácil, Moura Rêgo consegue transformar
o assunto mais complexo em um tema de fácil
compreensão.
A
equipe da Terra Espiritual conseguiu pegar
Moura Rêgo num dos intervalos das suas várias
atividades e o entrevistou. Abaixo, reproduzimos
a conversa:
TE - Como o senhor descobriu sua mediunidade?
RMR -
Bom dia.
Meu amigo, ela me descobriu,
não o contrário. Certo dia, ainda com 13 anos de idade (perto da era diluviana
claro rsrsrs), ao assomar a janela do apartamento onde morava em Copacabana, no
Rio de Janeiro, comecei a divisar, algumas formas que a princípio julguei serem
de amigos meus que moravam no prédio em frente. Na verdade eram espíritos, mas
naquele tempo eu não acreditava nisso de espíritos. Como a coisa continuou,
passei a pensar em gozação dos colegas, pois a turma não era fácil. Assim o
tempo foi passando até que alguns deles se identificaram e ai tive a certeza...
Só podia estar maluco mesmo.
Então, uma amiga que freqüentava
uma Irmandade espiritualista, me levou a esta agremiação isto já bem
depois, já estava eu com 17 anos, dos 13 até os 17 não dei bola mesmo, embora
as visões fossem freqüentes e os ensinamentos constantes, o que me perturbava
muito, pois desconhecedor do assunto e não crendo no mundo espiritual, ficava
mesmo difícil entender o que se passava. Mas bem, chegando lá o Diretor
Espiritual após a reunião terminar, me pega pelo braço e em meio àqueles
médiuns incorporados, me pergunta o que eu tinha achado de toda a reunião.
Tentei sair de lado e não responder, primeiro porque tinha me acontecido de
sair saltitando de um jeito esquisito, e consciente do que fazia tentava parar
e não conseguia, aquilo me fez ficar desconsertado mas ainda não acreditava que
pudesse ser médium. Mas o diretor tanto insistiu que pedindo desculpas eu arrematei:
Olha Meu amigo, já que você insiste... vejo, aqui em cima, uma porção de embusteiros
e lá embaixo, outra porção igual de pessoas que querem e gostam de serem
enganadas, só isso. Devo dizer, que na semana seguinte estava de volta lá para
tirar a limpo, e semanas, meses, anos, 22 anos meu amigo passei lá a tirar a
tal prova real (hehehe). Assim me descobriram médium.
TE - Como foi que o senhor iniciou os seus estudos espirituais?
RMR - Iniciei
na Umbanda Iniciática, pouco conhecida no Brasil, esta Umbanda muito pouco tem
com a Umbanda tradicional de velas marafos e charutos. É mais para estudos
iniciáticos sobre o mundo espitritual. Após esses 22 anos, meu Pai na Umbanda,
começa a me apresentar os livros de Allan kardec, sugerindo-me que os
estudasse. Foi um Deus nos acuda! Estudar aquela panacéia?Logo eu que gostava
das brigas entre as forças? Não... aquilo não era para mim.
TE - Por que o senhor resolveu migrar para o Espiritismo?
RMR - E
assim se passaram 8 anos até que por fim, cheguei à iniciação no Espiritismo.,
numa casa espírita do subúrbio do Rio de Janeiro, em Bento Ribeiro, chamava-se
Centro Espírito Israel Barcellos, hoje dependência do CELD, Centro Espírita
Leon Denis, também em Bento Ribeiro. Assim, continuei, agora com maior afinco
os estudos doutrinários, e hoje apos 23 anos de doutrina dos espíritos, acredito
que ainda sou um iniciante faltoso.
TE - Que diferenças o senhor destacaria entre o exercício da
mediunidade na Umbanda e no Espiritismo?
RMR - Algumas.
Vejam que a Umbanda situa-se no campo do espiritualismo, campo imenso e de
muitas crenças. A umbanda trabalha com as forças da Natureza, essas têm , cada
uma delas uma plêiade de divindades, coisa que a doutrina não prevê.
No Espiritismo, o estudo
doutrinário é o matiz de maior importância, enquanto que na maioria das casas
espiritualistas isso não acontece. Outro fator de diferenciação é a questão dos
trabalhos materializados (materializados quer dizer: aqueles que muitos chamam
de despachos), oferenda às divindades, outro ponto distante da doutrina.
Devo dizer, que respeito admiro e até hoje sou de uma imensa gratidão à Umbanda
por tudo que me ensinou e por tudo que me fez ser no hoje em que estou
espírita.
