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Bióloga
e biomédica, representante da terceira geração de espíritas de sua família,
Marta Antunes é uma das mais atuantes trabalhadoras do movimento espírita.
Atualmente à frente da diretoria do departamento de espiritismo da FEB, ela
trabalha incansavelmente pelo aprimoramento do estudo e pelo desenvolvimento do
Espiritismo no Brasil.
Recentemente
ela esteve em Fortaleza para proferir palestra sobre o bicentenário de Kardec.
Nesta ocasião a equipe da terra Espiritual teve oportunidade de entrevistá-la e
abaixo reproduzimos a conversa:
TE – Qual a sua avaliação sobre o atual momento do
movimento espírita brasileiro?
MA – Eu
acho que no momento atual o movimento espírita está bom, acho que é um
movimento que está cada vez mais consciente da sua importância, da sua atuação.
Os espíritos estão cada vez mais esclarecidos e eu diria que está bom. Nós
estamos vivendo um momento muito importante em que os espíritas estão se unindo
mais, estão se buscando mais, colaborando mais, estudando mais e participando
cada vez mais na sociedade.
TE – Com a FEB vê
a generalização que se faz das práticas espirituais sob a denominação de
Espiritismo?
MA – A FEB
vê isto com muita tranqüilidade porque tudo isso revela na verdade uma falta de
conhecimento doutrinário. Com o passar do tempo, mais cedo ou mais tarde, nós
vamos chegar lá. Então é importante, faz parte do processo. Para se chegar ao
topo de uma montanha, no alto de uma montanha é preciso passar pela base, então
as pessoas vão passando por estas experiências, mais tarde vão ver que estas
experiências não vão satisfazer e aos poucos, pela dor, pelo sofrimento, pelo
conhecimento vão chegar lá.
TE – Como está atualmente o trabalho pela unificação
do movimento espírita?
MA – Este
trabalho está caminhando a passos largos porque a Doutrina Espírita está sendo
cada vez mais divulgada. Recentemente com a abertura da Bienal de São Paulo
saiu uma nota do Jornal nacional, da Globo, falando que foi assombrosa a
quantidade de pessoas que estavam procurando obras espíritas e isso é o
trabalho do movimento espírita. É o espírita que esta atuando, sem
proselitismo, sem querer convencer ninguém, mas sobretudo através do seu
exemplo mostrando que ele veio para
ficar e que é a porta de libertação espiritual do ser humano.
TE – Quais os principais obstáculos a expansão do
espiritismo?
MA – O
grande obstáculo é o próprio ser humano, é a imperfeição humana. Os desafios
que nós temos que enfrentar por estarmos muito presos as coisas da matéria. Nós
ainda vivemos como se fossemos ficar aqui eternamente, nós ainda estamos
acumulando tesouros que vão ficar aqui ao invés de optar por tesouros que o
ladrão não rouba, que a traça não corrói. Este é que é o grande obstáculo. Mas
a partir do momento que nós começarmos a entender que os nossos tesouros devem
ser de ordem espiritual então as coisas vão fluir com mais naturalidade.
TE – Estamos em pleno século XXI, na era da
informação, da tecnologia. Com tudo isso, os livros da codificação continuam
atuais?
MA – Mais
do que nunca!(com ênfase) Isso é uma das coisas que me deixam imensamente
feliz, apesar da codificação ter surgido num mundo, numa época em que
praticamente não existia tecnologia, a própria ciência estava dando seus passos
decisivos, mais do que nunca estamos vendo a toda hora a comprovação de que a informação
doutrinária espírita esta correta e a tecnologia neste momento está sendo
também um instrumento para divulgar estas idéias, para fazer chegar mais
rápido, e daqui a pouco nós vamos estar vendo, de uma maneira mais intensa, o
Plano Espiritual se manifestar também, mais intensamente, já o faz, para todas
as populações, para todas as massas. Então a tecnologia, ao invés de invalidar
o Espiritismo, está comprovando o Espiritismo, porque o Espiritismo sempre foi
um movimento de vanguarda, sempre esteve à frente.
TE – Neste ano em que estamos comemorando o
bicentenário de Kardec, o que a senhora destacaria no trabalho do codificador?
