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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Carlos
Imbassahy
(Inspirado no cap 7 da obra
"J'y pense donc je me trompe" autoria de Jean-Pierre Lentin)
Embora haja uma série de opiniões quanto à origem e significado do
termo alquimia, segundo meu pai, Carlos Imbassahy, origina-se do idioma do
velho Egito, ou seja Al kemyâ = a quimera, que gerou uma série de outras
palavras, inclusive o termo francês chimie que é o correspondente a química.
Os gregos antigos, que sofreram terrível influência dos egípcios e
dos quais herdaram a maioria das lendas, transformaram-na em um monstro
fabuloso, com cabeça de leão, corpo misto de cabra com humano e cauda de
dragão, que governava a arte da imaginação das coisas falsas, dando-nos a idéia
do fictício.
Se formos citar outros autores, encontraremos uma diversificação
enorme a seu respeito. De tudo, a única coisa que todos são unânimes em afirmar
é que a alquimia foi criada ou teve início com Hermes Trimegistro, conhecido ou
configurado como sendo uma divindade chamada Thot, deus da sabedoria, criador
das artes e das ciências para os africanos do rio Nilo.
Discute-se sua existência real, contudo, alguém existiu porque,
senão, as cosisaspor ele criadas, como a alquimia, teriam surgido do nada, o
que seria assaz empírico.
Na Grécia, Hermes era um deus, o mesmo Mercúrio de Roma, por isso,
assimilaram a figura egípcia de Thot a ele, pela correlação de predicados. O
termo "trimegistro" aditado como diferenciação, significa três vezes
grande.
Independente de quem tenha sido, de fato, este Hermes Trimegistro,
houve alguém, provavelmente, na Alexandria, em época ignorada, que implantou
uma série de conhecimentos a seus discípulos os quais se encarregaram de
difundir a lenda da sua existência, registrada já no ano 300.
Lembremo-nos de que, nesta época, segundo a História, Alexandria
florescia como cidade de grande desenvolvimento não só comercial como cultural,
pontificando no Mediterrâneo como centro industrial, motivo por que não se
admira que lá tenha, realmente, existido uma Escola de iniciação onde seus
alunos aprendiam uma série de "segredos" que não eram permitidos à
criatura humana.
Lentin separa uma série de palavras como chemi (grego - terra
preta), chuma (fusão) e outras, até mesmo a de origem chinesa kin-la = essência
de ouro, segundo ele, que são tidas por autores distintos como sendo a origem
do termo egípcio. Mas, digo eu, os egípcios não poderiam se inspirar em termos
gregos, já que os mesmos são posteriores, sendo, até, mais provável, que a
palavra tenha origem nativa.
Façamos um resumo histórico das considerações cometidas por
diversos autores que nos levaram a concluir que Hermes Trimegistro seria um
paranormal que, segundo tais considerações, teria vivido anteriormente na
antiga civilização da Atlântida, da qual, pelas lembranças remotas, procurava
fixar o que lá aprendera. Para nós, um processo reencarnatório, para os demais,
uma ficção representada pelas idéias mitológicas dos antepassados.
De qualquer forma, o grande objetivo deste mestre era descobrir a
dita pedra filosofal, ou seja, o conhecimento da transformação das demais
substâncias em ouro.
O curioso disso tudo está no fato de que a aludida inspiração
desse mestre seria algo como uma visão paranormal da realidade de formação e
composição dos corpos materiais, já que ele garantia que tudo vinha de um
princípio divino e se transformava nos elementos químicos - que só vieram a ser
conhecido muito posteriormente, no século XX - capazes de dar origem a todas as
substâncias químicas (ou alquímicas).
Ora, isso dito no século três da nossa era, sem dúvida,
representava uma antevisão do conhecimento que só viria a ser dominado com a
descoberta dos átomos por Sir Rutherford em 1898.
Ainda é Lentin que afirma que o termo árabe-egípcio teria sido introduzido
na península ibérica no ano 1144 quando, levados pelos mouros, foram traduzidos
para o latim, de um tratado de alquimia. E, assim teria entrado tal ciência no
continente europeu, sem interferência do povo grego, o que, sem dúvida realça a
idéia de que tal termo jamais tenha sido influenciado pelo idioma de Atenas.
Conta-nos ainda que a alquimia começa a ser usada, então, pelos
inescrupulosos para fins lucrativos, principalmente por falsos joalheiros que
montavam peças de liga metálica e as impingiam como jóias de ouro alquímico.
Isto levou o Vaticano, em 1317, a editar uma bula papal
considerando os alquimistas como sacrílegos pregadores da doutrina do mal. O
édito real da coroa francesa expulsando os alquimistas do país foi exarado,
somente, em 1380, com o que, toda sua história passou a ser um mito na corte.
