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Criado
em 1989, a partir de uma iniciativa da Mocidade
Espírita Joanna de Ângelis, o Grupo AME
- Arte e Música Espírita, vem desenvolvendo
ao longo desses anos um belíssimo trabalho
de divulgação da Doutrina Espírita através
da Música. Aperfeiçoando a cada dia suas
atividades, o grupo conta atualmente com
19 integrantes e está engajado na conclusão
do projeto Castelo da Paz de apoio, educação
e evangelização de crianças carentes.
A
equipe da Terra Espiritual conversou com
Franz Beno, Aline Viana, José de Castro
e Regina Kinjo, integrantes do grupo e abaixo
transcreve a entrevista:
TE - Aline, Como nasceu o Grupo AME?
AV - Ele nasceu
da mocidade espírita Joanna de Ângelis, onde fazíamos estudos, visitas a
orfanatos, asilos, além de várias outras atividades. Dentro dessa mocidade nós
criamos uma coordenadoria de arte e música espírita e com o desenvolvimento
dessas atividades fomos ganhando autonomia até que formamos o grupo.
TE - Como é o processo de criação das músicas?
AV - Geralmente
a criação dentro do grupo é feita pela Gleika (Veras) ou pelo Tarcísio Lima, ou
então, quando conhecemos algum grupo de outra cidade do qual gostamos,
incorporamos algumas músicas do repertório deles.
TE - E como vocês escolhem as músicas que vão compor um CD?
AV - Todas as
vezes que vamos fazer a gravação de um CD, preparamos uma grande lista com a
opinião de todos os integrantes do grupo. A partir daí, passamos a analisar a
base doutrinária de cada texto. Este é o critério principal. Depois vamos
eliminando as músicas até que restem apenas aquelas que possuem base
doutrinária mais sólida, porque o compromisso do grupo é a divulgação da Doutrina
Espírita.
TE - Franz, como você se interessou em participar do Grupo
AME?
FB - Eu sempre
tive uma inquietação, desde que conheci a Doutrina Espírita, em divulgar o
Espiritismo, e nós sabemos da dificuldade. Mas eu não queria que fosse uma
coisa piegas, de ficar chamando as pessoas, tentando convertê-las. Então a
proposta do grupo, que foi o que mais me interessou, foi divulgar a doutrina
através da música, da arte, que é uma forma bela e que não só divulga, mas leva
a reflexões, a mudança de postura, a melhoria de conduta. E foi isso que mais
me interessou. Mas eu sempre gostei de música. Não sou cantor, nunca cantei nem
no banheiro (risos), mas me identifiquei muito com o trabalho, com a proposta
do grupo e hoje, já consigo cantar e ter essa postura de palco, mas não com oo
objetivo de ser cantor ou obter autopromoção, mas sim de promoção da Doutrina
Espírita, da arte espírita.
TE - E como você percebe a resposta do Público?
FB - Olha, do
público espírita há duas posturas: Uma parte das pessoas vê o grupo como
entretenimento, mas quando ouve o grupo elas não só se entretêm, elas percebem
que tem uma mensagem, um fundo moral. Como nas palestras, como nos livros,
porque as letras do grupo sugerem esse conhecimento, esse despertar para uma
consciência bem maior, de construção. Então eu percebo as pessoas que vêem o
grupo como entretenimento e aquelas que enxergam o grupo como mais uma das vias
de conhecimento da Doutrina Espírita, sendo que, quem vê como entretenimento,
vê só no primeiro momento, depois percebe algo mais, por exemplo: No CD Parnaso
de Além Túmulo, que é tirado do livro homônimo de Chico Xavier existem uma
poesias mais eruditas e com um fundo moral belíssimo. Quando se escuta pela
primeira vez pode chocar o ouvido porque, às vezes, a linguagem é um pouco mais
rebuscada, mas quando você vai escutando e absorvendo aquele conhecimento,
aquela melodia, que é de qualidade, você se apaixona. Em alguns momentos os
CD's do grupo não se tornam muito populares, porque o nosso objetivo não é só
agradar, é despertar as pessoas para a Doutrina Espírita, para essa boa nova,
que nós acreditamos, possa mudar muita coisa na humanidade.
TE - José, como é para você transmitir a Doutrina Espírita
através da música?