MA - Allan kardec é o nosso missionário querido, é
o nosso protetor maior. Foi o espírito que Jesus, abençoadamente, nos enviou para
nos mostrar o caminho da verdade, foi através de Kardec, é isso que eu gostaria
de destacar, que nós recebemos o cristianismo redivivo, a mensagem de Jesus
está sendo vivida pelos espíritas cada vez mais. Para mim, se kardec não
tivesse feito nada, absolutamente nada, só o fato de reviver o cristianismo já
teria valido.
TE – Recentemente criou-se uma polêmica dentro do
movimento espírita sobre se Chico Xavier foi ou não a reencarnação de Kardec.
Qual a sua posição este assunto?
MA – Na
verdade esta polêmica sempre existiu. Eu me lembro que eu era garota e já ouvia
meu pai falando sobre esta conversa lá dentro da minha casa. Na verdade, eu
creio o seguinte: Como o Chico, o nosso querido e inesquecível Chico, foi uma
pessoa tão fiel a Kardec, ele se identificou tanto com a mensagem espírita
codificada por Allan Kardec que passou a se confundir. Eu não sei se o Chico
era Kardec, honestamente eu não sei, eu não tenho elementos para dizer que sim
ou que não. De qualquer maneira a única coisa que eu posso dizer é que se
chegar um dia no Plano Espiritual, ou ainda encarnada, e receber uma
comprovação de que Chico foi Karde,
ótimo! Se também descobrir que não foi, ótimo também! porque todos dois são
maravilhosos.
TE – Allan Kardec, foi um educador, um pedagogo por
excelência. Qual sua opinião sobre a implantação de escolas espíritas, a
exemplo do que já existe com os católicos e protestantes?
MA – Já
existem algumas escolas espíritas, mas no movimento religioso, no ensino
religioso no Brasil o Espiritismo e outras preferências religiosas, como por exemplo
o Budismo e outras tantas, ainda não tem a consideração que nós gostaríamos.
Por enquanto o movimento Evangélico, o movimento católico é que predominam,
agora o Espiritismo está avançando, ele está avançando como todas as religiões
que falam da imortalidade, que mostram o destino do homem após a desencarnação,
que falam da lei de causa e efeito, da lei de progresso. E como o Espiritismo é
que nos apresenta, no nosso entendimento, uma orientação mais segura, mais
clara, nós acreditamos que isto é só questão de tempo, porque o homem também
tem que estar preparado para absorver estas verdades. Então, com o tempo, vai
ter o conhecimento geral, mesmo que cada um ainda continue com as suas
preferências vai haver um consenso, é só aguardarmos o tempo e continuarmos a
trabalhar.
TE – Qual o futuro do Espiritismo?
MA – Eu
acho que o Espiritismo, por ser o consolador prometido por Jesus, vai ser de
fato um instrumento de paz. Ele é um instrumento de paz e é ele que vai congregar
os seres humanos nesta pela paz e pelo bem.
TE – Qual o papel do espírita na sociedade atual?
MA – É
exemplificar, através da moral espírita, que é o próprio Evangelho de Jesus a
importância de nós nos tornarmos criaturas melhores, porque nós estamos aqui de
passagem, já estivemos nesse plano e vamos retornar a ele inúmeras vezes, então
o espírita assume uma responsabilidade imensa neste momento, ele deve pelo seu
exemplo mostrar que está trazendo uma mensagem de paz e de transformação das
criaturas.
TE – Pediríamos agora para o senhor deixar a sua
mensagem final.
MA – Eu
diria para os companheiros que me lêem na Internet que eles continuem se
mantendo firmes na perseguição do ideal espírita, que é este de nós tornarmos
homens e mulheres de bem. Vamos contribuir para a construção de um mundo
melhor. Enquanto há guerras, enquanto há lutas, enquanto há desafetos, enquanto
há inimizades vamos ao contrário, nos firmar cada vez mais, conhecendo o que
nós vamos fazer, o que nós somos, de onde viemos, através da mensagem espírita.
Vamos viver a nossa destinação, mas sobretudo, onde e como estivermos, com quem
estivermos, sejamos sempre instrumentos de paz.
TE – Obrigado.
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