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A VIDA TEM DESSAS COISAS

  

Raimundo Moura Rego

As vezes, a vida nos coloca em certas posições, que desacreditamos estar por passar. É assim mais das vezes, quando estamos o mais desarmados possível, estando entre amigos, convivendo e conversando sobre coisas que nos engrandecem o Espírito e nos ensinam a sermos melhores amanhã do que estamos hoje.

Tudo estaria bem, tudo seria e andaria dentro da maior harmonia, se, tal convivência, não englobasse, também, Espíritos mais ignorantes do que nós mesmos, sedentos por falar, mas ainda num estágio cuja falsa crença de ser melhor ou mais poderoso do que os outros, os faz estarem em meio a provação na qual falhem repetidas vezes.

Outro dia, meti-me em situação análoga a do intróito, e pude ver como a empáfia, abrigada por extensa ignorância doutrinária faz aparecer no Espírito impuro, toda a animalidade, rudeza que o casal, Orgulho e vaidade exacerbados, aditados da já nomeada ignorância doutrinária, faz, a este mais animal do que o próprio animal, que ele diz, irracional.

Essas mazelas morais, quando vivenciadas pelo Espírito que haja de por algum motivo, estar em lugar que lhe inspire o poder fugidio do mando, é o instrumento mais afiado de seus companheiros Espirituais mais apegados, que por elas instilam nesse companheiro adoecido, uma falsa sensação de tudo saber, de tudo conhecer e com profundidade. Descura ele, então do estudo da obra codificada, ora, seu lugar na chefia do grupo o põe a cavaleiro e a coisa segue dessa maneira, se concordam comigo meus amigos são e também conhecem do que falam, mas se por acaso um desses destoa, e aponta, mesmo que na letra doutrinaria, o erro, o “chefe” então, o tem como um bagunceiro, daqueles que não querem senão atrapalhar a boa hora, e fazendo da força bruta, sempre o instrumento de decisão, contra a razão que se estabelece, cala-lhe a boca, retirando-lhe o inalienável direito a resposta.

Não mostra ele a elucidação apontando na doutrina o erro do que antes chamara de amigo, tergiversa, faz longos discursos, com tropos de factual sabedoria, como a dos pseudo-sábios, e se reveste de mesuras dando por encerrado o incidente.

Triste papel...

A ação desenvolvida mostrou bem a qualidade do Espírito que ali agiu. Pois se antes pregara o evangelho, falando com atitude santifical, no “amor que se tem de exemplificar ante as más horas”, essa mesma ação, há de ter sido o demonstrativo de sua incapacidade de chefiar grupo algum, pois qualquer chefe que se preze, mostra o erro na doutrina seguida, seja ela qual for, acabando a querela, pela letra doutrinária, pela ciência estudada, ou seja, pela Razão.

Minha tristeza é maior por ter presenciado o fato entre meus irmãos de ideal Espírita.

Mais uma vez, o açodamento que a ignorância norteia, fez com que a prepotência, mostrasse as garras do lobo em pele de cordeiro, que não tendo como rechaçar o que a doutrina afiança, usou de seu falso poder, na força bruta utilizada para excluir o irmão que com o arrazoado doutrinário mostrava o dizer da doutrina espírita.

Falar é fácil, dizem com acerto, muitas pessoas, e o papel a tudo aceita, sem reclamar, asseveram outras, com a mesma razão.

A vista disso, é que para embasar minhas palavras venho a público, nesse pequeno alinhavar de pensamentos, trazendo a prova a luz da doutrina, que não é minha, nem de qualquer um desses que se arrostem numa sabedoria que não desfrutam, e em tema básico, que já deveria estar bem definido, posto que quem quer comandar um grupo de estudo, tem por mister de responsabilidade, para com o grupo e primeiramente para com a doutrina que diz seguir, pelo menos um estudo grave, perseverante, consistente, desta doutrina ou pelo menos, do ponto de estudo do dia.

 

Falaremos de um trecho da doutrina que diz sobre os animais e homens – Tal ponto é matéria de estudo em O Livro dos Espíritos, Capítulo XI, item II, sob a legenda - Os Animais e o Homem -.

Trago como instituto de apreciação, o excerto da questão de numeral 592 a qual passo a transcrever da obra básica citada acima.

 

 

II – OS ANIMAIS E O HOMEM

 

592. Se comparamos o homem e os animais, em relação à inteligência.parece difícil estabelecera linha de demarcação, porque certos animais têm, nesse terreno, notória superioridade sobre certos homens. Essa linha de demarcação pode ser estabelecida demaneira precisa?

– Sobre esse assunto os vossos filósofos não estão muito de cardo. Uns querem que ohomem seja um animal, e outros que o animal seja um homem. Estão todos errados. O homem é um ser à parte, que desce às vezes muito abaixo ou que pode elevar-se muito alto. No físico, o homem é como os animais e menos bem provido que muitos dentre eles; a Natureza lhes deu tudo aquilo que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para prover às suas necessidades e à sua conservação. Seu corpo se destrói como o dos animais, isto é certo, mas o seu Espírito tem um destino que só ele pode compreender, porque só ele é completamente livre. Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos! Não sabeis distinguir-vos deles?

Reconhecei o homem pelo pensamento de Deus.

 

Os grifos na cor azul, são de minha autoria, para diferençar dos grifos que o tradutor coloca em sua obra.

