|

Da
série "Fenômenos Paranormais" Carlos
De Brito Imbassahy
Há
um conceito universal de que não existem fenômenos isolados: o que ocorre no
micro repete-se no macro.
Foi baseado nisto que os cientistas se inspiraram para idealizar o Big-bang
como sendo a formação do Universo, já que se baseavam no estudo dos buracos
negros transformando-se em estrelas supernovas.
Foi assim, ainda, que Niels Bhör idealizou o átomo a partir da hipótese
planetária de um sistema solar. Evidentemente, nenhum dos dois é mais aceito,
por motivos óbvios, mas, uma hipótese não contraria uma lei pois ela, apenas,
sugere um esquema de trabalho para análise e não se arroga como verdade.
O teorema da matemática nos diz que, se é válido para n = 1 e para n + 1,
valerá para qualquer valor de n.
Mas, para exemplificar este conceito, basta uma simples análise a respeito dos
fenômenos físicos de natureza quântica: todos eles, desde o som, calor, radio
transmissão, luz, emissões catódicas, até os raios cósmicos têm a mesma natureza
e o mesmo princípio. São todos eles produzidos por uma fonte que vibra sob ação
de um agente físico e que emite uma certa quantidade de energia dita quântica
(quantum no singular e quanta no plural, palavra latina que significa
quantidade) que se irradia em um meio, de forma concêntrica com a fonte
emissora.
O que diversifica a energia quântica entre cada uma é sua freqüência medida em
vibrações por segundo e denominada de hertz (hz) em homenagem ao descobridor
das onde de rádio. O som tem como fonte um corpo que vibra, como a corda de um
violão, sendo o dedo do músico o agente atuante. Suas vibrações vão de 16 hz a
32.000 hz, considerados como sons audíveis porque nossos ouvidos se tornam
capazes de captá-los. Acima de 32.000 até 64.000 hz eles são ditos ultra-sons
porque não os escutamos. Acima desse valor, até 1 mega hz, vamos encontrar as
emissões térmicas, só que, a partir daí, não é mais o corpo que vibra e sim a
molécula interna a ele, fazendo com que sua temperatura aumente ou diminua em
função da sua variação de freqüência e o atrito é o agente, podendo, ainda,
ocorrer a transmissão de um corpo para outro por transferência de energia.
Acima das ondas térmicas vêm as OEM (ondas eletro-magnéticas) produzidas, cada
qual por uma partícula atômica distinta e se seguem na ordem: ondas
telegráficas, ondas hertzianas de rádio e TV, ondas luminosas, com suas três
subdivisões de infra-vermelha, faixa visível e ultra-violeta, vindo a seguir as
emissões catódicas, deste as da antigas válvulas de rádio, o raio X, o raio
laser, o GE usado em frigorias e muitos outros, aparecendo, a seguir, uma faixa
que permaneceu desconhecida por longos anos e dentro da qual os ingleses
detectaram uma emissão telepática, culminando com os raios cósmicos.
O que teria isto que ver com os agentes paranormais?
É óbvio que, estes, atuando em nosso meio físico, passam a produzir fenômenos
de natureza física e que, como tal, podem ser referenciados pelo estudo
quântico. Senão vejamos:
A começar pela telepática, cujo fenômeno é muito parecido com o do sonar, uma
espécie de radar usada pela marinha, destinado a detectar objetos submersos
pela reflexão e retorno de raios ultassônicos emitidos, cuja emissão já, até
foi detectada, até mesmos os mais intrínsecos fenômenos de ectoplasmia, para
ocorrerem, têm que obedecer à mesma lei de aço dentro do domínio físico do
nosso universo.
Portanto, estes fenômenos se assemelham aos quânticos e, como tal, possuem um
agente atuante sobre uma fonte para que os mesmos sejam realizados.
Desta forma, pode-se dividir o presente estudo nos itens que se seguem.
6.1 - Agentes paranormais e o princípio vital
A princípio, pode parecer um paradoxo e sugeriria a prática que, apenas,
intitulássemos de origem dos agentes paranormais.
Mas, com o decorrer da apresentação, o título irá se justificar.
O que são tais agentes? Para defini-los, temo-nos que valer da classificação de
Kardec-Akzacof, em detrimento da adotada pela Metapsíquica e da qual é
decorrente a classificação da Parapsicologia.
A título de lembrete, Ch, Richet classificou os fenômenos metapsícos em
objetivos, quando os mesmos atuavam sobre objetos, como no caso da levitação e
subjetivos, em caso contrário, como a transfiguração e outros. A
Parapsicologia, apenas, mudou os nomes e os objetivos passaram a se chamar
Psi-kapa (das letras gregas ??) ou psicocinéticos e os subjetivos mudaram para
Psi-gama (??) ou fenômenos extra-sensoriais (ESP - em inglês).
Mas ambas as classificações - que vêm a ser a mesma - só se referem aos
efeitos, o que não nos permite caracterizar os agentes.
Todavia, se nos basearmos nos estudos de Alexej Akzacof, no seu livro Animismus
und Spiritismus cujo estudo, todo ele, é estruturado no posicionamento de A.
