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No
período de 22 a 25 de setembro de 2003, esteve em Fortaleza, para mais um
trabalho de cura no Grupo Espírita trilha de Luz, o médium paulista João
Berbel. Nascido em Restinga, interior de São Paulo e hoje residindo em Franca,
João Berbel nasceu em uma família de poucos recursos financeiros, por isto, somente
estudou até a 4ª série do primário. Teve para seu sustento, de trabalhar na
roça e como mecânico, e talvez, por ter tido todos estes obstáculos a superar,
é que ele hoje possui uma imensa disposição para o trabalho. Atualmente ele
possui uma representação de artigos de couro que garante além dos recursos para
sua subsistência, recursos para as obras onde atua: O Grupo Espírita “Caridade,
Paz e Amor” e o Instituto de Medicina do Além (IMA).
A
equipe da Terra Espiritual, na tarde do dia 25, teve a oportunidade de
conversar com o médium João Berbel e perceber a sua simplicidade, sua
sinceridade, sua vontade de ajudar ao próximo e de servir a Jesus.
Abaixo
transcrevemos a íntegra da nossa conversa.
Muita
paz a todos!
Entrevista do médium João Berbel
TE - Como o senhor descobriu sua mediunidade e
como foi o início do seu trabalho?
JB - A minha
mediunidade foi uma coisa muito complicada. Eu aos 13 anos de idade, que eu me
lembre, eu tinha umas crises epiléticas e essas crises me conturbavam muito e
eu tomava o remédio Gardenal para aliviar essas crises. Aí o tempo foi
passando, foi passando o tempo e eu administrava essas crises com o remédio,
até que um dia eu já com 18 anos, eu conheci a minha esposa. Estava lá numa
festinha e conheci minha esposa. Não, eu tinha mais de 18 anos. Com 20 anos
mais ou menos conheci minha esposa. Ela já era espírita e no segundo encontro
nosso, fomos ao cinema. O filme chama-se caratê no oeste selvagem. Naquela
época que os filmes de Caratê estavam no auge, todo mundo queria ver filmes de
caratê, iniciando a prática de artes marciais, aquela cultura que vinha do
oriente, do Japão, da Ásia. Então a gente se encantava muito com aquilo, e um
dia nós fomos assistir a um filme desses no cinema. Chegando no cinema senti
que algo de estranho se manifestava comigo. Tinha algo que estava mexendo
comigo. Eu notava que eu ia ao filme e voltava do filme, e eu disse a ela: ”vou
passar mal”. Eu percebi que estava perto de uma crise epiléptica. E naquele
momento eu senti aquela vontade de defender uma personalidade do filme. Eu me
entusiasmei com aquela situação e mergulhei no filme e comecei a brigar dentro
do cinema, batendo em todo mundo dentro do cinema. Eu não sei onde eu arrumava
tanta força pra brigar. E conseguiram me segurar. Eu desmaiei também, sofri o
ataque ali dentro, fui acordar no hospital. Mas a minha namorada, minha esposa
hoje, sabia da doutrina espírita, conhecia, ela nasceu espírita. E no hospital
o médico quis aplicar uma injeção para eu acordar, e ela disse não. Que não
precisava daquilo. Ela era uma criança na época, estava com 16 anos, e o médico
se assustou, disse: “você é uma criança, não pode”. E ela disse: “pode deixar,
deixa mais um minutinho. Se ele não voltar, o senhor aplica”. Ela foi fazendo
prece, oração, e eu voltei. E aí eu
voltei, fui para minha casa e pensei: “aí é mais uma que não queria nem ver o João
Berbel mais” (risos).
Quando foi no outro dia, no
domingo cedinho, ela estava lá para casa, para ver se eu estava passando bem,
coisa e tal. E ela me disse: “seu problema é mediunidade. Você precisa ir ao
centro espírita, que isto aí nós conhecemos”. Mas para mim era a coisa mais
ruim no mundo que existia, era o espiritismo. Eu detestava o espiritismo. Eu
gostava de tudo, só não gostava de espiritismo. Aquelas idéias da gente morrer
e ter outro mundo depois deste e a gente voltar. Aquelas idéias não entravam
dentro de mim, eu não aceitava mesmo. E quando criança eu brigava com os amigos.
Eu morava perto de uma família espírita, e eu brigava com eles. Até teve uma
época que morreu uma irmã deles, que era espírita, teve um acidente e
morreu. E no caixão dela não tinham
posto nenhum santo lá dentro, nem a imagem de Jesus, e eu achava estranho
aquilo. Eu dizia: “este povo não tem idéia! Este povo é um povo ateu!” (risos).
Eu criança pensava daquele jeito. E também tinha as informações que eu recebia
de meus pais, que eram católicos, não praticantes, mas com aquelas idéias em
cima da gente, então a pessoa vive bem aquelas idéias. Mas mesmo com
resistência, eu não sei, os mentores conseguiram fazer com que eu fosse ao
centro espírita. Chegando lá no centro espírita, era uma reunião de comunicação,
era uma reunião de desobsessão, onde sentavam os médiuns na mesa e tinha uma
assistência do povo que ia assistir as comunicações espíritas. Naquela época
funcionava daquele jeito. E nós fomos. Eu sentei lá trás. E quando começou a
prece eu sentia vontade de chutar a mulher que estava na frente, levantar dali
e sair correndo. Me deu um punhado de sensações naquele momento. Mas contive
todas aquelas sensações. Eu segurei todas aquelas emoções. E na hora que terminou
a reunião eu disse: “eu não vou voltar aqui mais não. Quase que eu desmaiei
aqui dentro. Quase que eu passei mal, quase que eu faço igual ao cinema aqui
dentro. E esse punhado de gente, esse punhado de velhos que estão aqui, essa
senhora aqui, não me segura não. Eu machuco eles... não vou voltar aqui dentro
não”. E falei para minha esposa: “vamos interromper isto porque não vai dar
certo”. E ela disse não. Aí o presidente do centro...Que se chamava Liga
Espírita do Oeste, disse: “não, você vai voltar aqui sim”. Na outra sexta-feira
feira me levaram e me colocaram pertinho da mesa, então fizeram a prece
Inicial, depois leram o Evangelho, fizeram o comentário do Evangelho, então
fizeram outra oração para iniciar a outra parte do trabalho, que era a parte
prática, a parte de comunicação. Não deu tempo de fazerem o Pai Nosso, eu já fiquei
mediunizado... Minhas mãos enrolaram, e eu travei com tanta força que eu não
conseguia me mexer. Eu queria levantar e sair, mas não saia do lugar. Comecei a
chorar, o espírito obsessor se manifestou, falando aquele tanto que eles falam
(risos) e ele despejou aquilo tudo... Já falou que eu era inimigo... Que ele
queria acabar comigo mesmo (risos), mas aí eu percebi, que o meu negócio não se
tratava de epilepsia apenas. Que tinha comigo mediunidade. Aí eu segui firme na
doutrina espírita. Aí nós começamos a trabalhar. Eu ia duas vezes por semana
fazer o trabalho de desobsessão, e os espíritos comunicando, chorando. Foram 22
anos só trabalhando com espíritos inferiores, suicidas, obsessores, espíritos
que morreram de maneira trágica. E esse tempo todo só trabalhando com estes
espíritos, sentindo aquelas vibrações. Com o passar do tempo eu tive vontade de
receber aqueles mentores. Às vezes na mesa eu via aqueles espíritos comunicarem.
