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Entrevista com o Dr. Vitor Ronaldo Costa

 

                   Espírita desde criança o Dr. Vitor Ronaldo Costa é um nome de destaque no movimento espírita nacional. Expositor, escritor, articulista de vários veículos de comunicação espírita, há mais de 20 anos desenvolve um trabalho mediúnico sério, empregado a Apometria e atualmente é o maior especialista no assunto

 A equipe da Terra Espiritual convidou o Dr. Vitor para uma entrevista, a qual ele gentilmente concordou e cujo teor reproduzimos abaixo:

 

TE - Quando e como se iniciou no Espiritismo?

VRC - Meu contato com o Espiritismo data de minha infância. Lembro-me com saudades das reuniões de estudos evangélicos semanalmente realizadas em nosso lar. Reunidos em família escutávamos com atenção redobrada os comentários que nossos pais faziam em torno das passagens lidas no Evangelho Segundo o Espiritismo. Eram momentos felizes e ardentemente aguardados por todos nós. Tais encontros, concretizados em ambiente da mais pura cordialidade e respeito, nos satisfaziam a ânsia de aprendizagem e nos propiciavam uma ligação mais íntima com a Divindade. Freqüentávamos em Recife um centro espírita muito humilde chamado “Deus a Procura de Seus Filhos”, localizado em bairro pobre e cercado pelas águas do Rio Capibaribe. Ali ensaiei os meus primeiros passos no movimento espírita federativo e, à medida que crescíamos, participávamos das palestras doutrinárias, das reuniões mediúnicas e das tarefas assistenciais em benefício dos mais carentes. Portanto, a formação doutrinária espírita sempre norteou os nossos passos na presente reencarnação.

TE - Quais as suas atividades dentro e fora do movimento espírita?

VRC - Hoje sou médico aposentado. Exerci a clínica médica homeopática por mais de trinta anos. Trabalhei também no Hospital Espírita de Porto Alegre por muito tempo, porém, sempre ligado aos trabalhos mediúnicos de assistência espiritual, aspecto que eu sempre considerei fundamental em matéria de diagnóstico e tratamento das enfermidades mais complexas. Participo atualmente do movimento espírita organizado, proferindo palestras aqui em Brasília, cidade onde resido e, quando convidado, em seminários e encontros espíritas de outros estados. Também gosto de escrever. Sempre que possível, contribuo para com diversos periódicos espíritas assinando artigos doutrinários. Temos também alguns livros publicados, na maioria versando sobre questões de medicina espiritual. Aqui em Brasília, participo a 24 anos de reuniões mediúnicas assistenciais otimizadas pelo emprego da Apometria.  

TE - Dr. Vítor, em que consiste exatamente a apometria?

VRC - A Apometria nada mais é do que uma técnica de desdobramento induzido do perispírito, sob comando mental e ação magnética de um agente operador. Foi desenvolvida aqui no Brasil pelo saudoso médico e espírita Dr. José Lacerda de Azevedo. Trata-se, portanto, de uma metodologia experimental alicerçada no magnetismo, aliás, assunto, cuja fundamentação se encontra, em parte, na abordagem feita por Allan Kardec no capítulo VIII de “O Livro dos Espíritos”, que trata especificamente dos fenômenos relacionados à emancipação da alma. Na prática verificou-se, que a técnica apométrica, se bem conduzida junto aos médiuns espíritas, proporciona maior capacidade perceptiva dos fenômenos espirituais, amplia a possibilidade da dupla vista e facilita o deslocamento do corpo astral do médium, que ao lado das equipes de tarefeiros desencarnados, se desloca em visitas produtivas aos ambientes hospitalares e residenciais com a finalidade de acudir aos sofredores de ambos os lados da vida. A Apometria, tanto quanto a mediunidade, se aplicadas de acordo com os ensinamentos evangélicos, a exemplo do que reza a ética postulada pela doutrina espírita, constitui-se excelente instrumento de auxílio aos trabalhos de desobsessão e assistência aos desencarnados.     

TE - Como o senhor iniciou os estudos da apometria? O Senhor chegou a trabalhar na equipe do Dr. Lacerda?