Por este lado, não se encontra nenhuma ligação com os fenômenos
paranormais, contudo, abandonando esta faceta comercial, os estudos relativos
aos fenômenos químicos tiveram continuidade e deve-se a Nicolas Flamel
(1330-1418), personagem parisiense de destaque, por ser escritor juramentado
pela Universidade de Paris, a lenda transcendental do envolvimento da alquimia
com os poderes extra-sensoriais dos verdadeiros praticantes desta ciência. Ela
passou a ser um misto de técnica e mística, atribuindo-se seus estudos a
inspirações oriundas de civilizações transcendentais. Alguns de seus seguidores
chegaram a narrar fatos fantásticos ocorridos com este mestre e que chegaram a
se tornar lendários, inspirando muitos autores novelescos modernos que se
valeram daquelas descrições para fantasiarem seus contos e narrativas.
Tudo o que se fala a respeito de Flamel, coloca-o na condição de
mago com poderes sobrenaturais e que, de fato, dominaria a técnica da
transformação de metal que ele jamais teria querido revelar sob alegação de que
tal conhecimento, se caísse em mãos inescrupulosas daria azo à construção de
artefatos destruidores que muitos ficcionistas alegam se tratar da bomba
atômica ou da bomba de hidrogênio.
Flamel está para a alquimia assim como Nostradamus está para as
profecias.
Uma série de pseudo-alquimistas é arrolada como sendo verdadeiros
mistificadores, motivo pelo qual esta ciência cai no descrédito. Pois,
destaque-se no início do século XIII a presença do monge Albert le Grand
(1193-1280), membro da ordem dominicana, canonizado recentemente e considerado
padroeiro das pesquisas químicas, que, tendo tido contacto com os tratados de
alquimia, escreveu em latim a sua famosa obra De mineralibus que narra suas
possíveis experiências, na verdade, básicas para o estudo da mineração e da
obtenção de metais a partir da sua existência nos veios da natureza.
Só que tal consideração é exclusiva da Igreja, pois químicos
famosos negam tal origem. Mesmo assim, a Igreja reconhece-lhe poderes
sobrenaturais que lhe dotaram de tais conhecimentos. A Igreja é um contraste:
nega toda a fenomenologia paranormal de origem mediúnica, mas aceita a
impostura de um monge porque era seu servidor.
Em se falando de igreja, conta-nos Lentin que, no século XV
existiu um monge beneditino conhecido como Basílio Valentim - não lhe
encontramos nenhuma referência - superior do mosteiro de Erfrut que descobre o
famoso "vitriol", solvente de todas as substâncias, além de obter uma
substância com enormes virtudes medicinais conhecido como antimônio, um pó
mineral próximo do arsênico.
O vitriol ou vitríolo, dizemos nós, agora, é o ácido sulfídrico,
obtido a partir do enxofre, substância instável que se transforma, diluído na
água, em ácido sulfúrico.
O antimônio, como todos sabem, de símbolo Sb (do latim Stibium),
já conhecido na velha Roma, segundo Dióscaris, era usado naquela época pelas
mulheres como produto de beleza, portanto, não poderia ter sido descoberto pelo
aludido monge.
Mas conta Lentin, pitorescamente, que esta substância passou a ter
o nome francês de antimoine porque tal monge resolve usá-lo no mosteiro, tendo
envenenado todos os participantes daquela casa religiosa e, então, a substância
passou a ser conhecida como "anti-monge" ou antimônio. O autor em
tela diz que tudo isso, defendido pela Igreja, não passa de farsa grosseira,
porque, na verdade, sequer conseguiu identificar o aludido mosteiro de Erfrut,
mas, sem dúvida, com ou sem misticismo, fraude ou fantasia, não se pode confiar
na fenomenologia atribuída a propriedades parapsíquicas.
É, pois, como diz: - l'histoire de l'alquimie c'est ça rempli de
cettes vanteries.
Agora, um pouco dos nossos comentários:
Perante a doutrina espírita, a formação da Terra, tendo-se dado a
partir da estruturação astronômica do sistema solar, teria vindo, apenas, da
ação geológica de suas substâncias componentes do globo e a vida, até então,
encontraria explicação numa aparente "geração espontânea" dentro dos
princípios atômicos da atuação de "agentes estruturadores" externos
ao Universo e que nele atuariam para modular-lhe a energia amorfa em expansão.
Assunto esse que já foi estudado, a partir das pesquisas de Murray
Gell Mann.
Em assim sendo, a partir do momento em que a vida biológica
permitiu que a criatura humana se encarnasse no nosso planeta, também ela teve
que admitir que nada poderia ocorrer neste campo sem que agentes externos -
para nós, oriundos da Espiritualidade - atuassem em seu desenvolvimento.
Logo, o próprio conhecimento humano só poderia surgir
gradativamente com a evolução do planeta a partir da capacidade de certos
encarnados com conhecimentos anteriores à sua vida terrena, em poderem
materializá-la durante sua encarnação transitória pelo nosso orbe.
