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Entrevista com Alexandre Fontes da Fonseca

 

                     Espírita desde criança, Alexandre Fontes da Fonseca começou a ler e estudar Kardec aos 15 e desde então não parou mais. Físico por formação, Alexandre conseguiu aliar sua atividade de físico e pesquisador a Doutrina Espírita. Atualmente fazendo pós-doutoramento nos Estados Unidos e também no Instituto de Física da USP, ele tem colaborado com a divulgação da Doutrina Espírita escrevendo artigos para a Revista Internacional de Espiritismo (RIE), para a revista FidelidadEspírita, para o Grupo de Estudos Avançados Espíritas (GEAE) e, agora, para a Terra Espiritual.

Entrevistado pela Terra Espiritual, Alexandre forneceu valiosas informações e pontos de vista que reproduzimos abaixo:

 

TE - Quando foi que você resolveu unir a ciência e o Espiritismo?

AF - Desde os 15 anos de idade me interessei em conhecer melhor a Doutrina Espírita através da leitura e estudo tanto das obras básicas quanto de algumas obras psicografadas pelo nosso irmão Chico Xavier. Mas foi a partir dos meus estudos na Universidade é que me interessei em conhecer melhor o aspecto científico do Espiritismo.

No começo, isto é, quando eu ainda tinha apenas a formação básica no curso de física, eu me sentia entusiasmado com a possibilidade de usar conceitos e idéias desta ciência para “demonstrar” ou “comprovar” alguns conceitos espíritas. Mal sabia eu, nessa época, que trabalhar em ciência é algo muito mais sério do que fazer analogias.

Foi com as experiências acadêmicas nos cursos de mestrado e doutorado que eu percebi o que é e como os cientistas da área de física e, por analogia, de todas as áreas em geral, trabalham. Foi no sofrimento em publicar os artigos decorrentes da atividade de pesquisa, que eu tomei consciência de que não se constrói o conhecimento dito científico sem o esforço árduo em demonstrar, usando as ferramentas de cada disciplina científica, os resultados obtidos.

Paralelamente, li e estudei alguns livros e artigos espíritas onde autores diversos, no melhor de seus esforços, tentaram fazer “pontes” entre resultados e conceitos da física moderna e o espiritismo. Comecei a perceber que alguns destes trabalhos não passavam de opiniões que seus autores acreditam ser verdades, mas que deram a impressão de que são “verdades científicas” no sentido que a ciência dá para essa expressão. Ao mesmo tempo, outros trabalhos foram publicados (destaco os artigos do Prof. Silvio Chibeni e colaboradores em http://www.geocities.com/chibeni ) que mostram de forma muito séria que o Espiritismo é uma ciência legítima, possuindo todos os ingredientes necessários para uma atividade científica puramente espírita.

Em resumo, com base nos dois aspectos acima, eu resolvi ao mesmo tempo: i) buscar esclarecer a necessidade de maior rigor na aplicação de conhecimentos da física em questões espíritas; ii) dar algum tipo de exemplo sobre como aplicar os conceitos da física em questões espíritas. Desejo esclarecer que não sou contrário a que tenhamos idéias que possam realizar “pontes” entre o Espiritismo e a ciência. Mas é necessário desenvolver os trabalhos de pesquisa espírita nesta linha, de forma rigorosa.

TE - Como é que o Espiritismo influencia o seu trabalho científico? 

AF - Como todo bom sonhador, eu adoraria poder contribuir para “demonstrar”, com as ferramentas da ciência que trabalho (a Física), as verdades espíritas. Mas, neste aspecto, é preciso esclarecer melhor alguns pontos que considero “falhos” nessa questão.

Um estudo mais aprofundado da Doutrina Espírita revela que não é necessário buscarmos essas comprovações porque Kardec já fez isso. Já sabemos não só pelo estudo das obras básicas, mas pelas atividades nas casas espíritas, que a alma existe e sobrevive à morte do corpo e que ela pode se comunicar conosco. Já nos convencemos de que é importante lutar pela nossa reforma íntima para construirmos um futuro espiritual melhor. Nós espíritas não precisamos de “novas comprovações”.

Por outro lado, em face das necessidades morais da humanidade, talvez seja de grande ajuda buscar, junto das ciências ordinárias, indícios ou pistas sobre a existência da alma.

