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Fundado
em 10/12/1997, o Centro de Documentação Espírita do Ceará (CDEC), nasceu da
preocupação de um grupo de companheiros com a preservação da história espírita
cearense, e desenvolve um trabalho de resgate, registro e preservação da
história do movimento espírita no estado do Ceará.
Contando atualmente com 14 membros, que
integram diversas casas espíritas, o CDEC também é responsável pela publicação
do jornal Gazeta Espírita, publicação bimestral que visa não só levar ao conhecimento
de todos uma parte da história do movimento espírita alencarino, como também
divulgar os acontecimentos do momento.
A
equipe da Terra Espiritual foi gentilmente convidada a participar de uma das
reuniões do CDEC, que acontecem sempre no último sábado de cada mês, e
entrevistou alguns dos seus integrantes (Almira Ferreira, Mário Kaúla, Marcus
Vinícius, Milton Borges, Paulo Vale e Luiz Jean). Abaixo reproduzimos a conversa:
TE – Almira, você como a mais nova aquisição do
centro de documentação, como é que você avalia
a atuação, o trabalho do CDEC dentro do movimento espírita cearense?
AF – Para
mim foi uma alegria compor este centro de documentação que resgata a memória do
Espiritismo no estado do Ceará e mantém
um intercâmbio com todas as pessoas que fazem o movimento espírita, não só no
estado, mas fora dele. Há necessidade de se registrar a história para que as
futuras gerações possam se suprir do máximo de informações possíveis para que
se tenha a continuidade dessa doutrina maravilhosa que a gente abraçou. Eu fico
muito feliz, pois além de ser um centro de documentação bastante atuante dentro
da sua proposta de informar e de resgatar a história, é um grupo de
trabalhadores muito bom, muito unido e a troca de idéias tem sido uma das maiores
construções desse trabalho.
TE – Mário, que pontos você considera mais
relevantes, dentro da história do movimento espírita cearense?
MK – O
ponto mais relevante é o momento atual que estamos vivenciando. Quem vem de
alguns quilômetros para trás no movimento espírita, quando as pessoas desciam a
calçada para não pisar na calçada de uma família espírita e hoje nós vemos o
respeito que a imprensa, que a mídia dá à idéia espírita, inclusive convocando
espíritas para participarem de momentos ecumênicos, para concederem
entrevistas e darem opiniões, isso prova
o reconhecimento, o respeito que o Espiritismo merece. Então eu, com alguns
quilômetros rodados de participação dentro do movimento espírita, eu fico
realmente empolgado em ver que a doutrina está ganhando o lugar que merece no
cenário, sem ser concorrente de nenhuma outra ideologia.
TE – Como você vê o futuro do movimento espírita?
MK – Eu
lembraria Leon Denis: “Não é a religião do futuro, mas é o futuro das religiões”.
A Doutrina Espírita se posiciona, como está dito em Obras Póstumas; A doutrina
não veio para tirar os religiosos das suas igrejas, mas dar aqueles que se
perderam, tropeçando nos própios pés em relação às dúvidas, a pesquisa, a busca
da verdade, uma orientação. Então, como ela não se apresenta como uma concorrente,
é evidente que ela terá uma participação muito atuante no futuro da humanidade
com o embasamento próprio da sua proposta, mas continuarão existindo outras
religiões, outras filosofias e a Doutrina Espírita sempre fornecendo as
informações que clareiam aquilo que tradicionalmente se entende como milagre,
como mistério da fé, porque a proposta da Doutrina Espírita é descomplicar,
clarear, portanto, o futuro será a maior respeitabilidade péla Doutrina
Espírita.
TE – Sr. Milton, quais as principais mudanças que o
senhor destaca no movimento espírita do seu início até os dias de hoje?
MB – O
movimento espírita começou de baixo para cima. Hoje há uma expansão muito
grande, congrega. Naquela época o grupo era muito restrito e combatido, os
centros espíritas eram apedrejados, fechados pela polícia e hoje não, a
aceitação é ampla.
TE – Como foi o seu início no movimento espírita?
MB – Eu
nasci dentro do Espiritismo. Nasci em 1930 e na casa do meu pai tinha o Centro
Espírita Aurora Redentora, que ele tinha fundado, e eu nasci dentro do Espiritismo,
lá ele fazia aquelas sessões públicas, mediúnicas e lotava a casa, recebia umas
300 pessoas, isso na década de 30 era muita gente.
TE – Qual sua avaliação sobre a atuação das casas
espíritas hoje?
MB - Pode melhorar cada vez mais, porque no meu
tempo o movimento espírita tinha poucos centros espíritas e visitávamos mais
uns aos outros, as pessoas conheciam-se
mais, hoje com esse crescimento os centros estão mais isolados uns dos outros.
TE – Como o senhor avalia a expansão do movimento
espírita?