Kardec, poderemos dizer que os agentes paranormais são de duas categorias respectivas,
a alma - ou espírito encarnado - eu realiza os ditos fenômenos anímicos ou
psíquicos e o Espírito, evidentemente, desencarnado, que realiza os fenômenos
mediúnicos, também chamados de espiríticos, parapsíquicos ou metanínicos.
Ora, no final das contas, o agente atuante é um só, dependendo, apenas da sua
condição de encarnado ou liberto do corpo somático. Portanto, este agente
paranormal nada mais é do que o princípio vital dos humanos.
Recordemo-nos de que a alma não é o Espírito integral encarnado no corpo, mas
parte dele e, a favor desta afirmativa temos:
a) o Espírito possui dois sexos podendo nele se encarnar indistintamente,
contudo, só põe em jogo, nos casos normais - excluindo-se as anomalias,
evidentemente - um campo de força de um de seus sexos;
b) segundo as observações de Sigmund Freud, a memória humana se divide em consciente,
subconsciente e inconsciente, ou consciente remoto onde a criatura vai buscar
no recôndito de seus arquivos aquilo que não foi adquirido pelo consciente;
todavia, só o faz rompendo as barreiras de uma censura que não permite que se
recorra a ele, inconsciente em estado normal de vigília. Enfim, é a memória do
Espírito que não se encarna no corpo, mas arquiva todas as suas lembranças de
vidas passadas e de onde se busca tal arquivo que Freud não soube interpretar.
c) pela lei de causa e efeito, todo Espírito tem encarnações futuras para
resgate de seus erros pretéritos e, no entanto, nem sempre se nasce para
resgate, mas, por outros diversos motivos, inclusive o de preparação para que
possa entender seu sofrimento. Logo, o Espírito não põe, em cada reencarnação,
senão o necessário para cumprir aquela etapa, guardando para outros as demais
conseqüências do resgate e de tudo mais decorrente do seu livre arbítrio em ter
escolhido as formas de viver do passado do que irá acontecer como decorrência,
as existências vindouras.
Por todos esses motivos somos levados a admitir que o Espírito não põe em jogo,
durante cada encarnação, todo o seu campo estrutural de existência, usando
apenas o necessário para cada uma delas.
E para concluir, pode-se dizer que, sendo o responsável pela vida, é o espírito
dito "princío vital" para a existência humana.
Como apêndice ao presente estudo, pode-se ainda estender a hipótese dos agentes
estruturadores ou frameworkers ao princípio vital, guardadas as devidas
proporcionalidades e correlações:
Se um estruturador de uma partícula atômica tem como propriedade,
primeiramente, ser estranha ao mundo físico, isto é, não pertencer ao domínio
da energia cósmica, já que esta, por si só, não se altera, evidentemente, ele
pertencerá a outro domínio, como no caso do Espírito. Sua propriedade,
exclusivamente, é a de atuar sobre a energia amorfa e modulá-la dando origem
simultaneamente a uma partícula e outra anti-partícula, pelo princípio da ação
e reação (Galileu).
A sua existência foi equacionada por Murray Gell Mann quando fez colidir um
elétron com um pósitron, mas este assunto já foi abordado anteriormente.
O estruturador do átomo já é aquele agente capaz de reunir as partículas e
formar um elemento fundamental para a existência das substâncias em si, o mesmo
ocorrendo com o estruturador da molécula que atua sobre os átomos a fim de
constituir a menor porção de substância.
Dessa forma vamos entender que haja um princípio estruturador biológico para os
vegetais com as mesmas propriedades inerentes a eles, a fim de dar-lhe
existência e, finalmente, a alma, para os seres animais, pontificando no homem.
Eis aí, ainda, o princípio fundamental da repetição a que referimo-nos no
início do estudo.
O princípio vital, portanto, responsável pela existência da criatura humana,
segue o princípio da escala de formação de todos os seres e as coisas que
ocorrem em todo o Universo.
6.2 - Os agentes paranormais e a teoria de campo
Primeiramente, para leigos, pode-se definir o campo físico como sendo a região
em torno de fonte em que a mesma atue.
O exemplo mais clássico é o da fogueira nas noites de são João: desde longe
avista-se o seu clarão, porém, não se sente seu calor. Estes pontos de onde se
consegue ver a fogueira, estão todos dentro do seu campo luminoso, contudo,
fora do campo térmico. Ao nos aproximarmos da fogueira, então, a partir de um
certo momento, começamos a sentir a influência térmica da mesma o que significa
dizer que já estamos no referido campo.
Mas, fisicamente, a coisa não é tão simples.
Quem cursou o científico, deve-se lembrar que, no terceiro ano, estudando
eletricidade, na cadeira de Física, no capítulo da eletrostática vamos
encontrar a lei de Coulomb expressão pela fórmula F = k.Qq'/d² onde q'
representa a carga de teste mergulhada no campo elétrico formado pela carga Q,
k é a constante de proporcionalidade do meio e d a distância em que uma carga
está relativamente à outra, sendo F a força com que a carga Q atrai ou repele a
outra.