Porém, em Física isso será muito difícil, apesar de eu crer que não seja impossível. Isso é difícil porque o corpo humano é um sistema material considerado “complexo” e essa complexidade dificulta qualquer tentativa de separar o que é efeito causado pela matéria do que é efeito causado pelo espírito. Isso não é tão simples quanto questionar a origem do livre-arbítrio. Particulamente falando, isso me basta para a minha fé no Espiritismo. Mas os céticos sempre exigirão algo mais elaborado. Por mais que existam preconceitos por trás dessas “exigências” elas tem um aspecto positivo: não permitir que nenhuma idéia mística e fanatizada adentre o mundo da ciência. O movimento espírita não é o único que tem desejado usar, por exemplo, os conceitos da teoria quântica para explicar seus princípios. E se duas filosofias diferentes usam a física para se promoverem qual das duas estará correta? Então, como disse o espírito de Erasto na página 257 da Revista Espírita n. 8 de 1861 “mais vale repelir 10 verdades que admitir uma só mentira, uma só teoria falsa”. Nesse aspecto a ciência tem agido de forma prudente.

Hoje, portanto, eu diria que a maior influência do Espiritismo na minha vida tanto particular quanto profissional se dá no aspecto moral.

TE - Que outras contribuições o Espiritismo trouxe para a sua vida?

AF - O Espiritismo trouxe muitas coisas boas para mim que basicamente nós conhecemos como o incentivo ao esforço na reforma íntima. Mas aproveitando o ensejo da pergunta, vou comentar sobre alguns aspectos que eu considero muito importantes com relação à essa questão.

A primeira coisa que considero importantíssima é que o Espiritismo mostra que os ensinamentos de Jesus são leis morais tão naturais quanto as leis materiais da natureza. O Espiritismo é o caminho mais racional que conheço que seguramente leva ao desenvolvimento moral de todos os que se interessam por ele.

O Espiritismo elimina, de uma vez por todas, qualquer mal entendido quanto ao aspecto moral. Ele mostra que não existem privilégios e que cada um é responsável por si mesmo. Esse é um princípio de justiça que jamais poderemos nos esquecer se desejamos o progresso espiritual.

Um detalhe em particular importante que eu gostaria de deixar claro é que o Espiritismo nos ajuda a perceber que quando uma opinião em desacordo com as nossas idéias é exposta, isso não é uma crítica a nós mas, sim, à idéia. As idéias precisam ser discutidas e analisadas, mas as pessoas são todas elas nossos irmãos e merecem respeito. Aos poucos as pessoas aprenderão a separar essas coisas.

TE - Qual a opinião dos seus colegas de universidade não-espíritas sobre a ciência espírita? 

AF - Eles não a consideram uma ciência. Eles, em geral, respeitam o Espiritismo como uma religião ou doutrina boa, que não é fanatizada e que tem boas conseqüências no ponto de vista moral e social. Mas eles não se interessam e não concordam com o aspecto científico do Espiritismo.

Alguns dos meus colegas físicos conhecem algumas afirmativas divulgadas no movimento espírita sobre física quântica e espiritismo e os espíritas não imaginam como isso os afastam do interesse pela Doutrina Espírita. O pior é que, como físico, eu tenho que concordar com eles, pois essas afirmativas são muito superficiais e erradas em alguns casos. Prefiro não citá-las porque o problema não são os irmãos que as defendem. Eles são nossos irmãos e merecem sempre o nosso respeito. Mas suas idéias são ainda um pouco equivocadas e isso é o que precisa ficar claro.

TE - Qual a contribuição que a ciência pode oferecer para a Doutrina Espírita?

AF - A primeira contribuição que eu chamaria de efetiva da ciência ao Espiritismo é o progresso tecnológico que permite, por exemplo, que a página Terra Espiritual possa estar sendo lida por milhares de pessoas em todo o mundo. A tecnologia desenvolvida para a mídia é, sem sombra de dúvida, uma contribuição real para a divulgação da Doutrina Espírita.

Mas se a pergunta teve o sentido de questionar se a ciência oferece suporte básico para as questões espíritas a resposta é sim, em alguns casos, e não em outros, o que, na média, não significa muita coisa em termos de propaganda para o Espiritismo.

Por exemplo, a teoria quântica e o desenvolvimento da disciplina chamada Física Nuclear mostrou que a matéria existe em estados que ignoramos (questão número 22 do Livro dos Espíritos). Mas a mesma teoria quântica apresenta problemas com relação ao princípio de causa e efeito. Em breve eu publicarei um artigo discutindo essa questão.

Portanto, é preciso ter cuidado com nossas afirmativas porque as pessoas que conhecem a ciência muito bem, saberão se elas foram feitas de forma superficial ou não. E se o Espiritismo, enfim, não tem que temer a opinião dos detratores, o ponto que eu chamo a atenção é que a gente pode estar afastando irmãos cientistas que venham a se interessar pelo Espiritismo mas que assumem que os espíritas não são sérios por causa, às vezes, de uma frase ou afirmativa isolada.

