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Fundada em 1925, na
cidade de Matão, São Paulo, a Revista Internacional de Espiritismo é um dos
mais conceituados veículos de divulgação da Doutrina Espírita. Aparecido
Belvedere, além de editor responsável pela RIE e pelo jornal O Clarim é um dos
grandes propagadores do Espiritismo em todo o país, participando de eventos em
todo o Brasil.
TE – Como o senhor avalia a evolução do espiritismo
de kardec até os dias de hoje?
AB – realmente
melhorou bastante e a cada dia que passa a gente observa que através desses
congressos, encontros e seminários, desse trabalho que a Federação Espírita
brasileira através do ESDE, Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, não só
Brasil, mas temos observado no exterior também, tem dado um impulso muito
grande. Então nós observamos, graças a Deus, que o movimento cada dia mais, ele
está se expandindo, haja vista a grande procura pelas casas espíritas cada vez
mais aumentando a sua freqüência e agente nota isso em vários estados do nosso
país, graças a Deus. A gente nota que o movimento esta cada vez mais se
expandindo porque trás uma mensagem de consolação, uma mensagem de esperança,
uma mensagem racional, que não é uma fé cega é uma fé raciocinada.
TE – Apesar de Kardec ter iniciado o espiritismo na
França, não houve uma expansão da doutrina na Europa e podemos dizer que o
Espiritismo mudou de sede vindo para o Brasil, por quê?
AB – O que
aconteceu, segundo o mundo espiritual, é que vários espíritos reencarnaram no
Brasil para aproveitar o ambiente de liberdade existente aqui, além disso, é
preciso considerar que a Europa passou por duas guerras, a guerra de 1918 e a
guerra de 1939 e o povo tornou-se muito racional e a religião não progrediu,
isto favoreceu bastante o Brasil, pelo seu povo, seus sentimentos, a própria
formação, condições oferecidas pela religião anterior. Na verdade o clima aqui
favorece bastante, tanto é que nós estamos exportando. O clima de fraternidade,
de tolerância isso realmente facilita bastante a divulgação e ampliação.
Deveria ser na Europa, mas ta chegando lá também.
TE – Aqui no Brasil o espiritismo adquiriu muita
força principalmente no lado religioso, apesar do seu tríplice aspecto, como
podemos equilibrar este tripé?
AB – Acho
que primeiro houve a necessidade de se trabalhar primeiro com a emoção e se
fortalecer com as obras sociais, como aconteceu em todo país. Mas a gente nota
que de uns tempos para cá estão se formando associações específicas, como nós
temos a Associação dos Médicos Espíritas (AME), a Associação Brasileira de Magistrados
Espíritas (ABRAME), de psicólogos espíritas, de psiquiatras espíritas, de
delegados espíritas e assim por diante. Então nós notamos que têm acontecido muitos
simpósios, muitos encontros e seminários abordando a parte científica do
espiritismo. E tivemos, graças a Deus, o professor Hernani de Guimarães
Andrade, que é reconhecido em muitos países pelo trabalho científico que ele
desenvolveu e acompanhado por outros, que muito colaboraram nessa área. Nós
temos conhecimento, por exemplo, que na UNICAMP, de Campinas, na UNESP, de São
Carlos, existem vários professores da área científica e de exatas, que tem dado
palestras e tem escrito obras sobre espiritismo, então está se desenvolvendo
bastante.
TE – Como é o trabalho de divulgação da Doutrina
Espírita através dos meios de imprensa?
AB – É
outra área que se desenvolveu e está se desenvolvendo bastante. Eu vou falar só
do caso da casa editora O Clarim, que foi fundada por Cairbar Schutel em 15 de
agosto de 1905, portanto daqui a dois anos vamos comemorar o centenário. Há
alguns atrás, cerca de vinte, trinta anos atrás nós tínhamos só uma meia dúzia
de editoras de livro espíritas, hoje nós temos centenas, passou de cem. De periódicos
espíritas é enorme a quantidade e também programas de televisão e programas de
rádio cada vez proliferando mais, isso está dando uma divulgação de massa.
Acreditamos que no futuro o próprio meio espírita vai encontrar um meio de
criar um programa em horário nobre na televisão, na grande mídia, fazendo essa
divulgação. A tendência é aumentar cada vez mais através de vários canais, da
imprensa escrita, da televisiva, do rádio, e assim por diante.
TE – Apesar dessa divulgação toda o espiritismo ainda
sofre muito preconceito e é confundido com religiões afro-brasileiras, por quê?
AB – É
porque infelizmente houve e ainda há, através das religiões chamadas oficiais,
mais por parte do catolicismo e principalmente os evangélicos agora, chamados
evangélicos, que fazem uma contra-propaganda dizendo que o espiritismo é coisa
do demônio, é coisa de gente atrasada e assim por diante. E o povo brasileiro
ainda está condicionado, através de séculos, por assim dizer, por essas
doutrinas oficiais religiosas, então o que acontece? Acontece essa tendência ao preconceito, mas a
cada dia que passa a coisa está mudando, tanto é que o público que freqüenta as
casas espíritas aumentou consideravelmente.
TE – Qual o papel do espiritismo na construção da paz?
AB –Ah!
Tem tudo para isso. Porque traz uma mensagem de consolação, de esperança.
Mostra a justiça divina acima de tudo. A lei da reencarnação que vem corrigir
todas as distorções. E sempre dessa maneira racional, o espiritismo está cada
vez mais criando condições favoráveis para dar a sua mensagem de paz, paz por
quê? Porque é uma fé raciocinada e hoje em dia é necessário aliar a razão à
emoção para construir a paz e não apenas com a emoção como era feito antigamente.
Então o espiritismo tem tudo e com o
trabalho que vem fazendo vai facilitar este objetivo.
TE – Qual a sua mensagem final?
AB – vocês
leitores estão de parabéns, porque a exemplo do que tem acontecido com outros
programas pela Internet, estamos vendo que este é instrumento que está disseminando
bastante a Doutrina Espírita, então a minha mensagem é de paz, de esperança e
que devemos todos, através da nossa reforma íntima que é muito importante, de
uma maneira racional como a própria Doutrina propõe para nós. E nós devemos prosseguir,
continuando, não desanimando com os obstáculos, as dificuldades que surgirem. Se
nós olharmos para trás, para os pioneiros do Espiritismo que nós tivemos, como
é o caso do Cairbar Schutel, que é o caso mais conhecido nosso, meu em
particular. Em 1905, Matão era uma vila, com duas, três ruas e lá ele fundou o
jornal O Clarim e fundou em 1925 a Revista Internacional de Espiritismo. Se foi
possível fazer isso, imagine o que é possível fazer hoje. Então, devemos todos
nós prosseguir nesse intento que é muito importante, ter fé, ter perseverança e
naturalmente saber desviar das pedras do caminho. Nós estamos todos de parabéns
por temos abraçado esta doutrina consoladora e com bastante razão graças a
Allan Kardec que codificou de uma maneira magistral a Doutrina Espírita e o meu
muito obrigado a todos vocês.
TE – Obrigado.
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