|
Esta
semana a equipe da Terra Espiritual teve oportunidade de conversar com a
presidente da Federação Espírita do Estado do Ceará, Olga Maia, que através da
humildade, da sinceridade e do espírito conciliador, vem conseguido, juntamente
com sua equipe, unir o movimento espírita no Ceará e levar a Doutrina Espírita
para todo o Estado.
Abaixo
segue a íntegra da conversa, onde ela falou do trabalho a frente da FEEC, do
congresso espírita estadual, e dos jovens.
Muita
paz a todos !
Entrevista com Olga Maia (Presidente da
FEEC)
TE - Como foi sua trajetória na Doutrina
Espírita?
OM – Nós
somos trabalhadores de Jesus e o nosso trabalho nessa seara do espiritismo
cristão é simplesmente de você parar. Há um momento em que todos nós, como
Paulo de Tarso, temos o nosso caminho de Damasco, então é muito simples,
diariamente, como nós recebemos aqui no início deste ano numa reunião mediúnica
para a federação, nós recebemos uma mensagem de um amigo espiritual dizendo que
a todo dia, ou então nos momentos de dificuldades nós parássemos e
perguntássemos: “Senhor, o que queres que eu faça?” A nossa trajetória é essas,
de perguntas diárias. Nós não trabalhamos para a federação, nós trabalhamos na
federação, mas nosso objetivo é o trabalho do espiritismo cristão, isto é do
cristianismo redivivo. Aonde precisar estar, aonde nos colocarem, seja na presidência
da federação, ou seja, no trabalho mais humilde, se é ali que a pergunta foi
feita: “Senhor, o que queres que eu faça?” Nós iremos, então eu sempre digo,
muito sério: “quando a gente desencarnar, nós vamos nos deparar com três portas:
a porta do personalismo, o “eu” que esquece do “nós”; a porta da casa, da casa
que simplesmente só vê aquela instituição, e a porta da causa, que trabalha em
prol do bem. As nossas ações hoje irão nos dar a chave, na espiritualidade, que
abrirá uma dessas três portas”, e eu espero profundamente, que na minha mão
venha a chave da causa. Que eu saiba esquecer absolutamente o eu, em prol do
nós. Que eu apenas trabalhe numa casa porque ela vai me viabilizar o caminho
para a causa e que mais tarde eu possa desencarnar sendo trabalhadora de Jesus.
Mais um soldado no bom combate, como diz Paulo de Tarso.
TE – Quais os desafios que você enfrentou ou enfrenta
assumindo a presidência da FEEC?
OM – Lutar
contra as minhas imperfeições, contra os meus inimigos interiores que são a
intolerância, a falta de compreensão, a falta de paciência. É o meu maior
desafio e a maior oportunidade também, de aprender a brigar com eles.
TE – Temos verificado que no Brasil, o movimento
espírita tem tido algumas divisões. A FEEC tem realizado algum trabalho de
unificação do movimento aqui no Ceará?
OM – Tem.
É só o que tem feito. Engraçado que a FEEC não tem um presidente, tem um grupo
de trabalhadores e cada vez nós estamos buscando mais, porque quem se determina
na individualidade, no personalismo, cai naquela frase de Jesus: “São cegos que
levam, que conduzem cegos”, então quando a gente faz este trabalho em conjunto,
unificados, aí a gente vê melhor. O olhar da gente é mais amplo porque não
passa só por uma cabeça, mas por várias cabeças. Então a unificação, para
unificar precisamos ter base. Nós estamos ajeitando o estatuto, estamos
chamando cada um do movimento para fazer o que já faz. Aquele que faz a
palestra como o Luciano, expert em
palestras, é ele que é o coordenador das palestras da federação. Aquele que ama
os livros, como o Adalberto Baquit, é aquele que está tomando conta da
livraria. Aquele que vive no movimento espírita para lá e para cá, nos centros
mais distantes, é esse que está nos ajudando como o Fernando Ananias. Aquele
que sabe como ninguém defender o espiritismo na sua pureza, nos orientar em
temas e nos somar, no sentido de reforçar a federação, como o Dr. Cajazeiras.
