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O pastor Nehemias Marien, da Igreja Presbiteriana de Copacabana, é
considerado um dos maiores conhecedores dos textos bíblicos, fato que o tornou
conhecido e respeitado no Brasil inteiro. Presidente
do Colegiado de Pastores da Igreja Presbiteriana Bethesda, no Rio de Janeiro. É
graduado em Teologia pelo Seminário Presbítero de Campinas e Mestre em Ciências
Bíblicas pela Universidade de Nottingham, na Inglaterra. Tem representado a
corrente presbiteriana em colóquios internacionais, especialmente na Europa e
Estados Unidos.
TE – Pastor
Nehemias, como o senhor se sente participando de um congresso espírita?
NM – Eu me considero partícipe pleno porque não é um
ambiente estranho. Eu estou feliz por ter sido inserido neste congresso, que é
um local em que eu aprendo mais, burilo o meu pensamento e cresço
espiritualmente. Considero esse encontro um banquete de espiritualidade.
TE – Por
que há tanta resistência por parte de algumas religiões em trabalharem em
conjunto?
NM –
A resistência é em função do medo. Medo e ignorância. Os parâmetros que hoje
reinam na igreja é a ignorância e o medo.
TE – A fraternidade entre os homens vai ser alcançada
algum dia?
NM – Olha,
pelo cenário mundial de guerras, que se multiplicam, é difícil imaginar, mas eu
creio na palavra de Jesus quando disse que haverá paz na Terra, então para nós isso
depende do nosso trabalho. O esforço pessoal somado, cada um fazendo o seu
limite, o que pode fazer eu acho que a gente construíra um mundo de paz.
TE – Como o senhor falou, temos atualmente vários
episódios de violência pelo mundo. Que esforço devemos fazer para construir a
paz?
NM – Acho
que praticar o amor e o serviço. Acho
que os parâmetros da paz chamam-se amor e serviço.
TE – O senhor teve oportunidade de conhecer Chico
Xavier. O que o senhor pode nos dizer dele?
NM – Eu ia
para Brasília com uns amigos, então eu disse: “vamos parar aqui em Uberaba que
eu quero conhecer pessoalmente o Chico Xavier”. Eu já tinha ligado, marcado uma
entrevista e eu tive uma impressão muito boa. Primeiro da simplicidade dele, da
humildade dele e a maneira dele orar. Eu nunca tinha ouvido uma oração tão
forte, tão espontânea como a dele. A outra foi de Dom Helder Câmara que foi na
mesma linha de pensamento. Eu acho que ele, Chico, foi tanto um líder humilde
quanto sábio.
TE – É difícil ser um homem de vanguarda num mundo
ainda tomado por pensamentos reacionários?
NM – É.
Não me considero assim um homem enfrentando desafios porque esse é o caminho,
então eu acho que a dificuldade é a gente ver que estamos protelando um alvo de
unidade, mas é abençoado, esse é um caminho que nos traz a paz, mas muito
difícil, difícil, porque há muita gente colocando barreiras, então o que nós
precisamos são pessoas que sejam pontes, unindo os abismos, como é o que eu
tenho procurado fazer. Esse diálogo. Eu venho, é interessante dizer isso, eu
venho não em nome da minha denominação presbiteriana, e nem em nome da minha igreja,
eu venho pessoalmente, interessado em crescer, em aprender. Agora amanhã eu
penso que poderei fazer alguma coisa pelo espiritismo. Lá na igreja a gente
conversa sobre isso, eu dou aula de teologia e de Bíblia e passo para lá o que
eu aprendo.
TE – Gostaríamos agora de pedir que o senhor deixasse
a sua mensagem para aqueles que lerem esta entrevista.
NM – Eu
peço a Deus que abençoe os leitores e rogo que Deus que esse esforço pela
unidade de todos, essa transformação de todos no amor e no serviço seja a
tônica, a tônica da nossa fraternidade. E deixo também a minha oração também
por todos vocês que trabalham no jornalismo.
TE – Muito obrigado.
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