JC - Ah! É
gratificante! É muito, muito bom. Principalmente porque é uma forma de passar a
doutrina de maneira objetiva, clara e
com emoção. Então você consegue juntar tudo. A fome com a vontade de comer. A
música fala sobre as mensagens do Cristo com emoção, leva as pessoas a
refletirem sobre o seu dia-a-dia. Porque a música tem essa magia, esse poder de
tocar lá dentro. E nós viajamos muito e algumas pessoas já vieram relatar o que
a música é capaz de fazer, o que a música fez por elas. Não falo só das músicas
do grupo, mas citando como exemplo, certa vez uma pessoa chegou até nós e disse
que num momento delicado da sua vida uma música nossa tocou-a, ajudou-a, então
isso ajuda a gente e faz com que a gente se mova mais ainda. Por isso que a
gente está aí há 15 anos e pretendemos ficar mais 15 e mais 15 e mais 15 e por
aí vai.
TE - Como é a rotina de ensaios?
JC - Normalmente
nós ensaiamos aos domingos na Federação Espírita, das 15:00 às 19:30. Isso numa
época normal, sem gravação de CD's e sem ensaios para shows. Quando estamos com
um show pronto fazemos ensaios apenas de manutenção, a parte instrumental e
vocal. Quando nos estamos gravando um CD, nós ensaiamos no meio da semana.
Fazemos ensaios separados por naipes. Por exemplo: Eu e o Expedito, que somos
baixos, ensaiamos separados, as contraltos ensaiam separado, os tenores ensaiam
separados e etc. No dia do ensaio principal, junta todo mundo e só depois vamos
gravar. Agora que nós estamos ensaiando para um show, realizamos ensaios às
segundas, quartas e sextas, das 22:00 até meia noite e nos sábados das 18 até
as 22:00 e domingos das 15:00 até as 19:00. Mas esse pique é só em época de
show(risos). Algumas pessoas comentam: Ah! O horário de vocês é muito louco!
Mas é o horário possível, porque todos têm os seus afazeres: faculdade,
trabalho, então marcamos num horário que dá para todo mundo vir.
TE - Regina, o que é o projeto Castela da Paz? E quais os
objetivos desse projeto?
RK - O projeto
Castelo da Paz e uma atividade que o grupo AME desenvolve lá na Pajuçara, no
conjunto Bandeirantes, perto de Maracanaú (a cerca de 30 km do centro de
Fortaleza) com crianças carentes. É um trabalho de evangelização com arte.
Estamos agora começando com um coral e no futuro, com mais recursos,
pretendemos oferecer educação artística para as crianças. Lá trabalhamos com
crianças muito carente, necessitadas de comida, de material de higiene pessoal.
São crianças com piolhos, problemas de pele, dentes cariados e nós estamos procurando
apoio para oferecer tanto alicerce espiritual, com educação moral do Evangelho
de Jesus Cristo, como também ajuda material. Nós damos sopa logo após a
evangelização. É um sonho que nasceu no grupo e nós estamos trabalhando para
levar em frente.
TE - Qual a sensação de ver as crianças evangelizadas,
transformadas?
RK - Não 'da
para explicar em palavras. Há muitas crianças que chegam lá revoltadas, falando
palavrões. As primeiras que elas vão lá batem umas nas outras e com o passar
das semanas (as atividades acontecem uma vez por semana) nós vemos claramente
elas ficando mais calmas, elas falando obrigado, desculpa, falando em Deus,
fazendo prece. Teve uma criancinha, eu evangelizo crianças de 3 a 6 anos, e uma
delas disse: "tia, eu quero fazer a prece hoje."(emocionada). Ver o
sorriso delas no final das aulas é uma coisa assim, é o pagamento
TE - Neste 15 anos do Grupo AME, quais as principais
realizações e o que ainda falta fazer?
FB - No começo,
há 15 anos atrás, quando foi gravada a 1ª fitinha que as pessoas puderam
escutar as nossas vocês, cantando a Doutrina Espírita, foi um momento de grande
alegria. Isto era o que na época a tecnologia oferecia. Foi muito gratificante
ouvir as pessoas dizendo que estavam com a nossa fita, escutando a gente. Uma
coisa inédita no Nordeste, porque nunca tinham gravado música espírita. Depois
veio o nosso disco de vinil, que chegou numa hora em que o vinil ainda era
muito escutado. Os grandes artistas tinham seus LP's. e nós, um grupo espirita,
aqui do Ceará, conseguimos gravar o nosso disco, foi um momento muito alegre.