Via Bezerra de Menezes, via Eurípedes (Barsanulfo), e eu tinha vontade de
comunicar com espíritos daqueles, mas eu não conseguia receber um espírito daqueles
de jeito nenhum. E o tempo foi passando... foi passando... e um dia nós fomos
ao Chico (Xavier). O Chico tinha um trabalho prático também, e ele recebia
muita gente. Então ele recebia as psicografias, e atrás da mesa dele tinha um
banco, não era cadeira, era um banco atrás da mesa. Estão nós chegávamos,
sentávamos ao lado do Chico. Chegávamos bem mais cedo para poder sentar perto
do Chico. E eu sempre peguei o último lugar naquele banco, porque se você levantava
para ir ao banheiro, a pessoal pulava um passinho para frente (risos). Ele
atendia a noite toda. O Chico começava a psicografar às 7 horas da noite e ia
até de madrugada. E o povo ali. Recebendo mensagens das pessoas que tinham
morrido. Certa hora eu virei para o meu amigo e disse: “pergunta para o Chico
por que eu recebo só estes espíritos doentes, só espíritos obsessores...” Eu
não sabia como chegar perto do Chico, eu queria perguntar isto ao Chico e
recorri ao meu amigo. Eu não sei se o Chico escutou eu cochichar com ele, então,
levantou a cabeça e disse: “fala para o irmão do lado que quem precisa dos
médiuns são os espíritos doentes, são os espíritos doentes que precisam dos
médiuns, os espíritos de luz não precisam dos médiuns”. Então eu percebi... E
nestes 22 anos conseguimos converter muitos destes espíritos. Hoje vários
destes espíritos que nos perturbavam estão encarnados. Já voltaram para a
terra. Nós até temos notícias de onde eles estão, mas não podemos divulgar. Mas aí eu peguei e comecei a escrever
receitas através do Dr. Alonso (Ismael Alonso e Alonso), que se manifestou e
através de mim começou a dar receitas. Então nós receitávamos remédios de
farmácia, e eu sempre tentando fugir desta responsabilidade, não querendo ter
esta responsabilidade. Nosso trabalho era sempre às segundas, quartas, sextas,
e aos domingos trabalhávamos na evangelização infantil. Então nós começamos a
sentir fortes dores na perna... e doía tanto que igual à minha coxa, ficava aqui
em baixo (perna). Então Bezerra de Menezes havia morrido com uma doença mais ou
menos desse jeito, chamava-se elefantíase. Então eu comecei a ficar com medo e
pensei: “será que eu vou morrer igual a Bezerra de Menezes com essa doença na
perna também?”. Daí comecei a me preocupar porque minhas pernas inchavam ... e
eu sempre tentando fugir da responsabilidade que o Dr. Alonso havia nos
passado. Fui ao centro no dia que ele tava dando as consultas e falei para D.
Terezinha (a pessoa que presidia aquele trabalho nas sextas-feiras): “a senhora
peça pra ele (Dr. Alonso) um remedinho... para mim...” e a D. Terezinha pediu.
E ao invés dele escrever um remédio, ele escreveu: TRABALHO, TRABALHO e
TRABALHO. E eu pensei comigo: “gente, mas eu já venho ao centro segunda,
quarta, sexta e domingo. Eu vou ter que pôr minha cama aqui no centro”. Eu
participava dos movimentos todos espíritas lá, porque se eu me afastava era
pego pelos obsessores. Você tinha mais era que, arregaçar as mangas e trabalhar
mesmo (com ênfase). Era uma sexta-feira, então eu fiquei pensando que trabalho
que era este. No sábado eu estava me preparando para ir num churrasco, numa
festa de aniversário de um parente nosso. Eu fui tomar banho, dentro do
banheiro Dr. Alonso aparece para mim, eu pelado ali... meio sem jeito... Eu
nunca tinha visualizado um espírito tão lúcido perto de mim. Eu nunca tinha
visto o Dr. Alonso. Ele apareceu na parede assim e começou a rir de mim diante
daquela situação. Eu queria conversar com ele, mas a voz não saia... deu aquele
nó na garganta, e aquela emoção toda para tentar conversar com ele, aquela afobação
toda, acudindo, tentando achar uma toalha, todo estático...eu não mexia, eu
queria mexer, arrumar uma toalha, enxugar, tampar, tampar o meu corpo e ele
começou a ver aquela situação e começou rir de mim. Aí ele me disse: “João, nós
vamos fazer cirurgia espiritual sim! Nós vamos fazer cirurgia espiritual sim,
nós vamos trabalhar com a cura e vamos também manipular remédios, vamos
trabalhar com remédios também. Nós vamos dar remédios. Vamos fazer 10 tipos de
tinturas mãe. Dessas tinturas mãe, nós vamos desdobrar e vamos fazer muitos e
muitos remédios e o seu trabalho vai crescer muito. Você vai ser muito notado.
Eu vou te pedir agora: Tenha toda disciplina. Toda educação que você puder ter,
você tenha. A partir dos nossos primeiros trabalhos você vai deixar de comer a
carne. Você não vai comer carne mais, e você não vai beber... Durante três
meses, três meses não, seis. Depois deste prazo se você quiser tomar algo numa
festinha pode, nada vai te fazer mal desde que você saiba equilibrar”.
