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Espírita
desde de 1979, o Dr. izaías Claro tem sido
um dos maiores trabalhadores da causa espírita
no país. Procurador de justiça, medium,
escritor, conferencista, fundador e atual
presidente da Comunidade Espírita Joanna
de ângelis. Autor do best-seller Depressão
- Causas e Consequências, o Dr. Izaías percorre
o Brasil levando mensagens de fé e esperança
e por onde passa atrai uma multidão para
sua palestras e seminários.
O Dr.
izaías Claro esteve em Fortaleza nos últimos dias 15
e 16 de maio de 2004 para proferir o seminário:
Felicidade - Desafios e soluções. Nesta
oportunidade a equipe da Terra Espiritual,
com a colaboração da companheira Iede Pereira,
da RIE, entrevistou-o e transcreve
abaixo a conversa:
TE - O que é felicidade?
IC -
Apresentando um conceito muito singelo, sem a pretensão de esgotar o assunto,
posso dizer que a felicidade legítima, autêntica, se dá quando a criatura
consegue se harmonizar com o criador. Deus criou-nos para a felicidade e esta
felicidade será alcançada através da perfeita compreensão e vivência destas
leis estabelecidas pelo Pai desde toda eternidade. Quando a criatura humana faz
a vontade de Deus, ela realiza a sua felicidade, quando a criatura,
diversamente, se divorcia da proposta divina, sofre, ainda que aparentemente
esteja gozando.
TE - O que leva o ser humano a não seguir as leis divinas?
IC - Basicamente
por duas dificuldades: Ignorância e fraqueza. Ignorância, significa no caso, o
desconhecimento dos propósitos divinos para conosco ou quando conhecemos, não
dispomos, em nós, de força suficiente, vontade ou determinação capaz de nos
colocar na trilha do cumprimento do programa traçado.
TE - Como a construção dos nossos pensamentos colabora com a
nossa felicidade?
IC - Não existe
sorte, acaso, coincidência ou privilégios nos esquemas divinos. Somos o que
fazemos de nós, e nós nos construímos através dos pensamentos, dos sentimentos,
das nossas obras. Deus nos permite, assim que atingida a condição humana, que
tenhamos um livre-arbítrio que se acentua gradativamente e através do
livre-arbítrio a criatura faz as suas escolhas e estas escolhas responderão
pela infelicidade ou pela felicidade que a criatura venha a experimentar. Ninguém
é infeliz ou feliz por acaso, antes isso é um reflexo das suas construções começar pelo pensamento. Basta
considerarmos que o universo é a expressão do pensamento de Deus e que todas as
obras que nos rodeiam expressam, de alguma forma, o estágio atual do nosso
pensamento. Se isso se dá no mundo físico, material, aplica-se igualmente o
mesmo princípio, no mundo moral, metal. Por isso o espírito André Luiz afirmou,
oportunamente, que o espírito vive no centro de suas próprias criações.
TE - O senhor trabalha como promotor de justiça, mas dentro
do movimento espírita possui uma atuação importante na área da psicologia. Como
surgiu esse interesse?
IC - Por
aspectos vários, não necessariamente numa certa ordem, mas lembro que na Idade
Média fui sacerdote e todo sacerdote tem uma formação psicológica. Por outro
lado, o Cristo pode ser perfeitamente compreendido como o psicólogo por
excelência, porque a sua mensagem, mais do que servir de suporte para uma
construção teológica, igrejista, deve ser vista como um roteiro de libertação
do espírito. Libertação essa que se realiza do interior para o exterior e não
do exterior para o interior, na salvação gratuita, como propõem alguns
movimentos religiosos. Acresça-se esta verdade: A Doutrina Espírita é o maior conjunto
de psicologia humana de que se tem notícia. Aliando-se pois, a mensagem de
Jesus com a Doutrina Espírita, com minhas vivências de sacerdote, e sacerdote
todos somos na medida em que nos dispomos a trabalhar para o Mestre, com as
minhas experiências pessoais. Somando tudo isso nossa palestra acaba
enveredando para um cunho também psicológico.
TE - Dentro dessa atuação no campo psicológico, o senhor
escreveu o livro "Depressão - Causas e Conseqüências" que teve uma
grande repercussão. O que leva o indivíduo aos estados depressivos?
IC - As Causas
são muitas. Poderíamos citar aqui algumas: O meio, fatores orgânicos, algumas
enfermidades, substâncias entorpecentes de natureza variada, mesmo químicas. As
pesquisas demonstram que regiões onde o agrotóxico é usado de maneira mais
intensa o nível de depressão, por ingestão destes agrotóxicos é muito maior.