VRC - Em 1973, por força da profissão fui trabalhar no Rio Grande do Sul, e lá conheci pessoalmente o Dr. José Lacerda, no Hospital Espírita de Porto Alegre. Ele era o diretor da Divisão de Pesquisas Psíquicas da citada instituição e desenvolvia pesquisas no campo de alvissareira metodologia, mais tarde destacada no contexto das ciências psíquicas como Apometria. Semanalmente nos reuníamos nas dependências da divisão de pesquisas e atendíamos elevado número de pacientes portadores das mais diversas enfermidades mentais ali internados. Havia ainda os pacientes externos que nos procuravam em busca de um alívio para os seus problemas graves de saúde. Assim, aos poucos, o Dr. Lacerda, às custas de muito estudo e observações acuradas, solidificou a técnica da Apometria. Participei dos trabalhos iniciais de estruturação da técnica durante o período de seis anos. Assisti e compartilhei com o pesquisador o desabrochar da sugestiva metodologia, tornando-me seu amigo pessoal e divulgador da técnica que empregamos até hoje em nossos trabalhos mediúnicos desobssesivos. Considero o período em que permaneci no Hospital Espírita de Porto Alegre, uma verdadeira pós-graduação em medicina espiritual, fato que não só contribuiu para ampliar o meu raciocínio médico sobre as enfermidades da alma, mas, melhor compreender as relações de causa e efeito envolvidas com a gênese da maioria das patologias complexas que acometem os humanos.  

Te - Algumas pessoas acusam a Apometria de ser uma agressão aos desencarnados e de não estar compatível com a Doutrina Espírita, isso tem fundamento?

VRC - É claro que não há o menor fundamento em tal afirmação, cujo objetivo é generalizar procedimentos lamentáveis incompatíveis com a moral espírita. Por outro lado, às vezes, torna-se difícil demonstrar a alguns adeptos do Espiritismo, a validade de certas observações relacionadas com as pesquisas práticas no vasto campo da atividade anímico-mediúnica, por conta de preconceitos arraigados e receio exagerado de se estar maculando as regras da chamada pureza doutrinária. É preciso que o bom senso não ceda lugar aos exageros do fanatismo descontrolado. Além do mais admito a existência de muita fantasia e inverdades a respeito do assunto geralmente veiculadas por parte de quem desconhece a técnica em profundidade. Todavia, do mesmo modo que nenhum espírita bem formado pode se responsabilizar pelas praticas indevidas, lucrativas e maléficas proporcionadas por alguns médiuns autênticos que se desviaram do bom caminho, nós espíritas cultores da Apometria, de maneira idêntica, não respondemos por aqueles que, embora conhecedores das potencialidades da metodologia, insistam em degradá-la ao sabor da própria vontade envaidecida. Cada um assume a responsabilidade individual por aquilo que pratica. Agredir espíritos em reuniões mediúnicas nos parece algo muito sério, porém, não foi assim que aprendi com Kardec e com o Dr. Lacerda. 

TE - Quais os obstáculos que o senhor considera mais relevantes para a expansão da Apometria?

VRC - Entre os principais destacaríamos: o desconhecimento de causa; as idéias errôneas preconcebidas; e, o fanatismo doutrinário que entorpece. É preciso que se entenda o seguinte: quando a descoberta é válida e útil aos propósitos caritativos do gênero humano, opor-lhe obstáculo é como querer tapar o sol com a peneira. Caso a Apometria se mostre efetivamente valiosa aos anseios da medicina espírita, contará com o apoio do Mundo Maior e revelar-se-á aos poucos, valioso instrumento de auxílio nas práticas desobsessivas, de tal modo que, será impossível impedir-lhe a expansão no contexto doutrinário. Por isso, sugerimos o estudo sistemático do assunto e a aquisição de conhecimentos específicos com aqueles que já se dedicam com sucesso à aplicação da metodologia no âmbito do espiritismo prático. 

TE - Em quais casos devemos utilizar a Apometria?

VRC - No início da entrevista caracterizei a técnica como uma modalidade experimental do magnetismo humano aplicado.  Se considerarmos que a atividade mediúnica repousa obrigatoriamente nas leis que regem os fenômenos magnéticos, eu diria que a Apometria pode ser conjugada às atividades mediúnicas de qualquer caráter, especialmente quando se objetiva a investigação das mais intrincadas enfermidades humanas de natureza espiritual.

TE - Quais os principais benefícios encontrados com a aplicação desta técnica em relação à técnica tradicional?

VRC - Não considero de bom alvitre estabelecer comparações, pois sabemos de grupos mediúnicos integrados por tarefeiros honestos, dotados da vontade de ajudar ao próximo, e que se desempenham a contento na tarefa de esclarecimento aos espíritos necessitados. Apenas adicionamos ao trabalho mediúnico tradicional, certas operações magnéticas conhecidas, por se encontrarem implícitas na literatura espírita chacelada por Allan Kardec, com a finalidade de alcançarmos certos objetivos com mais rapidez e segurança. Vejamos alguns exemplos práticos: A aplicação do desdobramento magnético dos médiuns permite-lhes o alargamento da visão espiritual. Desta forma, o grupo mediúnico, utilizando-se da dupla vista induzida pelo desdobramento magnético, passa a operar em igualdade de condições, pois todos seus integrantes observam e comentam os mesmos fenômenos que se desenrolam no campo astral. Isto significa a não dependência da informação de um médium vidente apenas, o que nos trás mais segurança efetiva aos trabalhos. Os médiuns, uma vez desdobrados, se deslocam com mais rapidez ao lado dos mentores, podendo fazer investigações de casos à distância, além de identificar com presteza os espíritos presentes na reunião, de forma a distinguir obsessores e mentores pela variação do padrão vibratório, o que reduz ao máximo a questão das mistificações. Os médiuns desdobrados também visualizam com boa margem de acerto as ligações obsessivas sutis que se prendem aos pacientes atendidos, mesmo que os agressores desencarnados se encontrem à distância, assim como diagnosticam lesões circunscritas ao corpo astral dos enfermos em atendimento. Enfim, são tantas as vantagens práticas da Apometria, que nos parece lícito agregá-la às tarefas mediúnicas costumeiras, visando-se, dessa forma, o critério da otimização. Todavia, por honestidade e bom senso, mantemos o nosso ponto de vista inicial: a Apometria vem apenas somar e não substituir algo que já funciona bem.