Hoje
quando a gente está numa festa, a primeira coisa que as pessoas querem numa
festa é que você beba, né? Se as pessoas nos oferecem, a gente pega um copo e faz
de conta que bebe e não bebe nada (risos). Bebe um golinho de nada... sempre deixa
passar para lá e acaba indo embora e acaba dobrando as pessoas nesse sentido.
Aí
começaram os nossos trabalhos. E os nossos trabalhos cada vez mais foram
crescendo. Um dia ele me disse: “João o nosso trabalho vai crescer. Vai
transpor as fronteiras, vai ter trabalho em outros países, prepare-se”. Um dia
veio uma moça dos Estados Unidos, que veio acompanhada de uma pessoa que era
funcionária dela, paralítica, fazia dez anos que não andava, não movimentava,
chegou em Franca, não para tratarmos dela, chegou a Franca por um acaso. Naquela
tarde estava programado para eu atender uma mulher que estava com câncer, mas
antes de poder atendê-la, ela desencarnou.
Aí minha sogra falou: “tem uma americana para nós atendermos... está na
ficha para atendermos... ela é a de nº 60. Ela tá passando mal, tá sentindo
dores, ela não movimenta, ela não anda, ela não fala. Por que você não vai lá
atender esta pessoa? Quem sabe você não tira a dor dela?” Eu disse: “ah! Esse
povo americano é um povo meio chato”. Mas ela conseguiu me conquistar para eu
ir lá. E eu fui lá. Eu já cheguei lá rapaz e fui pegar na mãozinha dela e ela
tirou a mão, ela parecia aqueles louva-Deus, sabe, aqueles louva-Deus com a
mãozinha assim, defendendo assim, igual aqueles louva-Deus... Não podia pôr a
mão. E naquele dia lá veio o Padre Miguel (espírito) e a atendeu. Fez o tratamento
na garganta e nas mãos dela. Ela voltou a falar e mexer com as mãos na hora. E
marcamos o próximo atendimento para quinta-feira. Naquela noite em que voltou a
voz dela, ela conversava a noite inteira, aquelas gargalhadas, ria a noite inteira.
Na outra vez que a atendemos, ela estava na cadeira de rodas ainda. Aí foi o
padre Donizete que a atendeu através de mim. E falou: “mulher, eu te ordeno!
Levanta daí e anda!” Ela levantou da cadeira de rodas dela e saiu andando. E
através dela nós criamos um grupo nos Estados Unidos que se chama Sementes de
Amor, Seeds of Love. Foi criado nos Estados Unidos este grupo. Depois houve
muita confusão, muita obsessão, ao longo disso aí... Aquilo que acontece dentro
das casas espíritas. Através destas experiências partiu para o ecumenismo, tornou-se
um grupo ecumênico, criou-se então outro grupo que se chama Caridade, Paz e
Amor da América, que é o grupo que nos dá sustentação nos Estados unidos. Então
nós utilizamos estes dois grupos. utilizamos o Sementes de Amor para poder
atender dentro das igrejas evangélicas, da igreja protestante, com o trabalho
ecumênico. E utilizo o Caridade, Paz e amor para atender os espíritas dentro do
centro espírita. E estou lá fazendo os dois trabalhos. Nós fizemos desobsessão
com os protestantes. Só que eles disseram para fazermos hoje através da
respiração, porque lá eu to atuando via satélite. Se o espírito estiver perturbando
você, é porque tem condições de falar através de você. O espírito que está te
perturbando não vai comunicar ali não. Se as energias dele não estiverem
compatíveis, as energias magnéticas dele não estiverem compatíveis ela não tem
como trazer esse obsessor aqui. Porque o espírito goza de privilégios, do livre
arbítrio dele, ele comunica se ele quiser, se ele não quiser ninguém traz ele. Apesar
de ser um espírito, que é uma energia, pode ir aonde quiser, pode fugir para
longe dali, tranqüilamente, rapidamente, não é igual a nós que estamos no
corpo. Nós podemos ir para cadeia, mas o espírito não. Com o espírito não tem
jeito de fazer isso. Então através desse grupo, através daquela respiração
forçada, das incorporações induzidas dos nossos irmãos protestantes... E temos
um trabalho semelhante a este, dentro da igreja protestante.
TE - No seu dia-a-dia, no seu trabalho
atualmente, quais os obstáculos que o senhor tem que superar?
JB - Não, eu
não tenho obstáculo nenhum. O trabalho material nosso... Nós trabalhamos com
uma representação de artigos de couro hoje... Nós vendemos produtos para calçados.
E como nós temos muitas amizades, muito gente vem até nós, principalmente fabricantes
que nos procuram para poder trabalhar. E nós utilizamos destes recursos para ajudar
ao próprio IMA (Instituto de Medicina do Além), ao laboratório que produz os remédios,
para que possamos continuar dando os remédios de graça para o pessoal todo.
TE – E na questão mediúnica, no seu trabalho, o
senhor tem algum obstáculo?
JB - Meu
problema é só o povo espírita, eles me livrando dos espíritos o resto eu dou
conta. Por quê? Porque o seguinte, a mediunidade de cura é muito perseguida.