TE - Qual a reação da sua família quando o senhor resolveu ser
espírita?
RMR - Bem,
minha família que já me tinha atirado água benta no rosto quando de uma
incorporação de uma preta velha em casa dos meus pais( sou de origem católica,
minha mãe era da congregação das Filhas de Maria), neste ponto de minha caminhada
e ciente da minha modificação quando ainda pertencente a Umbanda, nada mais
falou, sabiam que havia escolhido o meu caminho.
TE - Que contribuições a Doutrina Espírita trouxe para sua vida?
RMR - Muitas,
a começar pela minha modificação estrutural, sempre fui um cara muito estouvado,
ríspido e brigão. O protótipo do machão. Desde a Umbanda as entidades vieram me
fazer conhecer a verdadeira macheza, a de ser apenas homem, sem querer ser mais
do que ninguém e respeitando os limites dos outros e os meus. Com a minha
chegada à Doutrina dos Espíritos essa modificação passou a ser mais incentivada
no campo moral, e o aprendizado, até hoje é ininterrupto. Sou hoje pessoa muito
diferente daquele que aos 17 anos disse ao espírito que naquele local existiam
somente os vivaldinos que queriam enganar aos bobões que ali iam. Penso muito ,
reflito antes de emitir um comentário, e quando o faço, mesmo em minha vida
profissional, ele vem pautado na doutrina. Vivo estar espírita mas luto para
ser Espírita, sim porque apesar das muitas pessoas que louvam o estar o difícil
é ser espírita, Estar, o verbo, para mim está mais para o ter enquanto
Ser, o verbo, vem a caráter, demonstrar que ser só se chega a entender
pela prática do Bem do Bom e do Belo, da caridade em sua plenitude.
TE - Quais os desafios que o Espiritismo lhe trouxe?
RMR - Na
verdade não me trouxe desafios, trouxe-me possibilidades de novas conquistas.
Assim hoje além do meu trabalho como advogado, coordeno um trabalho de mais de cinco
anos na Internet, na Sala Filosofia Espírita, que o meu amigo já teve o prazer
de conhecer. Nela estudamos as Obras Básicas, e trazemos entrevistados e
palestrantes para nos brindarem com sua sabedoria. Ajudo em mais 4 salas
espíritas também na Internet, levando o Estudo do Livro dos Espíritos do Evangelho
Segundo o Espiritismo e o do Livro dos médiuns nas mesmas, além de participar
dos estudos das outras salas. Freqüento o CELD e nele estou com um grupo
de Espíritas no IRC no qual já estou por mais de seis anos, e ainda freqüento o
Centro Espírita Cristófilos, também no Rio de Janeiro, e quando me chamam nunca
disse um não. Acredito que meu maior aprendizado é estar a divulgar a doutrina
em qualquer lugar, Mas não considero isso o desafio, considero uma oportunidade
de servir.
TE - Que recomendações o senhor daria a quem deseja conhecer a
doutrina?
RMR - Estudem
as Obras Básicas. Meus irmãos, tenho notado uma imensa inversão de valores no
cenário do Movimento Espírita Brasileiro. Hoje em dia dá-se mais valor à
palavra desse ou daquele espírito em detrimento da palavra do codificador.
Lembro que o que nos trazem os livros da codificação é robustecido pelo
CUEE(Controle Universal do Ensino dos Espíritos), tal meio de validação empresta
à palavra de Kardec a corroboração de uma plêiade de Espíritos de Escol,
que o acompanhou por todo o trabalho de nascimento da doutrina.
O que este ou aquele Espírito
fala, por mais correto que nos parece deve ser analisado diante da codificação,
pois Explica Kardec: "Não sendo senão as almas dos homens, não têm os
espíritos nem a soberana Ciência nem a soberana sabedoria. Suas opiniões
não são senão o produto de suas opiniões pessoais..." Isso nos mostra
que havemos de estar cotejando tudo pelos livros de doutrina e só aceitando o
que está em completo acordo para com eles.
TE - Por que no Brasil vemos o predomínio do aspecto religioso
da doutrina sobre os demais?
RMR - Somos
a miscigenação de várias raças. Um povo que sofreu a influência de várias
culturas. Isso é bom, torna-o mais aberto ao novo, mais em possibilidade de
entender o que muitos outros povos, desconhecem. Em contra partida, o cunho
religioso ainda nos pesa muito às costas. Não é difícil vermos espíritas
querendo trazer à doutrina dos Espíritos a visão de religião. É um erro,
Espiritismo não é uma religião. Kardec nunca quis fazer da doutrina uma nova
religião e diz isso no diálogo com o padre no livro "O que É O
Espiritismo", que muitos nem sabem que faz parte da codificação e está
elencado entre as Obras Básicas. Então fica fácil explicar-se esse fato,
originado mais das vezes na falta de apuro doutrinário.