TE - Existem requisitos especiais para o médium poder praticar a Apometria?

VRC - Nada mais do que a boa vontade e o interesse no assunto. Além disso, trabalhamos com médiuns que cumpriram preferencialmente a formação doutrinária desejável no contexto espírita e, que almejam educar e desenvolver qualidades mais sutis da mediunidade tarefa, a fim de se desempenharem como valorosos instrumentos de auxílio aos sofredores de ambos os lados da vida.

TE - Como se dá o uso da cromoterapia em conjunto com a Apometria?

VRC - Na nossa experiência temos observado que a cromoterapia empregada pelos mentores em diversas categorias de pacientes se processa na própria espiritualidade, em enfermarias adrede preparadas nos hospitais do astral. É importante ressaltar que a cromoterapia manejada pelos espíritos age exclusivamente sobre o perispírito dos enfermos. Não a empregamos no campo físico.

TE - A Apometria chegou até onde poderia chegar ou ainda há espaço para aperfeiçoamentos? Quais seriam?

VRC - A própria doutrina espírita, por ser essencialmente dinâmica e evolutiva, é bafejada a todo o momento por novas informações provenientes dos pesquisadores encarnados e dos espíritos categorizados que se manifestam através de médiuns que nos merecem toda confiança. Logo, a Apometria, que se trata apenas de uma técnica experimental, poderá sofrer contínuos aperfeiçoamentos, desde que, alicerçados em linhas de pesquisas éticas e que se coadunem com a moral espírita. 

TE - Em que o Espiritismo mudou a sua vida?

VRC - Diria que a doutrina fortaleceu a minha convicção a respeito da continuidade da vida após o desenlace físico; esclareceu-me quanto à questão da dor e do sofrimento; mostrou-me a evidência lógica das leis de causa e efeito e da reencarnação; ampliou o meu raciocínio médico-espírita sobre as enfermidades complexas que assolam o gênero humano; e, proporcionou-me, sobretudo, intensa alegria de viver e de bem servir ao próximo. É essa tentativa consciente de melhoria íntima que me parece o ponto alto dos ensinamentos proporcionados pelo Espiritismo. E assim, seguimos lado a lado com aqueles que se afinizam com a disposição e o desejo de experimentar as benesses de um mundo melhor.

TE - Pediríamos que o senhor deixasse a sua mensagem final.

VRC - Inicialmente agradeço a generosa oportunidade que me proporcionaram. Creio que a entrevista, embora resumida, servirá para dirimir algumas dúvidas e despertar naqueles afeiçoados aos trabalhos práticos no campo da mediunidade com Jesus, a vontade de ampliarem conhecimentos na metodologia que divulgo e pratico a trinta e um anos.  Adianto que existe na praça, um livro de nossa autoria “APOMETRIA – Novos Horizontes da Medicina Espiritual” da Editora “O Clarim”, no qual relembro os primórdios da técnica e estabeleço um diálogo sobre o assunto com o Dr. José Lacerda de Azevedo, o desbravador da Apometria nos tempos modernos. Gostaria ainda de destacar alguns dos objetivos a que nos propomos no exercício da tarefa doutrinária: o sincero desejo de compartilhar com os espíritas estudiosos, nossa pequena cota de experiência prática no âmbito da ciência da espiritualidade aplicada à Medicina; divulgar a aplicação da Apometria como método de pesquisa anímico-mediúnico objetivo e eficiente das enfermidades espirituais; e, fazer entender às criaturas em geral, o valor da aplicação dos princípios científicos do bem viver, expostos no Evangelho de Jesus, sem dúvida o mais completo tratado de medicina psicossomática que se tem conhecimento. Confirmo ainda, a necessidade inadiável de melhor se conhecer a obra de Allan Kardec e, de juntos, trabalharmos pela própria melhoria individual e pelo bem estar da coletividade. Até uma próxima oportunidade.

TE – Obrigado.

 

 

 

 

 
 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

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Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

  

 

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