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Fundado
em agosto de 1994, inicialmente com o objetivo de desenvolver pequenas peças
para trabalhos com a infância e a Juventude Espírita, o grupo EmCena viu ao
longo desses anos o seu trabalho amadurecer e ganhar mais notoriedade. Com isso
o grupo teve que partir para projetos maiores e desde de 2002 vem apresentado a
peça Há Dois Mil anos, baseada no livro homônimo de Emmanuel e Chico Xavier.
Após várias apresentações na Paraíba, o grupo faz sua primeira apresentação
fora do estado e encena a peça no Teatro José de Alencar (o principal teatro de
Fortaleza).
Adaptado
para o teatro por Maria Alice de Carvalho, o espetáculo conta com a
participação de 34 atores que representam de forma magistral a história de
Públio Lentulus (Emmanuel). O figurino e o cenário são muito bem cuidados e
recompõem a Roma de 2000 anos atrás.
A equipe da Terra Espiritual interrompeu o
ensaio do grupo e entrevistou alguns dos integrantes: Misael Batista (diretor),
Maria Alice de Carvalho (atriz e responsável pela adaptação), kaio Geylson
(Públio Lentulus), Andréia Vargas (Lívia) e Cíntia carvalho (Flávia). Abaixo
reproduzimos a conversa:
TE – Por que vocês escolheram encenar o livro Há Dois
Mil Anos?
MAC – Primeiramente
o grupo já havia sentido o desejo de construir este espetáculo. Então aliou-se
o nosso irmão misael(diretor), que também leu a obra e se encantou e desejou e
a Espiritualidade o trouxe até o grupo. Cheguei depois onde estava havendo um
questionamento sobre a preparação do texto e eu disse: “Eu faço!” E assim,
fizemos o texto em 15 dias, depois fomos melhorando e ensaiando e aconteceu!
TE – Como foi
a vinda do grupo para Fortaleza?
MAC – A Socorro e
o Fernando (GEAP - Grupo Espírita Auxílio aos Pobres) foram a João Pessoa (PB) para a Jornada da Mulher Espírita da
Paraíba e eu mostrei a eles o álbum da nossa estréia e eles ficaram
maravilhados com o figurino, cenários e a estrutura. Então ficamos mantendo
contato até que eles viabilizaram a nossa vinda e aqui estamos.
TE – Misael,
qual a sensação de apresentar o seu primeiro espetáculo teatral espírita no
Teatro José de Alencar?
MB –
Extremamente emocionante e de uma importância capital, porque você começa a
descobrir uma linguagem com o público que é fenomenal. Para se ter uma idéia,
em todos os lugares por onde passamos, em todas as apresentações, o público
volta porque não há mais lugares, então você descobre uma força muito grande.
Quando o teatro trabalha com a reflexão e quando o trabalho é espiritual, essa
reflexão é muito maior, é muito mais emocionante, mexe muito com a emoção e a
gente percebe a afetividade. É uma troca muito grande. Porque teatro é uma
grande troca e, particularmente, a minha maior troca foi exatamente com este
tipo de teatro.
TE – Como é o
trabalho de pegar atores amadores, com pouca experiência, e transformá-los em
profissionais?
MB – Eu creio,
que como Maria Alice disse, nós contamos com a Espiritualidade. É um trabalho
em que você tem que apostar na sensibilidade e em algo mais do que o conhecimento
técnico. Quando você termina e se pergunta: "Será que eu acertei na escolha
dos atores?" E até agora, só com a resposta técnica não teria uma
concretização do que foi feito. Então, eu creio, que é sintomático de algo
maior que esta transformação que não pertence só a direção técnica, só a concepção
cênica. Eu creio que a gente conta com algo mais do que isso, porque o
resultado foi maravilhoso! Parece que todas as coisas estão encaixadas em seus
lugares, os atores com os biotipos certos para as personagens certas, os vilões,
os protagonistas. E eu fico muito feliz com o resultado, mas algumas coisas
ainda são inexplicáveis.
TE – Num país
onde o teatro, as produções culturais enfrentam tantos desafios, quais os
principais obstáculos enfrentados pelo grupo??
