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Raimundo Moura Rego

Do Caráter da Revelação Espírita*. (*fonte: item II introdução ao
ESE*)
Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por
meio mais rápido e mais autêntico. Eis porque encarregou os Espíritos a
levarem de um pólo ao outro, manifestando-se por toda parte, sei dar a
ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra.
Um homem pode ser enganado e pode enganar-se a si mesmo, mas não aconteceria assim, quando milhões vêem e ouvem a mesma coisa: isto é uma garantia para cada um e para todos.
Esta universalidade do
ensino dos Espíritos faz a força do Espiritismo. E é ao mesmo tempo a
causa de sua tão rápida propagação. Enquanto a voz de um só homem,
mesmo com o auxílio da imprensa, necessitaria de séculos para chegar
aos ouvidos de todos, eis que milhares de vozes se fazem ouvir
simultaneamente, em todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos
princípios e os transmitir aos mais ignorantes e aos mais sacios.A fim
de que ninguém seja deserdado, É uma vantagem de que não pôde gozar
nenhuma das doutrinas aparecidas até hoje. Se portanto, o Espiritismo é
uma verdade, ele não teme nem a ma vontade dos homens, nem as
revoluções morais, nem as transformações físicas do globo, porque
nenhuma dessas coisas pode atingir aos Espíritos.
*
*
*SOBRE O CONTROLE UNIVERSAL DO ENSINO DOS
ESPÍRITOS*
O primeiro controle, é, sem contradita, o da razão,
ao qual é necessário submeter, sem exceção, tudo o que vem dos
Espíritos. Toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com
uma lógica rigorosa, com os dados positivos que possuímos, por mais
respeitável que seja o nome que a assine, deve ser rejeitada. Mas esse
controle é incompleto para muitos casos, em virtude da insuficiência de
conhecimentos de certas pessoas, e da tendência de muitos, de tomarem
seu próprio juízo por único árbitro da verdade. Em tais casos, que
fazem os homens que não confiam absolutamente em si mesmos?
Aconselham-se com os outros, e a opinião da maioria lhes serve de guia.
Assim deve ser no tocante ao ensino dos Espíritos, que nos fornecem por
si mesmos os meios de controle.
A concordância no ensino dos
Espíritos é portanto o seu melhor controle, mas é ainda necessário que
ela se verifique em certas condições. A menos segura de todas é quando
um médium interroga por si mesmo numerosos Espíritos sobre uma questão
duvidosa. É claro que, se ele está sob o império de uma obsessão, ou se
tem relações com um Espírito embusteiro, este Espírito pode dizer-lhe a
mesma coisa sob nomes diferentes. Não há garantia suficiente, de mesma
maneira, na concordância que se possa obter pelos médiuns de um mesmo
centro, porque eles podem sofrer a mesma influência.
/A
única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das
revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares. /
Compreende-se que não se trata aqui de comunicações relativas a interesses secundários, mas das que se referem aos próprios princípios da doutrina. A experiência prova que, quando um novo princípio deve ser
revelado, ele é ensinado /espontaneamente, /ao mesmo tempo, em diferentes lugares, e de maneira idêntica, senão na forma, pelo menos quanto ao fundo. Se, portanto, apraz a um Espírito formular um sistema
excêntrico, baseado em suas próprias idéias e fora da verdade, pode-se estar certo de que esse sistema ficará /circunscrito, e /cairá diante da unanimidade das instruções dadas por toda parte, como já mostraram números exemplos. É esta unanimidade que tem posto abaixo todos os sistemas parciais surgidos na origem do Espiritismo, quando cada qual explicava os fenômenos a seu modo, antes que se conhecessem as leis que
regem as relações do mundo visível com o mundo invisível.
Esta é
a base em que nos apoiamos, para formular um princípio da doutrina. Não
é por concordar ele com as nossas idéias, que damos como verdadeiro.
Não nos colocamos, absolutamente, como árbitro supremo da verdade,e não
dizemos a ninguém: "Crede em tal coisa, porque nós vo-la dizemos".
Nossa opinião não é, aos nossos próprios olhos, mais do que uma opinião
pessoal, que pode ser justa ou falsa, porque não somos mais infalíveis
do que os outros. E não é também porque um princípio nos foi ensinado
que o consideramos verdadeiro, mas porque ele recebeu a sanção da
concordância.
* *
*KARDEC E SUA COMUNICAÇÃO COM
AS CASAS ESPÍRITAS*
Na nossa posição, recebendo as comunicações
de cerca de mil centros espíritas sérios, espalhados pelos mais
diversos ponto do globo, estamos em condições de ver quais os
princípios sobre que essa concordância se estabelece. É esta observação
que nos tem guiado até hoje, e é igualmente ela que nos guiará, através
dos novos campos que o Espiritismo está convocado a explorar. É assim
que, estudando atentamente as comunicações recebidas de diversos
lugares, tanto da França como do exterior, reconhecemos, pela natureza
toda especial das revelações, que há uma tendência para entrar numa
nova via, e que chegou o momento de se dar um passo à frente. Essas
revelações, formuladas às vezes com palavras veladas, passaram quase
sempre despercebidas para muitos daqueles que as obtiveram, e muitos
outros acreditaram tê-las recebido sozinhos. Tomadas isoladamente, elas
seriam para nós sem valor; somente a coincidência lhes confere
gravidade. Depois, quando chega o momento de publicá-las, cada um se
lembrará de haver recebido instruções no mesmo sentido.