TE - Existe uma polêmica antiga, referente ao incentivo que a
FEB dá ao estudo de Roustaing. Qual sua opinião sobre essa situação?
RMR - Sou
contrário visceralmente a este tipo de estudo conjugado. Veja que entra
para a casa espírita e começa os cursos, não sabe da matéria nem o B a Bá. como
fazê-los entender então, duas doutrinas que nada têm em comum senão a
intervenção do mundo espiritual no mundo material? Ora, isso a Umbanda também
faz, todos as filosofias espiritualistas o fazem, não se pode nem retirar as outras
religiões deste cenário pois sabemos que a mediunidade não é restrita somente
aos espíritas ou aos espiritualistas. Logo, e em sendo a doutrina haurida de um
médium somente, e sem a validação de um CUEE, natimorta em seu berço de origem,
a França, não pode ser imposta sim imposta ao Movimento Espírita.
Impor é ir-se contrariamente ao disposto pelos espíritos, que não nos impuseram
nada .
TE - Além das obras de Kardec, que outros livros ou autores o
senhor recomendaria para quem deseja estudar o Espiritismo?
RMR - Recomendar
livros é uma grande responsabilidade, há no cenário espírita muito pouco
aprendizado básico e sem a base que é o sustentáculo maior da doutrina não se
pode pensar em aprender algo sem o perigo de cometermos erros de interpretação. A
doutrina é coisa séria e grave e como tal deve ser estudada. Eu, por força de
responsabilidade com a doutrina só indico os livros de Kardec. Assim corro
menos risco de estar iniciando um novato em conclusões precipitadas e tendentes
ao erro.
TE - O senhor acha que o movimento espírita se divulga
adequadamente?
RMR - Enquanto
Movimento Espírita, faz o que pode. Poucas são as casas espíritas, pelo menos
no Rio de Janeiro, que fazem o que o codificador indicava como correto: a
inter visitação, sim aquela coisa de uma casa visitar os estudos de outras e
assim promover-se um intercambio de aprendizado. Algumas há que parecem formar
"time contra"à demais, não entendo o porque disse e aduso que seja
mais pela vaidade e orgulho de seus presidentes que tal fato aconteça. Enquanto
FEB, acredito que a divulgação poderia ser verificada com muito maior amplexo,
e abrangendo todas as mídias. Falta, a meu ver, vontade. Acredito que coma
gestão do Nestor Mazoti, essa coisa virá a ser dissipada, esperemos para ver.
O conhecimento espírita tem
como principal veículo de propagação a literatura. Num país onde poucos têm
acesso aos livros, e muitos não sabem ler, isto não é um empecilho ao
crescimento do Espiritismo? Quais as soluções?
Com certeza que o é. Mais
ainda quando a divulgação também erra ao não explicar o que vem a ser
uma Obra Espírita. Estou acostumado a explicar e isso à muitos, que
existem diferenças inimagináveis entre obras Espíritas e obras espiritualistas.
Obras psicografadas por Espíritos visando a doutrina dos Espíritos e obras
simplesmente psicografadas por espíritos sem objetivo maior que o enriquecimento
do autor encarnado.
TE - Qual sua visão sobre o futuro da Doutrina Espírita?
RMR - Por
mais que falem os "divulgadores das catástrofes e flagelos"como
cognominei aqueles irmãos de ideal espírita(!?), que vivem a anunciarem a morte
da doutrina, ela VAI BEM OBRIGADO!!!!! Crescendo e hoje em dia com uma preocupação
maior e séria em seu aprendizado. Hoje em dia, a maioria dos grupos jovens já
largou o violão e as musiquinhas insossas, para estudarem as obras básicas e as
têm dito muitas vezes aos diretores de estudos quando estes erra em
interpretações. É a vez dos jovens meu amigo, fico emocionado quando vejo esses
acontecimentos.
TE - Como surgiu a idéia de iniciar um grupo de estudos na
internet?
RMR - Eu
já participava de um grupo, o IRC-ESPIRITISMO desde seis anos atrás, tendo
no IRC, um programa de chat digitado. Tendo um amigo me chamado a integrar um
corpo de coordenadores de um programa em que a voz era o novo elemento.