Perseguida por quê? Porque muitos médiuns foram charlatões, muitos médiuns que
fizeram coisas erradas e ainda existem muitas coisas erradas através da cura,
então muitas vezes somos confundidos com esses nossos irmãos. Acham que estamos
fazendo as coisas por dinheiro, porque quer dinheiro, e não é nada disso. Para
mim, eu sou a única pessoa do mundo que não liga para dinheiro de forma
nenhuma. Eu não jogo numa loteria porque eu tenho medo de ganhar. Então eu
procuro me afastar do dinheiro o máximo que eu posso. Hoje eu não sei se eu
vivo em Jesus ou se é Jesus que está completamente dentro de mim, realizando
este trabalho. Quando nós tocamos nessas pessoas, que somos chamados para fazer
as curas, nós tocamos com tanto amor, com tanto amor mesmo, que este amor é que
cura as pessoas. Então nós temos sim alguns obstáculos, uma coisa, mas a gente
vem vencendo isto com muito amor, com muito carinho. Então nós estamos revertendo
o pensamento dessas pessoas com trabalho, por isto que eu te disse que eu não
gosto de aparecer, não tem fotografia minha nos meus livros, não tem fotografia
minha... É muito difícil sair uma fotografia minha no jornal. Tem lá no jornal
porque eu não sei onde é que eles arrumam, onde eles pegam. Lá em Franca quando
a gente sabe que vem um canal de televisão, nós oramos à espiritualidade,
pedimos para a espiritualidade para encaminhá-los para o outro lado e realmente
isso acontece... E a gente faz o nosso trabalho da melhor forma possível. E a
gente vem ajudando a sociedade com as entrevistas nos jornais, ou nas revistas,
passando tudo aquilo que é a maravilha da doutrina espírita. Fora da caridade
não tem salvação. E a gente faz essas curas, trabalha com isso aí, que é a
coisa mais bela do mundo. Escrever livros dá um status para gente muito grande,
traz para gente um conhecimento muito grande, então às vezes a gente não está
preparado para aquilo e se perde no caminho. Como eu tive um largo contato com
o Chico Xavier e ele nos ajudou muito na nossa mediunidade, ajudou-nos a
realizar esse trabalho. Em todo meu medo, para que eu não fosse um charlatão,
um médium que caísse diante da obsessão, ele me ajudou demais. Hoje eu falo
para você: eu troco tudo nesta vida para tirar a dor de alguém e fazer as
pessoas felizes. Este é meu lema, então se algum amigo se coloca como
adversário, eu não vejo isto. Eu vejo esse como um dos meus melhores amigos.
Que tem coragem de mostrar os meus erros, coragem que os meus amigos não têm.
TE – Os mentores espirituais que trabalham com
senhor nas cirurgias são os mesmos que intuem os livros?
JB – A cada
trabalho há uma equipe, por exemplo, os nossos livros, os nossos romances são
administrados por um espírito chamado Henrique, é um espírito polonês que reencarnou
no sul do país vivendo pouco tempo na terra, até os 13 anos, para aprender mais
da cultura do brasileiro, um pouco do idioma, para ter facilidade com os nossos
livros.
É um espírito de conhecimento
muito grande, e a cada romance é trazido um espírito diferente. Temos, por
exemplo, um espírito, que o nosso querido irmão Benvindo se encantou demais com
ele, que é um romancista, que escreveu muitas coisas aqui do nordeste também,
que se chama Diana de Aguiar. Inclusive, depois de desencarnado, o irmão Benvindo
fez a música para Diana, que fala: “Diana irmã querida, que alegra nessa vida...”
Uma música muito bonita que ele fez para Diana, mandando derramar toda paz e
amor, muito bonita, aquelas coisas que só mesmo o Benvindo sabia fazer. E ele
se encantava demais com esta escritora, que se chama Diana de Aguiar. Escrevia
ela e Augusto Dumont, que escreveram a séria Luz no Sertão. Temos a série
Pregador, que é sobre o Evangelho, escrevemos quatro livros sobre o Evangelho.
Escrevemos o Evangelho de São João, o Evangelho de Mateus, Atos dos Apóstolos e
Apocalipse. Depois escrevemos também um livro científico, aliás, são quatro
livros editados por nós... Que são de Galileu Galilei: Domínio da Energia, Vida no Cosmo, Destino da Terra e o último Amor, Fator Obsessão. São livros para
estudo, são livros científicos. E dentro da ciência escrevemos muitos livros,
por exemplo, o Dr Alonso e Eurípedes Barsanulfo escreveram o Livro dos Fluidos. E foi esse Livro dos Fluidos que levou o irmão
Benvindo lá na nossa casa. Medicina do
Além do Dr. Ismael Alonso e Alonso.
TE – Na sua opinião, o que falta ainda para o
espiritismo vencer esse preconceito que ainda paira sobre ele e poder se
disseminar entre as pessoas?
JB – O
espiritismo já venceu todas as situações (enfático). Já venceu todas as
religiões. O espiritismo é a terceira revelação, que o Cristo já narrava no
Evangelho de João. “Eu vou, mas não vos deixarei órfãos. Eu rogarei ao Pai, e Ele
vos enviará o ESPÍRITO (Enfático) Santo consolador, que irá fazer aquilo que Eu
fiz e muito mais. A qual a vossa razão ainda não está preparada para receber”.Então
o espiritismo é o consolador de Jesus, só que os homens da terra ainda não
compreenderam, ainda não viram com esse olhos. A doutrina dos espíritos já
venceu todas as situações. Porque a doutrina dos espíritos não é a religião do
futuro, é o futuro das religiões. Há certas coisas que já estão aí, já
aconteceram, não vão acontecer, não vai melhorar. Como diziam os filósofos
antigos: “as estrelas descerão dos céus”. Então as estrelas descendo dos céus,
que são os livros, são as mensagens mediúnicas trazidas a toda a humanidade. Umas
bem vistas outras mal vistas... Uma serve para alguém, outra serve para outro
alguém... Uma não serve para este, mas serve para o outro lá... Mesmo por
piores que sejam, são melhor que um copo de cerveja, muito melhor do que um
cigarro, muito melhor do que uma droga. Então é isso aí que é a doutrina dos
espíritos. Ela já aconteceu... Já chegou na terra a terceira revelação. A
profecia de Jesus já se realizou, e ela está aí, até chegar a terra da regeneração
cobrindo esta multidão de pecados, mostrando ao homem o verdadeiro caminho... Mostrando
o verdadeiro rumo ao homem... Que não adianta hoje eu te ofender, porque se eu
te ofender, eu mesmo é que sou ofendido. Não adianta eu ser fanático dela,
porque a doutrina dos espíritos não é fábrica de fanáticos, é apenas o segmento
de uma filosofia que traz consigo uma ciência, e, que por piedade dos
necessitados, criou-se a religião, mas que guia o homem ao futuro mostrando o
verdadeiro caminho à humanidade. Esta é a doutrina dos espíritos, embora tendo
muitos espíritas que nem espíritas são... Como há muitos que não espíritas e que
são verdadeiros espíritas... Porque o verdadeiro espiritismo é aquele que
considera aquele irmão que está caído na calçada como seu irmão e que tem a
coragem de abraçá-lo e apertá-lo no peito, porque sabe que dentro daquele envoltório
de carne, existe um princípio inteligente que está passando a sua provação. Então
essa é que é a máxima da doutrina dos espíritos, a qual Kardec fechou com chave
de ouro, respirando fundo e dizendo... Quando todos se preocupavam com as
igrejas, com o estudo... Os irmãos evangélicos criaram: “fora da Bíblia não há
salvação”; os católicos: “fora da igreja não há salvação”; e Kardec respirou
fundo e disse: “fora da caridade não há salvação”.