TE - A ciência tem feito avanços extraordinários em vários campos, você acha que esses avanços estão levando a ciência a comprovar os fenômenos e as informações fornecidas pelo Espiritismo?

AF - Como no exemplo acima, alguns avanços estão em acordo e mostram que o valor de algumas respostas dos espíritos, ditadas a quase 150 anos atrás, quando nem se imaginava o que significaria a palavra “quantum”. Penso que isso fortalece a nossa fé, mas não serve como “comprovação” científica. Um outro aspecto interessante é que outras disciplinas diferentes da Física podem estar dando mais contribuições para sugerir propostas espiritualistas. Por exemplo, em um artigo divulgado na página da Terra Espiritual eu menciono algumas pesquisas em Matemática muito interessantes que sugerem que o comportamento, entendido por nós, como moralmente elevado leva um grupo social a progredir mais depressa.

Eu entendo a preocupação de alguns irmãos espíritas em buscar verificar se as ciências estão comprovando ou não o Espiritismo. Kardec, afinal, disse que o Espiritismo caminharia a par dos desenvolvimentos científicos. Mas isso não significa que a gente tenha que comprovar o Espiritismo usando ferramentas científicas. Aliás Kardec deixou isso claro ao dizer que o objeto de estudo das outras ciências é a matéria e como tal não são apropriadas para estudar o espírito e as questões morais. Além disso, mesmo que algum resultado científico pareça contradizer o que o Espiritismo ensina, isso não significa que esse resultado é uma prova de que o Espiritismo está errado. Se os leitores soubessem o quão grande é o número de erros que temos na ciência e de que é preciso esperar um tempo longo até que uma nova descoberta seja enfim considerada válida!... Portanto, é arriscado usar esses conhecimentos da física moderna em defesa dos postulados espíritas porque amanhã ou depois, alguém demonstra os erros dessas teorias. Te dou um exemplo:

Na revista Nature de 6 de fevereiro de 2004, foi publicada uma nota de divulgação dos trabalhos de um grupo de cientistas que desenvolveu um aparelho para medir possíveis variações na velocidade da luz em referenciais diferentes. O sistema que eles desenvolveram é tão bom que é 30 vezes mais preciso do que as tentativas anteriores. Eles encontraram o resultado de que a luz não muda sua velocidade. Eles estão concluindo que as teorias famosas como a de supercordas ainda não estão completamente corretas pois elas se baseiam na possível variação, mesmo que muito pequena, na velocidade da luz. Eu pergunto aos leitores: é lícito construir um sistema teórico complicado para defender o Espiritismo e sair por aí fazendo afirmativas com base nesta teoria que a qualquer momento pode ser alterada? Não me parece ter sido isso o que Kardec recomendou quando disse que o Espiritismo deve estar a par do desenvolvimento da ciência. Estar a par com a ciência significa conhecer, também, seus métodos e rigores de análise. Usar apenas um aspecto da ciência é atitude arriscada e pouco profissional. 

TE - Como você avalia o desenvolvimento do Espiritismo fora do Brasil?

AF - Eu não tenho tanto conhecimento a respeito mas pelo pouco que eu tenho tido notícias, o Espiritismo não é coisa desconhecida no mundo. Muitos grupos espíritas existem na Europa, no Japão, nas Américas, etc. Isso é muito bom e tenho certeza que o movimento espírita internacional ainda vai crescer muito.

TE - Observa-se que mesmo fora do Brasil os espíritas, na sua grande maioria, são brasileiros. Existe uma resistência por parte dos estrangeiros ao Espiritismo? Por que?

AF - Essa é uma questão muito importante. A razão principal pela qual a maioria dos estrangeiros espíritas são brasileiros é que foram eles quem levaram o Espiritismo aos países onde eles fixaram residência. Mas eu não penso que exista resistência por parte dos estrangeiros não. Falando sobre o movimento espírita nos EUA, por incrível que pareça, a maioria dos grupos espíritas ainda realizam suas reuniões de estudo e atividades mediúnicas em português. Isso naturalmente é um empecilho à entrada de irmãos norte-americanos no movimento. Mas, recentemente, alguns grupos, como o Spiritist Group of New York (http://www.sgny.org) e alguns outros, estão se dedicando a oferecer palestras, cursos e atividades em inglês para, justamente, preencher esta lacuna. Inclusive, eu aproveito para sugerir as pessoas que porventura tenham a intenção de viver fora do Brasil e que sejam espíritas, que busquem colaborar com o movimento espírita na língua local para que possamos divulgar mais e mais o Espiritismo.