Portanto, sem dúvida, não se pode negar a influência paranormal e
tudo o que se possa aprender ou adquirir como conhecimento advém de fontes
anteriores à existência da Terra.
A alquimia foi, pelas suas características
- e pelo seu empirismo -, a ciência mais envolta na fenomenologia paranormal, a
que mais gerou controvérsia em sua trajetória. Só que, por se tratar de estudo
analisado por pesquisadores que tinham como idéia o fenômeno em si,
independente da influência de qualquer aspecto paranormal, sempre que surgiu
algo sugerindo a influência estranha do conhecimento na sua observação, ela foi
tida como algo empírico, motivo pelo qual, sem dúvida, apesar da grande
contribuição que veio a dar para a Química, ela não passou de um mito cheio de
fantasias.
Agora, a sua correlação com a frenologia. Quem o faz é o próprio
Jean-Pierre Lentin.
O capítulo 7 em pauta tem como título "La Science et la
Myrage".
Evidentemente, para seu autor, todas essas histórias alquímicas
são fantasiosas, motivo pelo qual ele tenta explicar através dos estudos de
frenologia, que também ele critica, a ocorrência da paranormalidade em si.
O termo frenologia vem do grego (phrenos = espírito + logia
= estudo, tratado) e deve-se tal conceito a Frans Joseph Gall
(1758-1828), médico alemão de Baden, professor de anatomia e criador do método
de análise do sistema nervoso dito córtex, a instituição do seu estudo como
disciplina.
Gall tentava explicar a personalidade humana e suas reações
através da forma cerebral de cada um, a partir do próprio formato craniano e
sua constituição anatômica, afirmando que ela indica o estado das diferentes
faculdades mentais.
Provavelmente, em seus estudos tenham se inspirado Tarri e Ferri,
criminalistas italianos - e o próprio Cesare Lombroso - para fazerem seus
estudos sobre biotipia.
Da Frenologia pouco sobrou porque os estudos anatômicos não
comprovaram as teses em que se fundamentava, restando, segundo Lentin, apenas a
palavra bossa, do francês, inflamação craniana, que também poderia ser uma
proeminência característica da capacidade mental do indivíduo.
Na época, porém, os estudos de Gall fizeram sucesso e ele próprio,
através de conferências, difundiu sua tese e, de permeio, justificaria a paranormalidade
de alguns sensitivos como sendo uma anomalia cerebral capaz de dotar a pessoa
de tais predicados, porém, todos eles inexplicavelmente atuantes sem que se
esclareça de onde o paciente teria haurido tais conhecimentos.
Segundo tudo indica, os alquimistas possuíam bossa proeminente.
Nome também dado à inchação craniana do nascituro que tenha tido a infelicidade
de não encontrar a saída vaginal no momento certo e sofrido com isso.
E estaria explicada sua atuação neste campo, para o caso dos dotados
de paranormalidade. Mas, e o recém-nascidos? Será que tal anomalia irá
produzir-lhe tal efeito?
A coisa, porém, não é tão fácil de se aceitar. Contudo, a título
de conhecimento, nunca é demais mostrar que, mesmo fora do campo de estudos
paranormais, os cientistas sempre se preocuparam com esta propriedade estranha
de alguns na qual eles passariam a se tornarem dotados de conhecimentos cuja
aquisição não se explica através dos fatos reais.
Francisco II da Áustria, em 1801 suspende a licença de Gall para
lecionar em Viena, alegando "ateísmo", motivo pelo qual ele investe
na propagação de sua tese em outros países.
Vê-se nisso o dedo religioso e não a verdade pela verdade.
Diz-nos Lentin, ainda, que a frenologia reinou durante quase todo
século XIX apesar da má aceitação dos sábios que, cada vez mais se mostravam
céticos a respeito da veracidade anatômica de tais afirmativas. E o seu enterro
dataria de 1850.
Não se justifica, pois, que os negativistas da atualidade, sem dar
nomes aos bois, tentem se adentrar pelo mesmo caminho, a fim de explicar a
mediunidade, como se esta, além do mais, ainda por cima, fosse alquímica porque
voltaríamos sempre ao mesmo impasse: o dote existiria por causa do
desenvolvimento craniano ou cerebral, mas, de onde sairiam tais conhecimentos
não adquiridos pelo paciente?
Sim, porque quando, pela mediunidade, um Espírito se manifesta,
ele traz consigo a sua bagagem individual, raramente conhecida pelo médium.
Casos, até, de identificação do "morto" com tal ênfase que não se
pode duvidar da sua personalidade.
Nem a alegação de que o médium teria captado, através de seus
dotes frenológicos, da mente de algum conhecido, porque o fenômeno, por vezes,
revela coisas que só o manifestante poderia informar.
É, pois, de bom alvitre estarmos atentos a quais escaramuças,
porque os detratores da fenomenologia paranormal são capazes de desenterrar
defuntos em teoria para provar que o "defunto" não se manifesta.
Apresentado no dia 15/out na Sala Filosofia Espírita
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