Eu
tenho um amigo em Franca que é padre e ele fala para mim: “ô João, vocês estão
de parabéns. Os industriais espíritas demonstram muito amor, porque eles vão lá
e fazem a caridade. Os empresários católicos dão o dinheiro para nós fazermos a
caridade no lugar deles”. E são coisas muito bonitas que nós vemos na doutrina
dos espíritos...
Dificuldades,
desavenças, isso tudo tem. Os obsessores estão por todos os lados. Eles não
conseguiram segurar a codificação. A codificação veio, mas eles vêm debatendo
dentro dos grupos espíritas, eles vêm destruindo dentro dos grupos espíritas.
Colocando um irmão contra o outro... Isto vai existir, isto não vai acabar...
Enquanto existir o sofrimento na terra vai ter este debate, que existe dentro
de todas as outras religiões... Existe dentro do espiritismo também. Por
exemplo, você vê hoje no Brasil mais de 10 mil religiões evangélicas... Você,
dentro do Brasil hoje, quantos mil centros espíritas tem? A nossa querida Franca,
só lá, tem 150 centros espíritas, uma cidade com 280 mil habitantes... Então
você imagina como Kardec fechou isto tudo. Os grupos brigam, criam novos
estatutos, mas dentro do kardecismo. É a doutrina espírita em expansão. Dizem
que há muito mais irmãos evangélicos do que espíritas. Mentira! Porque a igreja
evangélica não é unida, há ramificações para todos os lados. É a igreja, o
pastor, um ensinando de um jeito, o outro ensinando de outro jeito. Mas se nós
uníssemos todos os centros espíritas, veríamos que há muito mais espíritas do
que se pode imaginar... Porque na hora que as pessoas não estão bem dentro
daquela sociedade espírita, elas vão lá e montam um centro espírita, montam um
grupo, dentro da filosofia kardequiana. Isso faz com que a nossa doutrina
espírita, com seus pilares, com seus esteios, com seus moirões, possa cercar
mais o público, para que esta boa nova possa ser introduzida de uma forma mais
simpática e mais agradável à mente humana.
TE – Dentro da doutrina espírita, qual o papel
da medicina espiritual, das cirurgias espirituais?
JB – Kardec,
na revista espírita, afirma que o futuro da doutrina espírita seria os médicos espíritas.
Seria a cura espiritual. Porque o médico espírita quando ele desencarna, se ele
fez um bom trabalho aqui na terra, também no mundo espiritual ele vai fazer um
bom trabalho. E logicamente que ele não vai perder a oportunidade, se ele
encontrar uma faculdade aberta, mediúnica, de poder vir e trabalhar. Mas a cura
dentro do centro espírita está por toda parte. Se você está dando um passe,
você está fazendo a cura, porque como é que você pode dar um passe em uma
pessoa desejando que ele não se cure? Naquele momento, podem se materializar os
fluidos, utilizando as energias magnéticas, os fluidos vitais para livrar
aquele corpo de determinada enfermidade. Mas disse Kardec também que o inimigo
da doutrina espírita seria o próprio espírita. Por quê? Porque está cheio de
obsessão. Então as pessoas, os espíritas, às vezes não olham. É mais fácil ele
dizer que o irmão está obsediado, mas ele não se conscientiza que ele também
está obsediado. E que ele acha que ele é o dono da razão. E ele não transfere a
razão para o outro. Mas graças a Deus, no Brasil, serviu um espírito muito
ativo, muito evoluído que se chama Chico Xavier. Que amarrou toda esta doutrina
espírita dentro da caridade. Um médium, um cristão por excelência, que nunca
saiu em defesa de causa própria; a defesa dele era a causa dos sofredores, a
defesa dele era o Evangelho, a defesa dele era ajudar os necessitados... Com
este exemplo de humildade provocou ciúme em todas as outras religiões: no
budismo, no muçulmano, no judaísmo, no catolicismo, em todos eles, com a sua
ficha de trabalho prestada a Jesus, porque foi um médium exemplar, por mais que
se procurasse não se encontrava ali, nada. E sempre que procurado, suas
palavras eram mansas, eram de carinho, eram de auxílio. Lembro-me de um dia que
nós fomos ao grupo para conversar com o Chico, e um de nossos irmãos perguntou
a ele se ele tinha obsessão. Ele bateu no bracinho (fazendo o gesto) e disse:
“eu tô na carne meu filho, claro que eu tenho obsessão"!
TE - Qual a diferença, em termos de resultados,
da cirurgia que o senhor realiza, sem cortes, para cirurgia espiritual com cortes?