Mas podemos citar, com a Doutrina Espírita, que as causas mais constantes da
depressão são: Ressentimentos, sentimento de perda, sentimento de culpa ou obsessão.
Sem esquecermos os fatores sócio-econômicos, culturais num planeta onde
encontramos milhões e milhões de criaturas humanas padecendo privações de toda
ordem.
Apresento aí, as
causas mais constantes. Mas é de destacar-se que a causa primeira da depressão
está no próprio indivíduo, a depender da maior ou menor estrutura emocional a
criatura estará mais, ou menos, frágil às dificuldades encontradas no seu
caminho evolutivo.
TE - Percebe-se dentro do senhor uma força que, apesar dos
problemas do mundo, deixa transparecer felicidade. O senhor é realmente feliz?
IC - Sinto-me
feliz sim, e não é porque, como bem mencionado por você, eu não tenha
dificuldades. Talvez eu seja feliz exatamente pelas dificuldades que eu tenho,
porque através delas, eu posso alargar os horizontes, posso ter uma dimensão
mais real da vida, uma percepção dos objetivos da existência, da oportunidade.
E nós que somos espíritas, cristãos, assumimos o compromisso de testemunhar na
própria vivência a excelência dos postulados abraçados. Consta do programa de
Francisco de Assis um artigo: "Um frade triste é um triste frade."
Parafraseando Francisco nós diríamos que um espírita triste é um triste
espírita. Não quer dizer que, vez ou outra, não tenhamos dificuldades. Pelo
contrário, chorar faz parte, sofrer faz parte, mas é preciso chorar
compreendendo, sofrer compreendendo, e na compreensão está a felicidade. Por
enquanto, a felicidade possível na Terra, mas já uma felicidade importante. Se
num planeta de provas e expiações já conseguimos experimentar esse nível de
felicidade, é de imaginar a felicidade nos mundos felizes. Deve ser
indescritível.
TE - Que atitudes são recomendadas para quem deseja vencer a
depressão?
IC - Se o
depressivo é a causa primeira da depressão, isso significa que ele deverá ser o
seu primeiro médico. Mas é preciso compreender que no primeiro momento o
depressivo não terá forças em si mesmo para reagir, tanto que se permitiu cair
neste estado, portanto, para que alguém trate com eficiência a sua depressão
precisará de toda e qualquer ajuda nobre, digna, ajuda médica, psiquiátrica,
psicológica, grupos de apoio, ajuda da religião, da família, dos amigos, dos
companheiros de trabalho. Mas o depressivo, depois de recebido o primeiro
apoio, precisará envidar esforços para ajudar a si mesmo através da reciclagem,
da sua reformulação de conceitos, princípios e valores porque se ele está
deprimido é porque enveredou por um caminho tortuoso e ao perceber isso, longe
de abater-se ou revoltar-se, deve alegrar-se porque ele já sabe que através
daquele caminho, ele não chega à felicidade desejada, competindo-lhe agora
buscar uma outra alternativa e através desse processo de busca, terminará
certamente por encontrar a saída. Mas Deus deverá ser sempre o primeiro
remédio, dentre tantos que se possa mencionar no tratamento da depressão. Para
um grande mal como a depressão, só um remédio que esteja a sua altura e esse
remédio é Deus.
TE - Como as pessoas que convivem com o depressivo podem
colaborar com a sua recuperação?
IC - Primeiramente
não se deprimindo. Esse é o primeiro desafio dos amigos e familiares de um
deprimido, porque o deprimido, compreensivelmente, não está bem. Se aqueles que
o rodeiam ficarem mal, como é que vão ajudar quem também está mal? Portanto, a
técnica melhor para ajudar quem está mal é permanecer bem. O que não quer dizer
que a depressão não respingue em nós. Evidente que sofremos com o sofrimento de
quem amamos, mas não podemos nos permitir ficar abatidos por este sofrimento.
Imaginemos uma situação: A depressão pode ser comparada a um buraco. O
deprimido caiu no buraco. Para socorrê-lo
nós não podemos cair no mesmo buraco. Nós temos que descer no mesmo
fosso, mas descer no fosso não é o mesmo que cair nele. Descer implica na
escolha de técnica, hora, local e jeito para que a gente possa descer e ajudar
com eficiência. Não basta amar alguém para ajudarmos com eficiência, é preciso
preservar a nós mesmos para ajudar o outro que está fragilizado.
