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A.Merci Spada Borges

“Jesus confia em nós e
Seus amigos espirituais contam com o esforço de cada um e a decisão de todos. A
nossa será uma vitória coletiva. A deserção de alguém será atraso na marcha de
outros e a queda de alguns será o insucesso de muitos
...”(1)
O Centro Espírita é a sede
onde se desenvolvem atividades doutrinárias e filantrópicas alicerçadas na
Doutrina Espírita. Mais que isso, deve ser o ponto central para onde convergem
os interesses superiores de todos aqueles que, unidos pelo ideal comum, buscam a
elevação moral das próprias almas através do estudo e dos trabalhos
redentores.
Dali deve irradiar, para
todos os corações, o convite perene para vivenciarem o lema estabelecido pelo
insigne Codificador —“Fora da Caridade não há Salvação”:
“(...) A caridade e a
fraternidade se reconhecem pelas obras, e não pelas palavras (...). É a pedra de
toque, pela qual se reconhece a sinceridade de sentimentos. E em Espiritismo,
quando se fala de caridade, sabe-se que não se fala apenas daquela que dá, mas,
também e sobretudo, da que esquece e perdoa, que é benevolente e indulgente, que
repudia todo sentimento de ciúme e rancor. Toda reunião espírita que não se
fundar sobre o princípio da verdadeira caridade será mais prejudicial que útil à
causa, porque tenderá a dividir, em vez de unir. (2)
Assim, a Casa Espírita não
é e não pode ser uma empresa “análoga às associações propriamente
humanas...”(3), antes que isso, deve ser um reduto de amor onde seus membros
possam desfraldar, num clima de união, a bandeira “Trabalho, Solidariedade e
Tolerância”.
Assevera o Espírito Albino
Teixeira:
“(...) Essa equipe de
corações, aos quais nos agregamos para servir, é comumente o grupo de nossas
afinidades, afetos e desafetos que trazemos de existências passadas, que nem
sempre estão associados a nós pelos laços consangüíneos, mas até agora jungidos
ao nosso espírito por vínculos magnéticos. E nesse grupo íntimo que encontramos
grandes alegrias e grandes dores, consolações e desafios, facilidades e empeços,
tesouros de amor e testes de burilamento moral entre os quais ser-nos-á possível
aproveitar o tempo, com mais segurança, ressarcindo erros e aprimorando
qualidades que nos facilitem acesso às vanguardas de
Luz”.(4)
Portanto, o Centro
Espírita pode ser considerado um laboratório de experiências evolutivas e cada
um de seus membros a essência salutar a exalar a alegria de servir como elo da
grande corrente que enriquece as fileiras responsáveis pela restauração do
Evangelho de Jesus.
No Centro Espírita o
trabalho, sempre voluntário, é impulsionado pelas exigências do coração. Para
tanto a hierarquia se faz natural, aos moldes dos Espíritos
Reveladores:
“Espíritas, amai-vos,
eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”.
(5)
Otrabalho organizado em
grupo, as idéias novas discutidas em conjunto, onde cada um pode propor a sua
cota de colaboração, é muito mais produtivo. Todos passam a trabalhar com
os companheiros e não para os companheiros; com alegria, sem
imposições e sem cobranças; dentro das normas básicas de disciplina, mantendo-se
o respeito pelas tarefas alheias, sejam elas doutrinárias ou
filantrópicas.
As tarefas doutrinárias
exigem muito cuidado, pois o preparo dos tarefeiros que as dirigem toma-se
imprescindível.
O conhecimento
evangélico-doutrinário representa o alicerce da construção
imoral.
O Centro Espírita, como
núcleo abençoado de estudo e de trabalho, Escola preparatória para a Vida plena,
não pode se eximir da Evangelização de seus congregados. Somente as lições do
Sublime Mensageiro de Deus poderá preparar as almas para a escalada redentora,
em busca da perfeição.
Doutrinar, orientar,
esclarecer, intermediar, divulgar exigem conhecimento doutrinário, preparo,
discrição, amor:
“Pode acaso um cego
guiar outro cego, não cairão ambos na cova? O discípulo não é superior ao
mestre, mas todo o discípulo será perfeito, se for como seu mestre.”
(6)
Cada atividade tem sua
peculiaridade. Os trabalhos de desobsessão ou de educação mediúnica não são
meras sessões de bate-papo com os habitantes do Além. Representam, outrossim,
assistência, socorro aos Espíritos em desequilíbrio, cujas aflições revertem em
abençoadas lições de humildade, de amor e de renovação moral aos componentes do
grupo.
Como assistir aos doentes
espirituais com o lastro devido? Respeito, discrição, discernimento e,
sobretudo, caridade complementam o atendimento cujo objetivo é derramar o
refrigério renovador sobre o ardor do sofrimento.
A fluidoterapia, ou
bioenergia, ou, como queiram, a aplicação do passe, exige de seus doadores,
saúde física relativa e equilíbrio psicomoral como esclarece Allan
Kardec:
“Quem diz médium
diz intermediário (...)
Ofluido magnético tem,
pois, duas fontes distintas: os Espíritos encarnados e os Espíritos
desencarnados. Essa diferença de origem produz uma grande diferença na qualidade
do fluido e nos seus efeitos.