Em termos mais simples, o que se pode dizer é que, quando introduzimos uma
carga elétrica numa região em que outra carga atue, a primeira vai ser atraída,
se for de mesmo sinal ou repelida, sinal contrário, pela geradora do campo. E
então, esta última vai descrever uma trajetória que pode ser, até representada
graficamente. O conjunto de trajetórias em função do ponto em que a carga de
teste for colocada, dá o gráfico representativo do campo elétrico, dando-se-lhe
o nome de fluxo de força.
E daí por diante.
Apenas, este exemplo, para se saber que o estudo do campo de uma fonte de
energia não se resume à determinação do espaço em torno dela, no qual atue.
Teoricamente, a influência da fonte só será zero, no infinito, quando o denominador
d ? ? ou seja, numa distância infinita, contudo, não é isto o que ocorre. O
ambiente que envolve a fonte, oferece uma certa resistência à propagação da
onda quântica, motivo pelo qual há uma perda de energia que vai gradativamente
diminuindo a intensidade, não só pela distância, como ainda pelo desgaste de
energia.
Exemplo mais fácil de ser entendido é o da energia cinemática que faz um objeto
deslizar sobre uma superfície; ele sofre uma impulsão inicial; se não houvesse
o atrito de deslizamento, este objetivo iria indefinidamente se deslocando em
movimento uniforme, mas, dependendo da aspereza da superfície sobre a qual
desloque, ele vai perdendo o embalo até parar.
O mesmo ocorre com a propagação da energia, como o som: de uma certa distância
podemos ver alguém tocando um instrumento sem que o ouçamos porque as ondas
sonoras vão sofrendo uma perda de energia, como o objeto impulsionado sobre o
plano.
E o que tem isso que ver com os fenômenos paranormais?
A verdade é que, se os agentes paranormais atuam em nosso meio físico, eles têm
que estar sujeitos às leis desse meio: não podem contrariar seu princípio de
existência, embora ele, agente, pertença a outro domínio, ou seja, o psíquico
(ou parapsíquico), daí, ser dito "paranormal".
Estranhamente, os parapsicólogos, em sua maioria, parecem que ainda não pararam
a fim de pensar nisso, mas, se quisermos dar ao nosso estudo, um cunho
científico, temos que submetê-lo à regra das observações.
É disso, pois, que passaremos a falar.
Primeiramente, tudo indica que para o agente paranormal não se tenha fronteira;
erro crasso. A idéia de que, tanto o Espírito (desencarnado) como a alma,
possam se deslocar indistintamente para qualquer lugar, isto não significa
dizer que, ao atuarem no meio físico, seus poderes se tornem infinito. Seria
como um avião, ao lançar seu projétil: ele pode transportá-lo a qualquer
distância, mas, a partir do lançamento, este projétil só irá até onde seus
poderes o permitirem, motivo pelo qual se usa o avião para levá-lo ao local de
lançamento.
Então, é lei: todo agente paranormal, para realizar qualquer fenômeno, está
sujeito ao princípio de existência de um campo de atuação.
A coisa, porém, se complica, em face das novas descobertas científicas: segundo
estudos, os agentes estruturadores também são do domínio de existência dos
agentes que produzem o aludido fenômeno paranormal, só que os estudos
parapsicológicos se restringem aos fenômenos anímicos e mediúnicos. Eis a
diferença. Contudo, não podemos ignorar, conforme narro no meu livro
"Arquitetos do Universo" são esses mesmos agentes, ou seja, de mesma
origem, que atuam na energia cósmica para fazer com que o Universo tenha
existência.
Logo, também eles representam um fator vital, no domínio cósmico.
A "teoria do nada" vem reforçar tal afirmativa, porque, de fato, o
nada para nós, como está na Gênese de Kardec (cap. I) seria a influência dos
Entes pertencentes à Espiritualidade.
De fato, tudo se complica, porque, a partir de então, vai surgir uma nova
concepção relativa a "agentes paranormais" ou seja, se, por um lado,
eles não pertencem ao domínio material, acabam se tornando os responsáveis pela
sua existência. Vê-se isso ao analisar a formação do Universo a partir dos
respectivos estruturadores, que segundo estudos de astrofísica, vão se estender
desde a formação da partícula atômica elementar até a formação de sistemas
solares e, por conseguinte, em decorrência da lei do n +1, também, da formação
das galáxias, restando, apenas, o comando disso tudo a um Ente Superior, que
seria o Deus científico, coerente com o que nos fala Kardec em A Gênese (cap.
II) e completamente dissonante com o eu defendem todas as religiões, sem
exceção, inclusive as evangélicas.
Em síntese, o próprio campo de existência do fenômeno físico seria formado por
tais agentes, motivo pelo qual eles podem, perfeitamente, realizar qualquer
tipo de fenômeno compatível com as leis universais, inclusive os fenômenos
ditos paranormais.
E, para concluir, numa análise sucinta, a diferença existente entre o fenômeno
anímico e o fenômeno espirítico ou mediúnico é que este depende do médium para
apoio do agente espiritual atuante, enquanto que, no caso do anímico, o agente,
que é a alma encarnada, já tem o seu próprio corpo para sua ação.
|