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Nascido
em Santos, São Paulo, Rogério Silva representa a 4ª geração de espíritas de sua
família. Há sete anos morando no Ceará, onde já constituiu família, ele
trabalha como funcionário na secretária de turismo do estado do Ceará, além
disso, é estudante do curso de direito. Médium de psicopictografia (pintura
mediúnica) e psicografia (escrita mediúnica), Rogério atua também como palestrante,
escritor, articulista do jornal Gazeta Espírita, colabora com o Centro de Documentação
Espírita do Ceará (CEDEC) e ainda trabalha na casa espírita lar Antônio de Pádua.
No sábado dia 07/02/2004 Rogério estará
realizando o trabalho de pintura mediúnica para angariar fundos para o
movimento Portal da Paz e a equipe da Terra Espiritual conversou com ele e abaixo
reproduz o diálogo.
TE – Como começou a percepção da sua mediunidade?
Aos
quatorze anos nós desenvolvíamos trabalhos artísticos escolares e sentimos no
braço direito um forte impulso para algo que nos parecia de sensibilidade artística
ou alguma tarefa ligada ao desenho e nós começamos a traçar alguns esboços, uns
borrões sob evidência que se tratava de um fenômeno mediúnico na medida em que
nós éramos espíritas e compreendíamos o fenômeno que se passava conosco.
Naquela época estava no auge, a figura de Luiz Antônio Gasparetto, que é
notável médium pintor mediúnico no Brasil e desde logo compreendemos que se
tratava de algo correlacionado com a arte mediúnica no campo do desenho e da
pintura, isso em meados de 1989, 1987, nesse período.
TE – De lá para cá, como foi o
desenvolvimento da sua mediunidade? Você fez algum curso nessa área ou toda ela
é natural?
Nós nunca
fizemos nenhum curso de especialização nas artes plásticas, porque
compreendemos que o fenômeno deveria ser direcionado pelos espíritos, também
nunca tivemos orientação espiritual para que fizéssemos um curso. Éramos, realmente,
péssimos em matéria de artes plásticas (risos) e qualquer atividade artística,
mas identificamos que o processo para que surgisse essa faculdade mediúnica foi
muito rápido. Durante três meses nós fizemos apenas borrões e rabisco, talvez
para que tivéssemos um melhor relacionamento com os espíritos, num intercâmbio
de aprendizagem, de adestramento da nossa composição física. Em seis meses nós
observamos estilos diferentes e lá para o sétimo, oitavo mês aconteceu a
primeira assinatura que se identificou como o espírito de Pablo Picasso, pintor
cubista espanhol. De lá para cá são mais de dez anos de estrada e temos
observado que surgiu grande diversidade de espíritos, talvez mais de cinqüenta
entidades que se manifestaram através de mim. De forma interessante nós
destacamos os pintores regionais, são aqueles, às vezes, pintores
desconhecidos, os pintores da terra, pintores locais. Aqui no Ceará nós poderíamos
destacar a presença de alguns. Os mais comuns são: Vicente leite, Antônio
bandeira, Chico da Silva, Barrica, Etc.
TE – Os médiuns que possuem o seu tipo de mediunidade
sofrem muito assédio. Há uma associação muito grande para exacerbar a vaidade
do médium ou então tentar levá-lo a obter ganhos pessoais. Como é o seu esforço
para evitar essas armadilhas?
É uma
faculdade, que não podemos negar, cria uma certa projeção para o médium, se ele
apresenta fidelidade artística. Não é a toa que estamos aqui no Ceará, onde nos
fixamos porque acabamos criando família. Mas desde 1991 fazíamos visitas ao
Ceará, em estadas pequenas, mas destinadas às atividades de pintura mediúnica e
a outras localidades do Brasil, então surgiu alguma notoriedade. Mas é preciso
que o médium, fiel aos apostolado com Jesus, esteja certo que sua tarefa é tão
somente um exercício da capacidade de reformulação de consciência cristã, na
medida em que ele não passa de um simples intermediário, mensageiro. No nosso
caso eu gosto de dizer que sou pincel, pincel mediúnico e nada mais. Mas os
espíritos também nos orientam a algo importante, e foi uma sugestão, e talvez
até um meio de ratificação dos espíritos para a continuidade deste trabalho
conosco: eles disseram certa vez que jamais fariam demonstrações mediúnicas
para que o conteúdo da venda dos quadros fosse destinada a instituições da qual
eu participasse. E eu compreendi bem essa recomendação. Outra orientação que
nos revelou o nosso querido Chico Xavier, foi que a renda desses quadros
deveria ser destinada a entidades de caráter sócio-cultural, preferencialmente
beneficentes, e jamais deveriam ser dedicados para o nosso próprio bolso. Essas
orientações dos espíritos foram para que não tivéssemos facilidades na matéria
financeira e para que nos dedicássemos tão somente ao trabalho com espíritos
fitando o nosso crescimento espiritual e exemplificando a tarefa mediúnica,
humilde, que nos foi destinada.
