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Doenças da Alma

 

SALA FILOSOFIA ESPÍRITA

 

Raimundo de Moura Rêgo Filho

atenaelion@bol.com.br

 

         Resultante das mais diversas encarnações pelas quais passou, onde se incumbiu de moldar os conteúdos delicados de sua personalidade, o ser psicológico é o espelho de sua realidade plena. Elaborando e desencadeando processos de harmonia ou de desequilíbrio, resultados de tais condicionam mentes, amarguradas na psique profunda.

Este ser, vem por modelar, em cada realização, conscientemente ou não, os moldes que lhe aferirão mecanismos hábeis para a mobilização de suas investidas futuras.

De tal elaboração, pela energia inteligente, que vem por torná-lo único no complexo campo das vibrações universais, este direcionamento resultante da arte de pensar, irá responder pela formatação das instituições psico-físicas, psicológicas e orgânicas com as quais trabalhará em empreitadas futuras.

Tais pensamentos serão os construtores dos delicados e sutis implementos, que irão transformar-se em força de atuação no mundo das formas. Ao mesmo tempo, envia ondas específicas que se imprimem nas telas mentais, aí incrustando os processos psíquicos que comandarão as atividades mais para frente.

Dessarte, quando estas proposituras mentais possuem carga superior de energia projetando imagens perniciosas e viciadas, plasmam-se nos painéis íntimos, as estruturas que irão desenhar a conduta, dando ensejo à harmonia, ou delineando instalação de psicopatologias variadas, que se amoldarão nas engrenagens da constituição genética, que vira por definir, de certa maneira, pelo perispírito, a futura estrutura do indivíduo.

Nosso estudo atual versará em torno da tridimensionalidade do ser – Espírito, Perispírito e Matéria – abordará o tema das enfermidades da alma procurando confrontar a psicogênese destas, como também as patogêneses que apresentam a criatura humana no seu transcurso evolutivo.

Das suspeições sem fundamentação:

O homem, pelo estigma assinalado pela consciência da culpa, insculpida no Espírito, que advém de seus atos pretéritos, que não soube ou não quis regularizar quando de seu périplo carnal, vem por reencarnar acometido de conflitos que procura mascarar exteriormente, não logrando êxito em seu íntimo.

Desta maneira induz em seu comportamento, suspeitas infundadas com relação a pessoas com quem convive, trazendo sempre consigo o temor do reconhecimento de tais falhas ser desmascarado e conduzido à realidade do reparo.

Tal conduta o aflige e corrói, minando o alicerce dos valores morais, trabalhando-o de maneira perturbadora e negativa, de tal sorte que o torna agressivo, infeliz e arredio, conduzindo-o não raro, a situações neurótico-vexatórias, por “descobrir” inimigos hipotéticos em toda parte. Assim experimentando o peso do fardo da culpa, que vem por anatemizá-lo e que se esmera em manter oculto.

Ante o grupo social em que convive, quando seus pares se encontram em conversação, sorrindo ou se mantendo austeros, logo se lhe acende o alarme da dúvida, da infeliz suspeição de que seja ele o mote dos comentários e risos, e que a austeridade de outros denota a negatividade desses comentários, ou a visão daqueles que conversam o mostre pela ótica da inveja ou da perseguição a si, o que lhe atormenta as horas.

Tal patologia da conduta mostra-se-lhe como carrasco impiedoso, fazendo com que este indivíduo adoentado afaste-se do grupo social, nutrindo sentimentos rejeição, de alguma maneira detendo-se em conflitos persecutórios ou de ambição exagerada de grandeza, ilados de pensamentos e raciocínios lógicos, que o enfurnam num quadro paranóico.

Em tal estado, este enfermo d’alma, descarta qualquer ajuda, por considerar-se bem, sem apresentar necessidade de qualquer espécie, ao que sobrepõe o ego doentio, que se supõe superior.

O homem é essencialmente sua conduta pregressa.

Cada encarnação se converte em asas de libertação ou grilhões vigorosos. Sofre então o ser, as conseqüências, que se transferem de uma a outra etapa existencial, advindo-lhe os inevitáveis efeitos morais. Entendamos, pois, que ninguém pode atravessar o grande périplo da evolução e atravessar o muitas vezes doloroso processo do crescimento a fugir das responsabilidades estatuídas nos supremos Códigos e constantes na Lei Natural, que vige em toda parte, que é o amor.

Toda e qualquer transgressão a essa realidade transmuta-se em processo aflitivo, que opera tormento até o romper-se deste liame retentor. De outra feita, todas as conquistas se transformam em patamares evolutivos, apontando rumos para o Infinito e a Plenitude.

Em uma análise do ser integral, impõe-se a visão reencarnacionista, que propicia os valores de engrandecimento, dando-lhes estruturação e fortalecimento. Recupera em uma etapa o que se deixou para trás em outra, não necessariamente a última, senão naquela que permanece como peso na economia da evolução, aguardando ressarcimento.