Então a cada dia, mais e mais pessoas estão retornando para a federação. Eu
brinco que como eu não sei fazer, eu chamo quem saiba para eu não ter que fazer
nada (risos).
TE – Atualmente existem quantas casas filiadas à
federação?
OM – Este
é o grande desafio, dois aliás. O primeiro é fazer o recadastramento, pois
quando houve a mudança da sede antiga da federação para a FEEC nova muitas
fichas de filiados se extraviaram, nós não podemos dizer para você o número
exato, nós só daremos este número em março (2004) quando nós teremos terminado
o nosso recadastramento de filiados, mas a verdade é que muitas pessoas estão
chegando, muitas pessoas estão se filiando à federação, casas que a gente sabe
que culturalmente não eram filiadas à federação estão chegando. E os pedidos
são tantos, que a gente chega a ficar muito sensibilizado com os novos adeptos à
federação que há muito tempo já não estavam unidos. E principalmente a criação,
porque nós estamos voltados, vamos dizer assim, para a interiorização do espiritismo.
O Raul Teixeira, a federação que lida com poucos recursos bancou a viagem dele
ao Ceará, então ele foi a quatro cidades. Russas contribuiu com muito pouco
para a passagem dele, a mesma coisa com viçosa. Viçosa contribuiu? Contribuiu,
mas só na passagem, mas nós mandamos um carro com motorista, com tudo para que
Raul Teixeira fosse falar de espiritismo no interior, e isto provocou já uma
resposta de pessoas nos escrevendo, casas sendo criadas. O Nonato Albuquerque e
o Luciano Klein tem feito um trabalho muito bonito neste sentido, Dr.
Cajazeiras, Mario Kaula, que é outro que também faz parte da federação. Nós
tivemos uma reunião na sexta-feira com o pessoal da ABRAME, que é a associação
dos magistrados espíritas para fortalecer a ABRAME. O Dr. Eldon, presidente da
Associação de Médicos Espíritas do Ceará, também faz parte do nosso conselho,
já esteve aqui no nosso último conselho. Nós iremos fazer em novembro um
simpósio com a AME à frente, mostrando a importância da ciência hoje, contribuindo
para comprovar princípios espíritas. É o que Kardec falou: “A fé encarando a razão
face a face”, vai ser o nosso próximo simpósio que irá substituir o congresso,
porque o congresso de 2004 será antecipado. Nós iremos comemorar o bicentenário
de Kardec e estão aqui Raul Teixeira e Divaldo Franco no mesmo simpósio.
TE – Falando em congresso, o tema do congresso deste
ano é sobre a paz e está muito sintonizado com o momento que estamos vivendo.
Qual tem sido a importância dos congressos para o movimento espírita e para a
divulgação do Evangelho no estado?
OM – O
congresso é muito importante porque é um momento de capacitação, de divulgação,
de iluminação e de unificação porque a gente congrega todos os espíritas. O
tema nosso deste ano é”O Espiritismo e a Construção da paz”. Uma das primeiras
providências foi falar sobre a paz e ao mesmo tempo ecumenismo, porque estes
temas estão absolutamente ligados. As religiões brigam porque sempre querem ter
o poder maior, esquecendo que a religião é um caminho até Deus, então nós vamos
ter um pastor protestante Dr. Nehemias, muito conhecido, já participou de
vários congressos espíritas e ele vai mostrar o lado ecumênico do nosso evento
e como isto é importante para a paz, nós temos notícias de verdadeiras
falanges, no bom sentindo, de espíritos protestantes que vão participar do
nosso congresso atraídos pela palavra dele, pelo verbo iluminado que ele tem. A
quantidade de espíritos necessitados de paz no plano espiritual porque tiveram
oportunidade de contribuir, de construir, de dar a sua pequena colaboração pela
paz e não deram; e o arrependimento é muito grande. Então lá é como se
estivesse sendo construído um verdadeiro auditório espiritual para congregar,
para abrigar, para esclarecer esses nossos irmãos. Nós vamos ter o Dr. Zalmino
Zimmermann que é um trabalhador incansável, ele labuta na seara do espiritismo
cristão, na divulgação, no esclarecimento de como é que a Doutrina é
consoladora e esclarecedora desde da década de 50 junto aos universitários.