TE – Como foi esse encontro com
Chico Xavier?
O Chico
é, certamente, o maior psicógrafo de todos os tempos que passou por este mundo.
Nós morávamos em Santos e Uberaba era muito próximo, de forma que algumas vezes
nós pegávamos o ônibus à noite e íamos até Uberaba. Em 1992 eu o conheci na
distribuição de Natal promovida pelo Centro Espírita União de São Paulo sob a
direção da D. Iolanda, que fazia uma campanha para distribuição no Grupo
Espírita da Prece, do Chico. Nós conhecemos o Chico nesta noite e coincidentemente
um fato pitoresco que podemos relatar é que há alguns meses nós tivemos contato
com a D. Maria Augusta Holanda fontes, que é muito amiga do Chico Xavier,
cearense, aliás, a pessoa que inaugurou a Rua Chico Xavier, talvez a única no
Brasil, aqui em Fortaleza, no bairro Barra do Ceará, e nós falamos com D. Maria
Augusta. Ela havia sofrido um acidente, uma queda, que inclusive a obrigou a
colocar uns parafusos na perna, e ela nos indicou a referência ideal para que
pudéssemos entrar em contato com o Chico Xavier lá em Uberaba. Nós fomos,
chegou a noite de Natal, uma noite muito ilustrada por sinal, e o Chico foi
entrando no centro espírita e todos batiam palmas, homenageando aquele seareiro
já reconhecido, inclusive andava amparado, porque estava debilitado fisicamente,
mas ele referendou as palmas devolvendo-as para todos os participantes, daquela
noite, da campanha, num gesto de agradecimento. Ele era muito humilde, tudo ele
devolvia. Mas na mesma noite eu pude falar com o Chico e contei que quem
recomendava um abraço para ele era a D. Maria Augusta, e ele com aquela voz
delicada, perguntou se tratava-se da D. Maria Augusta Holanda fontes do Ceará,
e nesse momento eu imaginei que na cabeça do Chico já deviam ter passado muitas
Maria Augustas, mas Holanda fontes era uma pessoa especial. Então eu disse: -
Perfeitamente. E ele perguntou ainda se ela ainda residia na Avenida Desembargador
Moreira número tal, apartamento X. E eu disse: - Perfeitamente. E ele
perguntou: - Como está ela? E eu contei para ele que ela havia sofrido uma
queda e essa noite ele virou para mime disse: - Eu vou lá. E após mais algumas
palavras finalizamos a conversa. Quando voltamos a Santos, aliás, forrados com
um perfume que o Chico nos concedeu, um perfume espiritual, que permaneceu conosco
por muito tempo, por um fenômeno mediúnico que se sucedeu conosco, tivemos a
intenção de ligar para a D. Maria Augusta alguns dias depois para dizer do
contato com o Chico e para dizer daquela afirmação dele de que iria revê-la.
Ligamos para ela e antes que eu contasse a conversa que eu tinha tido com ele,
ela me disse que o Chico tinha estado lá, que tinha sentido a presença do Chico
e que estava se sentindo muito bem, porque o Chico tinha aplicado um passe e
ela já estava andando. De forma impressionante, alguns meses depois, estive no
Ceará e ela me recebeu andando, como comprovação daquele contato com o Chico.
TE – Qual a importância do Espiritismo na sua vida?