Está então, no passado próximo ou distante do Espírito, a causa de qualquer transtorno psico-físico, psicológico ou orgânico, por ser alicerce profundo do inconsciente, que vem a servir de anteparo às nossas conquistas e despertar os comportamentos decorrentes.

Papel de relevância tem a psicoterapia, ao lado dos portadores de Suspeitas Infundadas, auxiliando-os no auto-descobrirem-se e na valorização de sua realidade, não das supostas qualidades, que inexistem, assim como das acusações que supõem lhes sejam feitas e seguramente destituídas de fundamento.

Nesta convivência com as inquietações, mentes desassociadas do corpo, que perambulam no Mundo Causal, utilizam-se do conflito e passam a obsidiar o indivíduo, enviando-lhe mensagens telepáticas das mais infelizes, que se tornam uma forma de autopensamento. E de tal modo freqüentes e contínuas se lhe fazem, que dão surgimento a processos alienantes de gravidade maior e de conseqüências imprevisíveis.

É nesse mister que o Evangelho demonstra seu papel fundamental como terapêutica em acometimentos de tal monta, como também nos outros, auxiliando o indivíduo a libertar-se das suspeições atordoantes e avassaladoras.

Dentro desta orientação, a da saúde do Espírito, surgem as possibilidades de praxiterapias valiosas, que têm seu sustentáculo na ação no Bem ao próximo, na caridade para com ele, resultando em caridade para consigo mesmo.

A visão mais dilatada da realidade, os novos raciocínios irão se instalando lenta e paulatinamente, demonstrando a recuperação do distúrbio. O equilíbrio, o bem estar, afinal, todo o conjunto de vida reformada faz-se com segurança, propiciando harmonia e bem estar.

Do Pensamento na Vingança:

Outro tormento da alma que vem por gerar vasta gama de aflições perturbadoras é o componente paranóico. Sua densidade é tamanha que aliena o indivíduo, fazendo-o perder a relatividade para com o contato co a realidade objetiva.

Vagueando pelos labirintos da insensatez, acuado pelos conflitos, o indivíduo adoentado transfere responsabilidade sua, acusando os demais de seu grupo social de não o compreenderem e o perseguirem, colocando-o no abismo do insucesso e da infelicidade.

Então, afastando-se de seu círculo de amigos, engendra mecanismos defensivos como meio de auto – realização, maquinando formas de contrastar a superioridade mediante a queda daqueles que considera opositores.

Sua inquietação formula análise inadequada acerca da conduta alheia, ziguezagueando entre a maledicência exagerada, exageros de informação não representativos da verdade dos fatos, em geral, entortando-se em críticas e calúnias que tentam demonstrar a imperfeição de seu “oponente”, tendendo a situar este último em patamar de inferioridade.

Dessarte, quando o outro “inimigo” experimenta algum tormento, pelo aguilhão das colocações infundadas, deste enfermo d’alma, este vive um estado de alegria e comprazimento íntimo intenso, sentindo-se compensado, como que se alimentando do tormento alheio.

Esta doença que o atormenta faz-se tão cruel que geralmente o enfermo vem a tornar-se, não o juiz, mas o algoz daquele que se lhe torna vítima.

Como fulcro deste e de outros tantos acometimentos transtornantes da personalidade, encontram-se embandeirados o egoísmo exacerbado e o orgulho, cancros morais que se incumbem da desorganização do ser humano, tornando-o revel.

A mente, diz Joanna de Ângelis, na obra “amor Imbatível Amor”, “concentrada no conteúdo da mensagem que elabora, termina por influenciar os neurônios que lhe sofrem a indução psíquica e passam a produzir substâncias, equivalentes a qualidade de onda, dando curso ao bem estar ou aos conflitos perturbadores. Quando essa indução é mais demorada e produz agravantes de efeitos danosos, transfere-se de uma a outra existência, imprimindo nos tecidos do perispírito, os prejuízos causados, que renascem como provas ou expiações, que assinalam profundamente o ser espiritual”.

São impressos em face dessa razão, aos componentes genéticos, as necessidades de reparação, marcando o Espírito com os distúrbios a que deu lugar sua conduta desastrosa.

Lamentável conduta, o pensamento e a sede de vingança terminam por afligir aquele que os vitalizou interiormente.

Cabe ao indivíduo que se esforce com todo empenho para vencer este sentimento que o inferioriza, que é o constituinte de sofridas angústias, porquanto é impossível desfrutar da infelicidade de alguém, alegrando-se quando outro sofre.

Aparente e efêmera alegria, somatório da satisfação haurida pelo pensamento de sentir-se vingado, rapidamente se esvai, qual bruma passadiça, dando origem à profunda frustração, pelo desvanescimento do motivo da existência.

As metas que constituem motivos para a experiência da vida, seguem caminhos bem delineados. Quando vêem desaparecer, o sentido da existência empobrece-se, instalam-se as distonias e transtornos especiais acercam-se da área do equilíbrio.

