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Publicitário
e consultor de empresas, Frederico Menezes é um dos mais queridos e
requisitados expositores espíritas brasileiros. Radicado em Pernambuco onde
realiza trabalhos mediúnicos, além de dirigir
a Sociedade Espírita Casa do Caminho onde desenvolve um belíssimo
trabalho com crianças.
Médium
e escritor, Fred, como é carinhosamente chamado esteve em Fortaleza para
proferir o seminário “Transformando-se com Jesus – Os vícios e os desvios de
conduta” e a Equipe da Terra Espiritual teve oportunidade de conversar com ele.
Abaixo reproduzimos o diálogo
TE – Quais os principais desvios de conduta e vícios
que estão presentes na humanidade atualmente?
FM – Toda
atitude que cria um comportamento de automatismo negativo é uma viciação.
Lamentavelmente, por exemplo, no campo da sexualidade, a pedofilia, o
desregramento sexual de variadas naturezas, o alcoolismo, a droga, a viciação
das chamadas drogas legais, a dependência das pessoas de antidistônicos e antidepressivos,
mas sobretudo também a viciação de ordem moral, aquela espiritual. Por exemplo,
os sentimentos destrutivos, o pessimismo, a falta de auto-estima, são
pensamento que ciclicamente vão se renovando no sentido negativo. Eles vão se
realimentado de falta de perspectiva existencial. A angústia, a ansiedade são
viciações da alma em que a Doutrina Espírita vem fazendo um trabalho de esclarecimento
das pessoas para que se possa quebrar esse mecanismo de realimentação negativo
para criar um automatismo do bem.
TE – O que leva as pessoas a enveredar por esses
caminhos de vício?
FM – A
imaturidade espiritual, a fragilidade emocional, a não compreensão sobre o
porquê das lutas e dos sofrimentos, a pressão do meio ambiente, as
formas-pensamento desencontradas que nós temos envolvendo a atmosfera psíquica
do planeta, os problemas obsessivos, a influência dos espíritos sobre as
pessoas, a deseducação moral.
TE – Num cenário em que temos a mídia, principalmente
a televisiva, explorando tanto a sexualidade e a violência, qual sua avaliação
sobre a mídia?
FM –
Lamentavelmente ela se alimenta da tendência das pessoas, tendência patológica,
das emoções ruins. E ao mesmo, ela sabe que provocando notícias de impacto
negativo chama a atenção do público. A mídia, lamentavelmente, tem um poder
extraordinário e tem contribuído de uma forma assustadora para desregramentos
sexuais, emocionais e desequilíbrios nas famílias. O senso de responsabilidade
de quem trabalha na mídia deveria ser bem maior. Então nós esperamos que este
trabalho de espiritualização possa contribuir para que no futuro nós tenhamos,
utilizando a mídia, meios de comunicação em massa com pessoas com senso
espiritualidade, de respeito à vida e que possam contribuir a fim de não criar
tantas imagens degradantes, como são criadas para as crianças e os adultos nos
dias de agora.
TE – Como as pessoas podem se prevenir desses desvios
de conduta?
FM – Com
estudo sobre si mesmo, a coragem de olhar para dentro e identificar as
necessidades e buscar o conhecimento espiritual, porque à medida que você se
auto-reconhece, se auto-observa e você procura o fortalecimento numa doutrina
como no nosso caso, a Doutrina Espírita, que proporciona uma visão tão larga da
vida, tão profunda, isso vai sem dúvida alguma nos alicerçar, dar a criatura a
sustentação e as pilastras necessárias para a superação de problemas que muitas
vezes são milenares, sedimentados nos ser há séculos. Então, superado isso que
está sedimentado a tanto tempo é preciso também uma vontade férrea e uma determinação
sabedores que passamos a ser de que as Leis de Deus trabalham para que sejamos
felizes e que a lei do progresso é inexorável. Vamos alcançar patamares mais
avançados de vida, então isso deve nos servir de estímulo para que a gente
vença os problemas das viciações.
TE – Como o senhor vê o trabalho do movimento
espírita no sentido de orientação das pessoas?
FM –
Existe um grande cuidado, uma preocupação, das casas espíritas de lidar com
essa realidade direta do ser humano. As casas espíritas hoje, não apenas tratam de abordar, por exemplo, o que O Livro
dos Espíritos vem abordando, que já é uma coisa avançadíssima, mas as casas também
se voltaram para a realidade cotidiana das pessoas, a realidade emocional das
criaturas, ninguém melhor do que o Espiritismo para falar sobre depressão, para
falar sobre ansiedade, sobre as doenças da alma como um todo. Ninguém melhor do
que a Doutrina Espírita. Então acho que com isso o movimento ganhou muito e
tomou a atitude adequada quando partiu em socorro a tantas almas, a tantas vidas
que atravessam experiências dessa natureza, esclarecendo-as e mostrando também
o outro lado da enfermidade que é o lado espiritual.