Ofluido humano está
sempre mais ou menos impregnado de impurezas físicas e morais do
encarnado; o dos bons Espíritos é necessariamente mais puro e, por isto mesmo,
tem propriedades mais ativas, que acarretam uma cura mais pronta. Mas, passando
através do encarnado, pode alterar-se como um pouco de água límpida passando por
um vaso impuro, como todo remédio se altera se demorou bastante num vaso sujo e
perde, em parte, suas propriedades benéficas. Daí, para todo verdadeiro médium
curador, a necessidade absoluta de trabalhar a sua depuração, isto é, o
seu melhoramento moral, segundo o princípio vulgar: limpai o vaso antes de vos
servirdes, se quiserdes ter algo de bom. (...)“(7) (Grifos
originais.)
Cada tarefeiro necessita
conscientizar-se do valor que representa a vivência fraternal, o estudo e a
disciplina para alçar novos degraus da evolução.
Sem essas normas básicas,
a desarmonia impera e a construção, por mais sólida que se apresente, corre o
risco de ir ao chão, pois as rachaduras morais abalam-lhe as
estruturas.
Um dos maiores escolhos a
minar o solo fértil das Casas Espíritas, facultando brechas para a invasão de
Espíritos demolidores, é a maledicência, atitude própria dos incautos,
mãe de todas as desgraças, porque geradora da intriga.
Ointrigante, de ambos os
lados da vida, incapacitado, pela má vontade, de produzir e desejoso de se
destacar sem o esforço que o levaria à realização, prefere destruir a imagem, o
caminho, o valor daqueles que se aproximam do acume.
Ensina o Dr. Bezerra de
Menezes:
“Um Centro Espírita onde
as vibrações dos seus freqüentadores, encarnados ou desencarnados, irradiem de
mentes respeitosas, de corações fervorosos, de aspirações elevadas; onde a
palavra emitida jamais se desloque para futilidades e depreciações; onde, em vez
do gargalhar divertido, se pratique a prece; em vez do estrépito de aclamações e
louvores indébitos se emitam forças telepáticas à procura de inspirações
felizes; e ainda onde, em vez de cerimônias ou passatempos mundanos, cogite o
adepto da comunhão mental com os seus mortos amados ou os seus guias
espirituais, um Centro assim, fiel observador dos dispositivos recomendados de
início pelos organizadores da filosofia espírita, será detentor da confiança da
Espiritualidade esclarecida, a qual o elevará à dependência de organizações
modelares do Espaço, realizando-se então, em seus recintos, sublimes
empreendimentos, que honrarão os seus dirigentes dos dois planos da Vida.
Somente esses, portanto, serão registrados no Além-Túmulo como casas
beneficentes, ou templos do Amor e da Fraternidade, abalizados para as
melindrosas experiências espíritas, porque os demais, ou seja, aqueles que se
desviam para normas ou práticas extravagantes ou inapropriadas, serão, no
Espaço, considerados meros clubes onde se aglomeram aprendizes de Espiritismo em
horas de lazer. (8)
O crescimento é
conseqüência do esforço encetado. Todo aquele que luta, que estuda, que
persevera, por amor e por desinteresse, arrebata a simpatia dos Espíritos
Superiores.
Ninguém vence sem esforço,
sem luta.
A caminhada com Jesus é
árdua; a bagagem é a cruz; a coroa é de espinhos; o solo a ser palmilhado é
pedregoso e sangra os pés que o tocam, tomando-se intransponível para os que se
apresentam descalços de Amor, de boa vontade, de abnegação. A vigilância deve
ser constante para que a surpresa não os desmonte na hora crucial do
testemunho.
Quem se candidata à
conquista da felicidade tem que se armar de coragem.
Trabalhar com Jesus exige,
sim, muita coragem para destruir as feras da concupiscência, para uns; da
avareza, do autoritarismo para outros; do egoísmo para muitos.
Não sendo assim, as feras
do personalismo, da vaidade, do ciúme, da inveja, da dissipação, da ociosidade e
tantas outras vão invadindo sutilmente as almas invigilantes.
Crescer exige
esforço!
Para se crescer
intelectualmente é fácil, basta o impulso motivador da vaidade e se atinge
status, boa remuneração, sucesso terreno. Todavia, o crescimento moral
exige muito mais, pois necessita que o combustível ímpar da fé e da renúncia, da
humildade e do Amor circule na intimidade do próprio ser.
Por isso, e muito mais, a
Casa Espírita é um laboratório de experiências evolutivas cujo sucesso depende
da coletividade, onde cada um deverá apagar-se para que o brilho do Mestre Jesus
possa iluminar a todos.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRAFICAS:
1. “Momentos de Harmonia”, Joanna de
Ângelis, psicografado por Divaldo P. Franco, Cap. 9, pág. 62, Ed. LEAL.
2. Revista Espírita, 1864.
Allan Kardec, pág. 25, EDICEL.
3. “Educandário de Luz”, Emmanuel,
psicografado por Francisco Cândido Xavier, Cap. 2, IDEAL.
4. Idem, ibidem. Cap.
4.
5. “O
Evangelho segundo o Espiritismo”, Allan Kardec, Cap. VI item 5, 110ª ed.,
FEB.
6. Lucas, 6:39 e 40.
7. Revista Espírita, 1865.
Allan Kardec, pág. 251.
8.
“Dramas da Obsessão”. Bezerra de Menezes, psicografado por Yvonne A.
Pereira, Terceira Parte —Conclusão II, pag. 146, 8ª -ed.,
FEB.
Fonte: Reformador nº2000
– Novembro/1995 Responsável pela transcrição: Wadi
Ibrahim
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