MB – Creio que a
minha experiência foi importante. Acho que a tônica maior foi tirar leite de
pedra. Particularmente como eu já tenho 21 anos nessa área cultural percebe-se
que há uma espécie de ignorância indesejada que é o desconhecimento por parte
até da política, da falta de uma política cultural. As questões econômicas que
colocam a cultura em última instância. Mas não foi só a minha experiência, mas
a história teatral, a história artística vem mostrando que tudo isso é
superável. Os momentos, por exemplo, de maior crise foram os momentos que a
Alemanha mais produziu. O Brasil passou por um período de ditadura militar e
foi um período em que nós produzimos muita música e teatro. Então a gente
aprende a conviver com os problemas transformando tudo em
"solucionática". Sabe aquele poema do Drummond "Tinha uma pedra
no meio do caminho". Então essas pedras nós vamos transformando e tem-se
como uma resposta muito grande do que foi transformado. Isso é maravilhoso!
Colocar um espetáculo em cartaz é uma grande vitória, parece que a gente está
ganhando um prêmio internacional. É uma vitória muito grande, principalmente do
porte e da produção que é este espetáculo. Ele requer uma grande produção para
transmitir a história, o requinte, a luxúria do império romano, toda a ostentação,
então é preciso criar mágicas (risos), inclusive para angariar recursos , para
barganhar. E a gente faz trocas, vende camisas, vamos buscando caminhos e o
espetáculo vai se aprontando, e o que é importante, ele vai chegando a um
resultado esplendoroso.
TE – Maria
Alice, normalmente neste tipo de espetáculo uma boa parte do público é composta
por não-espíritas. Como é a receptividade dessas pessoas?
MAC – Nós sabemos
que há uma carência na humanidade de sentimentos elevados, consciente ou
inconscientemente. E um trabalho espiritual, um trabalho espírita, ele traz
esse complemento, esse anseio da humanidade. Mesmo que não exista pleno entendimento
da obra, mas as cenas de elevação espiritual, de emoção, de reflexões profundas
satisfazem mesmo aquele que não tem conhecimento doutrinário. Eu sempre escuto
as pessoas falarem como elas se sensibilizaram com as obras espíritas, ao lerem
os romances ou ao assistirem algo que tenha espiritualidade, porque está
intrínseco na criatura humana o desejo dessa espiritualidade bloqueada pela
ignorância, pelos preconceitos, pelas próprias escolas religiosas, mas no âmago
de cada um está esse anseio. Então, principalmente quando se fala em Francisco
Cândido Xavier, toda criatura humana, a não ser aquela que está extremamente
enferma, ela sente que há algo de muito bom nesse nome, porque ele semeou esse
bem.
TE – Falando
em Chico Xavier, Como você enxerga a continuidade do movimento espírita
brasileiro após o desencarne do Chico?
MAC - Chico está
mais presente, agora entre nós, do que quando naquele escafandro tão debilitado
daqueles longos anos de muito sacrifício pela humanidade. Então ele está
conosco! No meu entendimento ele nunca nos deixou, como o Cristo também. E ele
nos ama cada vez mais, porque com certeza a sua visão está mais ampliada e eu
torço para que o movimento espírita não perca de mira o exemplo de Francisco
Cândido Xavier, porque ele é um autêntico cristão, de um verdadeiro cristão e é
esse o objetivo da Doutrina Espírita; Tornar a todos nós eminentemente
cristãos. E Chico é o mais recente exemplo, que está muito vivo entre nós e que
não pode morrer.
TE – Kaio,
qual a emoção de representar o personagem Públio Lentulis, mais conhecido como
Emmanuel?
KG – Além da
histórica, a emoção é imensamente espiritual. Nós que somos espíritas e
conhecemos o livro "Há Dois Mil Anos", de autoria de Emmanuel através
da psicografia de Chico Xavier, sabemos que o Públio Lentulus é uma das reencarnações
de Emmanuel. Então representar este personagem é uma emoção imensa,
principalmente uma emoção espiritual já que trabalhamos com teatro que valoriza
a espiritualidade , o transpessoal, a transcendência. A gente não faz apenas o
teatro cotidiano, o teatro comum, a gente tenta fazer o diferencial que é
incluir a espiritualidade. Então a emoção, além de todas as outras, o
diferencial é a espiritualidade, o sentimento espiritual que nos realiza no
palco.
TE – Como é
divulgar a Doutrina Espírita através do teatro?