Hoje ele tem um lindo trabalho na parte dos magistrados. Ele é professor de
psicologia, professor de direito, ele é o autor do livro perispírito, que é uma
enciclopédia, conhece demais o espiritismo e tem um extenso trabalho na luta
contra o aborto, junto à câmara e o senado federal. Ele vai falar sobre um tema
muito importante que é: “o direito de reencarnar”, se referindo ao aborto. Ele
vai falar também sobre o “ser espírita” para os jovens, eu quero falar depois
do CONJECE, que é o congresso dos jovens espíritas do estado do Ceará, com
muito carinho. Ele vai falar também sobre “A condição humana e a visão espírita”
no congresso dos adultos. Nós vamos ter o Dr. Cajazeiras que vai falar sobre um
tema extremamente útil, porque nós espíritas quando nos deparamos com a
necessidade da reforma íntima, muitas vezes a gente não consegue e a gente se
culpa demais, então ele vai abordar isso aí, o autoperdão, a culpa, o perdão, a
gente tem que saber se perdoar também. O Luciano Klein vai sobre a reencarnação
e de como esse conhecimento de que você volta é libertador, de como isso
pacifica os ânimos interiores, principalmente aquelas pessoas sofrem tanto, que
a vida não começa no berço, não termina no túmulo. Então é um congresso que a
gente pode levar aquelas pessoas que não tem muito conhecimento da Doutrina que
elas vão amar, elas vão levar um verdadeiro banho. O Chico Xavier dizia que a
gente perdia tanto tempo nos gabinetes de beleza, nos bancos das escolas,
aprendendo coisas que muitas vezes não seriam úteis de forma nenhuma. Então,
agora é o momento de nós investirmos um final de semana na nossa beleza
interior. E é um compromisso, porque se eu não estou precisando do TE
(Tratamento Espiritual), porque ali vai ser um verdadeiro tratamento
espiritual, se eu sou monitor de ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina
Espírita), eu trabalho no GEM (Grupo de Estudos Mediúnicos), então eu preciso
de capacitação e ali vai ser o ponto máximo da capacitação. Nos vamos ter
Richard Simonetti falando da presença de Deus, vamos ter a Ana Guimarães que
vai abrir e fechar o evento, ela vai falar sobre o tema “Jesus o provedor da
Paz”, também vamos abordar o tema “Se você quiser ser o maior, seja o servidor
de todos” e principalmente o CONJECE, que o dos jovens. A Yvonne do Amaral Pereira
quando ainda estava entre nós, ela nos falou, ela nos trouxe uma mensagem do
Euripedes Barsanulfo falando sobre a responsabilidade que cada espírita tem. Porque
estão reencarnando espíritos, grandes trabalhadores do Cristo, mas que estes
espíritos ao reencarnar vão estar absolutamente indefesos, precisados de evangelização,
precisados de trabalhadores comprometidos com a causa. E aí compete a cada um
de nós, é foro íntimo isso aí, o que é que nós estamos fazendo para ajudar
Jesus nessa paz, nessa transformação do mundo. Então o nosso CONJECE vai
abrigar mais de mil jovens, nunca mais eles esquecem. No ano passado eles
ouviram Raul Teixeira e a Anete Guimarães falando de temas impressionantes. A
grande maioria ali não era espírita, cerca de 70% porque eram quase mil e
duzentos. Eu vejo jovens, que eu sei, que eu conheço de perto, filhos de amigas
minhas, eu já vi depois de um ano a meninazinha de 14 anos dizer: “mãe, no
congresso nos ouvimos isso assim, assim, assim.” Sobre o ficar, sobre a
responsabilidade de ser cidadão do mundo e não apenas do ceará ou do Brasil, nós
não podemos mais, não tem mais tempo, nós não reencarnamos para olhar só o
nosso interesse, só para a família consangüínea, só a nossa casa espírita, só o
nosso eu, esse tempo passou, a terra agora é de regeneração. Será que nós vamos
nos incapacitar para uma outra reencarnação aqui com o que nós estaremos
fazendo? Então é importante que a gente mostre isso, principalmente os trabalhadores.