Cabe ao indivíduo, então, o desenvolvimento da coragem para entender que a problemática não lhe é exterior, de outrem, porém de si próprio, originando-se nos seus próprios conflitos, em sua limitada percepção consciencial, em razão da afinidade e transito em faixas primárias da cognição, todavia, pela resolução em readquirir a saúde emocional, cabe-lhe trabalhar com denodo no sentido de reverter tal situação, dominando as más inclinações, dentre as quais se destaca a Sede de Vingança.

Lenta, mas com segurança, pelo amor abrem-se-lhe perspectivas dantes não experimentadas, que se ampliam até a consecução da perfeita compreensão da refrega que deve estabelecer em seu íntimo, no sentido de auto – superar-se e encontrar a felicidade.

Todo o trabalho de educação pessoal em derrogar as más tendências constitui terapia de alto valor para a saúde integral. Ninguém há que se veja excluído de tal necessidade avaliativa de si próprio e consecutivamente do esforço em a corrigir.

Neste estudo, procuramos enfeixar as doenças notoriamente mais nocivas ao homem em geral e em especial, aos médiuns que estão envolvidos nos mais diversos trabalhos, nas casas espíritas ou mesmo fora delas.

Ora, dirão vocês, não estará então, o médium, resguardado pelos bons espíritos e pelos espíritos evoluídos que por ventura os assistam?

De fato, nossos benfeitores espirituais, espíritos guias, espíritos afins, estão a nosso lado a nos soprar bons pensamentos, ajudando-nos afim de que melhor nos saiamos nas provas do dia a dia e em nossas próprias tribulações aprazadas para este périplo carnal, mas, não nos privam eles das ações que venhamos a desenvolver pelo uso do livre arbítrio não é mesmo? Se de outra maneira fosse, além de diminuir o valor de nossas provas e de nossas vitórias no combate às imperfeições, estaríamos tal como marionetes, sujeitadas ao puxar dos cordões que nos comandassem do espaço, a espiritualidade, não poderíamos nos saber com seres humanos, mas sim como simples títeres das vontades dos espíritos.

Urge, companheiros, procedermos a nossos próprios passos, todo o trabalho necessário que venha a evidenciar tal melhoria. Não estamos nesse orbe a passeio!

Espíritos endividados e falidos necessitamos deste mergulho em nosso interior, não como curiosos, mas como pesquisadores da reforma íntima, justos, sabedores de nossas imperfeições, porém sequiosos de conquistas no plano moral, para quais lutamos escudados pelo ensino ministrado pelo estudo doutrinário, que nos abre as portas do conhecimento objetivando a melhoria do indivíduo e do espírito.

Neste campo, o conhecimento, a vontade férrea, o trabalho no bem e pelo bem do próximo, a caridade, o amor, são elementos fundamentais, são eles que nos dão o reforço necessário para que renovemos nosso ânimo a cada tropeço, e marchemos seguros, esquecendo o cansaço da jornada fatigante, rumo a paramos mais altos na seara do espírito.

Não raro, temos notícias de casos acontecidos com pessoas próximas a nós, amigos e parentes, que por irreflexão, ignorância ou mesmo por irresponsabilidade, permitem que as imperfeições que ainda se encontram insculpidas em nosso espírito, produto de erros pretéritos, tomem vulto, ocasionando o irromper da vaidade e do orgulho exacerbados, turvando-lhes a vista, relegando-os ao individualismo doentio que lhes distorce a perspectiva criando imagens irreais e conclusões errôneas em suas telas mentais. Estes, inoculados destes bacilos nocivos, passam a enxergar por esta ótica míope e estiolam-se em formatações mentais que os alija do grupamento social em que convivem, os afastando do trabalho salutar em prol de seu próprio autoconhecimento.

Dessarte formulam estes doentes d’alma, planos inexeqüíveis, porém urdidos em detalhes microscópicos, na vontade de destruírem seus “oponentes”, que inexistem na ótica real, sendo muitas das vezes, pessoas amigas que lhe demonstram a preocupação de o sentirem em processo de adoecimento.

Inebriados pela falsa visão de superioridade, com o ego inchado por pensamentos doentios insuflados pela qualidade dos espíritos que de si se acercam pela afinidade vibracional, pouco a pouco perdem o rumo bom e acabam portadores de atormentantes processos obsessivos, ficando joguetes de espíritos inferiores.

A busca do soerguimento moral deve ser o projeto de todos, pois através da moral ilibada, a ordem vibracional atinge patamares cada vez mais altos, sintonizando-nos em esferas superiores da escala espiritual, donde haurimos lições avançadas e ensinamentos de matizes dignificantes.

Ao fecharmos este estudo, é nosso entendimento sugerir-lhes o estudo dos itens elencados no capítulo XX – Da Influência da Moral do Médium – na obra; “O Livro dos Médiuns e a leitura não menos importante da parte 2ª; capítuloVII; - Da Volta do Espírito à Vida Corporal -, sub título - Faculdades Morais e Intelectuais do Homem – em o“Livro dos Espíritos”, como forma de embasamento doutrinário ao tema abordado.

Muita paz,

 

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos

O Livro dos Médiuns

Amor Imbatível Amor

Psicografia de Divaldo pereira Franco

Pelo espírito de Joanna de Ângelis

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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