JB – Não há
diferença nenhuma, porque no começo a gente cortava. Nós tivemos uma
experiência muito grande com isto; porque o médium, quando começa, e percebe
que é um médium de cura, que ele pode cortar as pessoas, que pode abrir as
pessoas, e a pessoa não sente dor, pode introduzir um instrumento dentro da
pessoa e a pessoa não sente dor... Então, quando o médium percebe que ele tem
este poder nas mãos, o que é que ele quer fazer? Ele se veste da vaidade e
começa a cortar as pessoas. Isto também aconteceu comigo. Aquelas multidões que
me procuravam... Eu fazia aquele sensacionalismo todo ali e todo mundo gostava
daquilo... Mas sempre o Dr. Alonso me advertia que aquilo que eu estava fazendo
estava errado. Aí eu queria procurar o Chico, conversar com o Chico, para pegar
uma orientação. Mas, desde então, o Chico tinha parado de trabalhar, porque não
tinha voz mais. E um belo dia eu pegando informações com o Dr. Alonso; disse ao
Dr. Alonso que eu queria conversar com o Chico, que eu ia até o Chico para
conversar com ele. E o Dr. Alonso disse que não. Que na hora certa eu iria
conversar com o Chico, e o Chico ia passar aquilo que eu precisava. Mas um dia,
depois de um longo dia de trabalho, eu fui para minha casa, estava me
preparando para dormir e o Dr. Alonso mandou eu me preparar para ir até o
Chico. E que o Chico ia passar as informações que eu precisava. Aí eu me
preparei, fiz minhas orações, pensei que eu ia incorporar, mas fui por
desdobramento. Neste desdobramento, eu cheguei até uma chácara, no portão de
uma chácara, que tinha um sítio muito, muito, muito bonito; eu entrei. Tudo
gramado... Eu sentei debaixo de uma mangueira onde tinha uma mesa de vidro,
tinham cinco médiuns lá, comigo seis. Mas a equipe que me levou até aquele
sitio, não podia atravessar o portão, só eu podia entrar. E eu atravessei o
portão e fui até aquela mesa, e o último lugar estava reservado para mim; eu
peguei e sentei, e havia um espaço entre onde sentei e a mesa, e naquele espaço
passava uma moça; eram duas moças: uma moça morena e uma moça bem loira; uma
passava na frente e outra passava nas nossas costas. Então a moça trazia um
diplomazinho assim (descrevendo com as mãos) na mão, entregando a todos nós... Eu
fui o último a receber aquele diplominha e ela pôs a mão na minha cabeça e
disse para mim: “você é muito bonito”. E eu deixei a vaidade subir e disse a ela:
“eu quero ser bonito espiritualmente”. Ela falou: “é disso que eu estou falando,
você tem muito poder nas suas mãos”. Aí, apareceu um senhor barbudo, de barbas
grandes, de barbas brancas, cabelo branco e nos deu uma palestra muito bonita,
dizendo para nós sermos médicos na terra e que nós teríamos o poder de curar, e
que cada um de nós trabalharia em uma região do país, numa determinada
religião. E passou aquilo ali... Eu mal entendendo aquilo ali e de repente, me
levaram para uma sala de vidro, um balcão de mármore, e trouxeram o Chico
carregado e puseram o Chico deitado naquele balcão de mármore. Eu cheguei e
segurei na mão do Chico, e ele segurou na minha mão. Ele olhou para mim e disse:
“João você é médium, João você não é médico! (com ênfase), escuta o que eu
estou te falando... Não precisa você cortar ninguém, só os médicos que podem cortar,
você não! Você não é médico, você é médium, você está fazendo tudo errado!” E
me deu aquela tristeza... Aquela angústia dentro de mim... Eu achei que ia ser
elogiado; lá fora eu era elogiado, e chego lá dentro o Chico faz isso comigo, e
voltei para o corpo. Triste, amolado, aborrecido daquela situação toda... Aí o
Dr. Alonso disse: “João ainda não acabou o que você tem que fazer”, e mandou
que eu voltasse... Eu voltei e o Chico já estava sentado, fora daquela sala.
Ele olhou para mim, e disse que precisava de uma cirurgia espiritual, porque
precisava terminar o trabalho dele na terra, e disse para mim, que eu não
precisava usar bisturi, que eu precisava usar só a minha mão. Eu coloquei a mão
na cabeça dele, e pus a mão na garganta dele, como se estivesse fazendo uma
cirurgia na garganta, aí ele me agradeceu, e disse para mim: “por causa desse
trabalho seu, por causa dessa cirurgia, que você fez em mim, eu vou voltar a
trabalhar”. Aí, aconteceu aquilo ali, eu não contei para ninguém... Tem um
amigo nosso, que é o Flávio Richinho, que trabalha nos nossos livros, que
coordena os nossos livros, que monta os nossos livros... Eu costumo falar que é
o último exilado de Capela que ainda está na terra (risos). Uma pessoa de um
conhecimento muito grande; uma pessoa de uma humildade muito grande; é uma
pessoa que sem estudar fala vários idiomas; uma pessoa que sem estudar toca
tudo que é instrumento; uma pessoa que faz pinturas maravilhosas; uma pessoa
que escreve um jornal há 35 anos e nunca pôs o nome dele no jornal. Ele foi
responsável por aquilo durante 35 anos, e ninguém sabe que ele que faz aquilo
lá. Um daqueles espíritos que vêm no silêncio, para realizar um grande trabalho
na terra, onde ele trabalha dentro da Fundação Espírita Allan Kardek já há
vários anos. Eu cheguei perto dele. Como
eu tomo muitos conselhos com ele, vou fazer as coisas, e tiro conselhos com ele,
e troco idéias... Então eu cheguei perto dele e disse: “Flávio aconteceu isso,
isso e isso comigo”. E ele deu uma risadinha e nós conversamos e eu disse para
ele: “eu acho que é mais um sonho meu... Aquela vontade de ver o Chico, de ver
as coisas, eu acho que isso é mais um sonho”. Ele disse: “não, não, isso aí é
desdobramento”. Mas aí passou... Depois de 15 dias veio a Folha Espírita, o
jornal espírita de Uberaba, avisando que o Chico havia passado por uma cirurgia
espiritual, sem corte, através de desdobramento; que o médium não usava bisturi,
mas que ele sentiu as lâminas cortando a garganta dele. O Flavinho pegou aquele
jornal, correu para mim e trouxe para mim e mostrou, e daí, o Chico estava
trabalhando. Aí eu falei: “Flávio, eu vou até o Chico”. E ele falou: “não, não,
mexe com isso não, deixa para lá. O que a mão direita faz a mão esquerda não
fica sabendo”. Mas aquela vontade do médium que tem ainda aquela vaidade de
saber se é verdade, se é verídico ou não...
Depois de três meses que
tinha acontecido aquilo lá, eu montei uma caravana e fui... E eu estava lá e
tinha um monte de gente, um monte de ônibus lá em Uberaba, todos se preparando
para conversar com o Chico. O Chico ainda não estava preparado para conversar e
ele mandou me chamar lá fora, mandou chamar o João Berbel: “eu quero conversar
com o médium João Berbel”. Eu fiquei mais impressionado... Como ele sabia que
eu estava ali? Eu entrei pelo portão, tinha levado o livro Dr. Alonso, Médico dos Pobres, entreguei na mão dele, ele pegou o
livro e colocou em cima da mesa, pertinho dele. Ele disse para mim: “João, eu
não me realizei matrimonialmente, mas eu criei três famílias: os meus irmãos,
os meus sobrinhos e os meus filhos adotivos. Você vai escrever muito, vai ser
muito famoso. Lembre da sua obrigação para com a sua família”. Aí eu fiquei
muito feliz... Depois disso daí, o nosso trabalho foi só crescendo cada vez
mais... E hoje por onde eu passo, há muitas pessoas que precisam de mim, e eu,
na medida do possível, o que dá para eu fazer, eu faço com muito amor e com
muito carinho.
