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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Não
há nenhuma evidência que havia um deus de Syriac deste nome, a idéia moderna
que tal deus existiu sendo derivado da personificação de Milton do nome "Mammon,
Espírito importante que figurou entre os que caíram do céu. ( 1 )
Motivo de tantas brigas, algumas terminadas
em morte, o futebol demonstra-nos quanto este ensino pode ser esquecido.
O homem, espírito encarnado,
constrói torcidas organizadas, a se
orgulhar do time para o qual torce. Esquece-se da grandeza que é o convívio
salutar e fraterno, e quando duas torcidas se encontram, ao invés do simples
aplaudir das jogadas de um ou de outro
time, esquece-se do “amai-vos uns aos outros”e serve ao seu “Deus”, seu time,
atacando com paus e pedras os da torcida adversária.
De outro lado, os religiosos,
engalfinham-se, odeiam-se, mutilam-se, por que?
Ainda não se desnudaram para a
verdadeira verdade... A Vida, o supremo Dom, encontra-se no espírito. Na carne,
apenas estamos para reaprendermos a vivenciá-la.
Notem esse ensino que nos chega
através de Lucas XVI vv 13:
“Ninguém pode servir a dois
senhores, porque odiaria a um e amaria ao outro, ou se prenderá a um e
desprezará ao outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon.”
De outra forma não poderia ser, mas
tristemente, anotamos esses acometimentos entre alguns de nossos irmãos
espíritas.
Uns, a pretexto de trazerem das
religiões outras anteriormente professadas, contributos que acham válidos à
Doutrina dos Espíritos, a esta subvertem, deixando de lado as inúmeras
advertências feitas por Kardec e também por espíritos da Envergadura de Erasto
ou do Espírito de Verdade, não se atendo senão ao que querem em suas vontades
internas. Creditam à Espíritos total verdade em suas palavras, sem as passarem
pelo crivo da razão.
Outros mais, perdem-se em
intermináveis conversações, demonstrando pela ciência mundana, somente uma
pequena fração do que a doutrina prevê.
Outros,
descuram do apostolado espírita, e tentam retirar a figura de Jesus do cenário
do Espiritismo, Esquecendo-se de que a doutrina tem suas bases ancoradas no
tríplice aspecto, Ciência, Filosofia e conseqüências Morais.
Como meio elucidativo, para esses grupamentos de
descontentes, bastaria um estudo de obra doutrinária, à qual faço esta pequena
remissão:
“Para responder, desde agora e sumariamente, à
questão formulada no título deste opúsculo, nós diremos que: O Espiritismo é ao mesmo tempo uma
ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática,
ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos;
como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que
decorrem dessas relações.” (Allan Kardec em O Que É O Espiritismo).
Desta maneira, para nos
situarmos somente em nosso meio, notamos que é a impropriedade do espírito que
nos deixa a mercê deste estado errado de coisas, exatamente por descurarmos do
sábio ensino: “Orai e Vigiai” e mais, dos mandamentos deixados pelo Espírito de
Verdade: “Espíritas, amai-vos. Este o primeiro mandamento. Instruí-vos, este o
segundo”, deixando a ecoar sem resposta a pergunta:
Servirão a quem estes
grupos? A Deus ou a Mamon?
Procuram a perfeição das
portas largas, esquecem-se do “batei e a porta se vos abrirá”, esquecem-se mais
ainda, de que para que suas pancadas à porta sejam escutadas, deverão estar a
bater com o coração limpo, encorajados de fé raciocinada, e ideal caritativo.
Melhor faríamos todos, se
nos desprendêssemos de nossas falsas riquezas temporais e nos entregássemos ao
trabalho laborioso, mas profícuo da recuperação do tempo perdido de caminhada
para frente e para o alto.
Não como o jovem rico que não atendeu ao chamativo do
Mestre, por não querer deixar sua riqueza, façamos nós o nosso trabalho,
enquanto espíritas, não só pelo estudo sério e grave, como indica o
codificador, mas exemplificando a cada passo no mundo material o nosso firme
pensar, por meio de nossas ações no Bem.
Este o caminho, árduo,
donde, por vezes, advirão apupos e acicates, e muitas vezes de integrantes de
nosso credo, mas que ao passarmos com gáudio por essas atribulações, mais perto
estaremos do ideal de estarmos mais rapidamente a chegar no nadir de nossa
marcha. A Angelitude.