KG – Uma
satisfação imensa! O grupo de teatro EmCena, que existe há 10 ano, atuando na
Paraíba e que agora teve esta oportunidade de sair do estado e começar a
difundir uma obra imensa, grandiosa, que nós até poderíamos pegar as palavras
do nosso diretor Misael Batista que diz
que esta peça é uma espécie de paixão de Cristo espírita. Porque são mais de 30
atores e uma estrutura grandiosa e para chegarmos aqui, no teatro José de
Alencar, as pessoas não sabem da dificuldade. Não que nós valorizemos a
dificuldade, mas é uma vitória imensa. Então representar, difundir a cultura
espírita, difundir o teatro representando um best-seller do Espiritismo e uma obra de Chico Xavier, de Francisco
Cândido Xavier é algo assim, triplamente emocionante e valorativo.
TE – Cíntia,
Como foi que você conseguiu o papel de Flávia?
CC - Bem, eu ia
ser só figurante, aí a menina que ia interpretar a Flávia, filha do Públio
Lentulus, ela estava com dificuldade de ir aos ensaios, então eu fui chegando
(risos) e o pessoal começou a dizer que eu podia interpretar esta personagem e
eu comecei a ensaiar e fui ficando e acabei conseguindo o papel definitivamente.
Foi por acaso, entrei sem querer. Consegui fazer direitinho e deu tudo certo.
TE – Como é
para você interpretar esta personagem Flávia, uma das reencarnações de Chico
Xavier?
CC - É emocionante
saber que ele já passou por essa fase e atingiu esse grau de evolução tão
grande que ele tem agora.
TE – Andréia,
como é para você estar participando deste projeto, divulgando esta obra de
Chico Xavier através do teatro?
AV – É uma
missão. Eu tenho este trabalho como uma Missão, porque desde que iniciamos o
trabalho foi tudo muito bem pensado, muito bem articulado e apesar das dificuldades,
que sempre aparecem, a gente vê que tem uma coisa maior, muito além que é a
espiritualidade que fica dando apoio e está nos apoiando nas dificuldades. A
gente conseguiu transpor os obstáculos. E uma das nossas principais metas,
depois que apresentamos o espetáculo em João Pessoa (PB), foi vir aqui para
Fortaleza, trazer para o José de Alencar, porque nós viemos visitar o teatro e
dissemos: "nós temos que trazer Há Dois Mil Anos para cá!" Então está
sendo uma realização como espíritas, como divulgadores do Espiritismo pela arte
e também como pessoas. (Emocionada) É uma realização. E nós pretendemos
divulgar para muitos outros lugares, na Paraíba, onde só apresentamos em dois
lugares, levar para o Nordeste e para o Brasil (entusiasmada), porque é
divulgar a mensagem, é falar da doutrina, é falar muito além dos princípios
básicos do Espiritismo para pessoas que são espíritas mas não conhecem muito,
para os que são espíritas e conhecem mais e para aqueles que não conhecem o
espiritismo. E é uma forma muito mais bonita, bela, de transmitir a mensagem.
Ela toca, ela tem essa força de tocar profundamente.
TE – E como
foram esses dez anos de caminhada?
AV – Trabalho
(risos). Olha foi muito trabalho.
TE – Uma
mensagem final.
MB – Eu creio
que o próprio espetáculo é a mensagem, porque é o resultado de um trabalho que
a gente faz aos domingos, de uma dedicação
e dessa troca, como o kaio afirmou, que é espiritual e uma resposta até
social. Essa preocupação com o humano, essa preocupação de unir. A mensagem
está no próprio grupo, na própria concepção, a própria união, de por exemplo,
antes eu não ser espírita e de repente eu estar ao lado deles, nessa comunhão.
É uma resposta que passa, que vaza para a platéia que está além do movimento
espírita. O Chico transbordando tudo isso. Eu me sinto dirigindo além de
Sheakespeare, de tudo que já foi dirigido. Eu creio que a mensagem é dada pelo
espetáculo, pela proposta do Chico, pela visão desse momento que Cristo passa,
que é a visão de amor aliada ao perdão, a dedicação no procedimento
coletivo.
MAC – Aos
leitores e ao público do site Terra Espiritual digo que quando escutarem, nos
meios de comunicação, do espetáculo "Há Dois Mil Anos", pelo grupo de
teatro espírita EmCena da paraíba, que vão ao teatro assitir a peça porque
vocês não vão se arrepender
E
que a paz de Jesus continue nos sustentando, nos envolvendo e nos tornando cada
vez melhores..
TE – Obrigado.
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