TE - No Brasil o Espiritismo cresceu mais no seu lado religioso, já em outros países os grupos espíritas parecem ter um foco maior no estudo científico e filosófico. Na sua visão, por que é tão raro encontrarmos o equilíbrio no desenvolvimento dos três aspectos do Espiritismo?

AF - Penso que isso se deve às características das pessoas. No Brasil talvez exista mais “calor humano” o que reflete um desenvolvimento moral da nossa gente. Mas isso não significa que o pessoal dos outros países sejam melhores ou piores. Aprendemos com Jesus que Deus é um Pai que não exige que devamos atingir o objetivo do progresso espiritual seguindo um único caminho pré-estipulado. O Espiritismo não diz “Fora do Espiritismo não há salvação” porque isso o igualaria à todas as seitas que pretendem ser as “donas da verdade” e portanto, não dirá que esse ou aquele grupo é o melhor. Cada indivíduo está no lugar certo para desenvolver o melhor para o seu progresso espiritual.

Existe um grande equívoco quando se analisam essas características do movimento espírita no Brasil. Ter ou sentir a religiosidade não exclui o aspecto científico e filosófico em nossas vidas e vice-versa. Einstein é um dos grandes exemplos. Sem seguir nenhuma religião institucionalizada ele sempre deixou publicamente claro que ele tinha um sentimento de religiosidade. O que quero dizer é que o ser humano não é uma máquina científica em uns ou religiosa em outros. Somos seres com capacidades latentes a serem desenvolvidas através das múltiplas encarnações. Somos seres que “pensamos” e “sentimos”. Diz-nos o Espiritismo que o sábio é aquele que já se desenvolveu nos dois campos: o da moral e o do intelecto. Pois bem, se em nosso país, o movimento espírita tem se desenvolvido mais sob o aspecto moral do que o científico, então eu penso que estamos fazendo o mais difícil pois, infelizmente ainda, de forma geral em nossa humanidade, é mais fácil desenvolver o intelecto do que o sentimento moral. Inclusive, nesse aspecto, eu penso que estamos em vantagem porque qualquer trabalho de pesquisa futura que envolva o apoio mais direto do plano espiritual superior, vai requerer que os pesquisadores (nós espíritas aqui no Brasil) tenham o lado moral mais desenvolvido para que, justamente, eles possam se “aproximar” mais de nós e transmitir as suas idéias. 

Eu não me preocupo com as diferenças nas características de cada grupo ou mesmo nas nossas diferenças em particular. Isso não é uma razão “científica” para que boas coisas em todos os âmbitos não possam ocorrer.

TE - Na sua opinião de físico e pesquisador, obras como A Gênese ou Evolução em Dois Mundos, precisam passar por uma revisão ou elas continuam atuais?

AF - Kardec foi muito científico no desenvolvimento da Doutrina Espírita. Ele usou o máximo que foi possível dos conhecimentos da sua época para desenvolver cada tópico, cada questão, cada dúvida. A Gênese reflete uma análise à luz dos conhecimentos científicos da época a questão dos milagres e predições religiosas.

Mas apesar do desenvolvimento da ciência e mesmo apesar de existirem pequenos detalhes científicos isolados que não são mais aceitos nos dias de hoje, essa obra é bastante atual no sentido de oferecer-nos subsídios racionais para várias questões de ordem religiosa.

As obras de André Luiz, Mecanismos da Mediunidade e Evolução em Dois Mundos, constituem material bastante básico contendo informações úteis para estudo mesmo sabendo que eles contém alguns erros, alguns enganos e algumas afirmativas científicas que não podemos avaliar ainda.

Quanto a questão de se revisar, eu não penso ser esse um caminho produtivo. Quem teria autoridade para fazer uma revisão? Isso trás um problema sério pois muitos haverão de se achar capacitados e muitos acharão que essa ou aquela pessoa ou grupo não está preparado. Um outro detalhe é que querer revisar as obras básicas em nome de atualizá-las perante a ciência reflete um certo desconhecimento do que é ciência, de como a ciência progride e de como a ciência atualiza seus conhecimentos.

