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Escritor e conferencista espírita,
bacharel em ciências exatas, engenheiro civil, filósofo, instrumentista
(musical), jornalista e professor de física aposentado, colaborador e
articulista de vários veículos de divulgação espírita, inclusive da Terra
Espiritual, o carioca, de Niterói, Carlos de Brito Imbassahy é um dos mais
destacados membros do movimento espírita. Trabalhador incansável é um dos
grandes incentivadores do estudo dentro do movimento espírita.
A Terra Espiritual convidou o professor Imbassahy para conceder
uma entrevista, com a qual ele gentilmente concordou e cujo conteúdo
reproduzimos abaixo:
TE - O senhor tendo nascido em berço
espírita, teve contato muito cedo com a Doutrina, numa época em que ela ainda
era muito perseguida. Como foi o seu início no Espiritismo?
CBI - Praticamente, sentia-me muito
à vontade e nunca percebi que seria diferente. O Espiritismo sempre representou
algo familiar, tal como aprender a falar, a andar, a ler e tudo mais.
TE - Como o senhor avalia a evolução do
movimento espírita daquela época até os dias de hoje?
CBI - Tem acontecido de tudo. No meu
tempo havia mais seriedade; impostores que se fizessem passar por médiuns, não
eram execrados, mas banidos do meio. Esta orgia que existe atualmente não
encontrava guarida. Além disso, era uma elite (no sentido de estudo) que
primava por Kardec e conhecia a doutrina. Hoje, o que tem de mensagem mediúnica
(falsa?) completamente contrária ao Espiritismo, é uma grandeza.
TE - Por que o Espiritismo não consegue
crescer muito no Brasil e principalmente em outros países?
CBI - Exatamente porque é uma
doutrina que exige estudo (quase ninguém quer estudar), critério (o que mais
falta atualmente) e perseverança nos trabalhos. Hoje todos querem, apenas
receber as glórias do nada que fazem, na esperança de que o Cristo faça por
eles.
TE - O senhor, tanto pela sua formação,
como pelo seu trabalho científico, deve conviver com muitos cientistas não
espíritas. O que falta, para que a ciência tradicional aceite os postulados
científicos do Espiritismo?
CBI - Falta, apenas, que os
Espíritas deixem esse evangelismo de lado, que está invadindo nossas fileiras,
para estudarem, de fato, a codificação em suas linhas, a fim de que os
cientistas possam dar crédito a nós. Caso contrário, o Espiritismo será visto
como sendo mais uma igreja cristã.
TE - A ciência convencional já atingiu o
estágio de, realmente, acrescentar novos conhecimentos ao Espiritismo?
CBI - Pelo contrário: o Espiritismo
é que poderá dar largas contribuições à Ciência, com seus esclarecimentos, já
que os pesquisadores do LEP admitem que exista o mundo material que é o
Universo e um domínio de existência dos agentes estruturadores. Estão a um
passo da aceitação tácita da existência da Espiritualidade, mas os fantasistas,
os falsos médiuns a pintar uma Espiritualidade à moda da casa e outros absurdos
fazem com que os cientistas não nos levem a sério.
TE - Para que se possa ter uma boa
compreensão de kardec é necessário muito estudo. Num país onde muitos não têm
acesso a livros e à leitura, não pode isso prejudicar a propagação do
Espiritismo?
CBI - É, o que, de fato, está
acontecendo. Além disso, a liderança do nosso movimento não é fiel a Kardec,
pregando falsa doutrina.
TE - Como difundir os princípios
espíritas com fidelidade num país tão extenso e com tantas diferenças?
CBI - Seria a coisa mais fácil
do mundo se não houvesse interferência dos "espiritólicos" que
continuam com sua mentalidade voltada para os princípios da Igreja, Porque,
então, os que, de fato quisessem estudar a doutrina teriam onde se apoiar. É
preferível uma turma de escol do que esta massa de fanáticos que invadem as
igrejas. Cada qual virá a seu tempo.
TE - Para alguém que está iniciando o
estudo das obras de Kardec, o senhor recomendaria alguma seqüência de leitura
dos livros?