TE – Como está sendo a relação dos jovens com a
Doutrina Espírita? Eles estão tomando consciência dos ensinamentos espíritas?
OM - eles
estão. Muito mais do que a gente imagina. E uma das grandes responsabilidades
nossas é o Evangelho no Lar. Eu tenho três jovens dentro de casa, tem uma, a
mais nova, que quando abre a boca para falar de Jesus, quando ela mostra que a
vida, que o espírito é eterno e que ávida se inicia muito antes do nascimento
neste berço e que jamais, segundo a justiça divina e amplidão da criação não
podia terminar no túmulo. Muitas vezes crianças que morrem na mais tenra
infância, ou criança que na mais tenra infância já vieram doentes, com câncer.
Então os jovens assimilam isso, e isso que é importante, porque eles podem
estar na religião que estiverem, porque a reencarnação é uma lei natural, então
não importa que eu seja protestante. Por isso que o espiritismo não é religião
propriamente dita, ele é sim, uma visão do futuro, porque amanhã o protestante,
o católico, eles serão reencarnacionistas. Eles entenderão que os mortos não
são mortos, e que a morte nada mais é do a verdadeira forma de viver. Então o
jovem assimila isso com muito mais naturalidade do que os antigos que foram
massacrados com verdadeiros boicotes as essas idéias, eles aceitam de uma forma
maravilhosa, e até mostram para os pais o quanto eles estão errados. E a nossa
responsabilidade é ainda maior por isso, porque lá no congresso esses jovens
estarão lá e nunca mais eles esquecerão. Depois eles vão seguir a vida deles,
seja no protestantismo, seja no budismo, onde for, seja no catolicismo ou se
eles não quiserem seguir nenhum caminho religioso, eles vão ter a noção de que
são responsáveis pelo que estão plantando e colherão, se não nessa, numa vida
posterior, o que eles semearam hoje. Esse é o grande raciocínio e a grande
libertação do homem.
TE – A presença do pastor Nehemias Marien no
congresso representa um movimento de aproximação da FEEC com outras religiões?
OM – É. Eu
diria que é a materialização disso. O pastor Nehemias já esteve com o Chico
Xavier e juntos fizeram uma oração pela paz. O pastor é um homem com a mente
muito aberta, eu não sei das concepções dele, mas ele vai mostrar que o caminho
é a união. E Jesus quando estava na Terra, ele passou pelos saduceus, ele
sentou com os doutores da lei, eles teve aquela conversa linda com a samaritana
junto ao poço de Jacó, ele falava com os fariseus, esclarecia aqueles fariseus
a respeito do caminho, da verdade e da vida. Ele de maneira nenhuma se restringiu
a um canto só. Todos nós somos irmãos e enquanto tiver uma ovelha fora do
aprisco Ele está lá, esperando por nós para irmos buscá-la para trazê-la de
volta para o que é o amor. A grande religião é a do amor.
TE – Quais os planos da FEEC para o futuro?
OM – É o
amor, é aprender a mar, é divulgar o espiritismo com a sua pureza, com a sua
beleza é unir as casas espíritas, é levar a mensagem do Cristo, o Evangelho de
Jesus para os corações mais distantes, é promover o bem, é construir o bem pela
via da paz. A FEEC, nos foi dito, também por um amigo espiritual este ano, é a
casa mãe do consolador prometido no estado do Ceará. Então a missão dela é
esclarecer, é libertar é unir. E se Deus quiser, enquanto tivermos força, vamos
brigar por esta união, sem abrir mão nem um minuto dos nossos princípios.
TE – Para finalizar, gostaríamos que você deixasse
uma mensagem para os leitores.
OM – A
mensagem que eu poderia, humildemente, falar é aquela que tenho dito para mim
todo dia. É trabalhar em prol do bem, sem personalismo. Sendo soldado de Jesus,
lutando no bom combate que é a construção da paz.
TE - Obrigado
Nov/2003
|