Aceitei, e a coisa se alargou de tal maneira que fundamos, no Paltalk, a Sala
Filosofia Espírita, visando as colônias de brasileiros radicados fora do país.
Qual não é hoje, nossa felicidade por termos irmãos de doutrina portugueses a
coordenarem um de nossos estudos e mais outros, de língua espanhola, a
nos acompanhar de Honduras, Chile, ou do Paraguai, Argentina. Isso antes de nos
envaidecer nos aponta o caminho do maior estudo e da maior responsabilidade no
que colocamos em nossas falas e explicações doutrinárias. Na sala Filosofia Espírita,
costumo dizer: "aqui a bronca é livre", como a estimular a todos a
participarem, convergindo ou divergindo das colocações feitas por qualquer dos
coordenadores dos estudos. Sim porque nossos estudos são interativos. Todos
aqueles que assim o quiserem poderão lançar mão do microfone e falarem sobre o
ponto estudado. A início a idéia me pareceu como uma quimera, mas hoje a
realidade nos mostra que acertamos em cheio e já ajudamos a outras salas a se
iniciarem na Internet.
TE - Os frutos desta iniciativa estão sendo satisfatórios?
RMR - Demais!
Enche-nos de alegria ao vermos uma pessoa de Honduras, subir ao microfone e som
seu sotaque característico explanar sobre a doutrina. É de alegria imensa para
nós da Sala Filosofia Espírita, vermos repletas as outras salas espíritas a
quem chamamos de salas de complementação, quer dizer, uma complementa a outra
dando-nos a idéia de coesão doutrinária e fraterna irmandade. Se mais não
estivéssemos a ver, já nos sentiríamos regiamente bem pagos.
TE - Que outras atividades o senhor desenvolve atualmente dentro
do movimento espírita?
RMR - Rapaz,
você quer me levar pro Umbral? Dilatando a minha vaidade? (risos).
Bem além das salas onde
coordeno estudos, faço dentro do pouco tempo que me resta, porque não é fácil
trabalhar-se na Internet e com espiritismo, A maioria dos palestrantes
desconhece esse nicho, fica preocupada em entregar seu nome a uma brincadeira
sem conseqüência. Mas quando aceita, como no caso do altivo Pamphyro, diretor
do CELD, que em minha casa esteve para palestrar à Sala, sai prometendo voltar.
alias, este o caso do meu amigo Carlos de Brito Imbasshy, que começou com uma
palestra memorável e hoje é coordenador de dois estudos da Sala Filosofia
Espírita. O sobre fenômenos paranormais, e o do livro "A Gênese - Os
Milagres E As Predições Segundo o Espiritismo -". Assim perdemos muito
tempo a encontrar novos palestrantes como foram os últimos :
Luciano dos Anjos e a seguir o pastor Nehemias Marien, alcunhado de "O
Pastor Espírita" este ainda por aparecer isto que seu computador deu pane.
Fora isso as palestras e por vezes a divulgação pela Radio Rio de Janeiro
que sempre tem para conosco uma fraternidade e consideração muito grande
em nos chamar à entrevistas fazem com que o pouco tempo que me resta, seja
por vezes nenhum o que faz os filhos e esposa reclamarem um pouco(risos). Mas
eles entendem...
TE - Quais são seus projetos para o futuro?
RMR - Meu
projeto é levar os estudos da Sala Filosofia Espírita para a mídia radiofônica,
num primeiro passo. Ando de procurar patrocinadores entre os super mercados
farmácias e drogarias, assim como vídeo locadoras, mas com a crise a
coisa anda devagar, mas não desisto. Nada nos chega fora do tempo. Quem sabe,
na hora certa passamos estar pelo menos num canal a cabo, pela TV? É um sonho,
mas acredito nele.
TE - Pediríamos que o senhor deixasse sua mensagem final.
RMR - Amigos
de ideal Espírita.
A hora e o tempo são chegados.
Trabalhem vigiem e orem, ajudem com denodo e fraterno amor. Por certo o
caminho não nos será fácil nem largo, mas com coragem, dedicação e fé
raciocinada, haveremos todos nós de saber nos conduzir diante das agruras pelas
quais, possamos ir a passar. Provas, expiações? Não meus manos, apenas
ferramentas de nossa própria reformulação, artífices que somos, de nossa
alegria e triunfo, ou de nosso jazer estagnado em dor.
Confiemos e sigamos em frente,
esta a mensagem dos Espíritos.
Muita paz! TE – Obrigado.
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