TE
– Como é que o paciente pode colaborar
com este trabalho? Depende da fé, da postura do paciente?
JB – A coisa
espiritual não é como ir lá na árvore e pegar o fruto, você tem que lutar por
ela, então quanto mais você lutar para se curar é melhor...Eu, por exemplo, as
pessoas me chamam e eu faço uma resistência para atender aquela pessoa, mas não
que eu não queira, é para exercitar a fé dela. Jesus trabalhava desta mesma
forma, lembra de Jesus quando ele ia para Israel, onde uma moça corria atrás
dele, uma mulher corria atrás dele e pedia: “Mestre! Podes curar minha filha?
Minha filha está passando mal, está endemoninhada. O Senhor não pode curar
minha filha?” E Jesus disse assim: “como posso tirar o pão das mesas de Israel
para dar aos cães?” E a mulher disse: “mas Senhor, os cães tem direito às
migalhas que caem das mesas de Israel”. Jesus olhou para ela e disse assim: “vá
mulher, a tua filha já está curada porque a tua fé a curou”. Então você vê que
o próprio Cristo exercitava a fé nas pessoas para curar. E quando Ele curava
alguém, Ele nunca dizia: “Eu te curei”, Ele dizia: “a tua fé te curou”. Então,
quando você cria obstáculos para a pessoa, você exercita nele a fé, para que
ele seja curado, porque na verdade, também não sou eu que curo, são eles que
curam a eles mesmos, depositando a confiança que eles tem em mim. E a gente usa
do amor simplesmente, utilizando esta espiritualidade maravilhosa que está
dentro nós, e pede para que eles sejam curados.
TE – O trabalho de cura é realizado só durante a
sua atuação ou a equipe espiritual já fica atuando nos pacientes antes?
JB – Não
(interrompendo a pergunta); trabalha constantemente... A espiritualidade trabalha
constantemente. Nós fazemos o trabalho à distância, atendemos as pessoas à distância.
Você, por exemplo, precisou, chama o Dr. Alonso, tenho certeza que ele vai ouvir
você, se você chamar ele com fé. Se você chama Jesus Ele vem. O Dr. Alonso é um
empregado de Jesus, logicamente que ele vai ouvir o teu chamado. Então são
várias situações que a gente está nas condições, chama ele e ele vem e a gente
atende aquelas pessoas. Às vezes, a pobreza do conhecimento das pessoas ainda
permite que eu toque nas pessoas, que eu coloque esparadrapo nas pessoas, e não
precisa de nada disso. Jesus levantava a mão e curava e já quantas vezes, da
mesma forma, sem tocar nas pessoas tirei a dor das pessoas... No caso da Kate,
da americana que eu te falei, através do espírito que mandou ela levantar e andar.
O mais bonito é isto, do que você tocar nas pessoas, você agredir a imagem das
pessoas tocando a mão nas pessoas. Mas infelizmente a fé das pessoas é tão
pouca, tão miúda, que ainda necessita da gente ir lá tocar a mão das pessoas. E
tem pessoas que às vezes, a gente vai atuar nas partes baixas... E se eu não
por a mão lá em baixo mesmo, botar o curativo lá em baixo mesmo, ou pôr um
pouquinho para cima, para preservar a imagem da pessoa, elas acham ruim. Elas
querem que se faça num determinado lugar onde está a enfermidade. E isto
acontece não é só com as pessoas que tem menos conhecimento, isto acontece
ainda mais com os espíritas. Quantas vezes chegaram perto de mim, pessoas
espíritas famosas e que enquanto eu não coloquei uma agulha nelas, elas não se
curaram... Os espíritas são os mais difíceis de serem curados. Você pega um
matuto lá do sertão, que não tem religião, não tem nada, vem só com aquela
coragem de chegar perto da gente e eu só relo a mão neles e eles já saem dali
sem nada, sem problema nenhum. Porque eles acreditam na realização do milagre, naquelas
coisas que estão acontecendo ali. Então as coisas acontecem desta forma. Então
é uma dificuldade muito grande dos nossos irmãos absorverem, que nós estamos na
matéria e que o espírito tem o poder de trabalhar sobre a matéria, de manipular
os fluidos necessários para tirar a enfermidade do corpo. E Jesus também teve
uma vez que fazer um barro no chão, cuspiu no chão, fez um barro no chão,
passou no olho do cego e mandou ele no tanque lavar os olhos, porque naquele
momento aquela pessoa não acreditava, não tinha força, então tinha que tocar,
fazer aquilo ali, não que ele precisasse fazer aquilo, é que a fé daquele cego
não era compatível para que ele se curasse.
TE - Atualmente, até a medicina convencional já
aceita a desarmonia psicossomática, como causa de muitos dos males físicos.
Existe um trabalho paralelo de conscientização dos pacientes com relação a
necessidade da reforma íntima para que a cura seja mais efetiva?
JB – Todos
trabalhamos a reforma íntima, nós não viemos à terra apenas para curar corpos
perecíveis, mas redimir almas eternas, assim como Jesus fazia. Tudo que a gente
visa, é mostra ao homem que lá em cima existe Deus, e que existe um mundo
espiritual e que nós devemos nos preparar para entrar nele, porque se nós não
nos prepararmos para entrar nele, nós vamos chegar lá e ficar debaixo de uma
ponte pelados, sem roupa para vestir. Na hora que chegar o frio intenso, nós
não vamos ter um cobertor para tampar nossas orelhas. Nós devemos nos preparar
através da nossa reforma moral, da nossa reforma íntima, deixando o nosso amor
cobrir todas as enfermidades do nosso corpo, e depois do nosso corpo curado, perceber
que nós temos que fazer algo para sermos dignos daquela cura. Daí é que a gente
vai melhorando, daí é que a gente vai caminhando para a nossa reforma moral e
íntima, obrigando o homem a pensar desta natureza e fazer sua a reforma moral e
íntima, porque é daí que nós melhoramos.
TE - No caso de pacientes que possuem doenças
cármicas, como a cirurgia influi na saúde delas?