*/Esse
controle universal é uma garantia para a unidade futura do Espiritismo,
e anulará todas as teorias contraditórias. É nele que, no futuro, se
procurará o criterium da verdade./*
*SOBRE O SUCESSO QUE A
DOUTRNA ESPÍRITA ALCANÇARA JÁ ÀQUELE TEMPO//*
O que determinou o
sucesso da doutrina formulada no O /Livro dos Espíritos /e no O /Livro
dos Médiuns, /foi que, por toda parte, cada qual pode receber,
diretamente dos Espíritos, a confirmação do que eles afirmavam. Se, de
todas as partes, os Espíritos os contradissessem, esses livros teriam,
após tão longo tempo, sofrido a sorte de todas as concepções
fantásticas. O apoio mesmo da imprensa não os teria salvo do naufrágio,
enquanto que, privados desse apoio, não deixaram de fazer rapidamente o
seu caminho, porque tiveram o dos
Espíritos, cuja boa vontade
compensou, com vantagem, a má vontade dos homens. Assim acontecerá com
todas as idéias emanadas dos Espíritos ou dos homens, que puderem
suportar a prova desse controle, cujo poder ninguém pode
contestar.
Hoje, começo por transcrever, “ipsis literis” as
palavras do codificador no item II da Introdução ao estudo de O
Evangelho Segundo o Espiritismo.
Sim, com certeza há
uma razão para que comece um artigo mostrando, trecho que deveria ser
de conhecimento de todos. Digo “deveria” porque todos sabemos, que
poucos são aqueles que se dignam a “perder tempo” lendo introduções,
prolegômenos, ou qualquer coisa que o autor tenha escrito antes do
começo do que dá título ao livro. Ora, quem não se preocupa com essas
partes, perde, e perde muito, já que deixa de tomar conhecimento de
particularidades que têm seu local indicado nas partes introdutórias de
qualquer obra, vai daí, que muitas das confusões que tanto geram
discussões espúrias, onde o conhecimento passe longe de qualquer
afirmativa feita, tomam vulto e acontecem por falta simples e pura do
estudo das introduções dos livros.
Por exemplo, é na introdução
ao Livro dos Espíritos em sua primeira edição que vemos a explicação
que nos deixa a cavaleiro para afirmar que aquela obra, não está
obsoleta ou tenha perdido sua validade em virtude da saída da segunda
edição da mesma obra. Muito pelo contrário, digo eu, é exatamente na
introdução que se toma conhecimento dos meios utilizados para que se
conseguisse que saísse do forno a primeira edição, é também peal
introdução que ficamos conhecedores de que foi por tiptologia, que as
médiuns meninas conseguiram o feito. Logo, de maneira completamente
diferenciada da psicografia, com a qual veio a segunda edição da mesma
Obra. Uma lição que não deveria estar sob as sombras do desconhecimento
para quem se diga Espírita.
A falta de pauto para com o
estudo começa ao saltar-se as páginas introdutórias, essa falta de
apuro gera, não raro, estudantes fracos, pouco conhecedores do ensino
doutrinário, e essa fraqueza doutrinária irá, com o tempo servir de
sedimento às mais tortuosas idéias, que se tornarão, para muitos, a
conclusão final, que os retirará da estrada do saber, para guiá-los
trôpega e caludicantemente, pela trilha da ignorância, fazendo destes,
não Espíritas mas sim, adivinhões, falsos profetas.
José de Herculano Pires, há tempos atrás, cunhou um codinome para o movimento espírita brasileiro. Até hoje, tal apelido, provoca a ira de alguns, que não podendo rechaçá-lo pelo conhecimento doutrinário, tentam isso fazer, através de apupos ou acicates, que demonstram com sobeja propriedade, a qualidade daqueles que se julgam como intérpretes
puros da doutrina espírita. Pois bem, tal codinome, tal apelido é:
“Nosso pobre movimento espírita”, alguém, de sã consciência, pode dizer
mal do apelido? Por outra, pode alguém dizê-lo mentiroso?
Se os amigos que lêem essas linhas, concordarem com o
que disse Herculano Pires, por certo haverão de entender porque “gastei
tanto tempo”, escrevendo sobre essas “favas contadas.”
Sim, “favas contadas”, porém sem essas favas, a alimentação doutrinária
se torna inócua, fraca, ou como diria Raul Seixas, “sem cheiro nem
sabor”.
Rio de Janeiro, quatro de abril de 2007.
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