CBI - Eu seguiria o que o próprio
Kardec recomenda, no item 5, cap. III, do Livro dos Médiuns: 1 - Começar pelo
livro "O Que é o Espiritismo"; 2 - O Livro dos Espíritos; 3 - O Livro
dos Médiuns; 4 - Coletânea de artigos selecionados pelo próprio Kardec
extraídos da Revista Espírita. Depois que tiver amplo domínio destas quatro
obras, ler as demais em qualquer ordem, antes de se preocupar com mensagens
mediúnicas de qualquer natureza.
TE - Além dos livros de kardec, que
outras obras e/ou autores o senhor recomendaria?
CBI - De um modo geral, devemos ler
de tudo, a fim de termos nossos próprios julgamentos, porém, seria sempre
prudente comparar cada obra com o que Kardec diz, porque tem muita coisa e
muita mensagem dita mediúnica que contraria a Codificação. Kardec é suficiente
para se conhecer a doutrina. O resto é complementar.
TE - O que o Espiritismo trouxe para sua
vida?
CBI - Estudo, estudo, estudo.
TE - O senhor é um dos mais atuantes
divulgadores da Doutrina Espírita. Quais são os meios de divulgação que o
senhor considera mais eficientes? E o que o senhor diria à alguém que deseja
seguir seu exemplo?
CBI - Eu exerci o magistério durante
40 anos, por isso, a exposição, para mim, é a forma mais precisa de se
transmitir algo. Quer pelo rádio, pela TV, pela Internet ou em platéias ao
vivo, principalmente. Hoje pouco se lê. Não aconselho ninguém a seguir meu
exemplo, porque vivi em outra época. Tudo está diferente. Fui jornalista no
tempo em que sentávamos na mesa de redação, abríamos o tampo e surgia uma Remington
para datilografarmos nossos textos. Hoje, não há mais nenhuma editora que
aceite material datilografado: ou é em disquete, ou pela Internet.
TE - Que outras atividades (dentro e
fora do movimento espírita) o senhor desenvolve atualmente?
CBI - Cuido da família. Já são
dezoito netos. Faço o que posso para que todos os meus sigam o bom caminho. Não
tenho condições de ir além. Atuo no Paltalk,
Group Wellcome Brazil, sala filosofia
espírita, expondo, às sextas-feiras, um tema sobre fenômenos paranormais e
aos domingos, apresento os estudos correlatos com "A Gênese" de
kardec.
TE - Quais são seus projetos para o
futuro?
CBI - Já cheguei no futuro. Com 72
anos, resta-me aguardar a volta para casa, isto é, a Espiritualidade.
TE - Como o senhor vê o futuro do
Espiritismo?
CBI - Meu pai*, recentemente, veio
me dizer que eu não me preocupasse com o destino que essa turma estava dando ao
Espiritismo porque não era esta a minha tarefa. Para isso, havia uma plêiade de
Espíritos responsáveis pelo Espiritismo e que, no momento oportuno, agiriam
para colocar as coisas no lugar. Baseado nesta informação, o que prevejo é que,
no momento certo, o Espiritismo vai surgir com suas verdadeiras posturas, para
que os que, de fato, queiram seguir nossa doutrina, tenham seus portais
abertos.
TE - Gostaríamos que o senhor deixasse
sua mensagem final aos leitores da Terra Espiritual.
CBI - O que cabe dizer, sem medo de
errar, é repetir, aqui, aquele lema: "A cada um segundo seus
méritos". Por isso, o que se pode afirmar é que devemos sempre estar
atentos aos nossos deveres, quer familiares, quer com a doutrina e até mesmo
com a sociedade. Não nos deixarmos levar pelo fanatismo, muito menos pela
fascinação de falsas glórias, a fim de que não sejamos desmascarados mais
tarde. E, finalmente, que nada acontece em vão: o determinismo é o grande
corretor do nosso livre arbítrio.
TE - Obrigado
*
Dr. Carlos Imbassahy (1884 – 1969), advogado, jornalista, orador espírita,
incentivador junto de Leopoldo Machado do Teatro Espírita, foi redator da
revista O Reformar, publicada pela FEB, e um dos mais importantes defensores e
divulgadores do Espiritismo.
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