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Richard Simonetti nasceu em Bauru, Estado
de São Paulo, em 10 de outubro de 1935. Milita no movimento espírita desde
1957, integrado no Centro Espírita Amor e Caridade, onde desenvolve largo
trabalho de assistência espiritual e material naquela cidade. É autor de
diversos livros espíritas e colabora em jornais e revistas espíritas,
notadamente em O Reformador, O Clarim e Folha Espírita. Funcionário aposentado
do Banco do Brasil, tem percorrido todos os Estados brasileiros em palestras de
divulgação da Doutrina Espírita.
TE – O seu trabalho literário é bem eclético. O
senhor tem preferência por alguma área dentro da Doutrina Espírita?
RS – Não,
preferência propriamente não. Eu realmente tenho uma mente muito inquieta, eu
me volto para todos os aspectos da Doutrina, embora quem acompanha a minha
literatura, observando a simplicidade e a concisão do meu estilo vem a perceber
que no fundo eu trato mais mesmo é da filosofia espírita. Mesmo quando eu
abordo questões relacionadas com o Evangelho ou com o aspecto cientifico do
espiritismo o enfoque é sempre voltado para o aspecto filosófico.
TE – Na sua opinião, qual o papel do espiritismo na
sociedade?
RS – O espiritismo
vem numa vanguarda de idéias em favor da renovação da humanidade. Nós sabemos
que em todas as épocas, sempre tivemos principalmente dentro dos movimentos
religiosos, verdadeiros missionários da Espiritualidade interessados em
imprimir rumos de progresso à humanidade. Então nós temos isso na área
católica, evangélica, na área leiga, temos pessoas que pontificam. Agora eu
entendo que a mensagem espírita vem numa vanguarda de esclarecimentos. Nunca o
homem teve uma visão tão objetiva das realidades espirituais, desse inter-relacionamento
que há entre o plano físico e o espiritual, a influência dos espíritos na nossa
vida, a sucessão das existências na Terra, nunca se teve uma visão tão clara e
objetiva quanto a essas realidades, como o espiritismo nos proporciona. Então o
espiritismo realmente é a grande mensagem, a grande aposta do mundo espiritual
em favor de uma humanidade renovada, mais consciente, esclarecida e sobretudo
mais responsável.
TE –A humanidade está atualmente numa busca do mundo
espiritual, do lado divino da vida, como nós podemos perceber a presença de
Deus em nossas vidas?
RS – A
nossa busca de Deus, a conceituação que há é que devemos buscá-lo dentro de nós
mesmos. Nós somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança. Deus está
em tudo e está em todos. Está em nós também. O grande problema é estabelecermos
as fontes de contato com Deus na intimidade da nossa própria alma. Na palestra
de ontem eu procurei destacar que a bondade é o caminho para Deus, o exercício
da bondade nos realiza como filhos de Deus, então sempre que estendemos mãos
para o trabalho no campo do bem, procurando fazer alguma coisa em favor do
semelhante é como se nós estendêssemos antenas para sintonia com as fontes da
vida e a captação das benções de Deus. Então eu entendo que acreditar em Deus é
uma coisa, mas sentir a presença de Deus em nossas vidas capaz de nos sustentar
nos mais difíceis testemunhos e nos orientar nos mais difíceis desafios da vida
nós só alcançaremos quando efetivamente estivermos exercitando a bondade que é
o próprio amor em ação preconizado por Jesus. É o empenho de servir, de fazer
ao semelhante o bem que gostaríamos que nos fosse feito.
TE – Este congresso tem como tema O Espiritismo e a
Construção da Paz. A paz mundial é um objetivo possível?
RS – A paz
não se estabelecerá no mundo enquanto ela não for resultado da construção da
paz no sentido individual. Nós sabemos que a paz é fundamental, é o tempero da
felicidade humana. Sem felicidade não adianta a vida atender às nossas
solicitações, e talvez o problema maior seja esse, as pessoas estão procurando
a paz através da realização de seus desejos, do atendimento de suas necessidades.
Aquele cidadão quer ser rico, aquele outro quer ter saúde, o outro quer se
casar, enfim, nós estamos sempre procurando a paz em torno de algumas
realizações humanas, quando a paz na realidade é uma realização eminentemente
espiritual, que nasce exatamente a partir do momento em que nós nos desapegamos
das realizações humanas e pensamos no
nosso contato com a Espiritualidade, nossa comunhão com Deus, o que implica em
combater as nossas imperfeições, em superar os nossos vícios, as nossas
imperfeições. Então somente na medida em que essa busca da paz como uma
realização dentro de nós mesmos passe a constituir o anseio da humanidade, o
caminho a ser seguido pelos homens é que a paz irá se estendendo pelo mundo, é
a questão do Reino de Deus. O Reino de Deus vai se estabelecer na Terra não por
um decreto divino, mas à medida que as pessoas tentem realizar o reino de Deus
dentro de si mesmas, através do empenho do bem. Então quando a humanidade
estiver consciente dessas realizações e de como alcançá-las é que a paz vai se
estender sobre o mundo.
TE – Para finalizar, gostaríamos que o senhor
deixasse uma mensagem para os nossos leitores?
RS – O
nosso desejo de que todos possamos alcançar a paz, através da vivência da
mensagem espírita, que é sem dúvida alguma o grande apelo da Espiritualidade no
sentido de que trabalhemos pela paz e de que façamos alguma coisa pela
construção de um mundo melhor, na medida em que estivermos integrados nesse
movimento, nós estaremos correspondendo às expectativas da Espiritualidade quando
nos deu a maravilhosa oportunidade de conhecer o que é o Espiritismo.
TE – Obrigado.
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