O
Espiritismo, que no seio de uma compreensão cristã vem anexada aqueles dizeres
de Emmanuel, Doutrina Espírita Cristã, tem sido para mim um roteiro vivo do
Evangelho de Jesus nos tempos modernos. Eu acredito que sem a justificativa da
reencarnação, sem a justificativa da imortalidade da alma eu não teria, de modo
algum, a capacidade de compreender os valores espirituais da vida maior, os valores
espirituais da existência futura. O Espiritismo tem sido para mim, agora de
modo suspeito, porque nasci em berço espírita, uma fonte abundante de fé e esperança
para os meus dias aqui na Terra, nesta existência, porque parece traduzir uma
música, uma música bonita que nós às vezes ouvimos noutro idioma e parece que
não podemos compreender, mas o Espiritismo vem traduzir essa música para a
nossa língua, de modo que sentimos de forma emocionante em nosso coração, em
nossa alma. Todos os dias dedicamos algum tempo à leitura de alguma passagem, à
oração, porque nos fala muito mais a voz viva da Doutrina codificada por Allan
Kardec, como se ali estivesse o segredo da caixa de pandora. Todos os dias
temos na Doutrina Espírita, a esperança de um mundo melhor, de uma vida melhor,
começando por nós mesmos, dentro da reforma íntima.
TE – Já que você não pode exercitar a pintura
mediúnica no Lar Antônio de Pádua, como é o seu trabalho lá?
É justo
lembrar neste instante, que essa tarefa de pintura mediúnica é uma faculdade
que dispende alguns recursos, até financeiros, de modo que ela não é fácil de
ser executada em qualquer atividade de reunião pública, é preciso muitas vezes
que a reserve no meu ambiente doméstico. E lá no centro espírita, no Lar Antônio
de Pádua, dedicamos, não raro, à tarefa de psicografia, com mensagens ,
geralmente de consolação, mas por espíritos amigos, benfeitores que ali participam,
algumas vezes há a presença de alguns poetas, que nós sentimos ali no ambiente,
e não raro também nos dedicamos às conferências espíritas, para que possamos
passar a mensagem do Cristo. Nos dedicamos também à evangelização infantil, na
filial do lar Antônio de Pádua em Pacatuba, aqui no Ceará, que leva o nome de Eurípedes
Barsanulfo, que foi um grande benfeitor no triângulo Mineiro, em sacramento,
Minas gerais. Isso por orientação da nossa irmã Anália, que é a dirigente da
instituição, uma senhora de muito respeito, de muita responsabilidade e que
vive aqui no Ceará há mais de 40 anos, casada com Fernando Melo, que foi o
fundador da instituição. É uma instituição de grande valor. Há a tarefa da creche,
que assiste as pessoas que moram ali com paralisia cerebral infantil ou outros
problemas. Há a fazenda que lida com as comunidades carentes de Pacatuba, no
Sítio Esperança, há a própria sede de Eurípedes Barsanulfo em Pacatuba e também
lá na Prainha, no município de Aquiraz, há uma outra filial do Lar Antônio de
Pádua, que se dedica à tarefa de evangelização, ao artesanato e alguns trabalhos
manuais com a comunidade carente da região.
TE – Gostaríamos de pedir a sua
mensagem final.
Queremos então consignar
aqui, na página Terra Espiritual, lembrando também do nosso encontro no próximo
dia 07 de fevereiro as 19:00 horas, um apontamento para a faculdade mediúnica,
que é tão simples; A renovação com Jesus que faz com que a faculdade mediúnica
passe a ser um instrumento para que possamos fazer algo maior nessa existência.
Há pouco tempo lemos uma frase do Chico Xavier, que muito nos sensibilizou e
que eu gostaria de reproduzir para que ficasse registrado: “Embora ninguém
possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e
fazer um novo fim.” E a realidade é essa, o passado já não mais nos importa,
mas devemos olhar para o momento, na instância do futuro, com o dever a cumprir,
sob aquele pensamento que devemos ser aquilo que projetamos, mas sempre com
Jesus. Sempre! Esse é o roteiro. Nós podemos muitas vezes nos desvincular, nos
desviar do caminho, mas desde já voltemos ao caminho certo, ao caminho seguro,
porque na vida, a rotina, a complexidade da existência é apenas um momento.
TE – Muito Obrigado.
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