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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
atenaelion@bol.com.br
Iniciando este pequeno artigo,
voltamo-nos ao final do preâmbulo da obra “O Que é o Espiritismo”.
Respondendo ao questionamento que o
título encerra diz o mestre de Lião:
“Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma
doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se
estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências
morais que dimanam dessas mesmas relações”.
E segue: “Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que
trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações
com o mundo corporal”.
Ora, não inclui esta explicação de Kardec
o vocábulo religião, mesmo em sua definição, o mestre de Lião não apões tal
assertiva. Mas onde então, constaria o teor de religião que tantos proclamam ter
o Espiritismo?
Kardec quando nos fala que a ciência
espírita, como filosofia, compreenderia todas as conseqüências morais que
dimanariam das relações entre nós e os Espíritos, nos coloca em condição de
afirmar, que são estas conseqüências morais, as que dimanavam das Leis que o
Cristo nos trouxe. Todas de cunho moral elevado, vieram elas aditar às duras Leis
Mosaicas, a visão do amor, da caridade, da fraternidadee evolução moral que o
Rabi tão bem exemplificou em sua estada entre nós. Se nos debruçarmos ao
dicionário encontraremos:
RELIGIÃO: (do Latim – Religione).
Crença na existência considerada como força ou forças sobrenaturais, criadora
do Universo e que como tal deve ser adorada e obedecida. A manifestação de tal
crença, por meio de doutrina e ritual próprio, envolve, em geral, preceitos
éticos; virtude do homem que presta culto a Deus; reverência às coisas
sagradas”.
Bem, a nosso entendimento não era esta
conotação que Kardec queria dar quando disse a respeito das “conseqüências
morais”, já que estas dimanavam da inter relação entre nós e os Espíritos.
Certamente referia-se o professor Rivail, ao vocábulo RELIGARE, a que, uma pequena olhadela no mesmo
dicionário de antes, nos indicaria: “do latim – Religare: tornar a ligar”.
De fato, neste contexto, afigura-se o
termo religar, como sendo o mais indicado, visto que ao tempo de Kardec, toda a
sociedade francesa encontrava-se em meio a período dos mais materialistas,
distanciado o povo, das instruções de Jesus na Boa Nova.
Desta maneira, sem resvalar para o culto
ou para o rito, ou mesmo para as práticas exteriores, comuns às religiões
tradicionais, considerava, Kardec, que o trabalho a ele oferecido pelos
Espíritos, viria por religar o homem , ao norte moral, insculpido nas palavras
e exemplos de Jesus.
Sim, neste aspecto poderia-se proclamar o
Espiritismo não uma religião como as tradicionais, mas como ciência e
filosofia, cujo escopo, além de estudar e provar a interligação do homem
(espírito encarnado), com os Espíritos desencarnados, Também, por via de tais
conseqüências morais, religaria este mesmo homem, ao conteúdo das máximas da
moral que o Cristo afirmou quando na terra, objetivando, exatamente a melhora consciencial
do homem, por seu trabalho no aprimoramento de suas qualidades de moralidade,
tão relegadas naqueles dias.
Tal pensamento, se guindado à nossos
dias, traria, irrefutavelmente, a noção da atualidade encontrada em todo os
ensinos constantes da Codificação Espírita, que mesmo hoje, mostra o caminho da
melhora do indivíduo pelo próprio indivíduo, levando-o à um por vir venturoso e
à evolução tão sonhada.
Neste ponto, permitam-me inserir trechos
do importante discurso, feito por Kardec pronunciado na sessão anual
comemorativa dos mortos na sociedade de Paris, no dia 1°de novembro de 1868.
Allan Kardec deixou bem claro que o
Espiritismo é uma religião não no sentido vulgar e tradicional do termo, mas,
sim, no sentido filosófico da palavra.
Esse discurso tão importante encontra-se
na Revista Espírita ou "Jornal de Estudos Psicológicos" do mês de
dezembro de 1868 (pág 351 da Coleção EDICEL).