Quando chegou o nosso 1º CD, que inclusive é também o primeiro CD de música
espírita do Nordeste, que é o CD "Chamado", também foi um momento de
muita satisfação do grupo. Grava Parnaso de Além Túmulo, o 1º livro de Chico
Xavier, receber a autorização da FEB para musicalizar os sonetos do Chico, foi
também um momento de grande felicidade para o grupo. O nosso novo trabalho, o
CD Traduções, é outro momento muito feliz, mas a maior satisfação que temos é
quando alguém nos chega falando que em algum momento da sua vida, a nossa
música contribuiu para tirá-lo de um desalento ou de uma situação difícil. Uma
vez estávamos em João Pessoa (PB) e chegou até nós um rapaz, de cerca de 30 anos,
que não tinha a visão física e nos falou que, a emoção na vida dele, na Doutrina
Espírita, estava nas letras do grupo. Já que ele não tinha a visão para ler as
obras espíritas ele se contentava em ouvir os cd´s do grupo e aprender através
dos cd´s, das nossas melodias e das nossas canções a Doutrina Espírita. Então,
momentos como esse nos trazem grande satisfação. Não para nos envaidecer, mas
para termos certeza de que este trabalho vale a pena, de que estamos no caminho
certo. E que cantando a Doutrina Espírita, divulgando a Doutrina Espírita,
estamos contribuindo para construir um mundo melhor.
TE - E o que ainda falta fazer?
FB - Muita coisa
(risos), inclusive tem uma música do AME que diz: "Muito a fazer, muito a
fazer (cantando). A humanidade ainda precisa muito de equilíbrio e nós
acreditamos que a música, a música de um modo geral, ela equilibra o ambiente,
a mente. E a música espírita tem um diferencial, porque ela não só equilibra,
como também dá o conhecimento, ela dá a formula para a pessoa despertar para um
mundo melhor, para uma consciência equilibrada. Porque a Doutrina Espírita é a
boa nova, é o Cristo redivivo e é isso que nós procuramos, através da música, levar
as pessoas. Ma de forma concreta, o que nós conseguimos visualizar é o projeto
Castelo da Paz. É tentar dar a essas crianças a oportunidade de desenvolver
seus talentos ligados a arte e isso associado a cultura espírita e ao
conhecimento espírita. É isso que nós, com nosso visão limitado, coseguimos
vislumbrar.
TE - Pediríamos que vocês deixassem uma mensagem final aos
nossos leitores.
AV - Que todas
as pessoas façam um esforço para conhecer a Doutrina Espírita, principalmente
procurando colocar os ensinamentos em prática na sua vida. E uma das formas de
conhecer a doutrina é através dos movimentos artísticos. Desde o início, a
proposta do AME foi trazer, através da arte, toda essa mensagem espírita.
Então, para as pessoas que não conhecem a Espiritismo, vençam esse preconceito
e tentem conhecer doutrina através da arte, conhecendo os grupos, os CD's e
através dessa musicalidade procurem absorver os ensinamentos espíritas e
colocá-los em prática no seu próprio cotidiano.
FB - As vezes é
difícil chegar na frente do público, durante um evento e cantar. As pessoas
vêem aquela apresentação, mas não sabem que por trás daquele momento há uma
preparação difícil de ser notada. Há muitos ensaios que nós tratamos como
verdadeiras desobsessão. Nós acreditamos que naquele momento que estamos
ensaiando, estamos interagindo com a Espiritualidade, ajudando irmãos
desencarnados e nos preparando para ir a qualquer lugar para divulgar, através
do canto, a Doutrina Espírita. Ouçam com carinho o nosso trabalho, pois ele é
feito com muito amor, com muitas dificuldades, mas com muito prazer em divulgar
a Doutrina Espírita.
RK - Se você
quer construir a paz, você pode. Com o pouquinho que você pude contribuir. Se
você não puder fazer grandes obras, você pode contribuir educando crianças,
cuidando de velhinhos ou mesmo dando um sorriso (demonstrando) para quem está
passando na rua. Isso é a construção da paz. Eu acredito que essa é a
construção da verdadeira paz. Partindo, claro, de você mesmo. Quando você está
em paz, você transmite a paz para os outros.
TE – Obrigado.
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