Está muito na moda falar-se da Mecânica Quântica. Mas o que dirigiu o foguete à Lua não foi a teoria quântica, mas sim a Mecânica Clássica de Newton. O fato de uma teoria nova surgir não faz com que a anterior seja jogada no lixo como fazemos com nossos computadores velhos. Eu mesmo, tenho trabalhos científicos publicados com aplicação em DNA onde eu uso Mecânica Clássica para estudá-lo. As coisas no mundo da ciência funcionam diferente. Penso que alguns irmãos nossos se entusiasmam com a ciência e por desconhecerem mais a fundo o processo de evolução dentro dela, eles pensam que o Espiritismo corre riscos e na verdade ele está muito bem protegido justamente porque Kardec tomou o cuidado de sempre ligar a Doutrina Espírita aos fatos. A Termodinâmica é uma teoria em física dita fenomenológica por ter sido desenvolvida em função de muitos experimentos e fenômenos e ela passou incólume pelo desenvolvimento da física moderna sem se alterar e muito pelo contrário, algumas de suas leis (como a entropia por exemplo) tem direcionado os resultados das teorias mais modernas que temos. Então, eu, como cientista e espírita sou contrário a qualquer idéia de atualização do Espiritismo ou das obras básicas seja lá como for. Seja o que for, isso não é uma atitude científica. Mas isso não impede que a gente desenvolva o conhecimento espírita de forma pura ou ligada às várias ciências. Te dou um exemplo particular. Eu tenho um artigo publicado na revista FidelidadESPIRITA de Campinas, divulgado no site Terra Espiritual, onde eu faço uso da teoria do caos para mostrar que a idéia de controle de grandes sistemas físicos como tempestades por parte dos espíritos não requer uma enorme quantidade de fluidos animalizados como se poderia pensar. Inclusive, Kardec, na gênese, Cap. XV, ítens 45 e 46, discute essa questão (sobre Jesus acalmando uma tempestade) e leva o leitor a suspeitar que ele não acreditou que o fenômeno (rápido controle da tempestade) pudesse ser possível de se realizar em um período de tempo tão curto. As alternativas que Kardec oferece sugerem isso. Mas com a idéia do caos, o fenômeno deixa de ser tão difícil do ponto de vista de necessitar uma quantidade enorme de fluidos animalizados, para se tornar um problema intelectual que assumimos que os espíritos superiores consequem resolver. Então, de forma humilde, a gente colabora num detalhe e isso não significa que a física está confirmando o Espiritismo e muito menos que o Espiritismo está sendo atualizado. Simplesmente estamos desenvolvendo pesquisas na ciência espírita de forma simples, resolvendo um problema na fronteira entre o Espiritismo e a ciência.

TE - Pediríamos agora para você deixar sua mensagem aos leitores da Terra Espiritual.

AF - Eu gostaria de finalizar essa conversa com algumas recomendações e lembretes.

1) ser científico não significa rejeitar e afastar de nós o aspecto religioso e moral do Espiritismo. Dizem os espíritos superiores que, primeiro devemos nos esforçar para vivenciar o amai-vos e, segundo, o instrui-vos (cap. VI do Evangelho Segundo o Espiritismo). O próprio Paulo de Tarso deixou claro que não basta conhecer todas as ciências, as da Terra e do Céu, se não tivermos amor em nossos corações, de nada adianta. Nenhum projeto espírita irá adiante sem o esforço pela vivência no aspecto moral. 

2) Kardec disse: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”. Para encarar “frente a frente” a razão, precisamos nos esforçar no aprimoramento do instrui-vos e conhecer como a ciência “encara” novos problemas, novas teorias, novos fenômenos. O uso de analogias não é mais suficiente e é necessário que o movimento espírita incentive e realize pesquisas legítimas. Somente com os rigores de um verdadeiro trabalho de pesquisa científico é que algum resultado espírita poderá “encarar de frente” a razão.

3) Todas as áreas do conhecimento se desenvolveram com a ajuda dos periódicos especializados, científicos, de cada área. Kardec tinha consciência disso e criou a Revista Espírita. Nos dias de hoje, temos diversos periódicos espíritas mas que ainda são desconhecidos ou não assinados pelo grande público espírita. Nossa recomendação é que se o leitor tiver condições financeiras, que busque assinar as revistas espíritas. A diferença entre as estatísticas do IBGE sobre o número de espíritas e o número de assinaturas de algumas das revistas espíritas mais tradicionais chega a ser menor que 1%. O apoio aos periódicos espíritas é de grande importância para o desenvolvimento do Espiritismo pois eles periódicos permitem que as idéias e trabalhos de pesquisa espíritas circulem junto aos espíritas promovendo o progresso e o intercâmbio de conhecimentos. Além das revistas mais conhecidas, como o Reformador e a Revista Internacional de Espiritismo, eu faço uma sugestão da revista FidelidadESPÍRITA, de Campinas, SP,  que conheço particularmente, e das revistas e jornais locais de cada região. Se tiver condições, incentive o movimento espírita, fazendo assinaturas e lendo os periódicos!

TE - Obrigado.

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

  

 

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