TE - Na Comunidade Espírita Joanna de Ângelis, da qual o
senhor é fundador e atual presidente, há um trabalho com crianças e
adolescentes portadores de necessidades especiais. Como é este trabalho?
IC - Esse
trabalho, em julho próximo, agora em 2004, completará 18 anos de fundação e
inicialmente nasceu, inspirado no excelente trabalho do Divaldo (Pereira
Franco) na sua Mansão do Caminho na Bahia. No CEJA nos temos um abrigo misto
para crianças e adolescentes, um centro espírita organizado como todos os
centros espíritas devem ser, com várias frentes de trabalho. Temos uma editora,
um esquema organizado para gravação de CD's e distribuição de mensagens. Mas um
trabalho interessante, que vale a pena ser destacado, é o nosso pronto-socorro
Dr. Bezerra de Menezes, onde valendo-me de uma mediunidade especial, temos um
trabalho de consultas e cirurgias espirituais, que nos últimos dez, doze anos
vêm ajudando centenas de pessoas com resultados excelentes. São cirurgias
perispirituais, tratamento emocional e espiritual, mas que pela simbiose
alma-corpo, as pessoas acabam experimentando melhoras sensíveis também a nível
orgânico.
TE – Que Recomendações o senhor daria a pais de filhos
portadores de necessidades especiais?
IC – Que sejam
tão especiais quanto os próprios filhos e que percebam que ter um filho
especial, não fosse o comprometimento emocional da palavra, eu poderia dizer
que é um privilégio. Como não há privilégio na Terra, não uso a expressão.
Direi então, que ter um filho com necessidades especiais é uma honra, uma benção
e uma oportunidade muito grande de crescimento, porque se o especial precisa de
nós, ele muito nos auxilia. É uma lição permanente. Por exemplo, minha filha é
paraplégica. Quanto ela me ensina, na forma como devo usar a minha liberdade de
movimentos. Ela gostaria de andar, muitas vezes, para realizar comezinhos
desejos, coisas bem simples, então, isso me lembra que eu preciso usar com
critério a minha liberdade, sob pena de perdê-la depois. Então que os pais se
sintam felizes com a oportunidade de realizar um trabalho especial.
TE – E o que o senhor recomendaria a alguém que deseja
fundar uma instituição de auxílio como o CEJA?
IC – Uma
instituição, seja ela qual for, será sempre organizada sobre um binômio:
Necessidade e possibilidade. Precisamos levantar as necessidades para verificar
se, de fato, o trabalho projetado é mesmo algo que precisa ser implantado. levantadas
as necessidades, levantaremos o requisito da possibilidade. Quais as possibilidades
materiais, financeiras, humanas, doutrinárias e espirituais para o enfrentamento
do desafio. Se existir uma necessidade constatada e se a pessoa ou grupo sentir
que reúne as condições mínimas para o empreendimento, estão criadas as duas
condições primeiras. Agora, se não existir a necessidade não há porque
implantar o projeto. Teremos que buscar qual a necessidade então existente. Ou
se, levantada a necessidade, percebe-se que não temos possibilidades, devemos
fazer o que nos está ao alcance, confiando o mais a Jesus e aquel’outros que tenham
maiores possibilidades do que nós. Não estamos constrangidos a fazer nada que
extrapole os nossos limites. Deus não exige dos seus filhos mais do que, por
enquanto, eles possam oferecer.
TE – Pediríamos agora para o senhor deixar sua mensagem
final.
IC –
Quero agradecer ao estado do Ceará, especialmente aos companheiros de ideal
espírita de Fortaleza pela oportunidade. Eu conversava em “off” com o companheiro Clarindo, e dizia a ele que eu não me sentia
à altura do desafio, do cometimento de fazer um seminário para um público tão
seleto quanto o que eu encontro em Fortaleza, mas que eu não poderia fugir a
oportunidade, sob pena de desperdiçar um ensejo excelente de crescimento. Quero
agradecer a todos, formular votos de muita paz, alegria e dizer que permaneçam
otimistas, confiantes, porque Jesus permanece no leme da nossa embarcação e
nada nos acontecerá que nos leve ao soçobro total e irreversível. Em nossas
vidas, em nossas lutas, sempre haverá um quase. Um quase isso, um quase aquilo.
Esse quase é a presença discreta, sutil e anônima de Deus, do Cristo e da
Espiritualidade amiga, que vêm nos amparar desde sempre. TE – Obrigado.
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