PV – Eu
vejo isso com muita alegria, como espírita que sou há mais de 40 anos vejo uma
expansão que, naturalmente, vai transformar no futuro os destinos do próprio
Brasil, do próprio planeta e a nossa doutrina é uma doutrina que traz uma
mensagem de progresso espiritual. Então vejo isso com muita alegria.
TE – Está também em franca expansão a venda de livros
espíritas, mas muitos destes livros fogem à codificação?
PV – Isto
é uma preocupação para todos nós que temos a consciência desse assunto porque o
próprio Kardec, nas suas obras básicas, já alertava e incentivava a divulgação
da doutrina através da divulgação dos livros, e de todas as formas de
divulgação e o livro como uns dos principais instrumentos para a admiração da
Doutrina Espírita, do Evangelho à luz da Doutrina Espírita. Então quando vemos
essa divulgação de livros que muitas vezes fogem a essa linha das obras
escritas por Kardec nossa obrigação como espíritas é alertar aqueles que nos
estão em volta, não só através dos artigos dos jornais, como temos aqui o nosso
Gazeta Espírita, como de todas as formas que nós encontrarmos para alertar
aqueles menos esclarecidos na conduta espírita, de forma que é preciso que estejamos
sempre atentos para servir de vigilantes, nesse campo da divulgação da
doutrina.
TE – Marcus, quais os obstáculos que vocês encontram
para poder editar bimestralmente o jornal Gazeta Espírita?
MV – Os
obstáculos têm que existir e eles existem, são as pedras que aparecem, mas que
nós as usamos para construir o edifício. Todo obstáculo que aparece é para
construir o edifício, então, nós estamos tentando fazer isso. A cada dois meses
nós tentamos levantar esse edifício, a última edição, por exemplo, não ficou
muito boa, ficou meio que caindo a casa mas, vamos em frente.
TE – Quais os personagens da história do movimento
cearense que tiveram uma participação mais relevante?
MV – Nós
utilizamos no CDEC, Centro de Documentação Espírita do Ceará três verbos e um
substantivo somente: Documentar é preservar a história, então ao se ver a
documentação anterior pode-se verificar quem são essas personalidades de maior
destaque, pois nós estamos procurando preservar e fazer um resgate disso aí. Os
nomes, nós não podemos dizer quem são, porque são todos, cada um é uma
personalidade, cada um é uma individualidade.
TE – Como surgiu a idéia de fundar um museu espírita?
LJ – Bem,
nós participávamos de uma equipe que fazia parte do jornal Ceará Espírita, da
federação e essa equipe concentrava todos os seus esforços para
produzir esse jornal. Na época a federação resolveu mudar o critério, o jornal
não teria mais a finalidade informativa que tinha e passaria ser apenas um
boletim das atividades federativas, então a equipe ficou sem sentido. Essa
equipe era formada por Luciano Klein, Marcus Vinicius, eu, Jean, Paulo vale,
Paulo Eduardo e outros companheiros e quando não houve mais sentido que a
equipe permanecesse nós tivemos a idéia... essa idéia nasceu na consciência e no
coração de Luciano Klein de criar o museu, um museu para documentar a história.
Então a idéia floresceu no grupo, que ficou "desempregado” e nós fundamos o
CDEC Centro de Documentação Espírita do Ceará, que tem o objetivo de documentar
e preservar a história do movimento espírita do estado.
TE – Quais os projetos para ao futuro do CDEC?
LJ – Um
projeto fundamental e essencial no qual estamos trabalhando diuturnamente é ter
a nossa própria sede, a sede para realizar as atividades da instituição, bem
como a sede para documentar a história do Espiritismo, arquivar e preservar
esta história.
TE – Para concluir, pediríamos que vocês deixassem
uma mensagem final.
LJ – A
mensagem do Espiritismo é a mensagem da evolução, da esperança da humanidade é
o consolador prometido por Jesus e é uma filosofia, uma religião, uma ciência que
tem crescido no Ceará, no Brasil e no mundo. A mensagem que eu deixo para os
leitores é que essa doutrina é a doutrina da esperança, é a doutrina da
consolação e esta aí crescendo, multiplicando-se e cabe a nós divulgá-la cada
vez mais para ampliar, para difundir essas idéias e arrebanhar mais pessoas
para ter esperança na consolação prometida por Jesus.
MV –
Continuem o Estudo e principalmente a prática do Evangelho segundo a Doutrina
Espírita.
MB –
Parabenizo ao Terra Espiritual, que
ele continue levando cada vez mais luzes para os espíritas.
PV –
Deixo, nesta oportunidade, como uma última mensagem aos leitores do Terra Espiritual que nos recordemos do que
Bezerra de Menezes propalou desde o tempo em que ele presidiu a Federação
Espírita brasileira (FEB), trabalhemos em benefício da unificação, é preciso
que nós espíritas estejamos sempre com as nossas mentes voltadas para esta
mensagem, unificar. Espíritas unidos para fortalecer cada vez mais o nosso
movimento. Muita paz para todos
TE – Obrigado.
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