JB – O carma
não existe. O carma só existe para os maus espíritos, para os bons espíritos
não existe carma; o Pai na sua infinita bondade nos ama demais, Ele não quer
que nenhum dos seus filhos sofra. Se o filho sofre, é por causa da sua própria
ignorância. Por exemplo, eu vim predestinado a morrer num acidente de carro,
mas eu melhorei, eu amei o próximo como a mim mesmo. Eu odiava as pessoas, eu
batia nas pessoas, eu ofendia as pessoas, mas eu me modifiquei nesta
reencarnação, eu reverti aquele ódio em amor, eu pensava mal daquela pessoa que
estava caída no chão, achava que ele era um cachaceiro, que era uma pessoa à
toa, eu gozava na cara das prostitutas, eu as odiava. Os transviados, eu os
humilhava. Mas eu melhorei, eu me reconciliei com eles todos, eu amei eles, eu
abracei aquela prostituta e a beijei igual eu beijo minha mãe. Eu peguei o
bandido e levei para dentro da minha casa, deu a ele o que comer, socorri os
mendigos. Então eu melhorei, na medida que eu melhorei, todas aquelas minhas
boas ações. Sabe o que aconteceu? Foram lá na minha ficha cármica e passaram a
borrachinha, apagaram. De repente eu vinha naquele carro, que estava
predestinado a bater em outro carro, o pneu furou, e eu encostei no acostamento
para trocar aquele pneu e o carro passou direto, estava predestinado a bater em
mim e bateu numa pedra lá na frente. Eu segui meu curso normal, cada vez
aprendendo mais, cada vez evoluindo mais, para que eu pudesse voltar para casa
melhor do que quando eu vim. Então o nosso carma está do tamanho da nossa
ignorância, do tamanho da nossa imperfeição. Então se você melhorou, você recebe
aquela graça de seguir seu curso normal. Retirado aquele tumor, o que é que preciso? É
retirado ali, mas acontece o quê? O tempo passa, você melhorou, você esquece
daquela cirurgia e você começa as coisas erradas, então você não conseguiu
apagar aquela ficha cármica, aquele erro seu. Então você precisava do carma
porque você não era um bom espírito. Então
você não apagou a sua ficha cármica, o seu carma. Foi retirado, você teve
aquela oportunidade, o Pai deu aquela oportunidade de você se livrar daquele
câncer, de você se livrar daquele sofrimento, mas infelizmente você não quis,
infelizmente você não se libertou daquele carma, porque você não era um bom
espírito, daí que eu falo que o carma é somente para corrigir os maus
espíritos. É igual à reencarnação. Reencarnação é para quê? Para corrigir os
maus espíritos. Nós estamos aqui porque somos maus, nós temos dívidas. Se nós
estivéssemos próximos de Jesus, amando como Ele amou, fazendo o que Ele fez,
nós não estaríamos aqui na terra mais. Então quando a gente fala que existe a
reencarnação para corrigir os maus espíritos, as pessoas ficam insultadas, mas
não é, é porque nós somos maus. Se nós fôssemos bons, estaríamos perto de Jesus.
Então se nós estamos aqui é por temos dívidas. Dívidas por quê? Porque a nossa
conduta ainda não é boa.
TE – Como o senhor vê o futuro da relação
entre o plano material e o plano espiritual? Para onde estamos caminhando?
JB – Cada
vez mais largo, cada vez mais espaçoso, cada vez mais os mensageiros de Jesus
se manifestando na terra, para ajudar a este povo doente, como, por exemplo... Melhorou?
Melhorou muito, porque a terceira revelação já veio, a doutrina dos espíritos
já veio. Antigamente era muito difícil ser espírita, hoje é mania do povo
querer ser espírita. Então esta expansão vai abrir de tal forma que vai chegar
um tempo aí que isto vai ser da humanidade e de todas as outras religiões, como
eu te disse o espiritismo não é a religião do futuro, mas o futuro das
religiões, então nós vamos cansar de ver este Kardec sendo pregado dentro das
igrejas, porque hoje a doutrina espírita não comporta. Pelos espíritos enviados
até ela, que são espíritos portadores de enfermidades, que precisam de um
conhecimento maior, e que vem dentro da doutrina espírita para se aprimorarem,
para aprender e não tem condição ainda de envolver esta grande massa. Você
imaginou ter aqui dentro de Fortaleza, aqui no Ceará, você receber 100 mil
pessoas, 200 mil pessoas para você fazer uma pregação cristã, uma pregação
espírita, uma pregação evangélica, você conseguiria? Então é necessário que se
espalhe este foco por todos os lugares, mas que esta mensagem, que esta
terceira revelação, seja fixa e que possa ajudar a esses milhares e milhares de
espíritos doentes que ainda povoam a terra.
TE – Para terminar, gostaríamos de pedir para o
senhor deixar sua mensagem.
JB – A nossa
mensagem é uma mensagem de amor, é uma mensagem de otimismo, é uma mensagem de
fé, é uma mensagem até mesmo de carinho. Vendo a Terra nesta dificuldade toda
que ela passa, em que nos meios de comunicação, vemos as piores notícias possíveis...
Acima de tudo existe Deus e Ele é bom. Como que nós vemos esse Deus bom? Vemos
este Deus bom como a justiça divina que paira sobre nós com uma ordem perfeita,
vemos este Deus como a inteligência primária sobre todas as inteligências, vemos
Este como a causa primária sobre todas as causas, um ser supremo do universo, então
daí a gente dobra os nossos joelhos ao chão, com os nossos braços abertos
debaixo de lágrimas, numa oração, agradecendo a este Deus bondoso por ter
escolhido este anjo bendito chamado Cristo, que se tornou verbo e vestiu a
roupagem da carne e veio sobre nós, codificou o amor e trouxe ao mundo a boa
nova, nos amou indistintamente até dar o seu sangue alvejado numa cruz, para
nos mostrar que o amor é uma hóstia imaculada, que o amor é uma hóstia sem
manchas, e que quando ofertada no altar dos nossos corações, emite um aroma de
perfume tão grande, que este perfume é bem visto ao olfato de Deus. Que este
mesmo Deus, que este mesmo Jesus, os abençoem a todos.
TE – Obrigado.
Para maiores informações
sobre o trabalho do médium João Berbel, acessar:
www.espiritismodralonso.org.br
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Set/2003
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