 

A questão supra citada, veio a baila, porque ao meio de uma explanação deste amigo de vocês, fui surpreendido com a reiterada colocação desta frase, escrita em caixa alta, quer dizer em letras maiúsculas, o qual na Internet, é considerado um grito: “O HOMEM NÃO É UM SER A PARTE NA CRIAÇÃO.

Ora, uma contestação dessas, e com tal veemência, já que gritada, dava conta de que eu haveria de ter cometido um erro crasso. Perguntei então qual o erro e o que obtive foi a repetição reiterada da mesma frase, ora ao que se saiba, o neném também grita, mas ninguém lhe entende o reclamo, logo gritar só significa uma certa impaciência, um certo desconforto, e nesse caso em especial, uma grande falta de bom senso, afinal, a questão está na obra básica, aposta acima, dá a ver por qualquer um que a leia, a clara colocação não minha, nem de um Espírito de minha estatura intelecto-moral, mas por vários Espíritos e todos Superiores, posto que a resposta nos chega pelo crivo do
Controle Universal do Ensino dos Espíritos.

Dessarte, procurei fazer ver ao confrade, fundador da sala de estudos, o seu engano, que de todo modo poderia ser encarado como um esquecimento, pois as vezes a memória nos prega peças.

Qual não foi a minha surpresa ao rever a entristecedora frase, de novo repetida à exaustão, como se quisesse o amigo, como se diz na gíria futebolística, “ganhar no grito”, a questão.

E mais, sugeriu-me o “chefe” da sala, que me reportasse a questão de número 610 da mesma obra, esta que lhes trago excertada, abaixo, de O Livro dos Espíritos.

 

“610. Os Espíritos que disseram que o homem é um ser à parte na ordem da Criação enganaram-se, então?

Não, mas a questão não havia sido desenvolvida, e há coisas que não podem vir senão a seu tempo. O homem é, de fato, um ser à parte, porque tem faculdades que o distinguem de todos os outros e tem outro destino. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação dos seres que podem conhecer.

 

Novamente, a obra básica, aquela que socorre e ajuda ao estudioso sério, é taxativa, mesmo porque, esquecera-se o confrade nervoso, de outra citação constante na mesma obra estudada, O Livro dos Espíritos: “Os Espíritos Superiores, nunca se contradizem”, ora, não seria naquele mister, tão básico, tão simplesmente inteligível a todos que como costumo dizer brincando, compreendem a página de esportes de qualquer jornal, que esses mesmos Espíritos, ditos de Escol, iriam se desentender, fazendo o instrumento de validação por eles mesmos inventado e aprovado pelo “bom senso encarnado”, Allan Kardec – O Controle Universal do Ensino dos Espíritos - perder-se no tempo e no espaço.

 

Se não fosse assim, haveríamos nós estudantes da Doutrina dos Espíritos, de estarmos em palpos de aranha, como confiar nos ensinos dos Espíritos se eles mesmos, em pontos básicos, se engalfinhavam e não chegavam a um denominador comum?

Não amigos, foi exatamente para que não houvesse qualquer dúvida que a palavra Espiritual na obra codificada foi sempre a mais aclarada e simples.

 

Mas não me fixarei somente na Obra Básica O Livro dos Espíritos, vamos abrir outro compêndio doutrinário, quem sabe não nos assustemos com uma contradição desses Espíritos Superiores?

Abramos então a obra:

“A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”, no capítulo X, item XXVIII:

 

“28. Ainda que isso possa ferir o seu orgulho, o homem deve se resignar a ver no seu corpo material apenas o último elo da animalidade na Terra. Aí está o inexorável argumento dos fatos, contra o qual seria inútil ele protestar.(167)

 

Notem amigos, a sutileza e extrema sagacidade do codificador ao colocar em estilo itálico os vocábulos corpo e material.

Havia sim um motivo para tal feito de didática, esse seria o de fortificar a informação que viria a seguir e que eu, a coloco em cor azul para dar mais ênfase, e em cor acastanhada para evidenciar a comprovação do que já está, para mim, mais do que comprovado.

 

Entretanto, quanto mais o corpo diminui de valor aos seus olhos, mais cresce a importância do princípio espiritual. Se o primeiro nivela o homem ao bruto, o segundo o eleva a incomensurável altura. Vemos o limite onde se detém o animal; não vemos o limite que o espírito do homem pode atingir.

 

 

Para não tornar maçante ou cansativo este artigo, encerro o mesmo na certeza de ter feito o meu trabalho, alias trabalho que qualquer Espírita consciente tem por dever fazer, para que não se deixe que a informação eivada do erro de entendimento que é o alimento primeiro da ignorância, seja propalada com afirmações bombásticas ou por atos que remontam a período esquecido nos tempos, onde o homem, mais não era do que um animal.

Porém, se ele galgou por seu trabalho ao patamar em que hoje estagia seu Espírito, deve entender que no nosso hoje, os debates devem ser comandados pelo conhecimento, e este, a luz da doutrina que lhe seja o mote, haverá de separar o joio do trigo.

Não as atitudes grosseiras, hostis, e prepotentes, pois estas, bem, estas retirando a grossa camada de maquiagem, que faz angélica a face que se vê, mostra bem o quanto de animal, no sentido da ignorância, ainda se tem aprisionado esses nossos infelizes confrades.

Muita paz.

 

 

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Pensamentos

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

 

 

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