TE – Nesse seminário “Transformando-se com Jesus” o
senhor coloca uma proposta de modificação através do Evangelho. Como é este
processo de mudança de quem está caído e busca o reerguimento?
FM - É um processo de reconhecimento da sua
realidade, de quem somos nós. A ignorância a respeito de nós mesmos é que
propicia que sejamos pessoas enfermas. A partir do instante que tomamos
consciência que nós somos herdeiros da luz, filhos do Divino e que, portanto,
toda lei existe para que a gente cresça e seja poderoso, no sentido dos valores
espirituais em profundidade, então o encaminhamento, a proposta, a
fundamentação que se tem no Espiritismo, no Evangelho é exatamente essa, da
criatura tomar ciência da sua realidade íntima, tomar consciência de si, ter a
certeza do que ele é, e a partir daí traçar diretrizes de auto-superação para a
conquista da felicidade que é o que tomo mundo almeja.
TE – Um sentimento comum nas pessoas que passaram por
fase de viciações e iniciam este processo de mudança é o sentimento da culpa.
Como é que a culpa contribui para que as pessoas não consigam se reerguer?
FM – O
sentimento de culpa, de imediato, ele é salutar porque é o grito da consciência,
onde está escrita a lei de Deus, apontando o caminho de modificação. Permanecer
com este sentimento é improdutivo porque paralisa as possibilidades da criatura
e não é o objetivo da lei de Deus deixar-nos em punição, ao contrário, as leis
de Deus são educativas. Devemos sair
deste sentimento de culpa para ver que se tivemos culpa num determinado ponto,
devemos tomar consciência e vamos refazê-lo, além de podermos ter méritos em
outros pontos importantes. Então ficar no complexo de culpa é uma atitude
patológica, doentia e improdutiva. A consciência de culpa é o alerta da
consciência, é o alerta da intimidade do ser, porém, não para permanecermos
nele, mas para buscarmos a solução.
TE – Qual a importância da experiência de estarmos
encarnados?
FM –
Reencarnar está cada dia mais difícil. Uma encarnação aqui na Terra mobiliza
energias sublimes e poderosas na dimensão espiritual, toda existência é organizada
de uma forma que nós possamos crescer e desenvolver as nossas potencialidades,
não podemos desprezar o valor de uma encarnação, há muitos espíritos desejando
reencarnar e a dificuldade é enorme por conta da quantidade de contraceptivos,
de abortos criminosos, do próprio planejamento
natural e justo que se faz na atualidade quando antigamente as famílias
tinham diversos filhos e hoje só querem ter um, dois no máximo. Portanto nós
devemos valorizar a oportunidade que estamos tendo nesse momento histórico da
humanidade e, sobretudo nós, que conhecemos o Espiritismo, porque temos
recursos extraordinários para transformar essa nossa vida num êxito e num salto
qualitativo de ordem espiritual
TE – No movimento espírita encontramos atualmente,
grupos apegados apenas a Kardec e grupos que valorizam apenas o lado
evangélico. Como encontrar o meio termo?
FM – À
medida em que a gente vai amadurecendo espiritualmente na Doutrina, vamos
percebendo que ele possui um tríplice aspecto e naturalmente vamos equilibrando
esses pontos, mostrando que a casa espírita terá seu campo de pesquisa
científico, se tiver pessoas voltadas para este campo, a filosofia para
interpretar a vida, para interpretar esses conhecimentos na prática existencial
de cada um, mas principalmente a religiosidade assim como a ligação profunda
com Deus. Segundo Emmanuel o grande vértice é a religiosidade. Então, a partir
daí, você começa a pensar com amor e a sentir com a inteligência. É o
equilíbrio entre a razão e o sentimento.
TE – Pediríamos agora para o senhor deixar a sua
mensagem final.
FM – O
amor é imbatível, isto está sendo descoberto pela própria ciência, e o amor não
é simplesmente este conhecimento que nós temos, mas é o próprio respirar do
universo, o respirar da vida. Nós vamos chegar a conclusão que para sermos
criaturas saudáveis, para sermos pessoas equilibradas e realizadas precisamos
fazer a opção pelo amor e que Deus no dê uma fatalidade sublime, a fatalidade
transcendente de um dia sermos felizes. Muita
paz!
TE – Obrigado.
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