"... pela comunhão de pensamentos,
os homens se assistem entre si. e, ao mesmo tempo assistem os Espíritos e são
por estes assistidos. As relações entre o mundo visível e o mundo invisível não
são mais individuais, e sim coletiva, e, por isso mesmo mais poderosas para o
proveito das massas, como para o proveito dos indivíduos. Numa palavra,
estabelece a solidariedade que é a base da fraternidade. Ninguém trabalha para
si, mas para todos, e trabalhando para todos, cada um aí encontra a sua
parte. É o que não compreende o egoísmo" (...) “...a comunhão de
pensamentos, deve ser a essência das assembléias religiosas..."
"O verdadeiro objetivo das
assembléias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos; é que, com efeito, a palavra religião quer dizer laço. Uma religião, em sua acepção nata e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunidade
E sentimentos de princípios e de crenças...” “O laço estabelecido por uma
religião, seja qual for o seu objetivo, é um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os
pensamentos, as aspirações e não somente o fato de compromissos materiais
(...). O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como
conseqüência da comunidade de vistas e de sentimentos, e fraternidade e
solidariedade, e indulgência e a benevolência mútuas. É nesse sentido que
também se diz: a religião da amizade, a religião da família.
“Se assim é, perguntarão os senhores,
então o Espiritismo é uma religião? E nós responderemos: Ora, sem dúvida,
senhores, no sentido filosófico da palavra, o Espiritismo é uma religião, e nós
nos glorificamos por isso, porque o Espiritismo é a doutrina que funda os elos
da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção,
mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza”.
"Por que então declaramos que o
Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra ara exprimir duas
idéias diferentes, e depois. na opinião geral, e palavra religião é inseparável
da palavra culto desperta exclusivamente uma idéia de forma. que o Espiritismo
não tem. Assim, se o Espiritismo se dissesse uma religião, o publico não veria
nele senão uma nova edição, uma variante, se assim podermos dizer, dos
princípios absolutos em matéria de fé; uma casa sacerdotal, com seu cortejo de
hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não estaria separado das idéias de
misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou e opinião
pública.
"Portanto, não tendo o Espiritismo
nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não
poderia., nem deveria enfeitar-se com um titulo sobre cujo valor
inevitavelmente se teria equivocado Eis porque, preferimos, simplesmente, dizer
que o Espiritismo é uma doutrina filosófica e moral”.
“As reuniões espíritas podem ser feitas
religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza
grave dos assuntos de que se ocupa. Pode-se mesmo, dentro no início quanto no
encerramento, fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas
em comum, sem que por isso se deva confundir as sessões espíritas com
assembléias religiosas”. E não se pense que isto seja um jogo de palavras; e
nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão é devida qual falta de um
vocábulo para cada idéia”.
"Qual é então o laço que deve
existir entre os espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato
material. por nenhuma prática obrigatória.
Qual é o sentimento no qual se devem
confundir todos os pensamentos? É um sentimento todo moral todo espiritual,
todo humanitário: o da caridade para todos, ou, por outras palavras: amor do próximo,
que compreende os vivos e os mortos, desde que, como sabemos, os mortos sempre
fazem parte da humanidade".
Gostaria, também, de enfeixando este
artigo, nele apor, importante comentário do confrade e amigo Erasto de Carvalho
Prestes,Membro da diretoria da ADE-RJ e editor do suplemento “O Franco
Atirador”, de onde extraí o mesmo.
“Pelo que se conclui do trecho acima o Espiritismo não é. nem
pode ser, Uma religião no qual tradicional do termo como querem os roustainguistas,
que adotam uma concepção milagrosa do Cristo a divindade de Jesus, o culto à
Ave Maria. Mãe de Deus É, sim, uma religião, no sentido filosófico da palavra,
ou seja, um laço, que religa os homens a Deus Todo-Poderoso.Também não é laico,
como querem os espíritas marxistas, liderados pela CEPA”.
Amigos, urge que entendamos bem o que
seja o Espiritismo, o estudo das obras básicas, os debates em ambiente e
condições fraternas servirão para unificarmos estes pensamentos aqui
colocados e forticarmos o Movimento Espírita tendo em vista o dístico:
Espírita.
Instruí-vos!
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