A guisa de exortação para
este ponto remeto-nos à palavra de Jesus: “ Se queres ser perfeito, vai e vende
tudo que é teu, dá aos pobres e um tesouro terás no céu.”
Não é este nosso projeto,
não é essa nossa aspiração mais sublime?
Mas falemos do emprego da
Riqueza:
Lembro do ditado: “Onde
estiver teu coração, ali estará o teu tesouro.”
Quantos não passam a vida
na cega corrida ao ouro, das posses materiais, ou se as herdam, ensoberbecem-se
e maltratam àqueles que lhe estão abaixo?
Têm a alma dominada pela
cobiça, exultando no Ter, encastelando-se no falso poder que o dinheiro faz
sentir. Esquecem-se do próximo, por esses nada fazem, como a pensar que levarão
seus tesouros à outra vida.
Esmoleres do Espírito, hão
de sofrer, quando apenados forem por suas próprias consciências, após o
desencarne.
Então, qual o melhor uso a
ser dado à riqueza?
Usar com indulgência,
bondade, justiça e caridade. Obsequiando àqueles, de modo a minorar-lhes a dor.
Amai-vos uns aos outros é a mensagem esquecida. É a resposta que nos liberta
das dores da soberba, da prepotência, da petulância, do orgulho e da vaidade.
Egoísmo e usura, irmãos
diletos, filhos da dor.
A estes males estão
propensos os administradores, políticos, presidentes, reis etc.
Qualquer um que detenha
voz de mando e poder deve não descurar do orar e vigiar, utilizando do poder
com justiça, objetivando o bem de todos.
A prevenção da pobreza é
dever destes, ação que os fará despontar não somente no cenário político ou social, mas na escalada
da ascensão do Espírito.
O uso da inteligência
fazendo crescer possibilidades de emprego, ensino, moradia e salário, fazem a
riqueza da Nação e a felicidade geral.
Tal ordem de coisas
modifica a psicosfera do pais, pondo um findar em grande quantidade de crimes.
O desprendimento dos bens
terrenos deve ser o nosso exercício diário, já que nos é de difícil andar, isto
que nossas mazelas, como a vaidade e o orgulho ainda são cancros a serem
extirpados.
Observemos que nem Deus
nem Jesus, nos queria a passar fome. Então, o “vender tudo” e dar aos pobres,
indicado por Jesus, referia-se ao
supérfluo, este sim, poderá constituir-se em óbolo caritativo.
Esse tema, o dos Bens
amealhados na terra é ainda pedra de tropeço à muitos.
Há um crescente número de
espíritas chamando o homem de co-creador, o que redunda em expressão vazia desmerecida em verdade.
Se fossemos nos ater aos
termos observados por Fènelon, em 1860, veremos que ele emprega administrador e
depositário. Ora, estes nada criam, apenas têm a si a figura do fiel
depositário, que significa dizer que é o homem responsável pelo bem (corpo
inclusive) e a este administra.
A figura então, do Direito
que mais se parece com o que querem nos passar os irmãos espíritas, é a do
nu-proprietário. Este detém a propriedade, mas não a posse, não podendo lucrar
ou fruir do bem.
No campo puramente
material o emprego da riqueza é também prova contundente para muitos.
Quantos se atrasam na
caminhada do espírito por motivo da cobiça e da avareza?
Por modo diferente, o Pai e
a Espiritualidade estabelecem, juntamente com as provações de certos espíritos,
estas muitas vezes pedidas por eles mesmos, que estes recebam heranças
incalculáveis, sendo a administração destas a constituição da prova.
A transmissão da riqueza,
que fará o herdeiro daquele outro rico, também se expressa no objetivo de fazê-lo
mais rico, mas em caridade e amor ao próximo.
Assim, amigos, nesse
pequeno resumo, o capítulo XVI da obra O Evangelho Segundo O Espiritismo, é
abordado com vistas aos dias de hoje, exatamente dando ênfase ao que o
codificador esperava de todos os seguidores da doutrina por ele elencada nas
Obras básicas e no restante da codificação.
Muita paz.
( 1 ) –
Pesquisa feita na Internet.
Bibliografia :
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo
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